Tunde Kehinde

UMA REVOLUÇÃO NA ÁFRICA

POR ANDRÉ JANKAVSI

O con­ti­nen­te afri­ca­no ain­da é um mer­ca­do a ser explo­ra­do. O poten­ci­al está nos núme­ros: um PIB de US$ 2,2 tri­lhões, uma popu­la­ção de 1,2 bilhão de pes­so­as, sen­do a média de ida­de infe­ri­or a 20 anos. Ao mes­mo tem­po, é de conhe­ci­men­to geral a difi­cul­da­de que o con­ti­nen­te tem para se desen­vol­ver. Empre­en­de­do­res, no entan­to, ten­tam mudar esse cená­rio. É o caso do nige­ri­a­no Tun­de Kehin­de, cofun­da­dor das star­tups ACE e Lydia. A pri­mei­ra tra­ba­lha com logís­ti­ca, uma espé­cie de Uber das entre­gas na Nigé­ria. A segun­da é uma fin­te­ch que vem dan­do cré­di­to para peque­nos negó­ci­os a par­tir de uma nota de ava­li­a­ção cri­a­da pela pró­pria com­pa­nhia. Con­fi­ra, a seguir, a visão de negó­ci­os de Kehin­de sobre o con­ti­nen­te afri­ca­no.

CM — Os inves­ti­do­res estão olhan­do mais para a Áfri­ca?

Tun­de Kehin­de - Eu acre­di­to que sim! Esta­mos rece­ben­do alguns apor­tes e o ambi­en­te está melho­ran­do por lá. Os inves­ti­do­res já colo­ca­ram dinhei­ro na Chi­na, na Índia e até mes­mo na Amé­ri­ca Lati­na. Ago­ra, estão pro­cu­ran­do novos luga­res para inves­tir e a Áfri­ca apa­re­ce com um gran­de poten­ci­al. Lá você pode cons­truir o futu­ro, como um setor finan­cei­ro sem res­tri­ções.

CM — Como vocês fazem para dar cré­di­to a empre­sas que sequer têm balan­ço?

TK - Nós olha­mos para todos os dados dis­po­ní­veis. Mas dois parâ­me­tros são fun­da­men­tais: o per­fil da empre­sa, os dados ban­cá­ri­os e qual­quer reci­bo que tenha. Temos um espe­ci­a­lis­ta nes­se tipo de aná­li­se. O segun­do pon­to para o qual olha­mos são as con­tas que você paga. Os regis­tros de paga­men­tos, se o empre­en­de­dor tem algum tipo de segu­ro, quem são os seus for­ne­ce­do­res e afins. Ana­li­sa­mos uns cem pon­tos e cri­a­mos uma nota. Tudo é fei­to de manei­ra digi­tal.

CM — Você tem par­ce­ri­as com ban­cos ou ins­ti­tui­ções finan­cei­ras?

TK - Temos sim. Tra­ba­lha­mos com todos os tipos de empre­sas. Pode ser ban­co, indús­tria… Na Áfri­ca, essas empre­sas fazem mui­tas tran­sa­ções com peque­nos comér­ci­os. O que faze­mos é ana­li­sar os dados e aju­dar as empre­sas a cres­ce­rem. Eu vou para a Coca-Cola e falo: dei­xe eu ver quem está com­pran­do de você. Eu dou cré­di­to para essas pes­so­as, que pas­sam a com­prar mais da Coca-Cola. O mes­mo acon­te­ce com um ban­co e afins. A ideia é fazer par­ce­ri­as como as gran­des empre­sas para desen­vol­ver os peque­nos negó­ci­os.

CM — Como ace­le­rar esse pro­ces­so?

TK - Temos de con­ti­nu­ar inves­tin­do e fazer com que a Áfri­ca tenha um ambi­en­te de negó­ci­os mais sim­ples de se tra­ba­lhar. Temos de inves­tir em infra­es­tru­tu­ra, em saú­de e em ener­gia tam­bém. E, quan­to melhor o ambi­en­te de negó­ci­os, mais fácil de atrair empre­sas e capi­tal para desen­vol­ver o con­ti­nen­te.