LEAN­DRO MACE­DO
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A SUA MELHOR VER­SÃO: A TEN­DÊN­CIA
DA AUTO-OTI­MI­ZA­ÇÃO

A bus­ca pela feli­ci­da­de e o bem-estar fica­ram ain­da mais em evi­dên­cia duran­te a pan­de­mia do novo coro­na­ví­rus. Assim, cres­ce o dese­jo por tec­no­lo­gi­as e ali­men­tos que pro­por­ci­o­nem um melhor desem­pe­nho ao nos­so cor­po
POR ÉRIC VISIN­TAI­NER

que vem à sua men­te quan­do pen­sa na pala­vra oti­mi­za­ção? Tal­vez agi­li­da­de, linhas de pro­du­ção mais efi­ci­en­tes nas indús­tri­as, cor­te de gas­tos e algo­rit­mos. Ou seja, temos a ligei­ra ideia de que esta­mos nos refe­rin­do ao frio mun­do dos robôs. Mas não é bem assim. Nos dias de hoje, é pos­sí­vel falar no apri­mo­ra­men­to pes­so­al para tudo ou aqui­lo que se con­ven­ci­o­nou cha­mar de auto-oti­mi­za­ção.

   Enten­der essa ideia não é com­pli­ca­da. É o uso de diver­sos apa­re­lhos inte­li­gen­tes, tais como tele­vi­so­res inte­li­gen­tes, smartpho­nes, smartwat­ches, dis­po­si­ti­vos que pos­su­em assis­ten­tes de voz, entre outros gad­gets, que auxi­li­am o ser huma­no em ati­vi­da­des como com­pras repe­ti­ti­vas e coti­di­a­nas, veri­fi­car o esta­do pes­so­al de saú­de e até rea­li­zar pes­qui­sas na inter­net. Mas é pos­sí­vel ampli­ar ain­da mais essa ideia.

LON­GE­VI­DA­DE

Auto-oti­mi­za­ção, no entan­to, é uma ideia que vai além da expan­são das habi­li­da­des huma­nas por meio da tec­no­lo­gia. Isso tam­bém tem a ver com viver mais ou, quem sabe, alcan­çar a imor­ta­li­da­de. 

Uma cor­ren­te des­sa ideia defen­de que a auto-oti­mi­za­ção é jus­ta­men­te ser o mais lon­ge­vo pos­sí­vel quan­do o assun­to é a ida­de. Mais: é um pro­ces­so evo­lu­ti­vo qual demons­tra que os nos­sos ante­pas­sa­dos esta­vam erra­dos e fomos mui­to além da nos­sa expec­ta­ti­va de vida.  

Na prá­ti­ca, a melho­ra no desem­pe­nho da máqui­na huma­na não está ape­nas rela­ci­o­na­da à prá­ti­ca de ati­vi­da­des físi­cas, mas inclui ain­da o cui­da­do com a saú­de men­tal. Pode­mos man­ter a men­te sã a par­tir das músi­cas binau­rais (que aju­dam o cére­bro a sin­cro­ni­zar o fun­ci­o­na­men­to dos lados esquer­do e direi­to) ou ain­da ado­tan­do um esti­lo de vida conhe­ci­do como o clu­be 5 da manhã. Essa ideia, segun­do os defen­so­res des­sa táti­ca, é que o tra­ba­lho rea­li­za­do antes do ama­nhe­cer é mais silen­ci­o­so, logo seria um estí­mu­lo para mai­or con­cen­tra­ção. 

A auto-oti­mi­za­ção tam­bém está rela­ci­o­na­da às nos­sas esco­lhas ali­men­ta­res. E isso inclui des­de o con­su­mo de comi­das sau­dá­veis, vita­mi­nas, até o uso de deter­mi­na­dos medi­ca­men­tos que poten­ci­a­li­zam o desem­pe­nho huma­no, caso da rela­ção do Via­gra com o sexo.

 

PAN­DE­MIA

No entan­to, é pos­sí­vel afir­mar que o pou­co que sabía­mos sobre a auto-oti­mi­za­ção já mudou a par­tir da pan­de­mia. Hou­ve uma “super­la­ti­vi­za­ção” des­sa ideia no coti­di­a­no das pes­so­as em casa, o que fez insur­gir novos e emer­gen­tes des­do­bra­men­tos para a soci­e­da­de. Sur­gi­ram, então, novos ques­ti­o­na­men­tos como: “O que pos­so fazer para ser mais pro­du­ti­vo, ago­ra den­tro de casa?”, “O que eu que­ro para a minha vida?”, “O que me faz feliz?”. 

