REBE­CA DE MORA­ES

Sócia-fun­da­do­ra e
dire­to­ra da Auro­ra

Como pen­sar
em ten­dên­ci­as

PARA O BRA­SIL

Como pen­sar
em ten­dên­ci­as

PARA O BRA­SIL

Como pen­sar
em ten­dên­ci­as

PARA O BRA­SIL

REBE­CA DE MORA­ES

Sócia-fun­da­do­ra e
dire­to­ra da Auro­ra

REBE­CA DE MORA­ES

Sócia-fun­da­do­ra e
dire­to­ra da Auro­ra

Mui­tas agên­ci­as tra­zem ten­dên­ci­as de fora e, sem con­ta­to com o con­su­mi­dor bra­si­lei­ro, as apre­sen­tam sem adap­ta­ções ao mer­ca­do daqui”

    Quan­do um mate­ri­al sobre ten­dên­ci­as é apre­sen­ta­do a você em um even­to, ou che­ga à sua mesa em um report, qual é a sua pri­mei­ra impres­são? Se todos aque­les cases de empre­sas euro­pei­as ou ame­ri­ca­nas tra­zem um futu­ro que lhe pare­ce fic­ção de tão dis­tan­tes da sua rea­li­da­de, ou se não tem ideia de como usar no seu negó­cio aque­la ten­dên­cia inte­res­san­te que vem de fora, sai­ba que você não está sozi­nho.

    Nos meus últi­mos oito anos de mer­ca­do, tan­to tra­ba­lhan­do em agên­ci­as de pes­qui­sa de ten­dên­ci­as fora do Bra­sil quan­to acom­pa­nhan­do o uso que empre­sas aqui fazem des­se tipo de con­teú­do, pude ver de per­to (e com cer­to des­con­ten­ta­men­to) que as ten­dên­ci­as mui­tas vezes aca­ba­vam não ser­vin­do a seu pro­pó­si­to: ser infor­ma­ção estra­té­gi­ca que dê con­ta de gui­ar efe­ti­va­men­te a cri­a­ção de comu­ni­ca­ção, pro­du­tos e ser­vi­ços que vão aten­der aos dese­jos dos con­su­mi­do­res nos pró­xi­mos anos. Uma ten­dên­cia só vale se cum­prir seu ciclo todo: ser enten­di­da, adap­ta­da e uti­li­za­da. E falan­do de núme­ros: em tem­pos de cri­se econô­mi­ca, con­cor­rên­cia acir­ra­da e infor­ma­ção cor­ren­do à velo­ci­da­de da luz, pre­ci­sa­mos mais do que nun­ca de solu­ções que façam sen­ti­do aqui, no Bra­sil.

    E por que isso acon­te­ce? Mui­tas agên­ci­as tra­zem ten­dên­ci­as de fora e, sem con­ta­to com o con­su­mi­dor bra­si­lei­ro, as apre­sen­tam sem adap­ta­ções ao mer­ca­do daqui. E adap­ta­ção é par­te fun­da­men­tal: como falar, por exem­plo, sobre mini­ma­lis­mo (essa ideia de ter ape­nas o míni­mo neces­sá­rio para sobre­vi­ver, evi­tan­do o con­su­mo de supér­flu­os) no Bra­sil, onde gran­de par­te das pes­so­as se inse­riu na soci­e­da­de por meio do con­su­mo? Dizer que o mini­ma­lis­mo é uma ten­dên­cia for­te na Euro­pa não diz nada sobre o Bra­sil.

    Se tem uma coi­sa que não pode­mos subes­ti­mar no País em que tra­ba­lha­mos é sua habi­li­da­de de olhar para o que vem de fora, devo­rar as refe­rên­ci­as estran­gei­ras, dige­ri-las e cri­ar algo com­ple­ta­men­te novo e ori­gi­nal. É o que está no Mani­fes­to Antro­po­fá­gi­co de Oswald de Andra­de, e está no Tro­pi­ca­lis­mo fun­da­do por Gil, Cae­ta­no e com­pa­nhia. E tro­pi­ca­li­zar ain­da é pre­ci­so: enten­der o que há de novo aqui e no mun­do, conhe­cer pro­fun­da­men­te o con­su­mi­dor que está em con­ta­to com essa novi­da­de e trans­for­mar o com­por­ta­men­to. Para usar as ten­dên­ci­as de for­ma estra­té­gi­ca é fun­da­men­tal tro­pi­ca­li­zá-las, tirar do ter­ri­tó­rio do achis­mo e iden­ti­fi­car seus impac­tos reais na nos­sa cul­tu­ra.

Mui­tas agên­ci­as tra­zem ten­dên­ci­as de fora e, sem con­ta­to com o con­su­mi­dor bra­si­lei­ro, as apre­sen­tam sem adap­ta­ções ao mer­ca­do daqui”