INCEN­TI­VAN­DO O PRO­PÓ­SI­TO COLE­TI­VO

POR IZA DEZON
SÓCIA-FUN­DA­DO­RA DA DEZON CON­SUL­TO­RIA ESTRA­TÉ­GI­CA E REPRE­SEN­TAN­TE DA PECLERS­PA­RIS NA AMÉ­RI­CA LATI­NA
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É tem­po de mobi­li­zar a ener­gia cole­ti­va e o impac­to soci­al posi­ti­vo para dar mais sig­ni­fi­ca­do ao nos­so entor­no. Nos últi­mos anos, nas minhas pes­qui­sas, tenho evi­den­ci­a­do a impor­tân­cia de nos com­pro­me­ter­mos com cau­sas comuns e iden­ti­fi­car­mos visões cole­ti­vas para cap­tar a aten­ção das pes­so­as.

À medi­da que o mun­do se tor­na mais com­ple­xo, injus­to e ten­so, o papel e a uti­li­da­de huma­na vêm sen­do ques­ti­o­na­dos: eles pre­ci­sam ser rea­va­li­a­dos den­tro da neces­si­da­de mai­or de pro­vo­car mudan­ças posi­ti­vas, come­çan­do pelo âmbi­to soci­al. O ter­mo “pro­pó­si­to”, que incor­po­ra a ideia de obje­ti­vo, razão, fun­ção e deter­mi­na­ção, vem gui­an­do gran­de par­te das bus­cas indi­vi­du­ais pela estra­da do auto­co­nhe­ci­men­to, assun­to tão dis­cu­ti­do nos dias de hoje. Porém, mais do que nun­ca, o pro­pó­si­to pre­ci­sa ser ati­va­do de for­ma cole­ti­va para que pos­sa­mos solu­ci­o­nar os desa­fi­os soci­ais do pre­sen­te e do futu­ro. Mobi­li­zar comu­ni­da­des pro­a­ti­vas cri­a­ti­vas é, antes de tudo, o que nor­teia o com­pro­mis­so e as dinâ­mi­cas de mudan­ça.

A bus­ca cola­bo­ra­ti­va por solu­ções em prol do bem comum esti­mu­la a ima­gi­na­ção e o dese­jo de agir. A deter­mi­na­ção prag­má­ti­ca de mudar o mun­do pode sur­gir da des­co­ber­ta de novos pon­tos de vis­ta, pro­fis­sões ou pers­pec­ti­vas, que resul­tam nas con­tri­bui­ções indi­vi­du­ais mais rele­van­tes. Com­par­ti­lhar expe­ri­ên­ci­as, algo ine­ren­te a toda pro­pos­ta cole­ti­va, cria laços for­tes e pro­mo­ve uma comu­ni­da­de inclu­si­va. Cida­des, bair­ros, orga­ni­za­ções e gru­pos de todos os tipos pre­ci­sam repen­sar e recri­ar estru­tu­ras e sis­te­mas para tes­tar pro­tó­ti­pos e expe­ri­men­ta­ções atra­vés do vir­tu­al; novos tipos de labo­ra­tó­ri­os são essen­ci­ais em todo ciclo de ino­va­ção.

As novas gera­ções reve­lam o entu­si­as­mo e o dese­jo por mudan­ças. Além das dimen­sões inte­ra­ti­vas, sen­si­ti­vas e diver­ti­das pre­sen­tes em seus pro­je­tos, elas vêm explo­ran­do solu­ções mais dis­rup­ti­vas em prol do bem soci­al. Diver­si­da­de e inclu­são para todos, encon­trar solu­ções bené­fi­cas e rea­lo­car recur­sos de for­ma jus­ta são os prin­ci­pais obje­ti­vos de seus pro­je­tos.

Para além da filan­tro­pia, do incen­ti­vo à cul­tu­ra, da Res­pon­sa­bi­li­da­de Soci­al Cor­po­ra­ti­va (CSR) e da con­tri­bui­ção com pro­je­tos soci­ais e soli­dá­ri­os, as pes­so­as (físi­cas e jurí­di­cas) dese­jam par­ti­ci­par ati­va­men­te de pro­pó­si­tos pre­ci­sos e bem-defi­ni­dos, com impac­to posi­ti­vo na soci­e­da­de. Empre­en­de­do­ris­mo inclu­si­vo, eco­no­mia soci­al e soli­dá­ria, empo­de­ra­men­to femi­ni­no, tec­no­lo­gi­as em prol do cida­dão e a cul­tu­ra maker são alguns dos movi­men­tos cata­li­sa­dos atra­vés de redes em cons­tan­te expan­são. Além dis­so, são exce­len­tes ace­le­ra­do­res da ino­va­ção soci­al e meca­nis­mos que valo­ri­zam a cri­a­ção.

Por fim, é pre­ci­so man­ter as fron­tei­ras aber­tas e ati­var redes inter­na­ci­o­nais para ace­le­rar pro­je­tos, aju­dar a ampli­fi­car o impac­to posi­ti­vo e gerar valor de for­ma tan­gí­vel. O sis­te­ma, como o conhe­ce­mos, come­ça a se trans­for­mar e, ao pri­o­ri­zar­mos novos valo­res e exal­tar­mos o cole­ti­vo, a for­ma de con­su­mir e de se posi­ci­o­nar no mun­do ganham uma nova dimen­são, trans­for­mam nos­sas pri­o­ri­da­des e valo­res, prin­ci­pal­men­te em um momen­to no qual as cir­cuns­tân­ci­as alte­ram de for­ma ins­tan­tâ­nea nos­so com­por­ta­men­to. À medi­da que a soci­e­da­de enfren­ta desa­fi­os cada vez mais som­bri­os e assus­ta­do­res, o pro­pó­si­to cole­ti­vo pode ser a for­ça motriz da mudan­ça, seja para mobi­li­zar comu­ni­da­des, pro­mo­ver espa­ços para tes­tes e expe­ri­men­ta­ções ou para cri­ar pro­gra­mas cola­bo­ra­ti­vos com par­cei­ros de todas as dimen­sões, seto­res e naci­o­na­li­da­des.

Você só pode fazer a mudan­ça acon­te­cer atra­vés da sim­pli­ci­da­de. Quan­to mais as pes­so­as dese­ja­rem o exces­so, mais difí­cil fica a via­bi­li­za­ção das mudan­ças soci­ais.” Bell Hooks