EM DEFE­SA DO (ELEI­TOR) CON­SU­MI­DOR

A DEFE­SA DO CON­SU­MI­DOR ENTROU PARA A PAU­TA DOS CAN­DI­DA­TOS À PRE­SI­DÊN­CIA DA REPÚ­BLI­CA QUE CRI­TI­CAM A POLI­TI­ZA­ÇÃO DAS AGÊN­CI­AS REGU­LA­DO­RAS

POR IVAN VEN­TU­RA

uran­te a cor­ri­da elei­to­ral, os pro­ble­mas mais gra­ves do País pare­cem ser sim­ples de resol­ver: nos deba­tes, a impres­são é de que bas­ta­ri­am cane­ta­das dos pre­si­den­ciá­veis para pôr fim às filas dos pos­tos de saú­de, ao aca­cha­pan­te desem­pre­go e às falhas da edu­ca­ção bási­ca. A novi­da­de do plei­to des­te ano é que os can­di­da­tos tam­bém têm deba­ti­do ques­tões rela­ci­o­na­das à defe­sa do con­su­mi­dor. Con­fi­ra, a seguir, as pro­pos­tas dos prin­ci­pais pre­si­den­ciá­veis para as rela­ções de con­su­mo e sobre o futu­ro das agên­ci­as regu­la­do­ras bra­si­lei­ras

Jair Bol­so­na­ro, do PSL

Em defe­sa das pri­va­ti­za­ções

   O can­di­da­to não res­pon­deu às per­gun­tas da Con­su­mi­dor Moder­no, mas envi­ou o pla­no de gover­no no qual a pala­vra “con­su­mi­dor” sur­ge em dois momen­tos: quan­do se tra­ta de pri­va­ti­za­ções e do pre­ço do gás. O can­di­da­to defen­de as pri­va­ti­za­ções das empre­sas públi­cas como for­ma de gerar mai­or con­cor­rên­cia no mer­ca­do. “Deve­mos res­sal­tar que a linha mes­tra de nos­so pro­ces­so de pri­va­ti­za­ções terá como nor­te o aumen­to na com­pe­ti­ção entre empre­sas. Esse será nos­so foco: gerar mais com­pe­ti­ção. Afi­nal, com mais empre­sas con­cor­ren­do no mer­ca­do, a situ­a­ção do con­su­mi­dor melho­ra e ele pas­sa a ter aces­so a mais opções, de melhor qua­li­da­de e a um pre­ço mais bara­to”. Outro tema liga­do à defe­sa do con­su­mi­dor que ganhou des­ta­que no dis­cur­so do can­di­da­to é o pre­ço do com­bus­tí­vel. Segun­do ele, os pre­ços pra­ti­ca­dos pela Petro­bras deve­rão seguir os mer­ca­dos inter­na­ci­o­nais, mas as flu­tu­a­ções de cur­to pra­zo deve­rão ser sua­vi­za­das com meca­nis­mos apro­pri­a­dos. “Ao mes­mo tem­po, deve­re­mos pro­mo­ver a com­pe­ti­ção no setor de óleo e gás, bene­fi­ci­an­do os con­su­mi­do­res”.

Mari­na Sil­va, da Rede

For­ça às star­tups para gerar com­pe­ti­ção

   A ex-sena­do­ra e can­di­da­ta Mari­na Sil­va não res­pon­deu às per­gun­tas envi­a­das à sua asses­so­ria de impren­sa. No entan­to, em seu pla­no de gover­no, afir­ma que o aumen­to da com­pe­ti­ti­vi­da­de entre empre­sas — espe­ci­al­men­te entre star­tups — pode ter refle­xos posi­ti­vos para a defe­sa do con­su­mi­dor. “A eco­no­mia cri­a­ti­va é a fusão da eco­no­mia da cul­tu­ra com a do conhe­ci­men­to. Abran­ge diver­sos seto­res, como artes visu­ais, artes cêni­cas, games, soft­ware, moda, design e arqui­te­tu­ra. O uso de novas tec­no­lo­gi­as é cres­cen­te na pro­mo­ção do aces­so e na difu­são da pro­du­ção cul­tu­ral. Para desen­vol­ver e esti­mu­lar este setor econô­mi­co, é pre­ci­so inves­tir na for­ma­ção pro­fis­si­o­nal, pro­mo­ver a orga­ni­za­ção de redes, ofe­re­cer apoio a star­tups, dimi­nuir buro­cra­cia e ampli­ar o aces­so a cré­di­to. Com a cres­cen­te digi­ta­li­za­ção de fil­mes, foto­gra­fi­as, músi­cas e livros, é neces­sá­rio explo­rar as pos­si­bi­li­da­des das novas tec­no­lo­gi­as na pro­mo­ção do aces­so e na difu­são da pro­du­ção cul­tu­ral, em espe­ci­al no cam­po da eco­no­mia cola­bo­ra­ti­va”, afir­ma o docu­men­to.

