EXTER­MI­NA­DOR DO FUTU­RO?

POR IVAN VEN­TU­RA

Em feve­rei­ro des­te ano, a Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al (IA) este­ve no cen­tro de um deba­te pro­mo­vi­do pelo Vati­ca­no. O pró­prio Papa Fran­cis­co fez um ser­mão sobre o para­do­xo do “pro­gres­so” des­sa tec­no­lo­gia e aler­tou sobre os impac­tos nega­ti­vos que ela pode ter na soci­e­da­de. Na mão con­trá­ria está Avi Gold­farb, coau­tor do best-sel­ler “Máqui­nas Pre­di­ti­vas: a Sim­ples Eco­no­mia da Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al”. Pro­fes­sor na Rot­man Scho­ol of Mana­ge­ment, uni­ver­si­da­de que ofe­re­ce um dos melho­res MBAs da Amé­ri­ca do Nor­te, ele afir­ma que a IA não pode ser asso­ci­a­da ao robô do Exter­mi­na­dor do Futu­ro e garan­te que essa tec­no­lo­gia vai trans­for­mar o mun­do.

CON­SU­MI­DOR MODER­NOEM SUA PALES­TRA, O SENHOR DIS­SE QUE A MÍDIA ADO­RA COM­PA­RAR A IA COM O ROBÔ DO EXTER­MI­NA­DOR DO FUTU­RO. AFI­NAL, O QUE DEVE­MOS ESPE­RAR DES­SA TEC­NO­LO­GIA?

Avi Gold­farb - Ela não tem nada de Exter­mi­na­dor e mui­to menos de C‑3PO (o sim­pá­ti­co robô de Star Wars). É uma tec­no­lo­gia que vai nos aju­dar nas tare­fas do coti­di­a­no. A ideia não é que tenha per­na e faça o que qui­ser nas ruas e pra­ças. Não deve­mos pen­sar que esta­mos dian­te de uma inte­li­gên­cia de fato. Isso é ape­nas auto­ma­ção. Elas serão máqui­nas efi­ci­en­tes.

CMMUI­TA GEN­TE COLE­TA E USA DADOS DE NAVE­GA­ÇÃO NA INTER­NET. ALGUM DADO QUE A HUMA­NI­DA­DE AIN­DA NÃO UTI­LI­ZA, MAS O FARÁ NO FUTU­RO?

AG - Um deles é o dado geo­grá­fi­co. A par­tir dele, há uma infi­ni­da­de de pos­si­bi­li­da­des e idei­as que podem sur­gir. É mui­to vali­o­so saber onde uma pes­soa está e o que ela está fazen­do. Se eu asso­cio essas infor­ma­ções com a loca­li­za­ção do meu negó­cio, eu tenho gran­des pos­si­bi­li­da­des, que vão da ofer­ta à abor­da­gem de um pro­du­to ou ser­vi­ço.

CMEM SUA APRE­SEN­TA­ÇÃO, O SENHOR LEM­BROU DE UM MOMEN­TO DO FIL­MEEU, ROBÔEM QUE UMA MÁQUI­NA TOMA A DECI­SÃO DE SAL­VAR UM ADUL­TO EM VEZ DE UMA CRI­AN­ÇA, QUE ACA­BA MOR­REN­DO. A DECI­SÃO FOI BASE­A­DA NA PRO­BA­BI­LI­DA­DE DE SOBRE­VI­VÊN­CIA DE AMBOS. UM SER HUMA­NO PODE­RIA PEN­SAR DE OUTRA FOR­MA, COR­RE­TO?

AG - Pre­ci­sa­mos dei­xar cla­ro uma coi­sa: a IA ou uma máqui­na não toma uma deci­são. Quem faz isso é um ser huma­no, que é o res­pon­sá­vel pela pro­gra­ma­ção que ante­ce­de um pro­ces­so deci­só­rio da máqui­na. O que temos que fazer daqui para fren­te é refle­tir sobre cada momen­to da deci­são de uma máqui­na para que, enfim, ela faça igual a um ser huma­no. Pen­sar em cada eta­pa do pro­ces­so deci­só­rio de uma máqui­na é fun­da­men­tal.

CMMUI­TOS FUTU­RIS­TAS DIZEM QUE EMPRE­SAS VÃO PAGAR PARA TER ACES­SO AOS NOS­SOS DADOS. O SENHOR ACRE­DI­TA NIS­SO?

AG - Sim, as com­pa­nhi­as vão pagar pelos nos­sos dados. E isso não está tão lon­ge de acon­te­cer, como alguns acre­di­tam. Em bre­ve, tere­mos empre­sas pagan­do US$ 10 ou US$ 5, depen­den­do da pes­soa e do tipo de dados. No entan­to, exis­te um cus­to que pre­ci­sa ser con­si­de­ra­do nes­se tipo de tran­sa­ção. Nós esta­mos falan­do de uma tran­sa­ção mui­to robus­ta e isso, evi­den­te­men­te, tem um cus­to mui­to alto. Antes de ofe­re­cer isso, temos que pen­sar na infra­es­tru­tu­ra des­se tipo de tran­sa­ção.