Para enten­der a auto-oti­mi­za­ção na pan­de­mia, a Con­su­mi­dor Moder­no con­ver­sou com empre­sas que não ape­nas desen­vol­ve­ram pro­du­tos que apri­mo­ra­ram o desem­pe­nho huma­no, mas que tam­bém eli­mi­na­ram tare­fas des­ne­ces­sá­ri­as.  

Nós tam­bém con­ver­sa­mos com um futu­ris­ta inter­na­ci­o­nal, que ana­li­sou os pos­sí­veis cami­nhos da huma­ni­da­de a par­tir de aspec­tos inte­lec­tu­al, físi­co, esté­ti­co, pro­fis­si­o­nal, digi­tal, entre outros ori­en­ta­dos pela ideia da auto-oti­mi­za­ção. Fala­mos, ain­da, com um trei­na­dor espor­ti­vo devo­ta­do a mudar o esti­lo de vida das pes­so­as, migran­do do seden­ta­ris­mo para o apri­mo­ra­men­to físi­co.

 

O resul­ta­do é o que você pode­rá con­fe­rir nes­ta segun­da repor­ta­gem sobre o Pro­je­to Iden­ti­da­des, uma ini­ci­a­ti­va da Con­su­mi­dor Moder­no.
Veja a edi­ção ante­ri­or do pro­je­to com o tema: “Ida­de Emo­ci­o­nal”.
ORI­GEM DA AUTO-OTI­MI­ZA­ÇÃO

Segun­do Peter Krons­trom, head do Cope­nha­gen Ins­ti­tu­te For Futu­res Stu­di­es para a Amé­ri­ca Lati­na, a auto-oti­mi­za­ção não é algo novo. Na ver­da­de, ela exis­te des­de que “o mun­do é mun­do”, mui­to embo­ra a sua rele­vân­cia para a huma­ni­da­de cres­ceu entre os anos 60 e 70. Foi o iní­cio do cul­to ao cor­po por meio de ati­vi­da­des físi­cas, inclu­si­ve a ioga. 

A auto-oti­mi­za­ção está rela­ci­o­na­da à saú­de. Mas essa ideia é imen­sa. Nes­te momen­to, esta­mos enxer­gan­do ape­nas a pon­ta do ice­berg. Com a COVID-19, vári­os futu­ros estão sen­do ante­ci­pa­dos, caso da saú­de pre­ven­ti­va. A auto-oti­mi­za­ção só vai aumen­tar a par­tir da expan­são do conhe­ci­men­to huma­no que está ocor­ren­do de manei­ra ace­le­ra­da no mun­do. Tere­mos mais enten­di­men­to para che­gar a um está­gio de equi­lí­brio entre o cor­po e a men­te, por meio de idei­as como mind­ful­ness (o que alguns defi­nem como um esta­do de aten­ção ple­na ao momen­to pre­sen­te, com aber­tu­ra e sem rea­ti­vi­da­de), prá­ti­ca de espor­tes e mais uso de dados médi­cos para saber em qual gru­po de ris­co cada um de nós per­ten­ce”, expli­ca. 

Ain­da de acor­do com o espe­ci­a­lis­ta, que é um dos embai­xa­do­res do Pro­je­to Iden­ti­da­des, uma das for­ças que impul­si­o­na a auto-oti­mi­za­ção é a bus­ca pelo suces­so pro­fis­si­o­nal e a cri­a­ção de momen­tos de ale­gria pes­so­al. “O cor­po são e sau­dá­vel é um cami­nho para a feli­ci­da­de. No fim das con­tas é tam­bém uma manei­ra de ten­tar ven­cer a mor­te. Além dis­so, é um meio para ter­mos mais ener­gia para exe­cu­tar o nos­so tra­ba­lho, desem­pe­nhar ati­vi­da­des coti­di­a­nas e dor­mir bem. As pes­so­as estão cada vez mais atrás de uma abor­da­gem holís­ti­ca.”

 

A auto-oti­mi­za­ção só vai aumen­tar por con­ta do conhe­ci­men­to do mun­do, e tere­mos mais enten­di­men­to para che­gar a um está­gio óti­mo para o cor­po e A men­te.”

Peter Krons­trom, head do Cope­nha­gen Ins­ti­tu­te For Futu­res Stu­di­es para a Amé­ri­ca Lati­na

MEN­TE E COR­PO SÃOCON­TRA A COVID 19

Há mais de 20 anos, a bus­ca pelo alto desem­pe­nho do cor­po e da men­te faz par­te do coti­di­a­no de Lean­dro Mace­do, de 39 anos. Foi movi­do por esse ide­al que ele se for­mou em edu­ca­ção físi­ca, depois se tor­nou um trei­na­dor de atle­tas, é ex-fisi­cul­tu­ris­ta e empre­ga par­te do tem­po como body­buil­ding coa­ch. Ago­ra, a sua incan­sá­vel bus­ca pela auto-oti­mi­za­ção inclui recen­te­men­te os estu­dos no cur­so supe­ri­or de nutri­ção.  

