FELI­CI­DA­DE

  TRA­BA­LHO

Con­tem­plar os ansei­os e as expec­ta­ti­vas do cola­bo­ra­dor vai mui­to além de ofe­re­cer bene­fí­ci­os. Os pro­fis­si­o­nais das novas gera­ções – cada vez mais aves­sas ao tédio – bus­cam bem-estar e pro­pó­si­to em tudo aqui­lo que fazem

POR VINI­CIUS GON­ÇAL­VES

   Uma con­di­ção ou um esta­do de espí­ri­to? A feli­ci­da­de, para espe­ci­a­lis­tas no tema, é um sen­ti­men­to pro­fun­do de satis­fa­ção. E isso não sig­ni­fi­ca se sen­tir bem a todo o momen­to, mas sim saber que as insa­tis­fa­ções fazem par­te da vida, sejam elas pes­so­ais, sejam pro­fis­si­o­nais. “As pes­so­as cos­tu­mam con­fun­dir feli­ci­da­de com eufo­ria. A pri­mei­ra está em nós. Já a segun­da depen­de de um estí­mu­lo exter­no”, diz o pen­sa­dor Fabrí­cio Car­pi­ne­jar. Em suma, a eufo­ria está vin­cu­la­da àqui­lo que uma pes­soa tem; enquan­to a feli­ci­da­de é um refle­xo daqui­lo que ela é. “A feli­ci­da­de impro­vi­sa. E isso reduz – e mui­to – o nível de frus­tra­ção”, diz o espe­ci­a­lis­ta.

   E como isso impac­ta as empre­sas? É sim­ples. Diver­sos estu­dos mos­tram que pes­so­as feli­zes tra­ba­lham melhor, são mais sau­dá­veis, pro­du­ti­vas, resi­li­en­tes e leais. Se antes a rela­ção entre empre­ga­do e empre­ga­dor se base­a­va na tro­ca de mão de obra por remu­ne­ra­ção, hoje pre­sen­ci­a­mos um res­sig­ni­fi­ca­do da pala­vra tra­ba­lho. O for­ma­to, em si, não mudou mui­to. Na prá­ti­ca, a mai­o­ria das pes­so­as ain­da tra­ba­lha 40 horas sema­nais em um escri­tó­rio, mas é den­tro dele que as trans­for­ma­ções acon­te­cem.

   Não à toa, cien­tis­tas, psi­có­lo­gos e soció­lo­gos vêm se debru­çan­do sobre o tema para com­pre­en­der o papel que o tra­ba­lho assu­miu na vida das pes­so­as. Uma das cons­ta­ta­ções é a de que, mais do que ofe­re­cer pufes, vide­o­ga­mes e áre­as de des­com­pres­são, atin­gir a feli­ci­da­de no ambi­en­te pro­fis­si­o­nal exi­ge uma com­pre­en­são mui­to mai­or do esta­do emo­ci­o­nal do cola­bo­ra­dor. O assun­to vem sen­do leva­do tão a sério que algu­mas empre­sas cri­a­ram até o car­go de Chi­ef Hap­pi­ness Offi­cer (CHO). Sim: dire­to­res de feli­ci­da­de.

 

A BUS­CA PELO PRO­PÓ­SI­TO

   Dian­te das novas gera­ções, como a Y e a Z, cada vez mais aves­sas ao tédio e com sede de pro­pó­si­to, o desa­fio das empre­sas para moti­var os cola­bo­ra­do­res é ain­da mai­or. “Falar de pro­pó­si­to pes­so­al é mui­to sub­je­ti­vo, ain­da mais quan­do o assun­to se rela­ci­o­na com a feli­ci­da­de no ambi­en­te cor­po­ra­ti­vo”, diz Wil­son Lima, head de Recur­sos Huma­nos da You­se. Para o exe­cu­ti­vo, um dos pri­mei­ros pas­sos é o “mat­ch” per­fei­to na hora de esco­lher o can­di­da­to. “A empre­sa pode ter o melhor ambi­en­te do mun­do, mas con­tra­tar a pes­soa cer­ta para a vaga erra­da pode ser fatal. Por isso, acre­di­to que o ‘core’ da área de recur­sos huma­nos seja ini­ci­ar o pro­ces­so de con­tra­ta­ção de for­ma cor­re­ta para evi­tar frus­tra­ções futu­ras de ambos os lados”, com­ple­ta.

