APREN­DER, DESA­PREN­DER E REA­PREN­DER

ESSES FORAM ALGUNS DOS ENSI­NA­MEN­TOS DO NEW RETAIL SUM­MIT, EVEN­TO QUE REU­NIU EXE­CU­TI­VOS BRA­SI­LEI­ROS EM SAN­TI­A­GO, NO CHI­LE, PARA TRÊS DIAS DE IMER­SÃO E REFLE­XÕES SOBRE AS TRANS­FOR­MA­ÇÕES NO VARE­JO

POR GABRI­EL­LA SAN­DO­VAL E JAC­QUES MEIR, DE SAN­TI­A­GO 

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   Os anal­fa­be­tos do sécu­lo 21 não serão aque­les que não sai­bam ler ou escre­ver, mas aque­les que não con­si­gam apren­der, desa­pren­der e rea­pren­der”. Foi com essa cita­ção do futu­ris­ta ame­ri­ca­no Alvin Tof­fler que Beni­to Ber­ret­ta, dire­tor da Hyper Island, deu iní­cio ao New Retail Sum­mit, even­to que inau­gu­rou o ciclo de Retail Mee­ting Days, do Gru­po Padrão. Duran­te três dias, deze­nas de vare­jis­tas e espe­ci­a­lis­tas no tema se reu­ni­ram em San­ti­a­go, no Chi­le, para dis­cu­tir as mudan­ças pro­fun­das do setor em todo o mun­do. “Todos esta­mos no negó­cio de trans­for­ma­ção. Homens, soci­e­da­des, empre­sas… todos se trans­for­mam dian­te de uma rea­li­da­de dire­ci­o­na­da por algo­rit­mos”, dis­se Rober­to Meir, CEO do Gru­po Padrão.

PEI­XES FEDI­DOS   

   Com o uso cons­tan­te de sim­bo­lo­gi­as, his­tó­ri­as, metá­fo­ras, íco­nes e ritu­ais, a meto­do­lo­gia da Hyper Island tem o obje­ti­vo de incen­ti­var a par­ti­ci­pa­ção cole­ti­va de for­ma leve e qua­se fru­gal. E foi isso o que acon­te­ceu. Entre gru­pos de dis­cus­são, post-its, apre­sen­ta­ções e dinâ­mi­cas den­tro e fora de sala, os exe­cu­ti­vos pude­ram tro­car apren­di­za­dos e repen­sar a res­pei­to do papel dos seus pró­pri­os negó­ci­os.

   Entre as metá­fo­ras usa­das para falar sobre o medo dos vare­jis­tas hoje está a do “pei­xe fedi­do”, um ritu­al sue­co que con­sis­te em man­ter uma lati­nha de pei­xe guar­da­da duran­te anos para sim­bo­li­zar aqui­lo que dei­xa­mos apo­dre­cen­do conos­co e toman­do con­ta das nos­sas deci­sões. Medo de fra­cas­sar, inca­pa­ci­da­de de se adap­tar, per­da de rele­vân­cia, vul­ne­ra­bi­li­da­de na ges­tão de dados e obso­les­cên­cia foram alguns dos exem­plos cita­dos. O fato é que o vare­jo está vul­ne­rá­vel a uma série de veto­res de mudan­ça e pare­ce um tan­to des­nor­te­a­do dian­te des­se con­tex­to.

