IMER­SOS EM INO­VA­ÇÃO

O CON­SU­MI­DOR MODER­NO EXPE­RI­EN­CE SUM­MIT 2019 MOS­TROU QUE INO­VAR É MAIS DO QUE SEGUIR TEN­DÊN­CI­AS E BUZZWORDS

POR MELIS­SA LULIO COM TEX­TOS DE GABRI­EL­LA SAN­DO­VAL E JAC­QUES MEIR 

Patro­cí­nio:

(1) Michal Fisër, da Ope­rá­tor ICT a.s.
(2) Design thin­king: em gru­pos, os par­ti­ci­pan­tes usa­ram essa téc­ni­ca para pen­sar o futu­ro das cida­des
(3) Apren­di­za­do: os três dias de con­teú­do trou­xe­ram pode­ro­sos insights para os exe­cu­ti­vos que esti­ve­ram em Pra­ga
(4) Pit­ch: os gru­pos apre­sen­ta­ram idei­as para desen­vol­ver cida­des inte­li­gen­tes

erar valor é um dos prin­cí­pi­os mais ele­men­ta­res em um negó­cio. Cada depar­ta­men­to à sua for­ma, cada um para seu sta­kehol­der; todos lidam com a neces­si­da­de de ser rele­van­te de algu­ma for­ma, cedo ou tar­de. E isso vale tam­bém para a ino­va­ção. Quem ino­va pre­ci­sa, pri­mei­ro, cri­ar dinhei­ro novo: qual pro­du­to, ser­vi­ço ou ideia pode eli­mi­nar uma dor do cli­en­te, fazer com que ele tenha mais qua­li­da­de de vida, con­ve­ni­ên­cia, con­for­to e que gera­rá mais ren­da para a empre­sa? Essa é a ques­tão-cha­ve.

   Natu­ral­men­te, esta per­gun­ta é tão rele­van­te quan­to difí­cil de ser res­pon­di­da. Por isso, o Con­su­mi­dor Moder­no Expe­ri­en­ce Sum­mit reu­niu, na pecu­li­ar cida­de de Pra­ga, 160 exe­cu­ti­vos que, em três dias de imer­são, viven­ci­a­ram vari­a­dos desa­fi­os foca­dos em apren­der a ino­var.

   Quem con­du­ziu o con­teú­do foi o gênio Alber­to Levy, con­si­de­ra­do o “evan­ge­lis­ta da ino­va­ção” pelo Har­vard Busi­ness Revi­ew Sum­mit e pelo Fórum Econô­mi­co Mun­di­al. Aplau­di­do de pé ao fim do even­to, ele que­brou tabus e dei­xou lições para os exe­cu­ti­vos pre­sen­tes, abrin­do por­tas para trans­for­ma­ções posi­ti­vas que podem acon­te­cer nas empre­sas.

   O even­to se divi­diu em três par­tes: ins­pi­ra­ção, trans­pi­ra­ção e ino­va­ção. E este con­teú­do segui­rá a mes­ma trilha.erar valor é um dos prin­cí­pi­os mais ele­men­ta­res em um negó­cio. Cada depar­ta­men­to à sua for­ma, cada um para seu sta­kehol­der; todos lidam com a neces­si­da­de de ser rele­van­te de algu­ma for­ma, cedo ou tar­de. E isso vale tam­bém para a ino­va­ção. Quem ino­va pre­ci­sa, pri­mei­ro, cri­ar dinhei­ro novo: qual pro­du­to, ser­vi­ço ou ideia pode eli­mi­nar uma dor do cli­en­te, fazer com que ele tenha mais qua­li­da­de de vida, con­ve­ni­ên­cia, con­for­to e que gera­rá mais ren­da para a empre­sa? Essa é a ques­tão-cha­ve.

   Natu­ral­men­te, esta per­gun­ta é tão rele­van­te quan­to difí­cil de ser res­pon­di­da. Por isso, o Con­su­mi­dor Moder­no Expe­ri­en­ce Sum­mit reu­niu, na pecu­li­ar cida­de de Pra­ga, 160 exe­cu­ti­vos que, em três dias de imer­são, viven­ci­a­ram vari­a­dos desa­fi­os foca­dos em apren­der a ino­var.