   Pro­je­ta­do pelo arqui­te­to Guto Reque­na – o mes­mo do Goo­gle –, o escri­tó­rio da You­se, em São Pau­lo, foi pen­sa­do para que todos tra­ba­lhem de for­ma harmô­ni­ca. “Todo o ambi­en­te é divi­di­do em squads (equi­pes mul­ti­dis­ci­pli­na­res que atu­am em cada pro­du­to). Isso não só dá mais agi­li­da­de às entre­gas como favo­re­ce a inte­ra­ção entre as equi­pes”, expli­ca Lima.

   Um dos mai­o­res vare­jis­tas do País, o Car­re­four cri­ou para os fun­ci­o­ná­ri­os o Bem Cui­dar, um pro­gra­ma que bene­fi­cia os mais de 40 mil cola­bo­ra­do­res a par­tir de três pila­res: saú­de, equi­lí­brio e soci­al. As ações inclu­em de cam­pa­nhas de vaci­na­ção con­tra a gri­pe à exten­são da licen­ça-mater­ni­da­de de 120 para 180 dias e da pater­ni­da­de de 5 para 20 dias. “No Car­re­four, acre­di­ta­mos que ini­ci­a­ti­vas como esta são fun­da­men­tais para garan­tir o bem-estar, o desen­vol­vi­men­to pro­fis­si­o­nal e a pro­du­ti­vi­da­de dos nos­sos cola­bo­ra­do­res”, afir­ma Ale­xan­dre Espi­no­sa, dire­tor de RH Cor­po­ra­ti­vo do Car­re­four Bra­sil. Reco­nhe­ci­da por suas polí­ti­cas de valo­ri­za­ção da diver­si­da­de, a empre­sa acre­di­ta ain­da que esse con­jun­to de ações se refle­te no aten­di­men­to pres­ta­do ao con­su­mi­dor. “Nós temos o mai­or pro­gra­ma trans do mer­ca­do. Essa diver­si­da­de é impor­tan­te por­que os cli­en­tes são diver­sos e, assim, con­se­gui­mos aten­dê-los da melhor for­ma”, garan­te Pau­la Car­do­so, CEO do Car­re­four e‑Business Bra­sil.

INO­VA­ÇÕES NA MESA
   A pre­o­cu­pa­ção com o bem-estar no ambi­en­te cor­po­ra­ti­vo veio ao encon­tro do aumen­to de doen­ças rela­ci­o­na­das ao estres­se nas orga­ni­za­ções. No Bra­sil, 70% da popu­la­ção eco­no­mi­ca­men­te ati­va sofre com algum tipo de estres­se rela­ci­o­na­do ao tra­ba­lho e, segun­do a Orga­ni­za­ção Mun­di­al da Saú­de, 30% dos tra­ba­lha­do­res do pla­ne­ta apre­sen­tam trans­tor­nos de ansi­e­da­de, estres­se ou depres­são. São as cha­ma­das doen­ças silen­ci­o­sas.

   O ban­co espa­nhol San­tan­der, por exem­plo, lan­çou prá­ti­cas pelo bem-estar psi­co­ló­gi­co de seus fun­ci­o­ná­ri­os. Vivi­an Rodri­gues, supe­rin­ten­den­te-exe­cu­ti­va de RH do ban­co, expli­ca que esse moni­to­ra­men­to é fei­to de for­ma cons­tan­te. “O ges­tor per­ce­be que tem um fun­ci­o­ná­rio que está com algum pro­ble­ma e pre­ci­sa de apoio. Entro em con­ta­to com a cen­tral com a qual temos assis­tên­ci­as psi­co­ló­gi­ca, finan­cei­ra e jurí­di­ca. Se o fun­ci­o­ná­rio esti­ver de acor­do, desen­vol­ve­mos um pla­no”, diz.

   Para cui­dar da saú­de men­tal dos cola­bo­ra­do­res, o Bra­des­co Segu­ros tam­bém cri­ou um pro­je­to – o LIG Viva Bem que é um ser­vi­ço de aten­di­men­to psi­co­ló­gi­co pro­fis­si­o­nal con­fi­den­ci­al. “O pro­gra­ma for­ne­ce ori­en­ta­ção e acon­se­lha­men­to para seus cola­bo­ra­do­res e depen­den­tes. Ele sur­giu com a pro­pos­ta de resol­ver pro­ble­mas pes­so­ais, fami­li­a­res, legais e finan­cei­ros fora do ambi­en­te de tra­ba­lho e, assim, dimi­nuir o impac­to dos pro­ble­mas do dia a dia. Sabe­mos que o bem-estar impac­ta todas as esfe­ras do ser huma­no”, diz Juli­a­no Mar­cí­lio, dire­tor de Recur­sos Huma­nos do Gru­po Bra­des­co Segu­ros.