Geral­do Alck­min, do PSDB

Pre­o­cu­pa­ção com o papel das agên­ci­as regu­la­do­ra

   O can­di­da­to e ex-gover­na­dor Geral­do Alck­min é um dos auto­res do Códi­go de Defe­sa do Con­su­mi­dor e sem­pre se nota­bi­li­zou sobre o tema. O can­di­da­to não res­pon­deu às per­gun­tas envi­a­das pela repor­ta­gem, mas uma aná­li­se sobre as suas recen­tes falas nos deba­tes elei­to­rais na TV reve­la um polí­ti­co pre­o­cu­pa­do com o papel das agên­ci­as regu­la­do­ras. Alck­min tem dito que as agên­ci­as regu­la­do­ras, que deve­ri­am ser luga­res de deba­tes exclu­si­va­men­te téc­ni­cos, se trans­for­ma­ram em pal­co para a prá­ti­ca de polí­ti­ca de coa­li­zão. Em entre­vis­ta ao jor­nal O GLO­BO, o can­di­da­to afir­mou: “Elas são agên­ci­as de Esta­do e não daque­le gover­no do dia. É pre­ci­so ser bem esco­lhi­do. O que pre­ci­sa­mos é indi­car bons téc­ni­cos, pes­so­as com cre­di­bi­li­da­de e des­par­ti­da­ri­zar”.

Ciro Gomes, do PDT

Medi­das con­tra o endi­vi­da­men­to do con­su­mi­dor

   Nos pri­mei­ros deba­tes dos can­di­da­tos à pre­si­dên­cia da Repú­bli­ca, Ciro Gomes dei­xou cla­ro qual será o car­ro-che­fe de sua cam­pa­nha: rene­go­ci­ar as dívi­das dos 63 milhões de bra­si­lei­ros endi­vi­da­dos. A ideia do pre­si­den­ciá­vel é cri­ar uma espé­cie de Refis (ori­gi­nal­men­te conhe­ci­do como o pro­gra­ma de refi­nan­ci­a­men­to de dívi­das dos con­tri­buin­tes) para o con­su­mi­dor. Ori­gi­nal­men­te, o Refis exi­ge que o deve­dor pague ao menos 20% do total da dívi­da para que o mon­tan­te devi­do seja par­ce­la­do. Gomes pro­põe que as par­ce­las tenham des­con­tos de 50% a 90%. “Con­su­mi­do­res e empre­sas tam­bém estão com ele­va­do nível de endi­vi­da­men­to. No pri­mei­ro semes­tre de 2018, 63 milhões de con­su­mi­do­res esta­vam ina­dim­plen­tes segun­do o Ser­vi­ço de Pro­te­ção ao Cré­di­to, e 5,5 milhões de micro e peque­nas empre­sas esta­vam na mes­ma situ­a­ção em feve­rei­ro de 2018, segun­do a Sera­sa, o que repre­sen­ta 22% das empre­sas des­se por­te. As mar­gens de lucro das empre­sas caí­ram com a cri­se nos últi­mos anos, e a dis­po­si­ção para o setor pri­va­do inves­tir e gerar mais empre­gos segue mui­to bai­xa. Não há como ficar feliz nes­sa situ­a­ção; não é à toa que a popu­la­ção está des­gos­to­sa com os gover­nan­tes” dis­se o can­di­da­to. Ciro Gomes tam­bém tem cri­ti­ca­do o papel das agên­ci­as regu­la­do­ras e se dis­se “ten­ta­do” a fechá-las. “Eu não sei se vou fechar. Vou cha­mar o empre­sa­ri­a­do bra­si­lei­ro para dis­cu­tir o assun­to”, dis­se. A can­di­da­ta à vice, Kátia Abreu (PDT), cor­ro­bo­ra que a cha­pa está de olho na atu­a­ção das agên­ci­as regu­la­do­ras. “Eu sem­pre digo que o Esta­do bra­si­lei­ro ou qual­quer Esta­do não pode se intro­me­ter na ini­ci­a­ti­va pri­va­da. Tem que dei­xar a ini­ci­a­ti­va pri­va­da tra­ba­lhar em paz. Mas, ao mes­mo tem­po, nós temos o dever e a obri­ga­ção de pro­te­ger o con­su­mi­dor. É para isso que exis­tem as agên­ci­as regu­la­do­ras e as regu­la­ções de um modo geral. Não vamos dei­xar que as empre­sas ultra­pas­sem os limi­tes dos direi­tos dos con­su­mi­do­res”, dis­se Abreu.

