Uma via de mão única

MUDANÇAS EM TORNO DA MOBILIDADE URBANA PROMETEM TRANSFORMAR NEGÓCIOS E INSERIR NOVOS PLAYERS NO MERCADO

POR NATÁLIA FLACH  E ANA PAULA MACHADO

m 1800, ape­nas 2% da popu­la­ção mun­di­al vivi­am em cida­des. Hoje, essa fatia é de 50% e, a cada sema­na, 1,5 milhão de pes­so­as migram para essa esta­tís­ti­ca. Não à toa, de acor­do com estu­do da PwC, mega­ló­po­les como Nova York, Pequim, Xan­gai e Lon­dres terão de inves­tir mais de US$ 8 tri­lhões em infra­es­tru­tu­ra nos pró­xi­mos dez anos para ofe­re­cer mobi­li­da­de e qua­li­da­de de vida a seus habi­tan­tes. Nes­se sen­ti­do, agen­tes públi­cos, empre­sá­ri­os e cida­dãos têm papel fun­da­men­tal na trans­for­ma­ção de cen­tros urba­nos em ambi­en­tes mais ami­gá­veis. Mas isso deve ser fei­to res­pei­tan­do o DNA de cada cida­de. Segun­do estu­dos do Cope­nha­gen Ins­ti­tu­te for Futu­res Stu­di­es – CIFS – a urba­ni­za­ção é umas das prin­ci­pais mega­trends dos pró­xi­mos 20 anos. A esti­ma­ti­va é que cer­ca de 90% da popu­la­ção mun­di­al pas­se a viver nas cida­des, 95% no Bra­sil.

     Head de mobi­li­da­de urba­na da WRI Bra­sil – ins­ti­tui­ção que trans­for­ma gran­des idei­as em ações para pro­mo­ver, entre outras coi­sas, solu­ções sus­ten­tá­veis para as cida­des – Cris­ti­na Albu­quer­que cita duas ini­ci­a­ti­vas que vêm dan­do cer­to por aqui. A pri­mei­ra delas é o sis­te­ma de trans­por­te de ôni­bus rápi­do BRT (Move) de Belo Hori­zon­te, que con­tem­pla pis­tas e fai­xas exclu­si­vas para os ôni­bus e embar­que e desem­bar­que no mes­mo nível entre a esta­ção e o piso do veí­cu­lo, eli­mi­nan­do degraus. Uma cen­tral moni­to­ra a ope­ra­ção dos ôni­bus (equi­pa­dos com GPS), con­tro­lan­do a velo­ci­da­de e o tem­po de che­ga­da. Já em São Pau­lo, uma mudan­ça que teve retor­no posi­ti­vo foi a implan­ta­ção da fai­xa exclu­si­va de ôni­bus. “Hou­ve, inclu­si­ve, redu­ção de gas­tos, pois os ôni­bus con­se­guem tra­fe­gar mais livre­men­te, o que sig­ni­fi­ca eco­no­mia de com­bus­tí­vel”, diz Cris­ti­na.

     Segun­do uma pes­qui­sa do Ser­vi­ço de Pro­te­ção ao Cré­di­to (SPC Bra­sil) e da Con­fe­de­ra­ção Naci­o­nal de Diri­gen­tes Lojis­tas (CNDL), se hou­ves­se uma boa alter­na­ti­va de trans­por­te cole­ti­vo, seis em cada dez moto­ris­tas bra­si­lei­ros dei­xa­ri­am de uti­li­zar seus veí­cu­los par­ti­cu­la­res para tra­je­tos do dia a dia. Para Fer­nan­do Che­min, dire­tor da PwC Bra­sil, o pon­to fun­da­men­tal é qua­li­da­de, ou seja, uma expe­ri­ên­cia mais agra­dá­vel aos usuá­ri­os.

     “Temos que pen­sar não em mobi­li­da­de urba­na e, sim, em mobi­li­da­de huma­na”, diz. “Exis­tem vári­os cená­ri­os dife­ren­tes no Bra­sil: há cida­des que não com­por­tam car­ros e exis­tem vári­as comu­ni­da­des no Nor­te do País cujos prin­ci­pais mei­os de trans­por­te são cano­as e bal­sas. Por isso, a geo­gra­fia e a cul­tu­ra pre­ci­sam ser leva­das em con­si­de­ra­ção no momen­to de fazer pla­ne­ja­men­to”. Há ain­da outra variá­vel impor­tan­te nes­sa equa­ção: a tec­no­lo­gia. Segun­do Miguel Geno­ve­se, dire­tor da PwC, as novas fer­ra­men­tas podem aju­dar na logís­ti­ca de modais ao for­ne­cer dados e inte­li­gên­cia. “Em uma cida­de inte­li­gen­te, a tec­no­lo­gia está pre­sen­te, mas os cida­dãos não a per­ce­bem”.