   O medo de mudar tam­bém é laten­te. Segun­do Nata­lia Zimer­feld, coa­ch da Hyper Island, nos envol­ve­mos tan­to no nos­so coti­di­a­no que nos dei­xa­mos levar pelos acon­te­ci­men­tos sem refle­xões ou ques­ti­o­na­men­tos. A ale­gria de per­der coi­sas, pro­du­tos e momen­tos (JOMO, ou Joy of Mis­sing Out), dis­se ela, tal­vez seja a melhor manei­ra de ende­re­çar a mudan­ça. Res­ta saber se esta­mos dis­pos­tos a nos des­pren­der daqui­lo que nos trou­xe até hoje para poder­mos viver o ama­nhã. Daí a impor­tân­cia de estar aber­to ao ines­pe­ra­do. Um bom exem­plo dis­so é o Fort­ni­te, uma nova pla­ta­for­ma na qual a soci­a­li­za­ção acon­te­ce de for­ma mais inten­sa e enga­ja­da do que nas pró­pri­as redes soci­ais. Isso por­que, ao conec­tar pes­so­as, o jogo tam­bém influ­en­cia a cul­tu­ra popu­lar. No ano pas­sa­do, o con­cer­to do Marsh­mel­lo, per­so­na­gem do Fort­ni­te, reu­niu mais de 10 milhões de joga­do­res no ambi­en­te do game, a gran­de febre das Gera­ções Z e Alpha. Até coa­ches de Fort­ni­te já exis­tem para aju­dar cri­an­ças a se desen­vol­ve­rem por meio do game. O jogo é a repre­sen­ta­ção per­fei­ta de um mun­do enxu­to, ágil, que moti­va as pes­so­as a apren­de­rem, desa­pren­de­rem e a rea­pren­de­rem rapi­da­men­te.

New Retail Sum­mit: even­to reu­niu exe­cu­ti­vos de mar­cas como GPA, Habib´s, Pri­va­lia, Saint-Gobain, Hap­vi­da, L´Oréal, Car­re­four, Rede, Whirl­po­ol, Le Pos­ti­che, Livra­ria Cul­tu­ra e Kope­nha­gen

SOBRE SER CON­VI­DA­DO PARA A FES­TA

   Outra for­ma de lidar com essas trans­for­ma­ções, segun­do o antro­pó­lo­go Tim Lucas, coa­ch da Hyper Island, é enten­den­do que a for­ma como jul­ga­mos e inter­pre­ta­mos uma situ­a­ção fala mais sobre nós do que sobre a situ­a­ção. O coa­ch mos­trou o exem­plo do Asda (super­mer­ca­do da rede Wal­mart, no Rei­no Uni­do), que cri­ou a “qui­et hour” para aten­der con­su­mi­do­res autis­tas. Men­ci­o­nou ain­da o This Able, um case da Ikea em Isra­el que mos­trou o esfor­ço da vare­jis­ta para adap­tar móveis com um design inclu­si­vo para pes­so­as com neces­si­da­des espe­ci­ais. A con­clu­são do espe­ci­a­lis­ta é de que os avan­ços das tec­no­lo­gi­as digi­tais não são capa­zes de subs­ti­tuir o ver­da­dei­ro sen­ti­do huma­no, tam­pou­co tor­nar visí­vel o invi­sí­vel. Como diz Ver­na Myers, vice-pre­si­den­te de Inclu­são Estra­té­gi­ca da Net­flix, “diver­si­da­de é ser con­vi­da­da para a fes­ta; inclu­são é ser con­vi­da­da para dan­çar”.

NEW RETAIL SUM­MIT

CON­FI­RA, A SEGUIR, ALGUNS DOS APREN­DI­ZA­DOS DEI­XA­DOS PELA HYPER ISLAND AOS PAR­TI­CI­PAN­TES DO NEW RETAIL SUM­MIT:

APREN­DA, DESA­PREN­DA E REA­PREN­DA. EM PLE­NO SÉCU­LO 21, ESSA CAPA­CI­DA­DE É DETER­MI­NAN­TE PARA INO­VAR NOS NEGÓ­CI­OS

LIBE­RE OS PEI­XES FEDI­DOS. NÃO DEI­XE NADA GUAR­DA­DO. TRANS­FOR­ME-SE, DES­FA­ZEN­DO-SE DAQUI­LO QUE NÃO PER­MI­TE COM QUE SIGA ADI­AN­TE