   Enquan­to isso, na ope­ra­do­ra de tele­fo­ne Vivo, a solu­ção encon­tra­da para enco­ra­jar seus cola­bo­ra­do­res a um momen­to de refle­xão foi a medi­ta­ção. Por dia, entre 50 e 60 fun­ci­o­ná­ri­os mar­cam pre­sen­ça na sala de medi­ta­ção, além de dois gru­pos fixos. “A ini­ci­a­ti­va da sala de medi­ta­ção está liga­da ao posi­ci­o­na­men­to da Vivo que, como mar­ca, quer incen­ti­var seus cli­en­tes a viver menos do mes­mo, enco­ra­jan­do-os a apro­vei­tar aqui­lo que impor­ta para cada um. Como acre­di­ta­mos que esse posi­ci­o­na­men­to vem de den­tro para fora, cri­a­mos a sala de medi­ta­ção, para incen­ti­var nos­sos cola­bo­ra­do­res a bus­car auto­co­nhe­ci­men­to, tan­to pes­so­al quan­to pro­fis­si­o­nal, para viver e valo­ri­zar o que impor­ta de ver­da­de”, expli­ca Fer­nan­do Luci­a­no, dire­tor de Ser­vi­ços Digi­tais e Ino­va­ção da Vivo.

   Na Sode­xo, até o reper­tó­rio cul­tu­ral do cola­bo­ra­dor rece­be aten­ção. “Fize­mos uma con­ven­ção em Foz do Igua­çu para as pes­so­as conhe­ce­rem a cida­de. Mui­tos esta­vam via­jan­do de avião pela pri­mei­ra vez. Não fala­mos ape­nas de novos car­gos, mas tam­bém de situ­a­ções que abrem um mun­do novo e aumen­tam o reper­tó­rio do cola­bo­ra­dor”, expli­ca Ali­ne Tiep­po, head de Comu­ni­ca­ção Inter­na e Diver­si­da­de e Inclu­são da Sode­xo Bene­fí­ci­os e Incen­ti­vos. Segun­do ela, cri­ar opor­tu­ni­da­des para que o cola­bo­ra­dor pos­sa ser reco­nhe­ci­do não só pelo seu che­fe, mas tam­bém pelos seus pares, é outra pre­o­cu­pa­ção do Gru­po.

   Melho­rar o enga­ja­men­to dos cola­bo­ra­do­res foi um dos gran­des desa­fi­os da EDP. Dos 14 paí­ses em que a com­pa­nhia elé­tri­ca está pre­sen­te, o Bra­sil apa­re­cia em últi­mo nes­se que­si­to. Foi quan­do a empre­sa resol­veu reu­nir 1.700 cola­bo­ra­do­res volun­tá­ri­os para defi­nir as dire­tri­zes de um pro­je­to cha­ma­do de “Cul­tu­ra EDP”. Com as ini­ci­a­ti­vas, entre elas pro­je­tos vol­ta­dos à edu­ca­ção e à saú­de, foi dado o pri­mei­ro pas­so para a huma­ni­za­ção da EDP.

   Após a ação, fomos para o pri­mei­ro lugar, o que mos­tra o suces­so do pro­je­to. Esse movi­men­to foi deman­dan­do a neces­si­da­de de ali­nhar o lucro com o que cha­ma­mos de qua­li­da­de com foco no cli­en­te”, expli­ca Luis Gou­veia, dire­tor de Orga­ni­za­ção da com­pa­nhia. “Quan­to mais feliz o cola­bo­ra­dor está, mais cres­cem os bons indi­ca­ti­vos. Isso por­que, quan­do ele não está satis­fei­to, não dá o seu melhor. A feli­ci­da­de de quem tra­ba­lha conos­co retor­na de vári­as for­mas para a empre­sa e para a soci­e­da­de”, con­clui.