     Outro fator pre­pon­de­ran­te é o esti­lo de vida de novas gera­ções, como os Mil­len­ni­als, que pre­fe­rem expe­ri­ên­cia a pos­se. Uma pes­qui­sa da Ale­lo com jovens de nove capi­tais bra­si­lei­ras mos­tra que 55,4% dos jovens de 16 a 24 anos não pos­su­em CNH (Car­tei­ra Naci­o­nal de Habi­li­ta­ção) e 41,1% não têm inte­res­se ou neces­si­da­de de com­prar um car­ro. Faz sen­ti­do. Se antes era neces­sá­rio com­prar um car­ro para poder uti­li­zá-lo, ago­ra há apli­ca­ti­vos que ser­vem para cada tipo de con­su­mo. Para aque­les que pre­ci­sam do veí­cu­lo por algu­mas horas, exis­tem solu­ções como o Zip­car. Já quem pre­fe­re ser leva­do de um pon­to para o outro, pode bai­xar o Uber. E se a neces­si­da­de for de uma caro­na mais lon­ga, como uma via­gem inter­mu­ni­ci­pal, há opções como o Bla­Bla­Car. Ou seja, as mon­ta­do­ras dei­xa­ram de ser a úni­ca for­ma de con­se­guir um auto­mó­vel. Não à toa, as empre­sas que estão mudan­do o mer­ca­do não estão cri­an­do pro­du­tos novos, mas novas manei­ras de con­su­mir. Das cin­co empre­sas nova­tas mais vali­o­sas do mun­do, atu­al­men­te, ape­nas a chi­ne­sa Xia­o­mi – vol­ta­da para apa­re­lhos como smartpho­nes – pro­duz ati­vos físi­cos. As demais (WeWork, Airbnb, Uber e Didi Chu­xing) são vol­ta­das para ser­vi­ços.

PARA FICAR DE OLHO

As trans­for­ma­ções pelas quais a mobi­li­da­de urba­na vem pas­san­do vão impac­tar de for­ma avas­sa­la­do­ra os negó­ci­os. Eis algu­mas ten­dên­ci­as:

Miguel Geno­ve­se e Fer­nan­do Che­min, da PwC Bra­sil

Ter ou não ter?

Eis a ques­tão 

DIANTE DE CONSUMIDORES CADA VEZ MENOS APEGADOS E MAIS CONECTADOS, FABRICANTES E LOCADORAS DE VEÍCULOS BUSCAM NOVAS FORMAS DE OFERTAR SERVIÇOS

     Se ter um car­ro não é mais o sonho dos jovens, empre­sas que têm o auto­mó­vel como prin­ci­pal ati­vo estão em bus­ca de um novo cami­nho. “Ter o bem está dei­xan­do de ser pri­o­ri­da­de. O impor­tan­te é ter mobi­li­da­de, che­gar ao des­ti­no. Por isso, a conec­ti­vi­da­de e os ser­vi­ços que pri­o­ri­zam isso estão cada vez mais popu­la­res no mun­do e no Bra­sil”, afir­ma Antô­nio Jor­ge Mar­tins, coor­de­na­dor aca­dê­mi­co da Cadeia Auto­mo­ti­va da Fun­da­ção Getu­lio Var­gas (FGV). Se há cin­co anos não se ima­gi­na­va o uso de apli­ca­ti­vos de trans­por­te como Uber, hoje é impos­sí­vel não levar em con­si­de­ra­ção ser­vi­ços des­se tipo. “Por isso, mon­ta­do­ras e loca­do­ras devem se aten­tar ao novo mode­lo de negó­ci­os que está se pro­pa­gan­do por aqui e por todo o pla­ne­ta. As mon­ta­do­ras estão de olho no com­par­ti­lha­men­to de veí­cu­los e as loca­do­ras, em ser­vi­ços de auxí­lio aos moto­ris­tas de apli­ca­ti­vos”, acres­cen­ta.

     Segun­do o espe­ci­a­lis­ta, em 2025, de 25% a 30% do fatu­ra­men­to das fabri­can­tes de veí­cu­los virão de ser­vi­ços rela­ci­o­na­dos à mobi­li­da­de. “É um cami­nho sem vol­ta. As empre­sas estão aten­tas a isso e bus­cam solu­ções para não mor­re­rem. A ten­dên­cia é sur­gir novas moda­li­da­des de pres­ta­ção de ser­vi­ços ao con­su­mi­dor. Na ver­da­de, o con­su­mi­dor é quem vai ditar a mudan­ça no jei­to de ir e vir”, res­sal­ta.

