REBECA DE MORAES

Sócia-fun­da­do­ra e
dire­to­ra da Auro­ra

A NOVA RELAÇÃO DOS

CONT( R )ATINHOS

A NOVA RELAÇÃO

DOS

CONT( R )ATINHOS

A NOVA RELAÇÃO DOS

CONT( R )ATINHOS

REBECA DE MORAES

Sócia-fun­da­do­ra e
dire­to­ra da Auro­ra

REBECA DE MORAES

Sócia-fun­da­do­ra e
dire­to­ra da Auro­ra

É o fim da fide­li­da­de cega e dos ‘brand lovers’”

    Não é exa­ge­ro dizer que hoje temos apli­ca­ti­vos para tudo. A vida moder­na nos deu a cone­xão rápi­da e dire­ta dos smartpho­nes e o mer­ca­do de con­su­mo é incan­sá­vel em pen­sar novas solu­ções de com­pra que pos­sam estar a, lite­ral­men­te, um cli­que de dis­tân­cia do con­su­mi­dor, seja brin­can­do de cor­rer a tela para a direi­ta ou para a esquer­da, seja pagan­do uma men­sa­li­da­de fixa para ter um moto­boy que pos­sa com­prar qual­quer coi­sa, a qual­quer momen­to.

Todos os apli­ca­ti­vos, de Uber a Tin­der, pas­san­do pelo Rap­pi, são apoi­a­dos numa mes­ma lógi­ca: são cen­tra­dos nos dese­jos dos usuá­ri­os, usan­do algo­rit­mos para ofe­re­cer a eles as esco­lhas mais acer­ta­das e que pos­sam real­men­te aju­dar (ain­da que isso pas­se por con­su­mir mui­to do seu tem­po fazen­do esco­lhas, como no caso da Net­flix, em que mui­tos pas­sam mais tem­po esco­lhen­do um fil­me do que efe­ti­va­men­te assis­tin­do a um), e estão sujei­tos à ava­li­a­ção mútua.

E é aqui que está pos­ta a mudan­ça: essa nova lógi­ca das rela­ções entre con­su­mi­do­res e mar­cas está extra­po­lan­do o ter­re­no dos apli­ca­ti­vos e a ten­dên­cia é que, nos pró­xi­mos anos, crie cada vez mais ruí­dos nas rela­ções inter­pes­so­ais e nas rela­ções de con­su­mo como um todo. Não é difí­cil enten­der o nível de influên­cia da tec­no­lo­gia sobre a nos­sa vida quan­do pen­sa­mos, por exem­plo, em como o Uber impac­tou todo o setor de trans­por­te indi­vi­du­al. Taxis­tas até hoje cor­rem atrás do pre­juí­zo, melho­ran­do o seu aten­di­men­to, ade­rin­do a apli­ca­ti­vos e até mes­mo bus­can­do melho­ri­as na legis­la­ção do setor.

A ten­dên­cia des­sa nova rela­ção entre con­su­mi­do­res e mar­cas é o que cha­ma­mos de Cont®atinhos: um novo jei­to de se rela­ci­o­nar que tem o dese­jo e a neces­si­da­de de expe­ri­men­tar como motor. Assim como nos rela­ci­o­na­men­tos amo­ro­sos moder­nos, em que esta­mos des­co­brin­do os Cont®atinhos como rela­ções que acon­te­cem entre o pri­mei­ro “mat­ch” (aque­le momen­to do apli­ca­ti­vo de paque­ra em que os dois lados são noti­fi­ca­dos sobre o inte­res­se mútuo) e um namo­ro, esta­mos des­co­brin­do o mes­mo fenô­me­no com as mar­cas: é o fim da fide­li­da­de cega e dos “brand lovers”.

Esta­mos sain­do da com­pra por repe­ti­ção, do con­su­mi­dor que ade­re a uma mar­ca por­que sua mãe e sua avó a usa­vam, para a mar­ca que pre­ci­sa se pro­var a cada com­pra. Nos Cont®atinhos, é pre­ci­so mos­trar a cada momen­to que você, como mar­ca, faz sen­ti­do na vida daque­la pes­soa. Não se tra­ta de infi­de­li­da­de, mas de uma nova fide­li­da­de. O con­su­mi­dor se mos­tra com­pro­me­ti­do com uma mar­ca que “me repre­sen­ta” para empres­tar uma ima­gem dos memes da inter­net.

Para mos­trar ao con­su­mi­dor que você é capaz de estar nes­sa posi­ção, é pre­ci­so ser mais do que a mar­ca sonho de con­su­mo; pre­ci­sa ser a mar­ca ami­ga, que tem dife­ren­tes face­tas que a tor­nam apta a estar per­to des­se cli­en­te em vári­os momen­tos do dia a dia. Recen­te­men­te, em entre­vis­ta para o The New York times, o CMO da Chi­po­tle dis­se que sua mis­são é ser uma mar­ca sobre a qual as pes­so­as têm cons­tan­te curi­o­si­da­de, não um logo­ti­po que se incor­po­ra como um bro­che. Um Cont®atinho é um tipo de rela­ção que pre­ci­sa ser reno­va­da a cada momen­to, em que nada está pos­to como cer­to. É um desa­fio e tan­to para nós.

É o fim da fide­li­da­de cega e dos ‘brand lovers’”