   Quem con­du­ziu o con­teú­do foi o gênio Alber­to Levy, con­si­de­ra­do o “evan­ge­lis­ta da ino­va­ção” pelo Har­vard Busi­ness Revi­ew Sum­mit e pelo Fórum Econô­mi­co Mun­di­al. Aplau­di­do de pé ao fim do even­to, ele que­brou tabus e dei­xou lições para os exe­cu­ti­vos pre­sen­tes, abrin­do por­tas para trans­for­ma­ções posi­ti­vas que podem acon­te­cer nas empre­sas.

   O even­to se divi­diu em três par­tes: ins­pi­ra­ção, trans­pi­ra­ção e ino­va­ção. E este con­teú­do segui­rá a mes­ma tri­lha.

(5) Tomás Stu­de­nik, da Insa­ne Ide­as
(6) Yoga: uma das manhãs come­çou com exer­cí­ci­os
(7) Pit­ch: os gru­pos apre­sen­ta­ram idei­as para desen­vol­ver cida­des inte­li­gen­tes
(8) Raci­o­cí­nio: Alber­to Levy apre­sen­tou dife­ren­tes for­mas de pen­sar — e cada uma delas cum­pre uma fun­ção

INS­PI­RA­ÇÃO

A cri­a­ti­vi­da­de no coti­di­a­no

   É mui­to comum que, ao come­çar a falar, uma cri­an­ça faça aos pais as mais vari­a­das per­gun­tas sobre o mun­do ao seu redor. É uma fase de des­co­ber­ta, de curi­o­si­da­de e de extre­mo inte­res­se. Ao mes­mo tem­po, a infân­cia é a fase da cri­a­ti­vi­da­de: tudo se tor­na real, par­te de uma brin­ca­dei­ra, de uma his­tó­ria, de um mun­do para­le­lo que nem sem­pre os adul­tos estão pre­pa­ra­dos para enten­der. Mas, por que não esta­mos pre­pa­ra­dos se tam­bém fomos cri­an­ças?

   Levy dei­xa cla­ro para quem o ouve: o ensi­no tra­di­ci­o­nal des­trói a cri­a­ti­vi­da­de do ser huma­no. É pre­ci­so apren­der fór­mu­las, com­pre­en­der a sabe­do­ria alheia antes de enten­der que o que exis­te na pró­pria men­te tem poten­ci­al para ser igual­men­te vali­o­so – nun­ca sabe­mos de onde virá o pró­xi­mo gênio da huma­ni­da­de, não é?

   Ape­sar de com­ple­xa, essa é uma rea­li­da­de con­tor­ná­vel. Alguns exem­plos dis­so foram cita­dos por Zuza­na Made­ro­vá, desig­ner de Expan­são e de Negó­ci­os da Sta­tus Quack, que vê a ino­va­ção como uma com­bi­na­ção de aten­ção, lucro e valor para par­tes inte­res­sa­das. Ela citou alguns exem­plos de como isso é fei­to e defen­deu que, para que tais refe­rên­ci­as pos­sam se repli­car, lide­ran­ças e times podem iden­ti­fi­car ten­dên­ci­as rele­van­tes de tec­no­lo­gia capa­zes de cri­ar ondas para uma nova gera­ção de ino­va­ção, bem como iden­ti­fi­car os pro­ta­go­nis­tas des­sa onda.