Ali­ne Tiep­po, da Sode­xo:
cola­bo­ra­dor pre­ci­sa ser reco­nhe­ci­do por che­fes e pares

6 INGRE­DI­EN­TES-CHA­VE PARA A FELI­CI­DA­DE NO TRA­BA­LHO

Um levan­ta­men­to da Robert Half – con­sul­to­ria glo­bal de recur­sos huma­nos – lis­tou os fato­res que influ­en­ci­am a feli­ci­da­de dos cola­bo­ra­do­res. Con­fi­ra:

1. Pro­cu­re pes­so­as que tenham fit com a cul­tu­ra da empre­sa

2. Empo­de­re seus cola­bo­ra­do­res e dê a eles auto­no­mia nas toma­das de deci­são

3. Desen­vol­va uma cul­tu­ra de tra­ba­lho posi­ti­va, na qual todos se sin­tam valo­ri­za­dos

4. Se você quer ter um fun­ci­o­ná­rio enga­ja­do, ofe­re­ça a ele um tra­ba­lho com pro­pó­si­to

5. O sen­so de jus­ti­ça e res­pei­to é um dos prin­ci­pais impul­si­o­na­do­res da feli­ci­da­de no tra­ba­lho

6. Apoie o cola­bo­ra­dor a man­ter rela­ci­o­na­men­tos de tra­ba­lho sau­dá­veis e de apoio

O QUE TRAZ FELI­CI­DA­DE PARA

ELES:

1. Sen­tir orgu­lho da empre­sa
2. Rece­ber tra­ta­men­to de for­ma igua­li­tá­ria
3. Per­ce­ber que seu tra­ba­lho é valo­ri­za­do

 

ELAS:

1. Rece­ber tra­ta­men­to de for­ma igua­li­tá­ria
2. Sen­tir orgu­lho da empre­sa
3. Per­ce­ber que seu tra­ba­lho é valo­ri­za­do

   VP de Gen­te e Cul­tu­ra da RD, Maria Susa­na de Sou­sa con­cor­da. Há dois anos, a empre­sa far­ma­cêu­ti­ca deu iní­cio a uma nova eta­pa em sua cul­tu­ra orga­ni­za­ci­o­nal. Em con­so­nân­cia com a mis­são “Gen­te que Cui­da de Gen­te”, rede­fi­niu o nome do setor de RH para Gen­te e Cul­tu­ra. Com mais de 36 mil fun­ci­o­ná­ri­os, a empre­sa apos­tou em trei­na­men­tos e canais aber­tos com as lide­ran­ças. “Em 2018, por exem­plo, foram mais de 5.300 pro­mo­ções e 35 mil pessoas trei­na­das. Temos uma pla­ta­for­ma de ensi­no a dis­tân­cia, o Por­tal do Saber, dis­po­ní­vel para todos os fun­ci­o­ná­ri­os”, con­ta.

   Uma das mai­o­res empre­sas de con­tact cen­ter do mun­do, a Aten­to – líder em ser­vi­ços de ges­tão de cli­en­tes e ter­cei­ri­za­ção de pro­ces­sos – dis­po­ni­bi­li­za pro­gra­mas de Men­to­ring, Coa­ching, além da Aca­de­mia e da Uni­ver­si­da­de Aten­to, ambas com meto­do­lo­gi­as espe­cí­fi­cas para o desen­vol­vi­men­to pro­fis­si­o­nal e pessoal. “O ambi­en­te de tra­ba­lho tor­na-se um meio, um faci­li­ta­dor. Cri­a­mos uma cum­pli­ci­da­de entre empre­sa e cola­bo­ra­dor”, diz Elai­ne Ter­cei­ro, supe­rin­ten­den­te de Comu­ni­ca­ção Inter­na, Ouvi­do­ria, Res­pon­sa­bi­li­da­de Soci­al e Enga­ja­men­to da empre­sa.

   Sem­pre vis­to como um ambi­en­te rigo­ro­so em rela­ção ao dress code, o setor ban­cá­rio come­ça a des­cons­truir esse este­reó­ti­po. O ban­co Itaú Uni­ban­co, por exem­plo, já per­mi­te que seus 86 mil fun­ci­o­ná­ri­os se vis­tam como acha­rem melhor. Anco­ra­da pelo mote “Vou como Sou”, a novi­da­de se esten­de a todas as áre­as da ins­ti­tui­ção. “Exis­te uma pre­o­cu­pa­ção genuí­na em dei­xar o pro­fis­si­o­nal mais à von­ta­de e mais feliz duran­te sua jor­na­da de tra­ba­lho. Pes­so­as feli­zes são pro­fis­si­o­nais melho­res e, por isso, nos­sos ges­to­res estão cada vez mais aten­tos ao que nos­sos cola­bo­ra­do­res têm a dizer sobre a expe­ri­ên­cia deles no ban­co”, expli­ca Ser­gio Fajer­man, dire­tor-exe­cu­ti­vo da área de Pes­so­as do Itaú Uni­ban­co.

