Bru­no Alves, CDO da iCus­to­mer – Plu­soft

Da impren­sa ao Face­bo­ok:
sem­pre gos­ta­mos de con­tar his­tó­ri­as

OS MEI­OS MUDA­RAM, MAS E O CON­SU­MI­DOR? BRU­NO ALVES, CDO DA ICUS­TO­MERPLU­SOFT, FALA SOBRE A EVO­LU­ÇÃO DOS CLI­EN­TES DE ACOR­DO COM OS MEI­OS USA­DOS POR ELES

POR MELIS­SA LULIO

o sécu­lo 15, Johan­nes Guten­berg mudou a tra­je­tó­ria da huma­ni­da­de. Cri­a­dor da impren­sa, ou seja, de uma máqui­na capaz de repro­du­zir infor­ma­ções sem mui­tos esfor­ços, o ale­mão tor­nou pos­sí­vel a dis­se­mi­na­ção de fatos e his­tó­ri­as. O pro­ces­so de repro­du­ção dos tex­tos ain­da não era tão veloz: o pri­mei­ro livro a ser impres­so foi a Bíblia e o pro­ces­so demo­rou apro­xi­ma­da­men­te cin­co anos. Hoje, a impren­sa tem outro sig­ni­fi­ca­do: a ela cabe con­tar as his­tó­ri­as, que são impres­sas em jor­nais e revis­tas. A gran­de ques­tão, porém, é que o méto­do de Guten­berg ganhou con­cor­ren­tes for­tes: o papel per­deu algu­mas de suas fun­ções.

A inter­net – espe­ci­al­men­te por meio das redes soci­ais – trou­xe novos padrões e tra­di­ções. Hoje, quem domi­na a tro­ca de infor­ma­ções é um homem de nome pare­ci­do com o do inven­tor da impren­sa: Mark Zuc­ker­berg, fun­da­dor do Face­bo­ok. Esta rede soci­al, que exal­ta âni­mos e des­per­ta ódio e pai­xão, já che­gou a repre­sen­tar o que pode ser cha­ma­do de “quin­to poder” – acom­pa­nhan­do o Exe­cu­ti­vo, o Legis­la­ti­vo, o Judi­ciá­rio e a impren­sa, que foi por mui­to tem­po cha­ma­da de “quar­to poder”.

É por meio das redes soci­ais – como What­sApp, Twit­ter, Ins­ta­gram e o pró­prio Face­bo­ok – que as pes­so­as gos­tam de con­tar his­tó­ri­as atu­al­men­te. On-line, elas ficam saben­do das notí­ci­as impor­tan­tes, des­co­brem como foi o dia de algum fami­li­ar e veem fotos e novi­da­des da vida do “crush” – o novo “paque­ra”. Caso a des­cri­ção des­sa roti­na lem­bre o que se fazia com os ami­gos nas ruas, nos bares ou no cine­ma acre­di­te: não é mera coin­ci­dên­cia.

O fato é que muda­ram os mei­os: a impren­sa evo­luiu, assim como os mei­os de comu­ni­ca­ção e de con­ta­to. Mas, e o indi­ví­duo? Será que muda­mos? Ou con­ti­nu­a­mos os mes­mos? Bru­no Alves, CDO da iCus­to­mer – Plu­soft, con­cor­da que o ser huma­no con­ti­nua o mes­mo. “Con­ti­nu­a­mos com uma série de com­por­ta­men­tos que sem­pre tive­mos” diz.

A ESCA­LA­BI­LI­DA­DE DA INFOR­MA­ÇÃO

A dife­ren­ça, con­tu­do, é que a inter­net gerou um impac­to que, cer­ta­men­te, mudou a vida das pes­so­as da mes­ma for­ma como Guten­berg o fez. Ambas as novi­da­des per­mi­ti­ram um ganho em ter­mos de esca­la que nun­ca teria sido pos­sí­vel sem elas. “A inter­net amplia con­ta­tos, que­bra bar­rei­ras de uma for­ma iné­di­ta”, acre­di­ta o exe­cu­ti­vo. Ou seja, é pos­sí­vel falar com alguém que está do outro lado do mun­do com a velo­ci­da­de de um pen­sa­men­to.

Ao mes­mo tem­po, as notí­ci­as que dizem res­pei­to a todo ser huma­no tam­bém podem ser divul­ga­das em tem­po real. “Con­ti­nu­a­mos sen­do huma­nos, mas esta­mos mui­to mais per­meá­veis a pes­so­as e con­ta­tos”, afir­ma. “A ava­lan­che de con­teú­do pode ser pre­ju­di­ci­al, mas as pos­si­bi­li­da­des de se conec­tar com pes­so­as dis­tan­tes é o lado posi­ti­vo dis­so tudo”.

IMPAC­TO NAS EMPRE­SAS

Alves argu­men­ta que tal con­tex­to pos­si­bi­li­ta que os cli­en­tes tenham um reper­tó­rio mais amplo. Com isso, se tor­nam mais exi­gen­tes. Ou seja, o fato de estar­mos conec­ta­dos com mais pes­so­as, de paí­ses dife­ren­tes, com empre­sas que nem sem­pre estão atu­an­do no mer­ca­do bra­si­lei­ro, amplia a expec­ta­ti­va do con­su­mi­dor em rela­ção às expe­ri­ên­ci­as de con­su­mo.

Outro aspec­to apon­ta­do pelo CDO é a urgên­cia. A inter­net tor­nou mais veloz a dis­se­mi­na­ção de tudo – des­de a entre­ga de um pro­du­to até a fina­li­za­ção de uma tran­sa­ção. Com isso, ampli­ou-se a deman­da por velo­ci­da­de. Como resul­ta­do, os cli­en­tes estão que­ren­do estí­mu­los sen­so­ri­ais e men­tais das empre­sas na mes­ma frequên­cia e velo­ci­da­de com que con­ver­sam no What­sApp.