(1) Envol­vi­men­to: um dos gran­des dife­ren­ci­ais do CM Sum­mit é a capa­ci­da­de de reu­nir exe­cu­ti­vos das mai­o­res empre­sas do Bra­sil e enga­já-los
(2) Idei­as: em um dos exer­cí­ci­os, os par­ti­ci­pan­tes cri­a­ram solu­ções viá­veis para pro­ble­mas do dia a dia
(3) Networ­king: além do enga­ja­men­to com o con­teú­do, os exe­cu­ti­vos vivem expe­ri­ên­ci­as posi­ti­vas em gru­po
(4) Expe­ri­ên­cia: Thi­a­go Paret­ti, VP Busi­ness da Mutant, e Sole­mar Andra­de, CEO da Plu­soft, repre­sen­ta­ram as res­pec­ti­vas empre­sas em um coque­tel de boas-vin­das

   Para que as cor­po­ra­ções pos­sam cri­ar ino­va­ção de valor, a desig­ner de Expan­são e de Negó­ci­os da Sta­tus Quack suge­re um road­map que com­pre­en­de ques­ti­o­nar as áre­as de pes­qui­sa e desen­vol­vi­men­to e de inte­li­gên­cia sobre as novas ten­dên­ci­as; cri­ar um busi­ness case; pro­cu­rar por solu­ções rele­van­tes e de des­ta­que no mer­ca­do; adquirir/implementar; e tes­tar.

   Pen­san­do na rea­li­da­de do dia a dia, é neces­sá­rio que as empre­sas com­po­nham equi­pes com dife­ren­tes talen­tos, cons­truin­do uma cul­tu­ra de apren­di­za­do e cri­a­ti­vi­da­de, reco­nhe­cen­do os ino­va­do­res e enco­ra­jan­do a diver­si­da­de de pen­sa­men­tos. É neces­sá­rio tam­bém ter os cri­a­do­res e os exe­cu­to­res no mes­mo time, afi­nal, como ela defen­de, “cri­ar uma ideia é mais arte do que ciên­cia, mas a imple­men­ta­ção é mais cien­tí­fi­ca que artís­ti­ca”. Assim, é pre­ci­so defi­nir pro­ces­sos e indi­ca­do­res, tes­tar e apren­der para que a ideia ganhe rele­vo e ren­di­men­to.

   Ficou cla­ro que Zuza­na é adep­ta de téc­ni­cas clás­si­cas de pro­du­ção de ino­va­ção: abrir a empre­sa para outras influên­ci­as, des­con­ta­mi­na­das da cul­tu­ra sequen­ci­al, line­ar e pon­to a pon­to da orga­ni­za­ção tra­di­ci­o­nal, e incor­po­rar for­mas mais leves, líqui­das e simul­tâ­ne­as de desen­vol­vi­men­to de negó­cio, incor­po­ran­do com­pe­tên­ci­as estra­nhas ou ausen­tes à empre­sa absor­vi­da pela cul­tu­ra e pelos pro­du­tos exis­ten­tes.

(5) Ava­li­a­ção: Alber­to Levy assis­te ao pit­ch de um dos gru­pos em uma das dinâ­mi­cas
(6) Ino­va­ção: os gru­pos se divi­di­ram de acor­do com temas vari­a­dos e desen­vol­ve­ram idei­as de acor­do com eles
(7) Gran­des momen­tos: o evan­ge­lis­ta da ino­va­ção par­ti­ci­pou inclu­si­ve dos momen­tos de networ­king
com os exe­cu­ti­vos

Conhe­ci­men­to sobre o cli­en­te

   Tam­bém em uma expe­ri­ên­cia de ins­pi­ra­ção, Alber­to Levy levou para o públi­co do Con­su­mi­dor Moder­no Expe­ri­en­ce Sum­mit uma série de ten­dên­ci­as e insights rela­ci­o­na­dos ao com­por­ta­men­to do con­su­mi­dor.

   Hoje, sabe-se que cate­go­ri­za­ções demo­grá­fi­cas, em mui­tos casos, são con­si­de­ra­das invá­li­das, espe­ci­al­men­te em um momen­to em que mui­to se fala sobre per­so­na­li­za­ção. Já é pos­sí­vel conhe­cer o con­su­mi­dor de for­ma úni­ca. Mas, de que ser­vem inú­me­ros dados se não há com­pre­en­são sobre as moti­va­ções, os valo­res e o con­tex­to que movem o cli­en­te?

