O CAMINHO PARA A REALIDADE DO CLIENTE

AS TECNOLOGIAS DE LOCALIZAÇÃO GANHAM CADA VEZ MAIS POSSIBILIDADESINCLUSIVE COM DIREITO AO ANONIMATO DO CONSUMIDOR

POR MELISSA LULIO

entro de um pré­dio his­tó­ri­co, loca­li­za­do no Mar­co Zero de Reci­fe, está uma empre­sa de tec­no­lo­gia que tem o obje­ti­vo e a ini­ci­a­ti­va de trans­for­mar a for­ma como cli­en­tes e empre­sas se rela­ci­o­nam. Com uma equi­pe de mais de 70 enge­nhei­ros – entre os 170 fun­ci­o­ná­ri­os da empre­sa –, a In Loco cri­ou uma tec­no­lo­gia de loca­li­za­ção 30 vezes mais pre­ci­sa do que o GPS.

Fun­da­da em 2014, a empre­sa con­ta com escri­tó­ri­os em São Pau­lo e no Rio de Janei­ro. Fora do Bra­sil, está pre­sen­te no Méxi­co e nos Esta­dos Uni­dos. Ape­sar de ser jovem, a empre­sa já con­ta com gran­des cli­en­tes como Maga­zi­ne Lui­za, Cacau Show, Hyun­dai entre outros.

 

CONFIRA A ENTREVISTA FEITA COM ANDRÉ FERRAZ, CEO DA IN LOCO.

CONSUMIDOR MODERNODE QUAIS FORMAS AS FERRAMENTAS DE GEOLOCALIZAÇÃO PODEM IMPACTAR A EXPERIÊNCIA DO CLIENTE?

     André Fer­raz – De diver­sas for­mas. Mas, para res­pon­der melhor, vou vol­tar um pou­co no tem­po. Creio que a mai­o­ria das pes­so­as se lem­bra da revo­lu­ção que o digi­tal cau­sou quan­do per­mi­tiu que as mar­cas iden­ti­fi­cas­sem o com­por­ta­men­to dos con­su­mi­do­res no ambi­en­te on-line e pos­si­bi­li­tou o cres­ci­men­to do e-com­mer­ce atra­vés da per­so­na­li­za­ção. Pois bem, a tec­no­lo­gia de loca­li­za­ção entre­ga jus­ta­men­te o que de mais pre­ci­o­so o digi­tal entre­gou para as mar­cas: dados sobre o com­por­ta­men­to do con­su­mi­dor só que ago­ra no mun­do físi­co.

CM – E QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE CONHECER O CONSUMIDOR NO DIGITAL E NO AMBIENTE FÍSICO?

     AF – Essa dife­ren­ça é fun­da­men­tal por­que quan­do fala­mos no ambi­en­te digi­tal fala­mos em com­por­ta­men­to aspi­ra­ci­o­nal, e quan­do fala­mos no mun­do off-line fala­mos no com­por­ta­men­to real. Um exem­plo é uma pes­soa que ado­ra motos, pes­qui­sa tudo sobre o assun­to na inter­net, mas, por algum moti­vo, jamais vai com­prar uma moto e con­ti­nua impac­ta­da com anún­ci­os. Se mape­ar­mos o com­por­ta­men­to des­sa pes­soa no mun­do físi­co, pode­mos mape­ar quais são os esta­be­le­ci­men­tos que ela fre­quen­ta e ofe­re­cer pro­du­tos que, de fato, ela tenha inte­res­se em adqui­rir.

André Fer­raz, CEO da In Loco

CMDE QUAL FORMA ESSA TECNOLOGIA PODE MUDAR A ATUAÇÃO DAS EMPRESAS?

     AF – Toda essa dinâ­mi­ca impac­ta – e melho­ra – a expe­ri­ên­cia do cli­en­te por­que as mar­cas pas­sam a ter infor­ma­ções cada vez mais con­tex­tu­a­li­za­das sobre seus con­su­mi­do­res. Essa gama de dados se trans­for­ma em infor­ma­ções e em estra­té­gi­as para que a expe­ri­ên­cia seja cada vez mais par­ti­cu­lar, mais rele­van­te e mais rica para o con­su­mi­dor. Um deta­lhe impor­tan­te de fri­sar é que tudo isso é pos­sí­vel ao se mape­ar o com­por­ta­men­to, sem aces­sar a iden­ti­da­de do con­su­mi­dor. Na In Loco, pri­va­ci­da­de é ine­go­ciá­vel.

CMCOMO A QUESTÃO DA PRIVACIDADE É TRABALHADA NA EMPRESA?

     AF – Com a tec­no­lo­gia de loca­li­za­ção, con­se­gui­mos mape­ar onde e quan­do os con­su­mi­do­res esti­ve­ram sem nun­ca aces­sar dados pes­so­ais como nome, CPF ou e-mail e assim tra­çar os per­fis com­por­ta­men­tais. Mes­mo assim, hoje temos uma pre­ci­são que nos per­mi­te saber o local exa­to em que o con­su­mi­dor está, mes­mo em um ambi­en­te indo­or, como um cen­tro comer­ci­al com shop­ping, escri­tó­ri­os e apar­ta­men­tos. É pos­sí­vel saber se ele está tra­ba­lhan­do, moran­do, ten­do momen­tos de lazer.

CMPODEMOS CONSIDERAR QUE O SERVIÇO DE LOCALIZAÇÃO É FOCADO APENAS EM COMUNICAÇÃO?

     AF – No caso da In Loco, pode­mos dizer que não. Somos uma empre­sa de tec­no­lo­gia e de mídia. Cri­ar solu­ções para pro­ble­mas de comu­ni­ca­ção entre mar­cas e con­su­mi­do­res é uma de nos­sas atu­a­ções (In Loco Media), mas tam­bém usa­mos a tec­no­lo­gia de loca­li­za­ção para aumen­tar o enga­ja­men­to dos usuá­ri­os com apli­ca­ti­vos (In Loco Enga­ge), para pre­ven­ção de frau­des, além de outras fren­tes que esta­mos desen­vol­ven­do.