PAI­XÃO POR RESOL­VER GRAN­DES PRO­BLE­MAS

POR IVAN VEN­TU­RA

Em 2013, Uri Levi­ne, um dos cri­a­do­res do Waze, e seus dois sóci­os, na épo­ca, ven­de­ram o apli­ca­ti­vo para o Goo­gle por US$ 1,1 bilhão. O trio foi con­vi­da­do, então, para inte­grar o time de altos exe­cu­ti­vos da com­pa­nhia. Levi­ne foi o úni­co que decli­nou. Pre­fe­riu pegar a sua par­ti­ci­pa­ção no negó­cio e inves­tir em oito star­tups, a mais famo­sa delas, a Moo­vit (apli­ca­ti­vo de mobi­li­da­de que infor­ma gra­tui­ta­men­te sobre o trans­por­te públi­co). Em entre­vis­ta à Con­su­mi­dor Moder­no, o isra­e­len­se falou sobre o cená­rio da ino­va­ção no Bra­sil, o atu­al papel do apli­ca­ti­vo e o medo do fra­cas­so no ambi­en­te da ino­va­ção.

CMESTE­VE RECEN­TE­MEN­TE AO BRA­SIL. QUAIS SÃO AS SUAS IMPRES­SÕES SOBRE O CENÁ­RIO DA INO­VA­ÇÃO POR AQUI? PRE­TEN­DE INVES­TIR EM UMA EMPRE­SA BRA­SI­LEI­RA?

UL - A boa notí­cia é que o ambi­en­te está melho­ran­do. A má notí­cia é que ele é bem ruim. É uma dro­ga por­que se um bra­si­lei­ro inves­te na minha star­tup em Isra­el ou no meu fun­do ele não paga impos­to no meu país. Mas se eu inves­tir em uma star­tup bra­si­lei­ra pago impos­to no Bra­sil. O medo do fra­cas­so é alto; não há enge­nhei­ros sufi­ci­en­tes, e a tri­bu­ta­ção não está apoi­an­do os inves­ti­do­res estran­gei­ros.

CON­SU­MI­DOR MODER­NO – É VER­DA­DE QUE PRE­FE­RE ANDAR DE BICI­CLE­TA A DIRI­GIR UM CAR­RO? MEI­OS DE TRANS­POR­TE ALTER­NA­TI­VOS NÃO SERI­AM UM AME­A­ÇA AO WAZE, POR EXEM­PLO?

Uri Levi­ne - Hoje, o engar­ra­fa­men­to é bem pior do que há dez anos. O Waze não resol­veu esse pro­ble­ma e eu ain­da estou mui­to inte­res­sa­do em solu­ci­o­nar isso. Exis­tem pou­cas manei­ras de se fazer: aumen­tar a pro­por­ção de pes­so­as por veí­cu­lo (por meio de trans­por­te públi­co, por exem­plo), redu­zir o tama­nho do veí­cu­lo ou usar uma bici­cle­ta. Eu uso os dois por­que odeio trân­si­to.

CM – O GRAN­DE TRUN­FO DAS STAR­TUPS É ATU­AR NO GAP DAS EMPRE­SAS CON­VEN­CI­O­NAIS. TEMOS COMO EXEM­PLO AS FIN­TE­CHS E AS INSUR­TE­CHS. NA SUA AVA­LI­A­ÇÃO, QUAL LACU­NA AIN­DA NÃO FOI EXPLO­RA­DA?

UL – De novo, a má notí­cia é que há tone­la­das de pro­ble­mas para resol­ver. A boa é que exis­tem mui­tos pro­ble­mas para resol­ver. Todo gran­de mer­ca­do com ine­fi­ci­ên­cia exi­ge mudan­ças e há espa­ço para o sur­gi­men­to de uma empre­sa que vai mudar o mun­do.