   Levy apre­sen­tou diver­sos gru­pos que se for­mam não a par­tir da ida­de ou do gêne­ro, mas por pri­o­ri­da­des – algu­mas um tan­to pecu­li­a­res – que geram iden­ti­fi­ca­ção entre pes­so­as. Por exem­plo, os DINKs (dou­ble inco­me, no kids) são casais com ren­da dupla e sem filhos. Os aven­tu­rei­ros urba­nos, que não pre­ten­dem aban­do­nar as cida­des tão cedo e pro­cu­ram eli­mi­nar per­das de tem­po do dia a dia no local onde vivem. Os immi­gre­ats, sim­pá­ti­cos à cau­sa dos refu­gi­a­dos, se mobi­li­zam em apoio a pes­so­as nes­sas con­di­ções.

Dina­mis­mo: o gru­po par­ti­ci­pan­te do Con­su­mi­dor Moder­no Expe­ri­en­ce Sum­mit é extre­ma­men­te qua­li­fi­ca­do, o que tor­nou os resul­ta­dos dos exe­cí­ci­os sur­pre­en­den­tes

TRANS­PI­RA­ÇÃO
Desa­fi­os exter­nos

   Os ele­men­tos apre­sen­ta­dos no iní­cio do even­to ins­pi­ra­ram o momen­to de trans­pi­ra­ção – ou seja, de apli­car esfor­ço para ino­var. É evi­den­te que essa não é uma tare­fa sim­ples – tan­to den­tro quan­to fora do even­to – afi­nal, sem­pre hou­ve e sem­pre have­rá resis­tên­ci­as à mudan­ça, em qual­quer empre­sa. Porém, exis­tem algu­mas saí­das que tor­nam esse exer­cí­cio mais sim­ples.

   Pro­to­ti­par é sem­pre uma estra­té­gia váli­da. Isso envol­ve tes­tes rápi­dos, loca­li­za­dos, com peque­na pos­si­bi­li­da­de de dano, para cole­tar apren­di­za­dos que per­mi­tem iden­ti­fi­car lacu­nas que pos­sam ser pre­en­chi­das e tam­bém com­pre­en­der de que for­ma con­su­mi­do­res e cli­en­tes cri­am expec­ta­ti­vas a par­tir de ofer­tas dife­ren­tes – novos pro­du­tos, ser­vi­ços e pro­pos­tas de valor.

   Pou­ca gen­te sabe, mas a cri­a­ti­vi­da­de foi exaus­ti­va­men­te estu­da­da e enqua­dra­da como méto­do por Gen­ri­ch Altshul­ler, um escri­tor e pes­qui­sa­dor da então União Sovié­ti­ca nos anos 40 do sécu­lo 20. Ele é, tal­vez, um dos gran­des gêni­os incom­pre­en­di­dos e igno­ra­dos da his­tó­ria.

   Tomás Stu­de­nik, líder da Insa­ne Ide­as, com­par­ti­lhou no even­to os ensi­na­men­tos de Altshul­ler. A tese cen­tral de Tomás é a mes­ma do cien­tis­ta sovié­ti­co: uti­li­zar méto­dos para cri­ar solu­ções cri­a­ti­vas para pro­ble­mas diver­sos. Altshul­ler estu­dou milha­res de paten­tes e clas­si­fi­cou as “inven­ções” em gru­pos, iden­ti­fi­can­do padrões que fos­sem recor­ren­tes a qual­quer tipo de pro­ble­ma. Essa clas­si­fi­ca­ção gerou uma fer­ra­men­ta deno­mi­na­da “Triz” ou “Méto­do de reso­lu­ção inven­ti­va de pro­ble­mas”.