Mace­do expli­ca que par­ti­ci­pou de com­pe­ti­ções de fisi­cul­tu­ris­mo entre 1999 e 2014. Ele afir­ma que não encer­rou a car­rei­ra nes­sa área, mas fez uma pau­sa estra­té­gi­ca. Ele pro­me­te retor­nar às com­pe­ti­ções ain­da este ano, prin­ci­pal­men­te por­que o trei­no faz par­te do seu esti­lo de vida. 

Em con­ver­sa com a CM, ele lem­brou das difi­cul­da­des encon­tra­das para alcan­çar a auto-oti­mi­za­ção em mea­dos dos anos 90. Segun­do Mace­do, naque­le tem­po, era difí­cil encon­trar infor­ma­ções sobre pre­pa­ra­ção físi­ca no Bra­sil, e as suas úni­cas dis­po­ní­veis eram revis­tas sobre pre­pa­ra­ção físi­ca em inglês. 

Mace­do não domi­na­va o idi­o­ma saxão, logo pre­ci­sou se auto-oti­mi­zar no idi­o­ma para alcan­çar absor­ver o conhe­ci­men­to pre­sen­te ape­nas nas revis­tas em inglês. “Hoje exis­tem coa­ches, como eu, mas alguns não têm o conhe­ci­men­to de vivên­cia. É algo que englo­ba bem-estar, auto­es­ti­ma, esté­ti­ca, e pode cau­sar depres­são, prin­ci­pal­men­te em mulhe­res que não estão satis­fei­tas fisi­ca­men­te. No fim, isso aca­ba com o psi­co­ló­gi­co. A cabe­ça é a pri­mei­ra par­te a se tra­ba­lhar.”  

Já como trei­na­dor de pes­so­as, Mace­do pro­cu­rou se esfor­çar na mudan­ça no esti­lo de vida das pes­so­as. Com o tem­po, ele desen­vol­veu téc­ni­cas que mos­tra­ram aos seus trei­na­dos a impor­tân­cia da ati­vi­da­de físi­ca e, sobre­tu­do, como man­ter o foco no apri­mo­ra­men­to físi­co, afas­tan­do assim o retor­no à vida seden­tá­ria. 

Uma alu­na fez mais de cin­co lipo­as­pi­ra­ções e gas­tou apro­xi­ma­da­men­te R$ 50 mil, porém não muda­va os seus hábi­tos ali­men­ta­res. Eu tirei uma foto e pedi que ela levas­se a ima­gem para todos os luga­res que ela fos­se. Pri­mei­ro você pre­ci­sa pen­sar em si, nin­guém vai fazer nada por você.”  

Ago­ra, na qua­ren­te­na, Mace­do reve­la que um dos seus desa­fi­os é man­ter o âni­mo dos alu­nos com a ati­vi­da­de físi­ca em tem­pos de dis­tan­ci­a­men­to soci­al pelos mais vari­a­dos moti­vos. Em alguns casos, não hou­ve jei­to: alguns deram um tem­po por­que per­de­ram o empre­go, outros sim­ples­men­te aban­do­na­ram a die­ta e hou­ve quem sim­ples­men­te desis­tiu do trei­no em casa. No momen­to, a sua mis­são é man­ter moti­va­dos mui­tos dos seus alu­nos, acon­se­lhan­do-os a rea­li­zar ati­vi­da­des físi­cas den­tro de casa ou saí­rem para tomar sol na rua.  

Infe­liz­men­te, mes­mo depois do acon­se­lha­men­to, algu­mas pes­so­as (não todas) desis­tem das ati­vi­da­des físi­cas. Ele ten­ta demo­ver o desâ­ni­mo des­sas pes­so­as por meio do que todos espe­ram: isso vai pas­sar e é bom você estar pre­pa­ra­do para esse dia.

 

TEC­NO­LO­GIA NA MELHO­RA DO DESEM­PE­NHO PRO­FIS­SI­O­NAL E PES­SO­AL

Mas o que pen­sam ou tem fei­to as empre­sas em defe­sa des­sa ideia cha­ma­da à auto-oti­mi­za­ção?  

