CAIO BLIN­DER

Jor­na­lis­ta e um dos apre­sen­ta­do­res do pro­gra­ma Manhat­tan Con­nec­ti­on da Glo­bo­News

CIGA­NO DE

SUPER­MER­CA­DO

CIGA­NO DE SUPER­MER­CA­DO

CAIO BLIN­DER
Jor­na­lis­ta e um dos
apre­sen­ta­do­res do pro­gra­ma
Manhat­tan Con­nec­ti­on
da Glo­bo­News

CAIO BLIN­DER
Jor­na­lis­ta e um dos
apre­sen­ta­do­res do pro­gra­ma
Manhat­tan Con­nec­ti­on
da Glo­bo­News

Com­pa­nhi­as estão se rein­ven­tan­do em tor­no de nutri­ção, melho­ria do esti­lo de vida dos cida­dãos e por pro­por­ci­o­nar uma sen­sa­ção de que real­men­te per­ten­cem à comu­ni­da­de”

   Uma nova mudan­ça. Após mais de 20 anos na mes­ma casa, eu virei ciga­no. Em dois anos, já estou no segun­do apar­ta­men­to. Ciga­no de cur­to alcan­ce, pois sigo nas redon­de­zas da casa, no Con­da­do de Ber­gen, na área subur­ba­na de Nova York. Cla­ro que, em subúr­bio ame­ri­ca­no, o con­cei­to de redon­de­za é elás­ti­co. Diri­gir car­ro por 30 minu­tos sig­ni­fi­ca estar na vizi­nhan­ça.

   Sou um ciga­no de hábi­tos arrai­ga­dos. Fre­quen­to os mes­mos super­mer­ca­dos de sem­pre, qua­se todos. Já escre­vi aqui que sou o dono de casa e, na casa nova, quis man­ter minha roti­na ao máxi­mo.

   Mas, uma das ten­ta­ções para a mudan­ça era viver num apar­ta­men­to em uma área pra­ti­ca­men­te urba­na e movi­men­ta­da, com tudo ao redor, para che­gar a pé: bares, res­tau­ran­tes, far­má­ci­as e super­mer­ca­dos.

   Isso sim é revo­lu­ção no subúr­bio. Loco­mo­ção com os dois pés; e não estou falan­do um no ace­le­ra­dor e o outro no freio. Quem diria! Hoje ando até a esqui­na para com­prar algu­ma coi­sa. Cru­zan­do a rua, há um super­mer­ca­do gran­dão e bara­tei­ro, fili­al da rede que eu fre­quen­to há 25 anos no Con­da­do de Ber­gen.

   Sou cate­drá­ti­co em super­mer­ca­do. Faço a ron­da sema­nal por pelo menos qua­tro, saben­do onde encon­trar o melhor e tal­vez o mais caro (como pei­xe) ou o melhor e tal­vez o mais bara­to (como pro­du­tos de lim­pe­za). Assim, sou tam­bém um cam­peão da mobi­li­da­de soci­al. Ao lon­go de três a qua­tro horas num saba­dão, eu cir­cu­lo e con­su­mo como todas as clas­ses soci­ais ame­ri­ca­nas, de A a D. Sou S, super, super­mer­ca­do.

   Sim, sou ciga­no de super­mer­ca­do, mas não esta­va nas car­tas que um novo e fan­tás­ti­co super­mer­ca­do abri­ria rela­ti­va­men­te per­to, a uns 30 minu­tos da velha casa, na épo­ca da minha mudan­ça, e mais dis­tan­te do novo apar­ta­men­to. O ciga­no não resis­tiu e seguiu fre­quen­tan­do o Weg­mans.

   O sacri­fí­cio com­pen­sa. Saiu o ran­king das cem com­pa­nhi­as mais visí­veis nos EUA, com base em uma amos­tra­gem fei­ta com 18 mil pes­so­as, num pro­je­to da fir­ma de pes­qui­sas Har­ris e do site Axi­os. Eu creio que a empre­sa cam­peã em repu­ta­ção seja des­co­nhe­ci­da até no meio cor­po­ra­ti­vo bra­si­lei­ro.

   É esta cadeia de super­mer­ca­dos Weg­mans. Não con­fun­dir com Who­le Foods. Weg­mans é cam­peã nos que­si­tos visão, cres­ci­men­to, tra­je­tó­ria, cará­ter e éti­ca. Não se tra­ta de um gigan­te. São 98 fili­ais, empre­sa fami­li­ar e com ope­ra­ções em pou­cos Esta­dos, mais aqui no meu nor­des­te.

   Um dos moti­vos que expli­ca a repu­ta­ção pri­mo­ro­sa da empre­sa Weg­mans é a revo­lu­ção do bem-estar. A empre­sa é len­dá­ria por con­tra­tar talen­tos locais, inves­tir na sua for­ça de tra­ba­lho e real­men­te ofe­re­cer mui­tas opções orgâ­ni­cas e sau­dá­veis. O pre­ço, cla­ro, é mais alto do que no “mer­ca­dão” do outro lado de casa.

   Com­pa­nhi­as estão se rein­ven­tan­do em tor­no de nutri­ção, melho­ria do esti­lo de vida dos cida­dãos e por pro­por­ci­o­nar uma sen­sa­ção de que real­men­te per­ten­cem à comu­ni­da­de. Ok, con­cor­do que o con­cei­to de local no subúr­bio é bem fle­xí­vel, bem loco­mo­ti­vo.

   Ando mui­to a pé, mas ain­da saio mui­to de casa com ele, o car­ro. Não sou ape­nas ciga­no de super­mer­ca­do. No subúr­bio, somos todos ciga­nos, sem­pre cir­cu­lan­do.

Com­pa­nhi­as estão se rein­ven­tan­do em tor­no de nutri­ção, melho­ria do esti­lo de vida dos cida­dãos e por pro­por­ci­o­nar uma sen­sa­ção de que real­men­te per­ten­cem à comu­ni­da­de”