   Segun­do Tomás, há duas balas de pra­ta excep­ci­o­nais para aju­dar orga­ni­za­ções a cri­ar ino­va­ção rele­van­te, segun­do os prin­cí­pi­os de Altshul­ler: dele­tar e divi­dir. A Triz ori­gi­nal con­ce­bi­da pelo sovié­ti­co con­ti­nha padrões para reso­lu­ção de pro­ble­mas em todas as ciên­ci­as e cam­pos de conhe­ci­men­to, na for­ma de 40 prin­cí­pi­os inven­ti­vos. Dele­tar e divi­dir, assim como recom­bi­nar, rear­ran­jar e outras “téc­ni­cas” (prin­cí­pi­os) com­põem, então, um ver­da­dei­ro algo­rit­mo para a cri­a­ti­vi­da­de apli­ca­da. Esten­den­do a apli­ca­ção para negó­ci­os, temos então o uso da Triz para ino­var sis­te­ma­ti­ca­men­te.

   Na prá­ti­ca, alguns dos exem­plos são o Cir­que du Soleil, que eli­mi­nou os ani­mais do cir­co, para dar mais espa­ço aos acro­ba­tas e às core­o­gra­fi­as; a Toyo­ta, que divi­diu sua ope­ra­ção de car­ros de luxo na Lexus; a Net­flix, que excluiu a mídia físi­ca de seu negó­cio de trans­mis­são de con­teú­do e fez do stre­a­ming o mode­lo por exce­lên­cia de trans­mis­são de entre­te­ni­men­to que pode ser aces­sa­do em todo lugar, a qual­quer momen­to.

Pro­pos­tos por Alber­to Levy, exer­cí­ci­os pro­vo­ca­ram a imen­sa capa­ci­da­de cri­a­ti­va dos par­ti­ci­pan­tes

Desa­fi­os de uso

   “Dele­tar” e “divi­dir” são tare­fas mui­to difí­ceis para as empre­sas em geral, afi­nal, elas com­pre­en­dem que é sem­pre neces­sá­rio acu­mu­lar: desen­vol­ver mais pro­du­tos, mais fea­tu­res, mais modos de paga­men­to, mais recei­ta, mais áre­as ope­ra­ci­o­nais, mais tec­no­lo­gi­as, mais sis­te­mas. Mas, acu­mu­la­das, as orga­ni­za­ções ver­gam sob o peso do seu lega­do e con­fun­dem o que é essen­ci­al do que é sim­ples­men­te cama­da de com­ple­xi­da­de.

   Cri­a­ti­vi­da­de é um exer­cí­cio cons­tan­te de revi­são da pro­pos­ta de valor e das con­di­ções ope­ra­ci­o­nais que impul­si­o­nam o suces­so da sua empre­sa. O uso dos méto­dos cri­a­ti­vos não deve ser ape­nas um exer­cí­cio de gera­ção de novos pro­du­tos, mas, antes de tudo, de refle­xão sobre o poten­ci­al e o está­gio atu­al do negó­cio dian­te da con­cor­rên­cia, da evo­lu­ção do con­su­mi­dor, do sur­gi­men­to de dis­rup­ções e de novos padrões tec­no­ló­gi­cos.

   Final­men­te, é per­fei­ta­men­te pos­sí­vel que cada empre­sa desen­vol­va seu pró­prio méto­do de gera­ção de solu­ções. Empre­sas nor­mal­men­te cos­tu­mam ter uma abor­da­gem rea­ti­va e estres­san­te para resol­ver pro­ble­mas. Com uma abor­da­gem sis­te­má­ti­ca, a gera­ção de solu­ções incor­po­ra-se à roti­na do dia a dia e tor­na a empre­sa mais pro­du­ti­va, inte­li­gen­te e efi­ci­en­te.

UM LUGAR PARA SE VIVER

Assim como as empre­sas, cida­des pre­ci­sam se rein­ven­tar. Pra­ga já come­çou

 

Um dos con­vi­da­dos de Alber­to Levy para o Con­su­mi­dor Moder­no Expe­ri­en­ce Sum­mit foi Michal Fisër, CEO da Ope­rá­tor ICT a.s., empre­sa for­ne­ce­do­ra de ser­vi­ços de tec­no­lo­gia de infor­ma­ção e comu­ni­ca­ção para Pra­ga. Ele des­cre­veu como a capi­tal da Repú­bli­ca Che­ca será uma cida­de capaz de trans­for­mar os pro­ble­mas deri­va­dos do cres­ci­men­to.