     Con­si­de­ra­da a mai­or empre­sa de loca­ção de veí­cu­los do País, a Loca­li­za tem inves­ti­do no desen­vol­vi­men­to de novos ser­vi­ços para melho­rar a expe­ri­ên­cia do usuá­rio. Uma das estra­té­gi­as é se apro­xi­mar de star­tups por meio de par­ce­ri­as. “Pela ace­le­ra­do­ra Órbi, con­se­gui­mos ter aces­so aos novos ser­vi­ços de mobi­li­da­de que estão sur­gin­do e, com isso, ava­li­a­mos pro­je­tos e inves­ti­mos naque­les que fazem sen­ti­do para a gen­te”, afir­ma Bru­no Lasansky, dire­tor da divi­são de alu­guel de car­ros da empre­sa. Além dis­so, a Loca­li­za tem- se apro­xi­ma­do cada vez mais dos moto­ris­tas de apli­ca­ti­vos e dos cli­en­tes de loca­ção. “A ten­dên­cia de com­par­ti­lha­men­to de veí­cu­los que, no pas­sa­do, nos pare­cia o cami­nho mais viá­vel não tem-se mos­tra­do uma alter­na­ti­va com retor­no econô­mi­co inte­res­san­te. Por isso, mui­tas empre­sas, como a nos­sa, estão cri­an­do ser­vi­ços para auxi­li­ar os moto­ris­tas de apli­ca­ti­vos. São con­di­ções de alu­guel de car­ro mais van­ta­jo­sas do que as do alu­guel comum”, afir­mou.   

     No fim do ano pas­sa­do, a loca­do­ra lan­çou o Loca­li­za Fast, um ser­vi­ço no qual tudo é fei­to pelo app – da reser­va à reti­ra­da do veí­cu­lo. Ao che­gar à agên­cia, por exem­plo, bas­ta fazer o check-in e o reco­nhe­ci­men­to faci­al pelo celu­lar para rece­ber o núme­ro da vaga e a pla­ca do veí­cu­lo. Ou seja, tudo é fei­to sem filas e sem a neces­si­da­de de aten­di­men­to huma­no. “Esse foi um inves­ti­men­to alto que fize­mos, mas con­se­gui­mos aumen­tar – e mui­to – a nos­sa recei­ta com loca­ção”, garan­te Lasansky. Outro ser­vi­ço que tem melho­ra­do o fatu­ra­men­to da com­pa­nhia é o alu­guel men­sal flex. “Essa moda­li­da­de de loca­ção é mui­to pro­cu­ra­da por aque­les cli­en­tes que que­rem pos­ter­gar a com­pra de seu car­ro ou não veem a neces­si­da­de de ter um auto­mó­vel pró­prio na gara­gem”, diz o exe­cu­ti­vo. A loca­ção de um mode­lo econô­mi­co, que rode até 3 mil quilô­me­tros por mês, sai em média R$ 1,6 mil. Nes­te caso, o cli­en­te não pre­ci­sa se pre­o­cu­par com manu­ten­ção, impos­tos e segu­ro.

O MOVIMENTO DAS MONTADORAS

     Se anti­ga­men­te tra­fe­gar em um car­ro sem moto­ris­ta era pos­sí­vel ape­nas em fil­mes de fic­ção cien­tí­fi­ca, ago­ra é uma rea­li­da­de; ao menos, em tes­tes con­du­zi­dos por fabri­can­tes de auto­mó­veis e empre­sas de tec­no­lo­gia que bus­cam pro­por­ci­o­nar essa expe­ri­ên­cia a pas­sa­gei­ros de todo o mun­do. A expec­ta­ti­va é que veí­cu­los autô­no­mos ganhem as ruas em bre­ve e sejam usa­dos não somen­te como mei­os de trans­por­te, mas tam­bém como gera­do­res de dados sobre os usuá­ri­os e sobre o trân­si­to. Não à toa, a indús­tria auto­mo­ti­va está viven­do uma ver­da­dei­ra trans­for­ma­ção e tem inves­ti­do em ino­va­ções dis­rup­ti­vas.

     A Fiat Chrys­ler Auto­mo­bi­les (FCA), por exem­plo, man­tém dois Cen­tros de Pes­qui­sa e Desen­vol­vi­men­to, loca­li­za­dos em Betim (MG) e Reci­fe (PE) que, com as demais uni­da­des no mun­do, con­ce­bem o futu­ro do auto­mó­vel. Com cer­ca de 1.500 pro­fis­si­o­nais, a equi­pe de enge­nha­ria da FCA no Bra­sil se dedi­ca a pro­je­tos de ino­va­ção em áre­as como ener­gia, meio ambi­en­te, ergo­no­mia e con­for­to, segu­ran­ça e pra­zer ao diri­gir. Entre os pro­je­tos em anda­men­to está em estu­do um módu­lo simi­lar a um SIM Card que per­mi­te conec­tar o auto­mó­vel com a mon­ta­do­ra, o pro­pri­e­tá­rio com a con­ces­si­o­ná­ria e vice-ver­sa. “Assim, for­ma­mos um ecos­sis­te­ma de comu­ni­ca­ção”, afir­ma Bre­no Kamei, dire­tor de estra­té­gia de pro­du­to da FCA para a Amé­ri­ca Lati­na. Isso per­mi­te, por exem­plo, que o moto­ris­ta aci­o­ne um coman­do e remo­ta­men­te ligue o car­ro e o ar-con­di­ci­o­na­do para, quan­do che­gar ao veí­cu­lo, já estar na tem­pe­ra­tu­ra dese­ja­da.

