MARCELO GOMES SODRÉ

Pro­fes­sor da PUC/SP

ELEIÇÕES:

ESQUECIMENTO X COMPROMISSO

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ESQUECIMENTO X COMPROMISSO

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ESQUECIMENTO X COMPROMISSO

(IN)

TOLERÂNCIAS

MARCELO GOMES SODRÉ

Pro­fes­sor da PUC/SP

MARCELO GOMES SODRÉ

Pro­fes­sor da PUC/SP

As enti­da­des de defe­sa dos con­su­mi­do­res, capi­ta­ne­a­das pelo IDEC, aca­bam de apre­sen­tar uma pla­ta­for­ma míni­ma para que as pro­mes­sas (dos can­di­da­tos) tenham algu­ma pos­si­bi­li­da­de de não cair no esque­ci­men­to”

   SOMOS O PAÍS DO ESQUECIMENTO. Fica­mos indig­na­dos, recla­ma­mos, esper­ne­a­mos e depois esque­ce­mos. A tra­gé­dia do Museu Naci­o­nal já é fato pas­sa­do. Alguém foi puni­do? Alguém foi res­pon­sa­bi­li­za­do? Não sabe­mos e, pas­sa­dos dois meses, olha­mos nos­sa recen­te indig­na­ção como algo que pare­ce ter acon­te­ci­do há mui­tos meses. O esque­ci­men­to é embur­re­ce­dor.

   NÃO SOMOS O PAÍS DO PERDÃO. O per­dão impli­ca olhar o pro­ble­ma de fren­te, enfren­tá-lo, para depois con­ti­nu­ar o cami­nho. No per­dão se apren­de: quem errou sofreu e tem uma razão para não errar mais; quem per­do­ou acei­tou a rea­li­da­de, mas está aten­to a tudo o que acon­te­ce.

   SOMOS O PAÍS DO VALE-TUDO. De todos os esque­ci­men­tos que nos asso­la, um me pare­ce mui­to gra­ve: pas­sa­dos pou­cos meses das elei­ções, já não sabe­mos em quem vota­mos e mui­to menos quais eram as pro­pos­tas dos can­di­da­tos. Nin­guém repre­sen­ta mais nin­guém e os elei­tos se sen­tem livres para somen­te pen­sar em como se ele­ger nova­men­te. Cum­prir o pro­me­ti­do? Para quê? As pes­so­as nem se lem­bram em quem vota­ram e mui­to menos quais eram as pro­mes­sas. E os elei­tos ficam livres, leves e sol­tos…

   PRECISAMOS SER O PAÍS DO COMPROMISSO. Pen­san­do nes­ta nos­sa rea­li­da­de, as enti­da­des de defe­sa dos con­su­mi­do­res, capi­ta­ne­a­das pelo IDEC, aca­bam de apre­sen­tar uma pla­ta­for­ma míni­ma para que os can­di­da­tos pos­sam se com­pro­me­ter com a defe­sa dos con­su­mi­do­res e para que as pro­mes­sas tenham algu­ma pos­si­bi­li­da­de de não cair no esque­ci­men­to. Vou dei­xar regis­tra­do nes­te espa­ço um resu­mo das dez pro­pos­tas mais impor­tan­tes aos can­di­da­tos:

   DEFESA EFETIVA DO CONSUMIDOR: for­ta­le­ci­men­to da polí­ti­ca de defe­sa do con­su­mi­dor e esco­lha de diri­gen­tes dos órgãos públi­cos entre espe­ci­a­lis­tas com­pro­me­ti­dos com essa cau­sa.

   AGÊNCIAS REGULADORAS A SERVIÇO DA POPULAÇÃO: auto­no­mia e a trans­pa­rên­cia das agên­ci­as regu­la­do­ras, que devem rea­fir­mar o com­pro­mis­so com o inte­res­se públi­co.

   DIREITO À SAÚDE: pre­ser­va­ção e for­ta­le­ci­men­to do Sis­te­ma Úni­co de Saú­de (SUS) e efe­ti­va regu­la­ção dos pla­nos de saú­de, para coi­bir prá­ti­cas e rea­jus­tes abu­si­vos.

   COMIDA SAUDÁVEL: ali­men­ta­ção ade­qua­da e sau­dá­vel, com a ado­ção de ini­ci­a­ti­vas para redu­zir o uso de agro­tó­xi­cos, infor­ma­ções nos rótu­los, res­tri­ção da publi­ci­da­de infan­til e medi­das fis­cais, de for­ma que pro­mo­va a Comi­da de Ver­da­de.

   BANCOS RESPONSÁVEIS: cri­a­ção de uma agên­cia regu­la­do­ra de ser­vi­ços finan­cei­ros e ado­ção de polí­ti­cas para pre­ve­nir o supe­ren­di­vi­da­men­to e dis­ci­pli­nar a publi­ci­da­de e a ofer­ta de cré­di­to.

   ENERGIA BARATA E SUSTENTÁVEL: tari­fas mais bai­xas de ener­gia elé­tri­ca, com trans­pa­rên­cia nos tri­bu­tos e encar­gos, além do estí­mu­lo ao uso de fon­tes reno­vá­veis.

   MAIS TRANSPORTES: inves­ti­men­tos efe­ti­vos em infra­es­tru­tu­ra de trans­por­te públi­co sobre tri­lhos, cor­re­do­res de ôni­bus e ciclo­vi­as e garan­tia de tari­fas de trans­por­te aces­sí­veis à popu­la­ção.

   ACESSO E QUALIDADE EM TELECOMUNICAÇÕES: aces­so aos ser­vi­ços de tele­co­mu­ni­ca­ções e Inter­net para todos, com a apro­va­ção de uma nova polí­ti­ca naci­o­nal de ban­da.

   DADOS PESSOAIS PROTEGIDOS: con­so­li­da­ção da pro­te­ção de dados pes­so­ais e cri­a­ção de um órgão res­pon­sá­vel, com auto­no­mia téc­ni­ca, finan­cei­ra e poder de fis­ca­li­za­ção.

   CONSUMO SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE SEGURO: ado­ção de polí­ti­cas para a pro­mo­ção do con­su­mo sus­ten­tá­vel e do uso raci­o­nal dos recur­sos natu­rais, com a melho­ria da qua­li­da­de de vida e da saú­de e redu­ção de impac­tos soci­ais e ambi­en­tais.

As enti­da­des de defe­sa dos con­su­mi­do­res, capi­ta­ne­a­das pelo IDEC, aca­bam de apre­sen­tar uma pla­ta­for­ma míni­ma para que as pro­mes­sas (dos can­di­da­tos) tenham algu­ma pos­si­bi­li­da­de de não cair no esque­ci­men­to”