REBE­CA DE MORA­ES

Dire­to­ra da Sole­dad

A PRI­VA­CI­DA­DE ACA­BOU.

QUEM SE IMPOR­TA?

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Dados tão ínti­mos quan­to a sequên­cia de seu DNA podem hoje estar sen­do explo­ra­dos por aí comer­ci­al­men­te. Você está pre­o­cu­pa­do com isso?”

    A pri­va­ci­da­de aca­bou. Me des­cul­pe, caro lei­tor, pela fran­que­za, mas é pre­ci­so dizer sem rodei­os. E não estou falan­do ape­nas da expo­si­ção de infor­ma­ções tri­vi­ais, como seu ende­re­ço de e‑mail que meio mun­do tem, seu CPF espa­lha­do pelas empre­sas das quais você com­pra ou mes­mo os deta­lhes das aqui­si­ções que você faz via inter­net. Dados tão ínti­mos quan­to a sequên­cia de seu DNA podem hoje estar sen­do explo­ra­dos por aí comer­ci­al­men­te. Você está pre­o­cu­pa­do com isso? Bem, se a res­pos­ta for “não”, sai­ba que você não está sozi­nho: dife­ren­te­men­te dos nor­te­a­me­ri­ca­nos, os lati­nos estão lidan­do numa boa com a ideia de empre­sas ras­tre­an­do nos­sas vidas.

    A ques­tão da pri­va­ci­da­de dos nos­sos dados não é pou­ca coi­sa. Empre­sas e gover­nos estão às vol­tas com o assun­to, já que, à medi­da que cor­po­ra­ções ino­vam em tec­no­lo­gi­as, elas tam­bém estão encon­tran­do novas manei­ras de obter mais infor­ma­ções sobre seus con­su­mi­do­res. As novas tec­no­lo­gi­as de reco­nhe­ci­men­to de voz, por exem­plo, não só reco­nhe­cem as ori­en­ta­ções de quem fala, mas tam­bém são capa­zes de ana­li­sar o esta­do de espí­ri­to de quem está falan­do. Ou seja, con­se­guem agre­gar ain­da mais infor­ma­ção do que o usuá­rio está dis­po­ni­bi­li­zan­do cons­ci­en­te­men­te.

    A mon­ta­do­ra chi­ne­sa Byton, por exem­plo, já usa reco­nhe­ci­men­to de voz no lugar das cha­ves do car­ro, que tem pai­nel de con­tro­le sem botões, que fun­ci­o­na só por ges­tos e coman­dos de voz. Em 2018, o Wal­mart regis­trou uma paten­te para um car­ri­nho de com­pras conec­ta­do que cole­ta­rá dados de saú­de dos con­su­mi­do­res, como sua frequên­cia car­día­ca e tem­pe­ra­tu­ra – tudo para enten­der o quan­to você está estres­sa­do enquan­to se movi­men­ta pela loja. Por isso, as empre­sas de hoje e do futu­ro pre­ci­sam urgen­te­men­te dar con­ta de enten­der como dados todas as infor­ma­ções que con­se­guem: como seus con­su­mi­do­res com­pram, o cami­nho que fazem den­tro de sua loja, com que emo­ções rea­gem a estí­mu­los.

    Mas a ques­tão que fica é éti­ca, aque­la do iní­cio des­te tex­to: o que as empre­sas estão fazen­do com esses dados? Será que quan­do o seu smartpho­ne pas­sa a enten­der deta­lhes do seu sono, gra­ças ao apli­ca­ti­vo de con­tro­le de sono, a empre­sa vai usar esses dados para cri­ar rela­tó­ri­os que você pos­sa mos­trar ao médi­co para apri­mo­rar seu diag­nós­ti­co, ou vai ven­der essas infor­ma­ções para que a indús­tria far­ma­cêu­ti­ca pos­sa lhe ofe­re­cer remé­di­os via mar­ke­ting digi­tal?

    Nos Esta­dos Uni­dos há mui­ta pre­o­cu­pa­ção em tor­no dis­so. De acor­do com uma pes­qui­sa glo­bal da Ipsos divul­ga­da no ano pas­sa­do, cer­ca de 80% dos ame­ri­ca­nos estão pre­o­cu­pa­dos com sua pri­va­ci­da­de on-line, dizen­do que empre­sas de inter­net são a pri­mei­ra fon­te de suas pre­o­cu­pa­ções. Mas pre­ci­sa­mos sem­pre olhar para como esses fenô­me­nos se dão no nos­so con­tex­to. Em pes­qui­sa iné­di­ta da Sole­dad, des­co­bri­mos que na Amé­ri­ca Lati­na as pes­so­as não estão pre­o­cu­pa­das com a pri­va­ci­da­de de seus dados. Hoje, 57% acre­di­tam que em suas vidas há algu­ma pri­va­ci­da­de, mas sabem que não é pos­sí­vel con­tro­lar tudo. São pes­so­as que enten­dem como con­tra­par­ti­da sufi­ci­en­te que as empre­sas este­jam usan­do esses dados para cri­ar ino­va­ções, novos pro­du­tos e solu­ções para suas vidas. Ou seja: aqui, temos cla­ro enten­di­men­to do que os futu­ris­tas já vêm dizen­do: o fim da pri­va­ci­da­de não é tão ruim assim, des­de que ele venha para melho­rar a manei­ra como vive­mos. E é aí que esta­mos na Amé­ri­ca Lati­na.

Dados tão ínti­mos quan­to a sequên­cia de seu DNA podem hoje estar sen­do explo­ra­dos por aí comer­ci­al­men­te. Você está pre­o­cu­pa­do com isso?”