Antes da pan­de­mia, havia um movi­men­to de bus­ca de uma vida mais flui­da e fácil por meio de apli­ca­ti­vos de entre­ga e tam­bém de gad­gets arti­fi­ci­al­men­te inte­li­gen­te. O novo coro­na­ví­rus ace­le­rou a bus­ca por pro­du­tos, ser­vi­ços e novas idei­as ori­en­ta­das a auto­ma­ti­zar tare­fas e aumen­tar a pro­du­ti­vi­da­de no tra­ba­lho remo­to. Mais do que isso, pes­so­as demons­tram apre­ço por prá­ti­cas sau­dá­veis. 

Para Krons­trom, as novas tec­no­lo­gi­as vão nos aju­dar a ganhar tem­po para focar em algo que ele defi­ne como o “novo luxo”, ori­en­ta­do por outra ideia “o melhor eu”.   

Um exem­plo é a Ale­xa, assis­ten­te vir­tu­al con­ver­sa­ci­o­nal da vare­jis­ta Ama­zon. “ Se pode­mos melho­rar a for­ma como o cli­en­te rea­li­za uma deter­mi­na­da tare­fa, seja dei­xan­do a mais cla­ra, seja deixando‑a mais rápi­da, dan­do mais infor­ma­ções, ou, como é uma das prin­ci­pais tare­fas da assis­ten­te vir­tu­al, auto­ma­ti­zan­do a ação, nós vamos alcan­çar todo tipo de solu­ção.”, expli­ca o geren­te-geral da Ale­xa na Ama­zon Bra­sil, Ricar­do Gar­ri­do. 

Atu­al­men­te, a assis­ten­te vir­tu­al pos­sui qua­se mil habi­li­da­des (ou skills, como pre­fe­rem cha­mar os pro­gra­ma­do­res da Ale­xa), sen­do algu­mas delas bem inte­res­san­tes. A tec­no­lo­gia per­mi­te, por exem­plo, a auto­ma­ção de algu­mas roti­nas resi­den­ci­ais, incluin­do aci­o­nar o alar­me do reló­gio,  ligar e des­li­gar as luzes da resi­dên­cia, tocar uma músi­ca, aci­o­nar uma cafe­tei­ra na cozi­nha, aces­sar notí­ci­as, entre outras. E tudo isso por meio da voz.

Foram incluí­dos tam­bém ser­vi­ços liga­dos à COVID-19, tais como a skill que per­mi­te tirar dúvi­das sobre o vírus, com infor­ma­ções do Hos­pi­tal Isra­e­li­ta Albert Eins­tein. Há tam­bém o auto­tes­te fei­to com infor­ma­ções do Minis­té­rio da Saú­de, além de res­pon­der às dúvi­das sobre as ações do Poder Públi­co com base nas infor­ma­ções dos sites “Gov.br”. Ape­sar de ter­mos lan­ça­do a Ale­xa e os dis­po­si­ti­vos Echo há ape­nas seis meses, já aumen­ta­mos de 300 para mais de mil skills dis­po­ní­veis para nos­sos cli­en­tes no Bra­sil”, com­ple­ta o geren­te-geral da Ale­xa na Ama­zon Bra­sil.

 

Outra habi­li­da­de que pode­re­mos obser­var no futu­ro sur­giu, por aca­so, em uma con­ver­sa em um webi­nar da Con­su­mi­dor Moder­no. O dire­tor-exe­cu­ti­vo de Conhe­ci­men­to do Gru­po Padrão, Jac­ques Meir, ques­ti­o­nou a pos­si­bi­li­da­de da Ale­xa rea­li­zar o agen­da­men­to de con­sul­tas para os seus cli­en­tes nos ser­vi­ços ofe­re­ci­dos pelo Dr. Con­sul­ta, star­tup da área da saú­de que atua com cen­tros médi­cos.

Cle­ber Morais, coun­try sales direc­tor da Ama­zon Web Ser­vi­ces no Bra­sil, o bra­ço de tec­no­lo­gi­as em nuvem da com­pa­nhia, afir­mou que tal “fun­ção, com cer­te­za, pode­ria acon­te­cer tec­no­lo­gi­ca­men­te”. Além dis­so, ele lem­brou que a tec­no­lo­gia já aju­da as pes­so­as a toma­rem os seus remé­di­os. Se você se inte­res­sou por essa skill, temos uma má notí­cia: ela ain­da não está dis­po­ní­vel por aqui.