João Amoê­do do Novo

Em favor da con­cor­rên­cia

   Um dos assun­tos recor­ren­tes nas falas do empre­sá­rio João Amoê­do é a defe­sa do con­su­mi­dor. Em entre­vis­ta à CM, o can­di­da­to faz crí­ti­cas ao mode­lo atu­al das agên­ci­as regu­la­do­ras e diz que boas prá­ti­cas de mer­ca­do sur­gem por inter­mé­dio de um ambi­en­te de gran­de con­cor­rên­cia entre empre­sas. “A prin­ci­pal ques­tão, no meu enten­der, é que a gen­te pre­ci­sa ter con­cor­rên­cia. No Bra­sil, a gen­te tem vári­os seg­men­tos mui­to cen­tra­li­za­dos. Há des­de ins­ti­tui­ções finan­cei­ras, emprei­tei­ras, empre­sas de tele­fo­nia, entre outras. O que a gen­te pre­ci­sa fazer é abrir a con­cor­rên­cia. Não tem melhor defe­sa para o con­su­mi­dor”, dis­se. O outro pon­to, segun­do Amoê­do, é que nós temos agên­ci­as regu­la­do­ras “apa­re­lha­das poli­ti­ca­men­te”. “E aí não fazem o ser­vi­ço que deve­ri­am fazer, então você aca­ba ten­do o pior dos mun­dos: um mer­ca­do mui­to cen­tra­li­za­do, em que você não dá opor­tu­ni­da­de para novos inves­ti­do­res e do outro lado tem agên­ci­as regu­la­do­ras que têm um apa­re­lha­men­to polí­ti­co, que do pon­to de vis­ta téc­ni­co aca­bam não fazen­do as fun­ções que deve­ri­am fazer.” Amoê­do tam­bém abor­da outros temas liga­dos à defe­sa do con­su­mi­dor, den­tre eles uma ideia pou­co conhe­ci­da no Bra­sil e que leva o nome de por­ta­bi­li­da­de da ener­gia elé­tri­ca. “O cida­dão tem que ter liber­da­de para esco­lher seu for­ne­ce­dor de ener­gia. Isso é fun­da­men­tal, é uma deman­da da popu­la­ção, e a gen­te vê isso em paí­ses avan­ça­dos”, defen­de.

