INO­VA­ÇÃO NA PRÁ­TI­CA: UMA CON­VER­SA COM NATHA­LIE BRÄH­LER

PRO­FES­SO­RA DA CRE­A­TI­VE BUSI­NESS UNI­VER­SITY DESEN­VOL­VEU PRO­JE­TOS GLO­BAIS COM MAR­CAS DE DIVER­SAS PAR­TES DO MUN­DO

POR GABRI­EL­LA SAN­DO­VALS

A Con­su­mi­dor Moder­no con­ver­sou com Natha­lie Bräh­ler, coa­ch espe­ci­a­li­za­da em ofe­re­cer solu­ções impac­tan­tes na rela­ção entre empre­sas e cli­en­tes, além do com­por­ta­men­to do con­su­mi­dor. Natha­lie foi líder estra­té­gi­ca e cri­a­ti­va em ini­ci­a­ti­vas de empre­sas glo­bais como Phi­lips, Voda­fo­ne, NBC e Kraft Heinz. Na Cre­a­ti­ve Busi­ness Uni­ver­sity, assu­miu a cadei­ra de mudan­ças radi­cais nas cul­tu­ras orga­ni­za­ci­o­nal e cri­a­ti­va das empre­sas. Con­fi­ra os prin­ci­pais tre­chos da entre­vis­ta:

CON­SU­MI­DOR MODER­NO: A DIS­CUS­SÃO SOBRE INO­VA­ÇÃO ESTÁ ATRA­SA­DA NO MUN­DO?

Natha­lie Bräh­ler: Não. O que pode estar atra­sa­da é a dis­cus­são sobre os con­tex­tos cul­tu­ral e éti­co das ino­va­ções e a cons­ta­ta­ção de que as ino­va­ções dis­rup­ti­vas nem sem­pre são boas para todos, ape­sar das boas inten­ções. É por isso que ensi­na­mos, na Cre­a­ti­ve Busi­ness Uni­ver­sity, a pen­sar em ter­mos de um ecos­sis­te­ma: como uma nova ideia de negó­cio ou melho­ria pode ser bené­fi­ca para todos?

CMCOMO ESSE CON­CEI­TO PODE AJU­DAR AS LIDE­RAN­ÇAS NAS EMPRE­SAS?

NB — Os líde­res de empre­sas dis­rup­ti­vas, fre­quen­te­men­te os fun­da­do­res, pos­su­em um “porquê” cla­ro que requer auto­co­nhe­ci­men­to. Quan­do esses líde­res con­tra­tam uma equi­pe, esco­lhem aque­les que têm o mes­mo ímpe­to e divi­dem o mes­mo “porquê”. Antes que per­ce­bam, se tor­nam um gru­po de pes­so­as que pen­sam e agem da mes­ma for­ma e, assim, per­dem con­ta­to com o mun­do. O que vemos ago­ra é que o “encai­xe cul­tu­ral” pode levar a uma cul­tu­ra mono­lí­ti­ca, ape­sar do poder ino­va­dor da empre­sa. Novos líde­res come­çam a ado­tar a escu­ta pro­fun­da, o diá­lo­go e a obser­va­ção pre­ci­sa.

CMPODE­RIA CITAR EXEM­PLOS DE EMPRE­SAS INO­VA­DO­RAS?

NB -A Patre­on é um bom exem­plo de pla­ta­for­ma que arre­ca­da dinhei­ro para vári­os pro­je­tos e per­mi­te que os usuá­ri­os paguem seus cri­a­do­res favo­ri­tos por con­teú­do exclu­si­vo. Tam­bém apre­cio o ser­vi­ço isra­e­len­se Fiverr (mer­ca­do on-line para fre­e­lan­cers que ofe­re­cem ser­vi­ços rápi­dos de design, edi­ção, com­po­si­ção de uma músi­ca ou logo­ti­po) que está lutan­do con­tra um dos efei­tos nega­ti­vos da eco­no­mia gig e aju­dan­do fre­e­lan­cers a obter assis­tên­cia médi­ca aces­sí­vel. Esses exem­plos, como você pode ver, não são sur­pre­en­den­te­men­te novos ou dis­rup­ti­vos. São exem­plos de ino­va­ção e oti­mi­za­ção con­tí­nu­as.

CMCOMO IMPLE­MEN­TAR IDEI­AS INO­VA­DO­RAS?

NB — Quan­do ingres­sei na Uni­ver­sity of Appli­ed Sci­en­ces, pro­gra­ma da Inter­na­ti­o­nal Com­mu­ni­ca­ti­on and Media há dois anos, era um pro­gra­ma clás­si­co de edu­ca­ção com teo­ri­as clás­si­cas de comu­ni­ca­ção e base­a­do em livros. Enquan­to os estu­dan­tes eram for­ma­dos, o mer­ca­do mudou dras­ti­ca­men­te. A reces­são havia redu­zi­do o tama­nho das agên­ci­as de publi­ci­da­de e o Face­bo­ok tinha pas­sa­do a con­tro­lar dados de cli­en­tes. Eu acho que a ino­va­ção geral­men­te fun­ci­o­na melhor do zero, então, sim­ples­men­te come­cei a apon­tar o que esta­va fal­tan­do nos cur­sos. Ajus­tes sim­ples foram sufi­ci­en­tes para dar o pon­ta­pé ini­ci­al, por­que é isso que você quer: dinâ­mi­ca para ini­ci­ar a mudan­ça.

A par­tir daí, ficou cla­ro que fal­ta­vam aspec­tos estru­tu­rais, então, come­cei a dese­nhar cur­sos a par­tir de uma visão com­par­ti­lha­da do cam­po de Negó­ci­os Cri­a­ti­vos. Nas ses­sões de geren­ci­a­men­to, duas pala­vras foram, de repen­te, sufi­ci­en­tes para apon­tar o cami­nho: Para­dig­ma + Mudan­ça.

CMQUAIS SÃO OS CUI­DA­DOS QUE AS EMPRE­SAS DEVEM TOMAR PARA APLI­CAR ESSA METO­DO­LO­GIA?

NB – Man­ter os pro­je­tos peque­nos, no iní­cio. São neces­sá­ri­os ape­nas um dis­rup­tor (com visão estra­té­gi­ca) e um geren­te de dire­ção de nível C (com pro­fun­do enten­di­men­to da estru­tu­ra da empre­sa e par­tes inte­res­sa­das). Come­mo­re vitó­ri­as, não impor­ta quão peque­nas sejam. Essas vitó­ri­as farão com que os céti­cos sin­tam que pode haver algo de posi­ti­vo nes­sa revi­ra­vol­ta. Tra­ba­lhe a par­tir daí e encon­tre um ter­re­no comum, mas man­te­nha a régua ele­va­da. Não se con­ten­te com a medi­o­cri­da­de, crie um man­tra que defi­na o moti­vo urgen­te da mudan­ça e tra­ba­lhe a par­tir daí. Acei­te a luta, pois ela vai man­tê-lo foca­do. Depois, mui­tos pode­rão seguir o novo cami­nho, cri­a­rão ata­lhos e defi­ni­rão seu pró­prio ben­ch­mark.