Esse é o obje­ti­vo esti­pu­la­do para o pro­je­to “Pra­ga, cida­de inte­li­gen­te”, con­for­me expli­cou. A estra­té­gia é base­a­da em seis pila­res ou esfe­ras temá­ti­cas – mobi­li­da­de do futu­ro, edi­fi­ca­ções e ener­gia inte­li­gen­tes, turis­mo atra­ti­vo, pes­so­as e ambi­en­te urba­no, cap­tu­ra de dados e cida­de sem des­per­dí­cio.

Tais temas ori­en­ta­ram tam­bém um dos exer­cí­ci­os fei­tos pelos par­ti­ci­pan­tes do even­to. O desa­fio era gran­de: sepa­ra­dos em gru­pos, os exe­cu­ti­vos tinham de desen­vol­ver uma estra­té­gia que indi­cas­se uma saí­da para cada uma das ques­tões. Depois, cada uma das equi­pes fez um pit­ch apre­sen­tan­do a solu­ção encon­tra­da. Um gru­po de cada tema foi reco­nhe­ci­do como o mais ino­va­dor.

DESIGN THIN­KING
Em uma das dinâ­mi­cas rea­li­za­das duran­te o even­to, Alber­to Levy apre­sen­tou o pas­so a pas­so para a rea­li­za­ção des­se méto­do

1. Empa­tia
Estu­de sobre o públi­co para quem está pro­je­tan­do. Quem é o seu usuá­rio? O que impor­ta para essa pes­soa? “Nenhu­ma star­tup vai para fren­te quan­do resol­ve um pro­ble­ma que nin­guém tem”, apon­ta Levy. “É impor­tan­te ‘estar nos sapa­tos de alguém’ e enten­der as dores des­sa pes­soa. Não dese­nha­mos tudo para todo mun­do”.

2. Defi­ni­ção
Outra eta­pa do design thin­king é cri­ar um pon­to de vis­ta base­a­do nas neces­si­da­des e nos insights do usuá­rio. “Não é hora ain­da de pen­sar em solu­ção. Foque o pro­ble­ma”, afir­ma Levy.

3. Ide­a­ção
Faça um brains­torm e crie o máxi­mo de solu­ções cri­a­ti­vas pos­sí­veis. “Algu­mas idei­as têm tan­to impac­to que as pes­so­as che­gam a pen­sar ‘sem isso eu não vivo’. É o que cha­ma­mos de ‘pain kil­ler´, ou seja, pre­ci­so tan­to daqui­lo, naque­le momen­to, que estou dis­pos­to a pagar o que for para que meu pro­ble­ma desa­pa­re­ça”, des­ta­ca Levy.

4. Pro­to­ti­pa­ção
Crie uma repre­sen­ta­ção de uma ou mais idei­as para mos­trar aos outros. “Pro­cu­re vali­dar sua ideia por meio de um MVP (em por­tu­guês, Pro­du­to Míni­mo Viá­vel). Uma coi­sa é tê-la em um Power Point; outra, é ver a coi­sa fun­ci­o­nan­do”, aler­ta Levy.

5. Tes­te
Por fim, no design thin­king, com­par­ti­lhe a sua ideia pro­to­ti­pa­da com o usuá­rio para obter dele os devi­dos feed­backs. Enten­da o que fun­ci­o­nou, o que não acon­te­ceu e o que pode­ria ser melho­ra­do. Conhe­ce o dita­do “Fail fast, fail che­ap, fail often?”.

APREN­DEN­DO COM AS STAR­TUPS

Novos mode­los de negó­cio que foram apre­sen­ta­dos aos par­ti­ci­pan­tes do Con­su­mi­dor Moder­no Expe­ri­en­ce Sum­mit

Vasily Kole­bou­nov, con­sul­tor de inves­ti­men­tos e fun­dos para star­tups na Euro­pa, fez um diag­nós­ti­co para enten­der em quais pon­tos as star­tups vão mal e como podem melho­rar. Ele des­ta­cou que a mai­o­ria delas falha nos cin­co pri­mei­ros anos e con­si­de­ra que um dos segre­dos do suces­so é “pre­pa­rar o cam­po antes de lan­çar um pro­du­to”.