     A conec­ti­vi­da­de ain­da per­mi­ti­rá que o pas­sa­gei­ro desem­pe­nhe outras tare­fas enquan­to esti­ver a bor­do do veí­cu­lo, como man­dar men­sa­gens e fazer com­pras. “Isso sig­ni­fi­ca aden­sar a jor­na­da do cli­en­te, pois per­mi­te que o con­du­tor este­ja inte­gra­do ao seu mun­do, inte­ra­gin­do a dis­tân­cia”, diz Kamei. “Conec­ti­vi­da­de está nos pla­nos da FCA, e o Bra­sil tem pro­ta­go­nis­mo nes­se sen­ti­do, devi­do ao per­fil do con­su­mi­dor bra­si­lei­ro, que é alta­men­te conec­ta­do”.

     A Ford tam­bém está apos­tan­do na conec­ti­vi­da­de. O Sync 3, o mais moder­no sis­te­ma ope­ra­ci­o­nal da mon­ta­do­ra desen­vol­vi­do em par­ce­ria com a Micro­soft, está embar­ca­do no novo Ecos­port Storm e dá aces­so a 18 apli­ca­ti­vos, entre eles UOL Notí­ci­as, Web­So­no­ra, Bra­des­co Exclu­si­ve e Tou­ch Piz­za. A ideia é que tec­no­lo­gia auxi­lie e entre­te­nha os moto­ris­tas, enquan­to esti­ve­rem para­dos no trân­si­to. Já a ver­são High­li­ne do mode­lo Vir­tus da Volkswa­gen pos­sui o sis­te­ma Dis­co­ver Media que per­mi­te se conec­tar com os smartpho­nes por meio do App-Con­nect. Com tela colo­ri­da sen­sí­vel ao toque de 8 pole­ga­das e sen­sor de apro­xi­ma­ção, ofe­re­ce ampla inte­ra­ti­vi­da­de, com vári­as opções de infor­ma­ção e entre­te­ni­men­to. Per­mi­te cone­xão Blu­e­to­oth para até dois celu­la­res e pos­sui uma entra­da USB – além das entra­das no pai­nel e para o ban­co tra­sei­ro. Traz tam­bém os recur­sos de coman­do de voz e nave­ga­ção inte­gra­dos.

     Por sua vez, a Mer­ce­des-Benz apos­ta na inte­li­gên­cia arti­fi­ci­al. “Um dos nos­sos prin­ci­pais pila­res é inves­tir con­ti­nu­a­men­te no desen­vol­vi­men­to de tec­no­lo­gia em prol da segu­ran­ça e conec­ti­vi­da­de”, afir­ma Dir­lei Dias, head de ven­das auto­mó­veis da Mer­ce­des-Benz do Bra­sil. É o caso do lan­ça­men­to do Clas­se E com seus sis­te­mas de con­du­ção semi­autô­no­ma em 2016 e, ago­ra, do recém-apre­sen­ta­do MBUX (Mer­ce­des-Benz User Expe­ri­en­ce), que trans­for­mou o Clas­se A em um ver­da­dei­ro celu­lar sobre rodas, refor­çan­do o com­pro­mis­so com o con­su­mi­dor de pro­por­ci­o­nar ver­da­dei­ras expe­ri­ên­ci­as. Lan­ça­do na Euro­pa recen­te­men­te, o Clas­se A deve desem­bar­car no Bra­sil até o ano que vem e o seu dife­ren­ci­al é a sua capa­ci­da­de de apren­der com o moto­ris­ta. A ideia é que o auto­mó­vel “apren­da” exa­ta­men­te a tem­pe­ra­tu­ra e a altu­ra do ban­co ide­ais para o moto­ris­ta, por exem­plo.

     De acor­do com uma pes­qui­sa da Accen­tu­re, até 2030, a recei­ta com a ven­da de veí­cu­los deve­rá cres­cer mar­gi­nal­men­te, no entan­to, o lucro deve­rá enco­lher, recu­an­do dos atu­ais € 126 bilhões para € 122 bilhões. Por outro lado, o fatu­ra­men­to de ser­vi­ços rela­ci­o­na­dos à mobi­li­da­de deve aumen­tar bas­tan­te, sain­do dos atu­ais € 220 bilhões e alcan­çan­do € 1,2 tri­lhão. Não à toa, a Vol­vo Cars cri­ou a M, empre­sa que vai cui­dar do desen­vol­vi­men­to de tec­no­lo­gi­as vol­ta­das para mobi­li­da­de e apre­sen­tar novos ser­vi­ços que podem sur­gir com os sis­te­mas de conec­ti­vi­da­de ins­ta­la­dos nos auto­mó­veis.