 

VEJA O WEBI­NAR COM­PLE­TO:

Se pode­mos melho­rar a for­ma como o cli­en­te rea­li­za uma deter­mi­na­da tare­fa, seja deixando‑a mais cla­ra, SEJA DEIXANDO‑A MAIS rápi­da, dan­do mais infor­ma­ções, ou, como é uma das prin­ci­pais tare­fas da Ale­xa, auto­ma­ti­zan­do a ação, nós vamos alcan­çar todo tipo de solu­ção.”
Ricar­do Gar­ri­do, geren­te-geral da Ale­xa na Ama­zon Bra­sil
APRI­MO­RA­MEN­TO PRO­FIS­SI­O­NAL

O apri­mo­ra­men­to pro­fis­si­o­nal é outra cor­ren­te emer­gen­te que refor­ça a impor­tân­cia da auto-oti­mi­za­ção na soci­e­da­de. Hoje, por exem­plo, já exis­te uma pla­ta­for­ma que uti­li­za inte­li­gên­cia arti­fi­ci­al e gami­fi­ca­ção para a ges­tão de cola­bo­ra­do­res e empre­sas. É o caso da Robby­son, um spin off da AeC, empre­sa de out­sour­cing nas áre­as de Con­tact Cen­ter, Con­sul­to­ria, Soft­ware e Ges­tão em Saú­de, que tem o obje­ti­vo de ava­li­ar o desem­pe­nho dos fun­ci­o­ná­ri­os em suas ati­vi­da­des, mos­tran­do metas e pro­mo­ven­do a cul­tu­ra da auto­ges­tão. 

Um call cen­ter vai ser medi­do por cha­ma­das fei­tas, ven­das e reten­ção. Por meio da pla­ta­for­ma, o cola­bo­ra­dor tem à dis­po­si­ção todos esses indi­ca­do­res dia­ri­a­men­te e até mais: a pla­ta­for­ma ofe­re­ce alguns insights de soft skills, inclu­si­ve com exi­bi­ção do humor do usuá­rio de hora em hora. Não que­re­mos que a Robby­son vire uma pla­ta­for­ma só com dados mera­men­te numé­ri­cos. Nós ava­li­a­mos o sen­ti­men­to das pes­so­as”, expli­ca Fer­nan­do Par­rei­ras, CTO da Robby­son.

 

A fer­ra­men­ta tam­bém tem con­tri­buí­do para o enga­ja­men­to dos cola­bo­ra­do­res, pro­mo­ven­do até mes­mo desa­fi­os aos cola­bo­ra­do­res para melho­ra­rem os seus resul­ta­dos. As pes­so­as com os melho­res desem­pe­nhos rece­bem moe­das vir­tu­ais que podem ser uti­li­za­das por vou­chers de comi­da sau­dá­vel e aca­de­mia, entre outros pro­du­tos.  

A pla­ta­for­ma ain­da pos­sui uma área de ensi­no a dis­tân­cia, ofe­re­cen­do con­teú­dos sobre auto­co­nhe­ci­men­to, moti­va­ção, como aten­der melhor o cli­en­te e medi­ta­ção. “Acre­di­ta­mos mui­to na auto-oti­mi­za­ção. Não exis­te empre­sa sem pes­so­as e, por meio delas, os negó­ci­os melho­ram”, con­clui o exe­cu­ti­vo.

 

PRO­TE­ÇÃO DE DADOS

Outra área dire­ta­men­te rela­ci­o­na­da à ideia de auto-oti­mi­za­ção é a pro­te­ção dos dados pes­so­ais, segun­do Krons­trom, do Cope­nha­gen Ins­ti­tu­te For Futu­res Stu­di­es. 

Quem man­tém o foco na auto-oti­mi­za­ção, mui­tas vezes não se pre­o­cu­pa com os dados que estão sen­do gera­dos. Quan­do rece­bem os bene­fí­ci­os de um apri­mo­ra­men­to pes­so­al, as pes­so­as não se aten­tam a esse tema. Mui­ta gen­te deve pen­sar assim: ‘se (empre­sas) entre­ga­rem con­ve­ni­ên­cia, entre­ga­mos tudo’.” 

Por outro lado, o futu­ris­ta enten­de que o con­su­mi­dor come­çou a des­per­tar para a pro­te­ção de dados e vai exi­gir das empre­sas mai­or trans­pa­rên­cia. “Acho que as pes­so­as estão mais cons­ci­en­tes. As pes­so­as vão ques­ti­o­nar mais sobre o uso dos dados nas empre­sas. Essa pre­o­cu­pa­ção já acon­te­ce no Bra­sil e na Euro­pa por meio de leis que limi­tam o abu­so no uso de dados. Mas isso não sig­ni­fi­ca que os con­su­mi­do­res vão desis­tir das con­quis­tas alcan­ça­das por meio do tra­ta­men­to de dados. Pen­so que a con­ve­ni­ên­cia pre­va­le­ce­rá.”