Mui­tas sur­gem de uma ideia, sem pla­ne­ja­men­to cla­ro para o futu­ro do negó­cio. Você pode até gos­tar daqui­lo que faz, mas, se não tem um pla­no, uma meta e uma visão de futu­ro, é difí­cil pros­pe­rar”, com­ple­tou Kole­bou­nov. Alguns negó­ci­os deram cer­to, como a Smart Gui­de e a Adver­too.

 

Smart Gui­de
“Trans­for­ma­mos qual­quer smartpho­ne em um guia de via­gem em rea­li­da­de aumen­ta­da”, expli­cou Jan Dole­zal, CEO da star­tup. O apli­ca­ti­vo traz mais de 300 des­ti­nos gra­tui­tos para os smartpho­nes, como São Pau­lo, Buda­pes­te, Cra­có­via e Paris. Além de ser atu­a­li­za­do em tem­po real, ofe­re­ce dicas de luga­res aos quais os turis­tas não cos­tu­mam estar aten­tos, mas que valem a visi­ta, além de áudi­os expli­ca­ti­vos toda vez em que o via­jan­te se apro­xi­ma de pon­tos turís­ti­cos. Há uma ver­são paga, US$ 5 por mês, para que o usuá­rio tenha aces­so off-line às infor­ma­ções. “Pres­ta­mos um ser­vi­ço e, ao mes­mo tem­po, cole­ci­o­na­mos dados sobre as pre­fe­rên­ci­as dos usuá­ri­os”, fina­li­zou o exe­cu­ti­vo.

 

Adver­too
Reú­ne espa­ços publi­ci­tá­ri­os em um só lugar, aju­dan­do os cli­en­tes a pes­qui­sar onde anun­ci­ar, como inse­rir o anún­cio e seg­men­tar o cli­en­te. “Conec­ta­mos os dois lados e aju­da­mos as empre­sas que não têm tem­po nem exper­ti­se com esse mer­ca­do”, dis­se Hon­za Tročil, res­pon­sá­vel pela área de mar­ke­ting da star­tup.

Home­na­gem: o escri­tor Franz Kaf­ka nas­ceu e morou em Pra­ga, por isso, há dife­ren­tes refe­rên­ci­as a ele por lá

INO­VA­ÇÃO

   Nos dois pri­mei­ros dias de Con­su­mi­dor Moder­no Expe­ri­en­ce Sum­mit, ficou cla­ro que exis­tem for­mas de desen­vol­ver ino­va­ção que vão mui­to além da pura cri­a­ti­vi­da­de. Ape­sar dis­so, exis­tem tam­bém pecu­li­a­ri­da­des a res­pei­to do con­su­mi­dor que nem sem­pre esta­rão ao alcan­ce dos dados e da tec­no­lo­gia. É essen­ci­al, então, ten­tar ir além do que nos pare­ce comum.

   Ino­va­ção, cri­a­ti­vi­da­de, novas idei­as, inter­dis­ci­pli­na­ri­da­de, dis­rup­ção, mudan­ça fre­quen­te, IA e auto­ma­ção. Nos­sa rea­li­da­de está reple­ta de con­cei­tos que for­mam um imen­so cons­tri­to men­tal que pare­ce con­di­ci­o­nar a vida das empre­sas, cri­an­do uma ansi­e­da­de difí­cil de supe­rar.

   O que tal­vez a mai­or par­te das pes­so­as não per­ce­ba é o quan­to esta­mos pau­tan­do nos­sas ações e ati­tu­des a par­tir da for­ça de buzzwords – con­cei­tos que são tão reper­cu­ti­dos que pare­cem ser ver­da­des abso­lu­tas e indis­cu­tí­veis.