     No Bra­sil, a Vol­vo come­çou a tes­tar o ôni­bus elé­tri­co híbri­do que pode fun­ci­o­nar total­men­te movi­do a ener­gia elé­tri­ca. O veí­cu­lo com capa­ci­da­de para 91 pas­sa­gei­ros está cir­cu­lan­do na linha Juvevê/Água Ver­de, em Curi­ti­ba (PR), que tem 22,4 quilô­me­tros de exten­são e trans­por­ta cer­ca de 2,2 mil pes­so­as por dia. O ôni­bus pode ser recar­re­ga­do duran­te o embar­que e o desem­bar­que dos pas­sa­gei­ros, pois demo­ra ape­nas seis minu­tos para a bate­ria rece­ber uma car­ga com­ple­ta.

Apps na rota

da mobi­li­da­de

BLABLACAR, MOOVIT E LADY DRIVER SURGEM PARA AJUDAR AS PESSOAS A SE LOCOMOVEREM PELAS CIDADES

     Os obs­tá­cu­los para se loco­mo­ver em gran­des cida­des são o enre­do de boa par­te das his­tó­ri­as de suces­so de apli­ca­ti­vos rela­cionados à mobi­li­da­de. O fran­cês Fré­de­ric Maz­zel­la, por exem­plo, que­ria pas­sar o Natal com a famí­lia no inte­ri­or da Fran­ça, porém, os bilhe­tes de trem já tinham se esgo­ta­do e não havia um ami­go que pudes­se lhe ofe­re­cer caro­na. Por sua vez, a bra­si­lei­ra Gabryel­la Cor­rêa pre­ten­dia che­gar em casa em segu­ran­ça, mas no meio do cami­nho o moto­ris­ta do táxi a assedi­ou. Situ­a­ções como essas (infe­liz­men­te) não são raras, só que o que eles fize­ram foi úni­co: deci­di­ram mudar o des­fe­cho de nar­ra­ti­vas seme­lhan­tes com a aju­da da tec­no­lo­gia.

     Maz­zel­la cri­ou o Bla­Bla­Car, apli­ca­ti­vo de caro­na que está pre­sen­te em 22 paí­ses e já aten­deu 65 milhões de usuá­ri­os. “No Bra­sil, somos 2,5 milhões de inte­gran­tes e, ao todo, já foram ofer­ta­dos 4 milhões de assen­tos em car­ros par­ti­cu­la­res”, afir­ma Ricar­do Lei­te, dire­tor-geral para o Bra­sil do Bla­Bla­Car. “Temos mui­to poten­ci­al de cres­ci­men­to ain­da no País e ago­ra espe­ra­mos aten­der à deman­da por caro­nas por­ta a por­ta entre muni­cí­pi­os”, afir­ma. Já Gabryel­la lan­çou o empo­de­ra­do Lady Dri­ver, apli­ca­ti­vo de car­ros par­ti­cu­la­res diri­gi­dos por mulhe­res que con­duz somen­te pas­sa­gei­ras. “Todos os meses, cres­ce­mos 40% na média. O pró­xi­mo pas­so será expan­dir a nos­sa atu­a­ção para fora do Bra­sil: fomos pro­cu­ra­das por pos­sí­veis par­cei­ros do Rei­no Uni­do, da Fran­ça e dos Esta­dos Uni­dos”, afir­ma a fun­da­do­ra da empre­sa.   

     Exem­plos como esses mos­tram que usuá­ri­os dos mais dife­ren­tes modais – que sem­pre deman­da­ram melho­ri­as nos trans­por­tes e na mobi­li­da­de em todo o mun­do – ago­ra têm nas mãos uma fer­ra­men­ta capaz de pro­ver ou de cobrar solu­ções: o smartpho­ne. Des­sa for­ma, com­pa­nhi­as pas­sa­ram, inclu­si­ve, a enten­der melhor os ansei­os de seus con­su­mi­do­res. É o caso da Por­to Segu­ro que lan­çou o Car­ro Fácil, ser­vi­ço de car­ro por assi­na­tu­ra que ofe­re­ce como­di­da­de aos moto­ris­tas. Em vez de ir até uma loja e com­prar um auto­mó­vel, os cli­en­tes pagam men­sa­li­da­des fixas e podem uti­li­zar um mode­lo zero quilô­me­tro por 12 ou 24 meses. “Isso veio por cau­sa da ten­dên­cia dos con­su­mi­do­res que tro­ca­ram o ‘ter’ pelo ‘usar’”, afir­ma Rober­to San­tos, pre­si­den­te da Por­to Segu­ro.