 

LON­GE­VI­DA­DE E FELI­CI­DA­DE COMO METAS

Den­tro da ten­dên­cia da auto-oti­mi­za­ção, espe­ci­a­lis­tas tam­bém defen­dem que o tem­po será o ver­da­dei­ro ele­men­to de afe­ri­ção de rique­za huma­na. 

Essa é outra ideia pode­ro­sa, pois ela se opõe ao velho para­dig­ma do capi­ta­lis­mo de que rico é aque­le que pos­sui uma gran­de quan­ti­da­de de bens mate­ri­ais. Não será mais assim. O desen­vol­vi­men­to físi­co e men­tal depen­de de tem­po dis­po­ní­vel. E, quan­to mai­or a nos­sa dedi­ca­ção para essas ati­vi­da­des, mais sau­dá­veis fica­re­mos e, logo, vive­re­mos mais.

 

 O Mun­do Ver­de, mai­or rede de lojas espe­ci­a­li­za­das em pro­du­tos natu­rais, orgâ­ni­cos e para o bem-estar da Amé­ri­ca Lati­na, notou essa ten­dên­cia e acom­pa­nhou essa mudan­ça no com­por­ta­men­to no hábi­to de con­su­mo dos cli­en­tes já no fim dos anos 80. É o que expli­ca a CEO da com­pa­nhia, Clau­dia Abreu. “Quan­do o Mun­do Ver­de foi fun­da­do, ele era mui­to nicha­do em vega­nos e vege­ta­ri­a­nos, atle­tas e pes­so­as into­le­ran­tes à lac­to­se ou ao glú­ten. A par­tir de 2015 e 2016, outros gru­pos de cli­en­tes come­ça­ram a se inte­res­sar pelo assun­to da sau­da­bi­li­da­de, como cri­an­ças, mulhe­res, os não atle­tas que se exer­ci­tam regu­lar­men­te, ido­sos e outros. Com a pan­de­mia, o inte­res­se aumen­tou ain­da mais o núme­ro de pes­so­as inte­res­sa­das nes­se movi­men­to mais natu­ral. Até os dias 13, 14 de mar­ço o nos­so pro­du­to núme­ro 1 esta­va rela­ci­o­na­do à per­da de peso. Hoje, pro­du­tos que ganham tra­ção na ven­da estão rela­ci­o­na­dos à imu­ni­da­de”, expli­ca. 

Na ava­li­a­ção de Abreu, o aumen­to de pes­so­as pre­o­cu­pa­das com a saú­de pode estar rela­ci­o­na­do ao cres­ci­men­to de infor­ma­ção dis­po­ní­vel sobre bem-estar. “Viver o pre­sen­te é algo que esta­mos sen­do obri­ga­dos a viver, não temos nenhum con­tro­le do que virá. O mind­ful­ness não é algo novo, mas hoje ele vem sen­do pra­ti­ca­do.” 

Essa pre­o­cu­pa­ção do con­su­mi­dor, como não pode­ria ser dife­ren­te, impac­tou a rela­ção com as mar­cas. O cli­en­te pas­sou a ser mais crí­ti­co com o pro­du­to e até mes­mo com os ingre­di­en­tes. Para algu­mas pes­so­as, olhar o rótu­lo se tor­nou um hábi­to. “O que tenho per­ce­bi­do, até em mim mes­ma como con­su­mi­do­ra, é que estou fazen­do uma reva­li­da­ção das coi­sas que eu con­su­mia, tan­to do pon­to de vis­ta de pro­du­to quan­to de con­cei­to e do que eu que­ro con­su­mir. Exis­te um espa­ço para tra­ba­lhar­mos de uma manei­ra melhor, para cui­dar da gen­te e do nos­so entor­no. Se eu estou bem e o meu vizi­nho não está, a gen­te não con­se­gue ter um mun­do sau­dá­vel.”

 

ACOM­PA­NHE A ENTRE­VIS­TA NA ÍNTE­GRA COM A ATU­AL CEO DO MUN­DO VER­DE NO VÍDEO ABAI­XO:

EXIS­TE ESPA­ÇO PARA TRA­BA­LHAR­MOS de UMA MANEI­RA MELHOR, PARA CUI­DAR DA GEN­TE E DO NOS­SO ENTOR­NO. SE EU ESTOU BEM E O MEU VIZI­NHO NÃO ESTÁ, A GEN­TE NÃO CON­SE­GUE TER UM MUN­DO SAU­DÁ­VEL.”
CLAU­DIA ABREU, CEO DO MUN­DO VER­DE

A Nes­tlé tam­bém notou um aumen­to de con­su­mi­do­res pre­o­cu­pa­dos com a bus­ca do melhor desem­pe­nho físi­co e de saú­de. E isso rapi­da­men­te mudou a linha de pro­du­ção da com­pa­nhia, que pas­sou a pro­du­zir em esca­las cada vez mai­o­res os cha­ma­dos pro­du­tos fun­ci­o­nais. 