   De acor­do com o exe­cu­ti­vo, as idei­as tra­zi­das por Jacob Mor­gan em sua obra “O Futu­ro do Tra­ba­lho: Atraia Novos Talen­tos, Cons­trua Líde­res Melho­res e Crie uma Orga­ni­za­ção Com­pe­ti­ti­va” ser­vi­ram de ins­pi­ra­ção para outras mudan­ças. “Pro­cu­ra­mos estru­tu­rar a expe­ri­ên­cia do cola­bo­ra­dor em três pila­res: ambi­en­te físi­co, cul­tu­ra e tec­no­lo­gia. Pre­ci­so ofe­re­cer o melhor em cada um des­ses aspec­tos para maxi­mi­zar a expe­ri­ên­cia do pro­fis­si­o­nal aqui no ban­co, de for­ma que ele con­si­ga entre­gar seu melhor”, diz.

   Com pro­pos­ta seme­lhan­te, a Mas­ter­card tam­bém desen­vol­veu ações que se pre­o­cu­pam com o cola­bo­ra­dor fora do ambi­en­te cor­po­ra­ti­vo. “Para auxi­li­ar seus fun­ci­o­ná­ri­os a encon­tra­rem pro­pó­si­tos de feli­ci­da­de em suas fun­ções, a Mas­ter­card cri­ou o pro­gra­ma The Who­le You (Você por Intei­ro), cujo obje­ti­vo é con­tri­buir de for­ma rele­van­te para aten­der às deman­das dos cola­bo­ra­do­res a par­tir do enten­di­men­to de que cada pes­soa tem a sua jor­na­da den­tro e fora do ambi­en­te de tra­ba­lho. Para che­gar nes­te mode­lo, a Mas­ter­card iden­ti­fi­cou o per­fil dos cola­bo­ra­do­res em gru­pos e estru­tu­rou uma polí­ti­ca ampla de bene­fí­ci­os”, expli­ca Fabi­a­na Cym­rot, VP de Recur­sos Huma­nos da Mas­ter­card para Bra­sil e Cone Sul.

 

UMA NOVA IDEIA DE FELI­CI­DA­DE

   O con­cei­to de feli­ci­da­de ali­nha­do ao con­su­mo per­deu for­ça. Para Heloí­sa Cape­las, escri­to­ra espe­ci­a­lis­ta em auto­co­nhe­ci­men­to e pro­ces­sos trans­for­ma­ti­vos, essa rela­ção mudou e a bus­ca pela feli­ci­da­de se tor­nou uma obses­são. “Hoje, com as faci­li­da­des na aqui­si­ção de bens mate­ri­ais, os sonhos muda­ram e as pes­so­as estão se per­gun­tan­do o que mais se faz na vida, fora a con­quis­ta mate­ri­al, para serem feli­zes”, expli­ca.

   Auto­ra do livro “O Mapa da Feli­ci­da­de”, Heloí­sa diz que exis­te uma rela­ção dire­ta entre pes­so­as feli­zes e pro­du­ti­vas. “Os estu­dos mos­tram que pes­so­as feli­zes tra­ba­lham melhor e ren­dem mais. Hoje, a bus­ca é por fazer algo que seja útil, pro­du­ti­vo e agra­dá­vel. O que as pes­so­as bus­cam é algo que gos­tem e as façam feli­zes e esse tema pre­ci­sa ser con­ver­sa­do nas cor­po­ra­ções para ali­nha­men­to de pro­pó­si­to entre todos”.

   Para Moni­ca Hauck, CEO da Soli­des – soft­ware de ges­tão de pes­so­as –, a defi­ni­ção de feli­ci­da­de foi rein­ven­ta­da pelos Mil­len­ni­als. “Essa gera­ção pre­ci­sa des­sa sen­sa­ção de mais ple­ni­tu­de e bem-estar. Isso é um valor mui­to for­te para essa gera­ção, que vem com um con­cei­to no qual o tra­ba­lho é um lugar onde ela pre­ci­sa se sen­tir feliz. As empre­sas aca­ba­ram de se adap­tar a esse novo con­tex­to”, diz. A exe­cu­ti­va tam­bém acres­cen­ta que a feli­ci­da­de depen­de de outras variá­veis: “Quan­do se fala de feli­ci­da­de no tra­ba­lho, acho que tam­bém é uma ques­tão indi­vi­du­al e não pode­mos con­tro­lar todas as variá­veis”. Isso mos­tra que a feli­ci­da­de é, sim, não só um esta­do de espí­ri­to como uma res­pon­sa­bi­li­da­de com­par­ti­lha­da.

Escri­tó­rio da Mas­ter­card, em São Pau­lo:
mesas de pebo­lim e sinu­ca para des­con­trair