   Dian­te do fala­tó­rio incon­tro­lá­vel acer­ca de como empre­sas podem acom­pa­nhar mudan­ças, como pre­ci­sam ino­var, ado­tar meto­do­lo­gi­as ágeis e trans­for­mar áre­as comuns em play­grounds, até que pon­to as empre­sas não estão sim­ples­men­te aban­do­nan­do seus prin­cí­pi­os para se tor­na­rem reféns de novos este­reó­ti­pos que sim­ples­men­te não têm rela­ção com o negó­cio ou a cul­tu­ra cor­po­ra­ti­va?

His­tó­ria: as pon­tes de Pra­ga são gran­des mar­cos turís­ti­cos

   Essa assi­mi­la­ção sem crí­ti­ca não seria sim­ples­men­te uma nova zona de con­for­to que se dis­far­ça de “pos­tu­ra ino­va­do­ra”, irre­ve­ren­te e “sin­to­ni­za­da” com uma ten­dên­cia que pode ser ape­nas moda pas­sa­gei­ra?

   O obje­ti­vo de toda empre­sa deve ser sem­pre gerar valor e, sim, ino­var é con­di­ção vital. Empre­sas que não ino­vam, limi­tam sua chan­ce de sobre­vi­ver e aumen­tar sua pere­ni­da­de. Mas esse obje­ti­vo não pode ser base­a­do ape­nas em “seguir” a ten­dên­cia.

   Como dis­se Bill Bern­ba­ch, o icô­ni­co publi­ci­tá­rio ame­ri­ca­no que revo­lu­ci­o­nou a ati­vi­da­de nos anos 50 e 60, “empre­sas ficam tão pre­o­cu­pa­das em seguir as esta­tís­ti­cas que se esque­cem de criá-las”. Esse é o pon­to-cha­ve. Empre­sas. Hoje elas reú­nem con­di­ções de cri­ar esta­tís­ti­cas, expe­ri­men­tar idei­as dife­ren­tes, obser­var e penei­rar toda a infor­ma­ção que acu­mu­lam para gerar ações capa­zes de mudar com­por­ta­men­tos.

   Em linhas gerais, Alber­to Levy pro­põe que pos­sa­mos olhar para o mun­da­no e recom­bi­nar ele­men­tos para trans­mi­tir o dife­ren­te, o inu­si­ta­do, aqui­lo que res­pon­da a uma neces­si­da­de que seja ende­re­ça­da para gru­pos espe­cí­fi­cos. Isso con­di­ci­o­na empre­sas a enten­de­rem quais iden­ti­da­des de con­su­mi­do­res que­rem aten­der.

   Essa é a gran­de ten­dên­cia para a qual as empre­sas pre­ci­sam se aten­tar: con­su­mi­do­res estão à pro­cu­ra de iden­ti­da­des e assu­mem iden­ti­da­des dife­ren­tes, depen­den­do do con­tex­to. Empre­sas pre­ci­sam apren­der a ler con­tex­tos, a inter­pre­tar o que é rele­van­te para momen­tos dife­ren­tes, o que pode ser explo­ra­do em dife­ren­tes con­tex­tos de vida.

   O famo­so “esta­do de mudan­ça fre­quen­te” é um con­vi­te para que as empre­sas dedi­quem esfor­ço e recur­sos para olhar para os con­tex­tos, incor­po­ran­do con­cei­tos como meio e não como a fina­li­da­de.

   Ino­va­ção depen­de pro­fun­da­men­te de apli­car idei­as que sejam rele­van­tes para momen­tos dis­tin­tos, que res­pon­dam à pro­cu­ra das pes­so­as por algo que pre­en­cha lacu­nas e pro­por­ci­o­ne esta­bi­li­da­de às suas iden­ti­da­des pon­tu­ais.

Úni­ca: a capi­tal da Repú­bli­ca Tche­ca reú­ne as mais vari­a­das expe­ri­ên­ci­as his­tó­ri­cas — des­de a mais anti­ga sina­go­ga em fun­ci­o­na­men­to da Euro­pa até uma série de museus pecu­li­a­res