A gen­te tem alguns pro­du­tos que estão indo super bem em aspec­tos fun­ci­o­nais cla­ros. A indús­tria de bens de con­su­mo focou mui­to a melho­ria de per­for­man­ce na aca­de­mia. Na par­te fun­ci­o­nal, entre­gar algo que vai melho­rar a resis­tên­cia mais do que dupli­cou. O con­su­mi­dor quer algo de sabor, nutri­ti­vo e fun­ci­o­nal. Com a cri­se, o fun­ci­o­nal estou­rou.”, expli­ca Die­go Ven­tu­rel­li, head de Cus­to­mer & Mar­ket Insights e Con­su­mer Enga­ge­ment Ser­vi­ces da Nes­tlé.

 

PLAN­TAS PARA O JAN­TAR

Mas, den­tro des­sa ideia de con­su­mo de ali­men­to sau­dá­vel, o que é apon­ta­do como ten­dên­cia? Não exis­te uma comi­da mais ou menos rele­van­te para a indús­tria. No entan­to, alguns ali­men­tos vêm cha­man­do a aten­ção: aque­les pro­du­zi­dos à base de plan­tas. 

Na Chi­na, a rede Star­bucks atu­a­li­zou o seu menu em abril com uma área cha­ma­da “Good Good”. Por meio de uma par­ce­ria com as empre­sas Omni­pork, Oatly e Beyond Beef, a rede de cafe­te­ri­as pas­sou a ofe­re­cer die­tas vega­nas e alter­na­ti­vas para car­ne. O novo menu já está dis­po­ní­vel em 3 mil lojas da rede espa­lha­das no país. 

O por­tal da Con­su­mi­dor Moder­no abor­dou essa ten­dên­cia no iní­cio do ano. E não ape­nas isso: a repor­ta­gem apon­tou que há uma ten­dên­cia de con­su­mo de comi­da sau­dá­vel con­ge­la­da, o que indi­ca que esse tipo de ali­men­to já via­ja por gran­des dis­tân­ci­as e é con­su­mi­do em quan­ti­da­des real­men­te mas­si­fi­ca­das. Essa ten­dên­cia esta­va pre­sen­te no rela­tó­rio da con­sul­to­ria WGSN, no estu­do 20 trends for the 2020s

Quem está aten­ta a esse movi­men­to é a BRF, que há anos tra­ba­lha com ali­men­tos ultra­con­ge­la­dos. Em mar­ço, a com­pa­nhia lan­çou uma linha de ham­búr­gue­res, nug­gets e tor­tas à base de plan­ta, cha­ma­da “Sadia Veg&Tal”. Os pro­du­tos são des­cri­tos como “meat likes”, com o intui­to de man­ter a mes­ma expe­ri­ên­cia sen­so­ri­al da car­ne, mas desen­vol­vi­dos à base de soja.

 

Há uma gera­ção che­gan­do e que se impor­ta em ter tem­po para cui­dar do cor­po e da men­te. Sem dúvi­da, a ali­men­ta­ção vem ao encon­tro des­ta ten­dên­cia que defen­de uma rela­ção mais equi­li­bra­da com o ali­men­to. E isso não quer dizer só comer alfa­ce e fru­tas, mas ter momen­to de indul­gên­cia sem cul­pa, apren­der a se rela­ci­o­nar melhor com o ali­men­to, e saber em qual momen­to comer cada coi­sa”, diz Bea­triz Bene­det­ti, exe­cu­ti­va de Mar­ke­ting e Ino­va­ção da BRF. “Quan­do con­ver­sa­mos com o con­su­mi­dor, a sau­da­bi­li­da­de para ele é o equi­lí­brio.” 

 

DES­PER­DÍ­CIO DE ALI­MEN­TO

A ideia de auto-oti­mi­za­ção tam­bém pode­ria ser apli­ca­da den­tro da ideia de con­su­mo cons­ci­en­te – ou, no caso do ali­men­to, evi­tan­do o des­per­dí­cio de comi­da. 

Foi pen­san­do nis­so que a BRF lan­çou recen­te­men­te o site consumoconsciente.brf.com. Nele, o robô ECCO (espe­ci­a­lis­ta em con­su­mo cons­ci­en­te) fun­ci­o­na como um guia, ensi­nan­do o con­su­mi­dor a evi­tar o des­per­dí­cio de ali­men­tos por meio de diver­sas ati­vi­da­des. Há, inclu­si­ve, um jogo de per­gun­tas e res­pos­tas. 