Gabryel­la Cor­rêa, da Lady Dri­ver:  assé­dio deu ori­gem a um novo mode­lo de negó­cio

     Por ser um ban­co essen­ci­al­men­te urba­no e se pre­o­cu­par com temas que afli­gem as cida­des, O Itaú Uni­ban­co deci­diu incen­ti­var a mobi­li­da­de urba­na ofe­re­cen­do alu­guel de bici­cle­tas com­par­ti­lha­das, por meio de um app em que é pos­sí­vel pagar e des­blo­que­ar a bike, além de encon­trar pon­tos de embar­que. Atu­al­men­te, são cer­ca de 8.300 bici­cle­tas que con­tri­bu­em para a melho­ria dos des­lo­ca­men­tos em Belo Hori­zon­te, São Pau­lo, Por­to Ale­gre, Sal­va­dor, Rio de Janei­ro, além de Reci­fe, Olin­da e Jabo­a­tão dos Gua­ra­ra­pes.

     Outra com­pa­nhia que detec­tou uma mudan­ça no com­por­ta­men­to dos usuá­ri­os foi a Click­Bus, que per­ce­beu que os inter­nau­tas gos­ta­ri­am de com­prar pas­sa­gens de ôni­bus inter­mu­ni­ci­pal sem ter de se des­lo­car até a rodo­viá­ria. “Que­re­mos trans­fe­rir a deman­da do off-line para o on-line por con­ta da con­ve­ni­ên­cia”, afir­ma Fer­nan­do Pra­do, pre­si­den­te da Click­Bus. “A nova deman­da é pelo e-tic­ket. Atu­al­men­te, mes­mo quan­do o via­jan­te com­pra a pas­sa­gem pela inter­net pre­ci­sa reti­rá-la na rodo­viá­ria. Isso acon­te­ce por­que o bilhe­te fun­ci­o­na tam­bém como docu­men­to fis­cal, mas a expec­ta­ti­va é que, ain­da nes­te ano, seja lan­ça­do o pro­je­to-pilo­to da pas­sa­gem ele­trô­ni­ca”, con­ta.

     Dis­po­ní­vel em cer­ca de 1.500 cida­des em mais de 80 paí­ses, o Moo­vit reme­dia outra dor do con­su­mi­dor: os atra­sos no trans­por­te públi­co. Gra­tui­to, o app aten­de 240 cida­des bra­si­lei­ras e for­ne­ce infor­ma­ções como horá­ri­os de ôni­bus, metrôs e trens e noti­fi­ca­ções rela­ci­o­na­das à rota, como as para­das que ain­da res­tam, a hora de des­cer do trans­por­te e a dis­tân­cia que deve ser per­cor­ri­da a pé. A empre­sa gera, ain­da, um índi­ce que mos­tra esta­tís­ti­cas do uso do trans­por­te públi­co em mais de 150 cida­des. “Espe­ra­mos ter 1 bilhão de usuá­ri­os em todo o mun­do até 2021”, afir­ma Pedro Palha­res, dire­tor-geral do Moo­vit para o Bra­sil.

Mobi­li­da­de, diver­si­da­de, pro­du­ti­vi­da­de: é tudo uma ques­tão de mind­set 

FÓRUM CONSUMIDOR MODERNO APOIADO PELA 99 FOI PALCO DE DEBATES ESSENCIAIS PARA A PERFORMANCE DAS EMPRESAS NOS DIAS ATUAIS

     O momen­to his­tó­ri­co que vive­mos exi­ge mui­to tan­to de empre­sas quan­to de cola­bo­ra­do­res. É essen­ci­al, por exem­plo, que todos se adap­tem ao con­tex­to que sur­ge com a extre­ma conec­ti­vi­da­de e a mobi­li­da­de. Foi-se o tem­po em que o cola­bo­ra­dor gos­ta­va de ficar em uma mesa fixa, regis­tra­do em um pon­to úni­co que tra­ba­lho.

     Ao mes­mo tem­po, a tole­rân­cia e a diver­si­da­de são temas que têm ganha­do espa­ço e impor­tân­cia. Empre­sas pre­ci­sam enten­der que os cola­bo­ra­do­res even­tu­al­men­te dese­ja­rão tra­ba­lhar com rou­pas infor­mais, vão pre­ci­sar afir­mar ques­tões de gêne­ro, de ori­en­ta­ção sexu­al, de etnia. Locais de tra­ba­lho, hoje, são tam­bém locais de expres­são pes­so­al. A 99 apli­ca isso na prá­ti­ca: no banhei­ro, que é com­par­ti­lha­do por todas as pes­so­as, há uma pla­ca na qual se lê a pala­vra “todxs”. “Diver­si­da­de é con­vi­dar uma pes­soa para a fes­ta, inclu­são é con­vi­dá-la para dan­çar”, argu­men­ta Feli­pe Fel­dens, dire­tor-geral da 99 para empre­sas.

     Ao mes­mo tem­po, é pre­ci­so com­pre­en­der que o fun­ci­o­ná­rio é o que ele ves­te – e a empre­sa tam­bém. Gra­va­tas cor­rem o ris­co de trans­mi­tir con­ser­va­do­ris­mo, enquan­to rou­pas “des­co­la­das” podem trans­mi­tir ino­va­ção. Um exem­plo cla­ro des­sa ideia foi cita­do no Fórum Con­su­mi­dor Moder­no apoi­a­do pela 99. Na oca­sião, comen­tou-se que che­gar ao Ban­co Ori­gi­nal e ver pes­so­as de ter­no não faria sen­ti­do: o cli­en­te não sen­ti­ria con­fi­an­ça, não per­ce­be­ria ali­nha­men­to entre os valo­res da mar­ca e o com­por­ta­men­to dos cola­bo­ra­do­res.

