Enfren­tan­do o ine­di­tis­mo 

Unin­do esfor­ços públi­cos e pri­va­dos, a ABT defi­niu estra­té­gi­as para que o setor man­te­nha os negó­ci­os e garan­ta, ao mes­mo tem­po, a saú­de e o empre­go

Por Melis­sa Lulio

   A con­fir­ma­ção do pri­mei­ro caso do novo coro­na­ví­rus no Bra­sil alar­mou o cida­dão e as empre­sas e, é cla­ro, exi­giu que o Poder Públi­co tomas­se ati­tu­des rápi­das. Por isso, entre outras defi­ni­ções, por meio de Decre­to, foram esta­be­le­ci­dos os ser­vi­ços e as ati­vi­da­des essen­ci­ais, que serão man­ti­das em fun­ci­o­na­men­to duran­te a rea­li­za­ção de qua­ren­te­na. A deci­são está em linha com a Lei nº 13.979, edi­ta­da em 6 de feve­rei­ro – que dis­põe sobre as ati­tu­des a serem toma­das como res­pos­ta ao enfren­ta­men­to do sur­to de COVID-19. E um des­ses ser­vi­ços é o aten­di­men­to ao cli­en­te. 

   Na visão de Hélio Cos­ta, pre­si­den­te do Con­se­lho da Asso­ci­a­ção Bra­si­lei­ra de Teles­ser­vi­ços (ABT), é pru­den­te e neces­sá­ria a inclu­são do setor entre as ati­vi­da­des que pre­ci­sam con­ti­nu­ar em fun­ci­o­na­men­to duran­te a qua­ren­te­na. “Garan­ti­mos o con­ta­to com as empre­sas de pla­nos de saú­de, segu­ros e pre­vi­dên­cia”, jus­ti­fi­ca. “Por isso, não pode­mos parar, mas, pre­ci­sa­mos tam­bém garan­tir o máxi­mo de segu­ran­ça aos cola­bo­ra­do­res das empre­sas, miti­gan­do todas as for­mas de ris­co.”

Desa­fi­os do setor

   Para aten­der ao Decre­to e, ao mes­mo tem­po, garan­tir a saú­de dos cola­bo­ra­do­res, a prin­ci­pal alter­na­ti­va encon­tra­da pelo setor foi a ado­ção do regi­me de home offi­ce. Porém, como expli­ca Cláu­dio Tar­ta­ri­ni, asses­sor jurí­di­co da Asso­ci­a­ção Bra­si­lei­ra de Teles­ser­vi­ços (ABT), esta opção trou­xe desa­fi­os téc­ni­cos, con­si­de­ran­do a vari­e­da­de de locais e con­tex­tos em que vivem os fun­ci­o­ná­ri­os do setor, Bra­sil afo­ra.  

 

   “Há pes­so­as que não têm aces­so a uma inter­net de qua­li­da­de”, afir­ma. “Foi pre­ci­so cui­dar de ques­tões como segu­ran­ça da infor­ma­ção e, ao mes­mo tem­po, aten­de­mos às ori­en­ta­ções da Orga­ni­za­ção Mun­di­al da Saú­de (OMS) e da vigi­lân­cia sani­tá­ria, sem­pre seguin­do a ciên­cia.” Para isso, o setor dia­lo­gou com ins­ti­tui­ções do País todo. 

Colo­can­do em prá­ti­ca

   O foco em dire­tri­zes cien­tí­fi­cas via­bi­li­zou o diá­lo­go do setor com dife­ren­tes enti­da­des. “Os dire­to­res e man­te­ne­do­res da ABT par­ti­ci­pa­ram de todas as reu­niões que fize­mos com o Minis­té­rio do Tra­ba­lho – e foram con­ver­sas lon­gas, de qua­tro ou cin­co horas”, diz Cos­ta. Como resul­ta­do, foram edi­ta­dos dois mate­ri­ais de suma impor­tân­cia: uma car­ta que con­fir­mou a per­cep­ção do setor sobre a gra­vi­da­de da situ­a­ção e as ações esta­be­le­ci­das em defe­sa da saú­de e do bem-estar e, na sequên­cia, uma car­ti­lha capaz de ori­en­tar as empre­sas de rela­ci­o­na­men­to com cli­en­tes em todas as eta­pas da qua­ren­te­na.

Tar­ta­ri­ni con­ta que as ori­en­ta­ções foram suge­ri­das por mais de 40 pro­fis­si­o­nais das empre­sas e auto­ri­da­des dos muni­cí­pi­os. “Todos os envol­vi­dos sem­pre se pre­o­cu­pa­ram mui­to com as pes­so­as, e foi mui­to gran­de o nível de acei­ta­ção dos pro­to­co­los esta­be­le­ci­dos com a ABT”, afir­ma o asses­sor jurí­di­co. Inclu­si­ve, as medi­das esta­be­le­ci­das foram ado­ta­das como decre­tos locais, em dife­ren­tes cida­des. “Foi uma união de esfor­ços entre os seto­res pri­va­do e públi­co”, diz.  

  

O foco da ABT em

dire­tri­zes cien­tí­fi­cas via­bi­li­zou o diá­lo­go do setor

com dife­ren­tes enti­da­des.”

O cui­da­do com o empre­go
Colo­can­do em prá­ti­ca

    Outro pon­to de des­ta­que, na visão do pre­si­den­te do Con­se­lho da ABT, é a dedi­ca­ção do setor aos empre­gos. Hou­ve mui­tas empre­sas que, mes­mo antes de via­bi­li­za­rem a infra­es­tru­tu­ra de tra­ba­lho em home offi­ce, per­mi­ti­ram aos cola­bo­ra­do­res dos gru­pos de ris­co fica­rem em casa, inclu­si­ve sem a pre­o­cu­pa­ção de serem demi­ti­dos. “Aque­les que são do gru­po de ris­co ou que resi­dem com fami­li­a­res nes­sas con­di­ções foram os pri­mei­ros a serem enca­mi­nha­dos para o regi­me de home offi­ce”, diz Tar­ta­ri­ni.  

   Cos­ta sus­ten­ta que os pro­to­co­los de saú­de e as ati­vi­da­des essen­ci­ais serão impor­tan­tes tam­bém duran­te a rea­ber­tu­ra das empre­sas. Ao mes­mo tem­po, em caso de lock­down, defen­de a impor­tân­cia des­ses ser­vi­ços que não podem parar. “São eles que garan­tem a via­bi­li­da­de do iso­la­men­to”, diz.

   Mas des­ta­can­do o foco das empre­sas de call cen­ter em con­ti­nu­ar a pro­te­ger a saú­de e pro­ver seus ser­vi­ços para a soci­e­da­de, Cos­ta des­ta­ca: “Nos­so farol está apon­ta­do para o futu­ro”.