A ideia da com­pa­nhia era lan­çar o bot no segun­do semes­tre de 2020, mas o pro­je­to foi ante­ci­pa­do em algu­mas sema­nas.

 

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AUTO-OTI­MI­ZA­ÇÃO DEPEN­DE DE NOVO COM­POR­TA­MEN­TO

Para Krons­trom, o que move as pes­so­as na dire­ção da auto-oti­mi­za­ção é a ideia de viver mais, porém de manei­ra sau­dá­vel. O pró­prio espe­ci­a­lis­ta, que é dina­marquês, admi­te que gos­ta­ria de viver uns 180 anos. Para alcan­çar esse obje­ti­vo, o futu­ris­ta enten­de que pre­ci­sa­mos alter­nar entre exer­cí­ci­os de alto impac­to, caso da cor­ri­da, com outros mais tran­qui­los, como a ioga, a bici­cle­ta elé­tri­ca e a cami­nha­da. 

É cla­ro que alcan­çar essa lon­ge­vi­da­de depen­de de uma mudan­ça radi­cal no com­por­ta­men­to. Hoje, exis­tem enti­da­des que aju­dam seden­tá­ri­os a mudar o seu esti­lo de vida, bus­can­do des­per­tar a auto-oti­mi­za­ção físi­ca. 

É o caso do WW Vigi­lan­tes do Peso no Bra­sil, que pro­mo­ve aos asso­ci­a­dos a impor­tân­cia da ali­men­ta­ção sau­dá­vel, além do estí­mu­lo às ati­vi­da­des físi­cas. “Para nós, ter uma roti­na mais sau­dá­vel não sig­ni­fi­ca se pri­var de fazer o que você gos­ta, mas enten­der que é neces­sá­rio man­ter equi­lí­brio nos dife­ren­tes hábi­tos que man­te­mos nas nos­sas roti­nas. Tam­bém esta­mos sem­pre bus­can­do novas fun­ci­o­na­li­da­des para seguir aju­dan­do. Recen­te­men­te, dis­po­ni­bi­li­za­mos o Moni­to­ra­men­to de Água no apli­ca­ti­vo, que aju­da a con­tro­lar a hidra­ta­ção diá­ria e influ­en­cia dire­ta­men­te a manu­ten­ção da saú­de”, des­cre­ve Mar­cel­lo Ursi­ni, dire­tor-geral da empre­sa no Bra­sil.

 

RES­PON­DA AO QUIZ E DES­CU­BRA QUAL É O SEU FOCO DE AUTO-OTI­MI­ZA­ÇÃO
PRÓ­XI­MOS PAS­SOS DA AUTO-OTI­MI­ZA­ÇÃO

O que pode­rá acon­te­cer den­tro des­sa ideia da auto-oti­mi­za­ção ain­da é exer­cí­cio para futu­ris­tas. No entan­to, evi­dên­ci­as já visí­veis nos dias de hoje demons­tram que pode­mos ter gra­tas sur­pre­sas em pou­co tem­po.  

Uma des­sas idei­as de apri­mo­ra­men­to do cor­po pode­rá ser alcan­ça­da por meio do cha­ma­do biohac­king – téc­ni­ca que mis­tu­ra a bio­lo­gia com téc­ni­cas hac­kers. Segun­do a con­sul­to­ria de tec­no­lo­gia Gart­ner, o aces­so a essa tec­no­lo­gia ain­da é res­tri­to, mas exis­tem notí­ci­as de uso des­sa téc­ni­ca no Vale do Silí­cio, nos Esta­dos Uni­dos. Entre as pos­si­bi­li­da­des já divul­ga­das estão rote­a­do­res Wi-Fi ins­ta­la­dos na pele, sen­so­res cor­po­rais que ligam e des­li­gam as luzes de casa e a apli­ca­ção de colí­ri­os para o desen­vol­vi­men­to de visão notur­na ins­ta­la­da na nos­sa pele. 

Eu tenho dúvi­das sobre quan­do vai acon­te­cer este negó­cio de implan­tes. Não sabe­mos como ajus­tar as infla­ma­ções que even­tu­al­men­te pode­rão apa­re­cer a par­tir dos implan­tes. Mas não é impos­sí­vel que alguns paí­ses apli­quem essa ideia na vigi­lân­cia do seu povo. É pre­ci­so aguar­dar o que vai acon­te­cer”, con­clui Krons­trom, do Cope­nha­gen Ins­ti­tu­te For Futu­res Stu­di­es.