     Mas como é pos­sí­vel geren­ci­ar con­tex­tos tão amplos obten­do ganhos em efi­ci­ên­cia, pro­du­ti­vi­da­de, satis­fa­ção do cola­bo­ra­dor e, é cla­ro, em cus­tos? A tec­no­lo­gia aju­da mui­to. Quan­do o assun­to é mobi­li­da­de, os apps são de gran­de aju­da. Eles pos­si­bi­li­tam que cola­bo­ra­do­res e ges­to­res apro­vei­tem melhor o tem­po de via­gem, enquan­to empre­sas redu­zem seus cus­tos, por ado­ta­rem mode­los mais efi­ci­en­tes de trans­por­te.

     Até mes­mo a Atlas Schin­dler, que tem mais de cem anos no mer­ca­do de for­ne­ci­men­to e manu­ten­ção de ele­va­do­res, esca­das e estei­ras rolan­tes, encon­trou um meio para ino­var. Dio­go Babo­lin, geren­te de Ino­va­ção, con­ta que a empre­sa ado­tou, entre outras medi­das, uma par­ce­ria com a 99. “Uma mudan­ça des­sa exi­ge que a cul­tu­ra tam­bém mude”, afir­ma. E o resul­ta­do com­pen­sou: “Tive­mos ganhos em tem­po e dinhei­ro”, con­fir­ma.

     E mes­mo com todos os desa­fi­os cul­tu­rais, a mudan­ça de hábi­to ten­de a agra­dar os cola­bo­ra­do­res. No Gru­po Konec­ta, como con­ta Fer­nan­do Noro­nha, dire­tor-comer­ci­al, as trans­for­ma­ções vivi­das pela empre­sa fize­ram com que os fun­ci­o­ná­ri­os ficas­sem mais satis­fei­tos com a mobi­li­da­de de horá­rio. “Isso está fun­ci­o­nan­do mui­to bem”, diz.

     Adler Paes Gou­lart, exe­cu­ti­vo de Novos Negó­ci­os da Neob­po, con­ta que ado­tou, por segu­ran­ça, os apli­ca­ti­vos e ser­vi­ços de mobi­li­da­de de for­ma defi­ni­ti­va: por expe­ri­ên­cia pes­so­al, iden­ti­fi­cou que vale mais a pena usar esses mei­os de trans­por­te.

DESAFIOS DE REGULAMENTAÇÃO

     Nem todas as empre­sas e seg­men­tos, porém, con­tam com tal fle­xi­bi­li­da­de. O setor ban­cá­rio, por exem­plo, pre­ci­sa se adap­tar a uma legis­la­ção bas­tan­te rígi­da. Por isso, o cum­pri­men­to de horá­ri­os dos fun­ci­o­ná­ri­os é essen­ci­al.

     Como comen­ta Fer­nan­da Frei­re, ana­lis­ta de Edu­ca­ção Ple­na da área de Recur­sos Huma­nos do Bra­des­co, hoje há 12 mil pes­so­as den­tro da Cida­de de Deus – como é cha­ma­da a sede do Bra­des­co. Con­tan­do com ter­cei­ros e visi­tan­tes, porém, há uma rota­ti­vi­da­de de 15 mil pes­so­as, apro­xi­ma­da­men­te. “Ain­da con­ta­mos com as agên­ci­as, em todos os muni­cí­pi­os do Bra­sil”, diz.

     A saí­da encon­tra­da pelo Bra­des­co para dri­blar as dis­tân­ci­as, porém, não foram os apps de mobi­li­da­de, mas as vide­o­con­fe­rên­ci­as – até por­que a Bra­des­co Segu­ros fica no Rio de Janei­ro e o con­ta­to com a empre­sa é essen­ci­al, como res­sal­ta Rober­to Dra­go, geren­te de RH.

     No Ban­co Ori­gi­nal, a mai­or difi­cul­da­de tem rela­ção com a loca­li­za­ção. Como con­ta Andrea de Sou­za Fer­nan­des, coor­de­na­do­ra de Pro­cu­re­ment & Con­tra­tos, não há esta­ci­o­na­men­to ou locais onde almo­çar per­to da empre­sa. Por isso, a empre­sa ofe­re­ce trans­por­te fei­to por vans que bus­cam e levam os cola­bo­ra­do­res, tan­to na hora do almo­ço quan­to na che­ga­da e na saí­da. Com isso, per­de-se mui­to tem­po e efi­ci­ên­cia. 