Hen­ri­que Mei­rel­les, do MDB

Mais tec­no­lo­gia e trans­pa­rên­cia

   O ex-minis­tro da Fazen­da e ex-pre­si­den­te do Ban­co Cen­tral Hen­ri­que Mei­rel­les não pou­pa crí­ti­cas ao atu­al papel das agên­ci­as regu­la­do­ras. “É pre­ci­so refor­çar todas as agên­ci­as de defe­sa do con­su­mi­dor. Den­tro des­se aspec­to, a tec­no­lo­gia aju­da mui­to. Tec­no­lo­gia é trans­pa­rên­cia e efi­ci­ên­cia são fun­da­men­tais”, dis­se à CM. Em outra opor­tu­ni­da­de, Mei­rel­les falou sobre a poli­ti­za­ção das agên­ci­as regu­la­do­ras. “As agên­ci­as não serão usa­das sim­ples­men­te como arran­jos polí­ti­cos, mas sim para redu­zir a incer­te­za regu­la­tó­ria, redu­zir os cus­tos do pro­je­to, dar esta­bi­li­da­de de nor­mas e garan­tir a raci­o­na­li­da­de e a efi­ci­ên­cia dos pro­je­tos”, expli­cou. “Pen­so que esses órgãos devem seguir o exem­plo do que nós colo­ca­mos no esta­tu­to, por exem­plo, da Cai­xa Econô­mi­ca Fede­ral, em que não exis­te limi­ta­ção a alguém que tenha deter­mi­na­da sim­pa­tia ou deter­mi­na­da visão par­ti­dá­ria ou polí­ti­ca, mas ele ou ela tem que ter expe­ri­ên­cia pro­fis­si­o­nal, inte­gri­da­de, com­pe­tên­cia com­pro­va­da e, a par­tir daí, com inde­pen­dên­cia de ação, a pes­soa deve ocu­par o car­go”, expli­cou.

Gui­lher­me Bou­los, do PSOL

Crí­ti­cas ao mode­lo tri­bu­tá­rio bra­si­lei­ro

   O pro­fes­sor Gui­lher­me Bou­los não res­pon­deu às per­gun­tas envi­a­das pela repor­ta­gem. Mas Bou­los defen­deu, em deba­tes, a imple­men­ta­ção de meca­nis­mos de demo­cra­cia dire­ta, como ple­bis­ci­tos e refe­ren­dos, inves­ti­men­tos públi­cos em infra­es­tru­tu­ra soci­al e refor­ma tri­bu­tá­ria pro­gres­si­va, com taxa­ção con­cen­tra­da na ren­da dos mais ricos e deso­ne­ra­ção do con­su­mo. Em entre­vis­ta à BBC Bra­sil, ele afir­mou que o mode­lo tri­bu­tá­rio bra­si­lei­ro está base­a­do em arre­ca­da­ção sobre o con­su­mo. “Nós temos que mexer numa refor­ma tri­bu­tá­ria pro­fun­da e pro­gres­si­va. O sis­te­ma tri­bu­tá­rio bra­si­lei­ro está base­a­do em arre­ca­da­ção sobre con­su­mo, que é pro­fun­da­men­te regres­si­va, que não tem jus­ti­ça tri­bu­tá­ria. O que acon­te­ce­ria num Esta­do em que impe­ra a jus­ti­ça soci­al? Quem tem mais paga mais, quem tem menos paga menos. É assim em boa par­te do mun­do”, dis­se.

AGÊN­CI­AS REGU­LA­DO­RAS EM XEQUE 

   As agên­ci­as regu­la­do­ras pare­cem ter per­di­do o pres­tí­gio do pas­sa­do e entra­ram para a mira dos can­di­da­tos à Pre­si­dên­cia da Repú­bli­ca. Mas por que os polí­ti­cos falam tan­to des­sas ins­ti­tui­ções? Segun­dos os pre­si­den­ciá­veis, as autar­qui­as pas­sa­ram a ser coman­da­das por diri­gen­tes pou­co téc­ni­cos, que assu­mi­ram os car­gos por indi­ca­ção polí­ti­ca. Para mudar esse qua­dro, está em pau­ta a ado­ção de novos mode­los de regu­la­ção. É o caso da Ana­tel (Agên­cia Naci­o­nal de Tele­co­mu­ni­ca­ções) e o seu Regu­la­men­to Geral de Direi­tos do Con­su­mi­dor de Ser­vi­ços de Tele­co­mu­ni­ca­ções (RGC). Entre outras coi­sas, a revi­são do RGC ava­lia a pos­si­bi­li­da­de de uma autor­re­gu­la­ção do setor, o que, de cer­ta for­ma, con­tra­ria o papel da agên­cia. Um exem­plo de setor autor­re­gu­la­do é o ban­cá­rio. A Fede­ra­ção Bra­si­lei­ra dos Ban­cos (Febra­ban) con­tri­bui para a ofer­ta de boas prá­ti­cas para o mer­ca­do e, mui­tas vezes, ante­ci­pa-se a um decre­to do Ban­co Cen­tral.

