CAIO BLINDER

Jor­na­lis­ta e um dos apre­sen­ta­do­res do pro­gra­ma Manhat­tan Con­nec­ti­on da Glo­bo­News

OS FUROS DA

STARBUCKS

OS FUROS DA

STARBUCKS

OS FUROS DA

STARBUCKS

CAIO BLINDER
Jor­na­lis­ta e um dos
apre­sen­ta­do­res do pro­gra­ma
Manhat­tan Con­nec­ti­on
da Glo­bo­News

CAIO BLINDER
Jor­na­lis­ta e um dos
apre­sen­ta­do­res do pro­gra­ma
Manhat­tan Con­nec­ti­on
da Glo­bo­News

A Star­bucks pre­ci­sou rea­fir­mar que todos que entram numa fili­al ame­ri­ca­na são con­vi­da­dos, seja para con­su­mir ou não”

    Eu vou falar de assun­tos mui­to pri­va­dos nes­ta colu­na. Sem­pre asso­ci­ei a Star­bucks a três coi­sas: meu dop­pio espres­so mac­chi­a­to, escri­tó­rio ambu­lan­te e banhei­ro. A rede glo­bal de café ganhou man­che­tes com a neces­si­da­de de escla­re­cer a polí­ti­ca para aco­mo­dar cli­en­tes e cida­dãos em geral.

    Sema­nas atrás hou­ve a con­tro­vér­sia sobre dois homens negros que foram pre­sos em uma Star­bucks da Fila­dél­fia quan­do que­ri­am usar o banhei­ro. A empre­sa des­lan­chou uma cam­pa­nha de rela­ções públi­cas em rea­ção à polê­mi­ca, com fecha­men­to por uma tar­de para trei­na­men­to de “sen­si­bi­li­da­de soci­al” dos fun­ci­o­ná­ri­os, ou seja, anti­dis­cri­mi­na­ção, e pre­ci­sou rea­fir­mar seu papel pio­nei­ro na cul­tu­ra cívi­ca ame­ri­ca­na.

    A Star­bucks, afi­nal, há déca­das se impôs como uma espé­cie de local qua­se públi­co, um “ter­cei­ro lugar”, entre a casa e o local de tra­ba­lho ou mera­men­te entre a casa e a rua. Ago­ra, a Star­bucks pre­ci­sou rea­fir­mar que todos que entram numa fili­al ame­ri­ca­na são con­vi­da­dos, seja para con­su­mir ou não.

    O ris­co para a Star­bucks, em par­ti­cu­lar no cen­tro de cida­des, foi se con­ver­ter em Casa da Mãe Joa­na, e os escla­re­ci­men­tos não devem resol­ver o pro­ble­ma. A ideia ago­ra é que haja con­sul­tas entre fun­ci­o­ná­ri­os para saber se um “con­vi­da­do” pode ou não ficar no recin­to. Pode ser des­pa­cha­do por mau com­por­ta­men­to, que inclui ati­vi­da­des como ven­der dro­gas, inco­mo­dar outros “con­vi­da­dos” ou sim­ples­men­te usar o café como abri­go de sem-teto.

    No fim das con­tas, a polí­ti­ca da Star­bucks, ape­sar de algu­mas con­tro­vér­si­as, é bem-suce­di­da, se tor­nou um padrão, e foi copi­a­da por outras gran­des redes. O con­su­mi­dor ou não con­su­mi­dor se sen­te em casa, rece­ben­do incen­ti­vos para alon­gar sua esta­dia. Cla­ro que sem­pre exis­te o ris­co. A gen­te sabe que con­vi­da­do em nos­sa casa é como pei­xe. Depois de alguns dias…

    Pelo menos nos EUA, está cla­ro que a Star­bucks há mui­to dei­xou de ser um mero busi­ness. Ela tem esta carac­te­rís­ti­ca de ser um local qua­se públi­co. A gene­ro­si­da­de pre­ci­sa ser cali­bra­da, mas não rene­ga­da. Nem todos gos­tam da polí­ti­ca. Um tro­ca­di­lho habi­tu­al por estes dias é que o café da Star­bucks é for­te, mas a ges­tão do negó­cio é fra­ca.

    Eu dis­cor­do. Bas­ta ver que em mui­tas cida­des ame­ri­ca­nas somos reféns da Star­bucks (são oito mil fili­ais no país) caso a gen­te quei­ra tomar café ou pre­ci­se de um escri­tó­rio de emer­gên­cia ou ir ao banhei­ro. Curi­o­sa­men­te, a cri­se de repu­ta­ção explo­diu entre seto­res que, de fato, tra­tam a Star­bucks como Casa da Mãe Joa­na. Tor­nou-se uma obri­ga­ção da rede aco­lher qual­quer um sem dis­cri­mi­na­ção, como se fos­se uma ONG ou uma autar­quia públi­ca.

    De novo, a Star­bucks está num lugar esqui­si­to, um “ter­cei­ro lugar”. Exis­tem estas peque­nas racha­du­ras na repu­ta­ção, mas a rede fez bem em man­ter sua polí­ti­ca de por­tas aber­tas com alguns escla­re­ci­men­tos. Quan­to a mim, fre­quen­ta­dor con­tu­maz (qua­se sem­pre pagan­te), man­te­nho minha quei­xa. Por que pre­ci­so ser aten­di­do em mui­tas fili­ais por gen­te tão fura­da, nes­ta ido­la­tria ao pier­cing? Com que cara eu vou defen­der a Star­bucks?

A Star­bucks pre­ci­sou rea­fir­mar que todos que entram numa fili­al ame­ri­ca­na são con­vi­da­dos, seja para con­su­mir ou não”