ALTERNATIVAS

     O seg­men­to de BPO e Con­tact Cen­ter, por sua vez, enfren­ta limi­ta­ções rela­ci­o­na­das ao local de tra­ba­lho: ele não pode ado­tar o mode­lo de home offi­ce. “Pre­ci­sa­mos estar aten­tos aos limi­tes impos­tos pela regu­la­men­ta­ção”, diz Rena­to Matheus, dire­tor de Ven­das e Novos Negó­ci­os da Con­cen­trix. Edu­ar­do Bau­mel, head de Mar­ke­ting da Cal­link, entre­tan­to, comen­ta que a empre­sa está no Ino­va­BRA – espa­ço desen­vol­vi­do pelo Bra­des­co, com a WeWork, que fomen­ta o desen­vol­vi­men­to de empre­sas e as abri­ga. “As pes­so­as tra­ba­lham em todo lugar”, diz.

     Outra solu­ção de mobi­li­da­de encon­tra­da pelos cola­bo­ra­do­res foi a bike. O RH da Via Vare­jo, como con­ta Eri­ka Sch­nei­der, ana­lis­ta de RH Ple­no, fez inclu­si­ve uma par­ce­ria com a e-moving. E a ideia é ten­dên­cia: vári­os exe­cu­ti­vos con­ta­ram, duran­te o fórum, que essa é uma opção ado­ta­da.

GERINDO A ANSIEDADE

     Quan­do o assun­to é a vida do lado de den­tro das empre­sas, há outros desa­fi­os a serem enfren­ta­dos. Edu­ar­do Sarai­va, dire­tor-comer­ci­al da Sitel, ava­lia que fal­ta pro­pó­si­to inde­pen­den­te­men­te do setor de atu­a­ção. “O pro­pó­si­to tem que per­me­ar a cul­tu­ra e os cola­bo­ra­do­res têm que estar pró­xi­mos dis­so”, defen­de.

     Kari­na Belo, geren­te-comer­ci­al da Liq, expli­ca que com os pro­mo­to­res de ven­da o cui­da­do tam­bém pre­ci­sa ser inten­so. “O trei­na­men­to pre­ci­sa ser leve, pre­ci­sa haver con­teú­do com um trei­na­men­to que encon­tre o cora­ção do cola­bo­ra­dor”, diz. Ain­da assim, o desa­fio da reten­ção do cola­bo­ra­dor con­ti­nua sen­do bas­tan­te real.

     Meir, porém, acre­di­ta que o segre­do não está no pro­pó­si­to, mas na for­ma como as empre­sas assu­mem posi­ções. “As pes­so­as estão à pro­cu­ra de empre­sas que se posi­ci­o­nem de for­ma defi­ni­ti­va, que não se escon­dem atrás do seu negó­cio”, diz. “Isso é algo que vai se mani­fes­tar de diver­sas for­mas, con­for­me o tem­po pas­sa”.

     Ou seja, de banhei­ros com­par­ti­lha­dos a apli­ca­ti­vos que faci­li­tam o ir e vir do cola­bo­ra­dor, a estra­té­gia de cada mode­lo de negó­cio vai vari­ar. É essen­ci­al, porém, que as empre­sas este­jam aten­tas às trans­for­ma­ções soci­ais que impac­tam o coti­di­a­no no tra­ba­lho, nas ruas, nos lares.

10 INSIGHTS

Fatos que podem ins­pi­rar a sua empre­sa a pas­sar por trans­for­ma­ções cul­tu­ral e de coti­di­a­no

1. Horá­ri­os e locais de tra­ba­lho ten­dem a ser cada vez mais fle­xí­veis

2. Tole­rân­cia e diver­si­da­de são ques­tões que pre­ci­sam fazer par­te dos deba­tes den­tro das empre­sas

3. Apps de mobi­li­da­de podem cola­bo­rar com a redu­ção de cus­tos, uma vez que são mais efi­ci­en­tes do que a pos­se de uma fro­ta de car­ros, por exem­plo

4. Pen­sar em novas estra­té­gi­as de loco­mo­ção tam­bém é uma for­ma de ino­var

5. Cada mode­lo de negó­cio pre­ci­sa se adap­tar aos desa­fi­os atu­ais, de acor­do com a pró­pria regu­la­men­ta­ção

6. Pro­pó­si­to é uma pala­vra que impac­ta cada vez mais a vida dos cola­bo­ra­do­res – e isso se refle­te até nas rou­pas uti­li­za­das

7. Cola­bo­ra­do­res pro­cu­ram empre­sas capa­zes de tomar posi­ção de for­ma defi­ni­ti­va

8. Não bas­ta ser: o per­fil dos cola­bo­ra­do­res pre­ci­sa trans­mi­tir os ide­ais das empre­sas

9. Mudan­ças de hábi­to envol­vem a mudan­ça de cul­tu­ra da empre­sa

10. Mes­mo que a empre­sa tenha mais de um sécu­lo de exis­tên­cia, ino­var é pos­sí­vel