MAIS ESPE­CI­A­LIS­TAS
E MENOS ESCO­LHAS POLÍ­TI­CAS 

   Dois reno­ma­dos nomes da defe­sa do con­su­mi­dor refle­ti­ram sobre temas que vão des­de poli­ti­za­ção na Sena­con e nas agên­ci­as regu­la­do­ras até o incen­ti­vo à pla­ta­for­ma Consumidor.gov.br

   Qual é o cami­nho que a defe­sa do con­su­mi­dor deve seguir na ava­li­a­ção de espe­ci­a­lis­tas no assun­to? A Con­su­mi­dor Moder­no con­ver­sou Ricar­do Morishi­ta, ex-dire­tor do Depar­ta­men­to de Pro­te­ção e Defe­sa do Con­su­mi­dor, e Juli­a­na Perei­ra, ex-secre­tá­ria Naci­o­nal do Con­su­mi­dor (Sena­con). Ambos des­ta­ca­ram a impor­tân­cia da esco­lha de diri­gen­tes que sejam téc­ni­cos e expe­ri­en­tes – o que, segun­do eles, não vem ocor­ren­do na atu­al ges­tão. Ricar­do Morishi­ta, por exem­plo, afir­ma que o pró­xi­mo pre­si­den­te deve ficar aten­to a dois temas: polí­ti­ca ins­ti­tu­ci­o­nal e polí­ti­ca de defe­sa do con­su­mi­dor. Esta, por exem­plo, diz res­pei­to aos temas que serão tra­ta­dos pelo futu­ro pre­si­den­te. No entan­to, é a ques­tão estru­tu­ral que real­men­te pre­o­cu­pa Morishi­ta. Segun­do ele, as agên­ci­as regu­la­do­ras e a Secre­ta­ria Naci­o­nal do Con­su­mi­dor têm sido alvo de crí­ti­cas den­tro do atu­al gover­no. Há, segun­do ele, uma carên­cia de um cor­po téc­ni­co e diri­gen­tes com conhe­ci­men­tos e expe­ri­ên­cia na defe­sa do con­su­mi­dor – uma crí­ti­ca que tam­bém foi fei­ta por algum can­di­da­tos. “Den­tro da ins­ti­tu­ci­o­nal, exis­te uma dis­cus­são que acon­te­ce tan­to na defe­sa do con­su­mi­dor quan­to em outras áre­as do gover­no. Afi­nal, será você terá diri­gen­tes na defe­sa do con­su­mi­dor e um cor­po téc­ni­co com auto­no­mia, conhe­ci­men­to e espe­ci­a­li­da­de? Se sim, como isso irá acon­te­cer? Se você olhar este gover­no, essa é uma das gran­des crí­ti­cas dire­ci­o­na­das aos órgãos regu­la­do­res e à Sena­con. Se essa pau­ta é impor­tan­te, esse assun­to pre­ci­sa ser dis­cu­ti­do den­tro da base polí­ti­ca”, dis­se.

   Já Juli­a­na afir­ma que a indi­ca­ção polí­ti­ca é ine­vi­tá­vel den­tro de uma demo­cra­cia de coa­li­zão. No entan­to, assim como Morishi­ta, é pre­ci­so bus­car pes­so­as que tenham um conhe­ci­men­to e uma expe­ri­ên­cia no assun­to. Além dis­so, ela des­ta­cou a impor­tân­cia de uma valo­ri­za­ção do Sis­te­ma Naci­o­nal de Defe­sa do Con­su­mi­dor. “Pri­mei­ro, pre­ci­sa­mos ava­li­ar as for­ças que com­põem o deba­te da defe­sa do con­su­mi­dor. As mai­o­res eco­no­mi­as do mun­do lidam com o assun­to com mui­to equi­lí­brio entre empre­sas e cli­en­tes, o que resul­ta em cer­ta har­mo­nia den­tro des­sas rela­ções. Mas não é ape­nas isso. Pre­ci­sa­mos apoi­ar medi­das de con­ci­li­a­ção e medi­a­ção, caso da pla­ta­for­ma Consumidor.gov.br. Quan­to às leis, pre­ci­sa­mos cri­ar um mode­lo efi­ci­en­te de aná­li­se de impac­to regu­la­tó­rio e que, entre outras coi­sas, aju­de a veri­fi­car se uma lei alcan­çou o seu obje­ti­vo. Se não alcan­çou, muda-se”, afir­ma.