DES­CU­BRA, DEFI­NA, DESEN­VOL­VA E ENTRE­GUE. NÃO ESPE­RE SEIS MESES PARA TES­TAR ALGO. FAÇA EM MEIA HORA. ISSO VAI ABRIR SUA CABE­ÇA PARA TODAS AS POS­SI­BI­LI­DA­DES

FAÇA CONE­XÕES. APRO­VEI­TE AS CONE­XÕES FOR­TES, MAS DEI­XE QUE OUTRAS PES­SO­AS ENTREM EM SUAS REDES. ESSE É UM DOS SEGRE­DOS DOFAZER MAIS RÁPI­DO PARA APREN­DER MAIS RÁPI­DO

BUS­QUE PON­TOS CEGOS. PRO­CU­RE A INO­VA­ÇÃO COM QUEM NÃO É CLI­EN­TE, USUÁ­RIO, PAR­CEI­RO. ELES PODEM ILU­MI­NAR O SEU NEGÓ­CIO

ENTEN­DA A SEREN­DI­PI­DA­DE. O MIND­SET QUE NOR­TEIA A INO­VA­ÇÃO É GUI­A­DO, ENTRE OUTRAS COI­SAS, PELA CAPA­CI­DA­DE DE ESTAR ABER­TO PARA DES­CO­BRIR O INES­PE­RA­DO

COME­CE PELOWHY NOT?”. UMA DAS LIÇÕES DEI­XA­DAS PELA DIRE­TO­RA DE MAR­KE­TING DA NOT­CO, STAR­TUP QUE CON­QUIS­TOU JEFF BEZOS, FOI: PER­GUN­TEM SEM­PRE QUAL É O WHY NOT DE VOCÊS. AFI­NAL, INO­VAR É TAM­BÉM ARRIS­CAR

Not­Co: pro­du­tos à base de plan­tas com sabor e tex­tu­ra dos pro­du­tos de ori­gem ani­mal

 A CHI­LE­NA QUE CON­QUIS­TOU JEFF BEZOS 

COM UMA MAI­O­NE­SE QUE NÃO É MAI­O­NE­SE, UM LEI­TE QUE NÃO É LEI­TE E UM SOR­VE­TE QUE NÃO É SOR­VE­TE, A STAR­TUP CHI­LE­NA NOT­CO CON­VEN­CEU O BILI­O­NÁ­RIO JEFF BEZOS, FUN­DA­DOR DA AMA­ZON, A INJE­TAR R$ 30 MILHÕES NO NEGÓ­CIO. CRI­A­DA QUA­TRO ANOS PELO ECO­NO­MIS­TA MATÍAS MUCH­NICK, PELO CIEN­TIS­TA DA COM­PU­TA­ÇÃO KARIM PICHA­RA E PELO ESPE­CI­A­LIS­TA EM BIO­TEC­NO­LO­GIA PABLO ZAMO­RA, A EMPRE­SA USA A INTE­LI­GÊN­CIA ARTI­FI­CI­AL PARA DESEN­VOL­VER PRO­DU­TOS À BASE DE PLAN­TAS COM O MES­MO SABOR, CON­SIS­TÊN­CIA E TEX­TU­RA DOS PRO­DU­TOS DE ORI­GEM ANI­MAL. O LEI­TE, POR EXEM­PLO, LEVA REPO­LHO E ABA­CA­XI EM SUA COM­PO­SI­ÇÃO. “QUE­RE­MOS DEMO­CRA­TI­ZAR O QUE É SAU­DÁ­VEL. ISSO TUDO SEM ABRIR MÃO DO SABOR”, DIS­SE A BRA­SI­LEI­RA LUÍ­SA MAR­CHI­O­RI, DIRE­TO­RA DE MAR­KE­TING PARA A AMÉ­RI­CA LATI­NA DA COM­PA­NHIA, DURAN­TE O NEW RETAIL SUM­MIT.

Tim Lucas, antro­pó­lo­go da Hyper Island: esco­la sue­ca de ino­va­ção pre­pa­ra exe­cu­ti­vos e empre­sas para as mudan­ças do mer­ca­do