CAN­DI­DA­TO DO PT*
INTE­GRA­ÇÃO DOS PRO­CONS

A pro­pos­ta do PT vai ao encon­tro de um anti­go plei­to do Sis­te­ma Naci­o­nal de Defe­sa do Con­su­mi­dor: a valo­ri­za­ção dos Pro­cons e da Secre­ta­ria Naci­o­nal do Con­su­mi­dor (Sena­con). Em nota, o par­ti­do refor­çou que, nos gover­nos Lula e Dil­ma, o desen­vol­vi­men­to econô­mi­co com dis­tri­bui­ção de ren­da inte­grou mui­ta gen­te à cate­go­ria de con­su­mi­dor. O pro­ces­so, segun­do o par­ti­do, veio acom­pa­nha­do de uma for­te polí­ti­ca em defe­sa dele. “Avan­çou-se no for­ta­le­ci­men­to e na inte­gra­ção de todos os Pro­cons por meio do Sis­te­ma Naci­o­nal de Infor­ma­ções de Defe­sa do Con­su­mi­dor (SIN­DEC) e na regu­la­men­ta­ção dos Ser­vi­ços de Aten­di­men­to ao Con­su­mi­dor. Foram cri­a­dos o Pla­no Naci­o­nal de Con­su­mo e Cida­da­nia (PLAN­DEC) e a pla­ta­for­ma digi­tal de solu­ção de con­fli­tos de con­su­mo (Consumidor.gov.br), uti­li­za­da por mais de 1 milhão de con­su­mi­do­res para solu­ci­o­nar pro­ble­mas de con­su­mo com empre­sas cadas­tra­das”, diz a nota. Na visão do par­ti­do, caso Lula pos­sa se ele­ger, ele “ampli­a­rá o aces­so dos con­su­mi­do­res aos meca­nis­mos de solu­ção de con­fli­tos, vol­ta­rá a for­ta­le­cer o SIN­DEC e desen­vol­ve­rá ser­vi­ços que impac­tam o dia a dia dos con­su­mi­do­res bra­si­lei­ros, espe­ci­al­men­te aque­les liga­dos a saú­de suple­men­tar, tele­co­mu­ni­ca­ções e trans­por­tes”. Tan­to Lula quan­to Had­dad (can­di­da­to a vice ou a pre­si­den­te, em caso de impug­na­ção da can­di­da­tu­ra de Lula) falam em fomen­tar a con­cor­rên­cia ban­cá­ria, o que teria impac­to dire­to na ofer­ta de cré­di­to. Mais do que isso, pro­põem a alte­ra­ção da Taxa de Lon­go Pra­zo (TLP). “Para fomen­tar a con­cor­rên­cia ban­cá­ria, tam­bém será impor­tan­te o incen­ti­vo a outras for­mas e ins­ti­tui­ções de cré­di­to, coo­pe­ra­ti­vas e regi­o­nais. Por meio delas, o cré­di­to pode se apro­xi­mar da rea­li­da­de do con­su­mi­dor e de pro­du­to­res locais, a pre­ços jus­tos, per­mi­tin­do man­ter e refor­mu­lar os meca­nis­mos de cré­di­to dire­ci­o­na­dos ao finan­ci­a­men­to do desen­vol­vi­men­to, com for­ta­le­ci­men­to de um mer­ca­do de capi­tais pri­va­dos, que pode­rá flo­res­cer com taxas de juros mais bai­xas e está­veis”, fina­li­za.

*Até o fecha­men­to des­ta edi­ção, a Jus­ti­ça Elei­to­ral ain­da não havia dado a pala­vra final sobre a vali­da­de da can­di­da­tu­ra de Luiz Iná­cio Lula da Sil­va à pre­si­dên­cia da Repú­bli­ca