Da esquer­da para a direi­ta: Mario Sér­gio de Albu­quer­que; Tati­a­na Auli­ci­no; Mau­ri­cio Soa­res; e Andrea Galas­so – sóci­os na ARCA

INTE­LEC­TO: UM INSU­MO PARA BONS NEGÓ­CI­OS

POR MEIO DA VALO­RI­ZA­ÇÃO DO CAPI­TAL INTE­LEC­TU­AL E CUL­TU­RAL, A ECO­NO­MIA CRI­A­TI­VA GERA NEGÓ­CI­OS E MOVI­MEN­TA O PAÍS. ENTEN­DA

POR MELIS­SA LULIO 

É bas­tan­te comum asso­ci­ar ino­va­ção a idei­as dis­rup­ti­vas e até a casos iso­la­dos e dis­tan­tes da rea­li­da­de do cida­dão comum. Porém, o con­cei­to de eco­no­mia cri­a­ti­va trou­xe uma nova pers­pec­ti­va, tor­nan­do a ino­va­ção tan­gí­vel no Bra­sil. Segun­do dados da Fir­jan, o seg­men­to repre­sen­ta 2,61% do PIB do Bra­sil. Ao mes­mo tem­po, o núme­ro de pro­fis­si­o­nais cri­a­ti­vos for­mal­men­te empre­ga­dos che­gou a 837,2 mil.

   De acor­do com o Ser­vi­ço Bra­si­lei­ro de Apoio às Micro e Peque­nas Empre­sas (Sebrae), a eco­no­mia cri­a­ti­va pode ser defi­ni­da como um con­jun­to de negó­ci­os, base­a­dos no capi­tal inte­lec­tu­al e cul­tu­ral e na cri­a­ti­vi­da­de, que gera valor econô­mi­co. Além dis­so, abran­ge ciclos de cri­a­ção, pro­du­ção e dis­tri­bui­ção de bens e ser­vi­ços que usam a cri­a­ti­vi­da­de e o capi­tal inte­lec­tu­al e cul­tu­ral como insu­mos pri­má­ri­os.

   Natu­ral­men­te, exis­tem empre­en­de­do­res e negó­ci­os que apos­tam nes­se seg­men­to como um impor­tan­te sis­te­ma econô­mi­co glo­bal. Essa é a visão de Mau­ri­cio Soa­res, sócio da ARCA, por exem­plo. Para ele, eco­no­mia cri­a­ti­va não é ape­nas uma novi­da­de, mas tem mui­to poten­ci­al. “Obser­va­mos a ten­dên­cia mun­di­al vol­ta­da para a auto­ma­ção de fun­ções e pro­ces­sos e enten­de­mos que, ao mes­mo tem­po em que este fenô­me­no ten­de a extin­guir algu­mas pro­fis­sões e colo­car outras em ris­co, aju­da­rá a valo­ri­zar aqui­lo que nos dis­tin­gue como huma­nos: a emo­ção, a ima­gi­na­ção, a empa­tia e a capa­ci­da­de de trans­for­mar a nos­sa pró­pria rea­li­da­de”, defen­de.

A ARCA, LOCAL ESCO­LHI­DO PARA A PRÓ­XI­MA EDI­ÇÃO DO WHOW! FES­TI­VAL DE INOVA­ÇÃO, É UM ESPA­ÇO COM A VOCA­ÇÃO PARA CON­FRON­TAR IDEI­AS PRÉ-CON­CE­BI­DAS, PRO­VO­CAR QUES­TI­O­NA­MEN­TOS, IR CON­TRA O ÓBVIO E TRANS­FOR­MAR

APOS­TAS NACI­O­NAIS

   A ARCA é, inclu­si­ve, o local onde acon­te­ce­rá o Whow! Fes­ti­val de Ino­va­ção. O espa­ço faz seu papel nes­se con­tex­to: des­de a sua con­cep­ção, fun­ci­o­na como uma tela em bran­co dis­po­ní­vel para a indús­tria cri­a­ti­va, como expli­ca o sócio. Ou seja, é um espa­ço com a voca­ção para con­fron­tar idei­as pré-con­ce­bi­das, pro­vo­car ques­ti­o­na­men­tos, ir con­tra o óbvio e trans­for­mar. “A eco­no­mia cri­a­ti­va pre­ci­sa de espa­ços assim para pros­pe­rar”, afir­ma.

   Oti­mis­ta, Soa­res acre­di­ta que o Bra­sil tem um enor­me poten­ci­al cri­a­ti­vo e está dei­xan­do para trás alguns aspec­tos nega­ti­vos da pró­pria tra­di­ção de “gam­bi­ar­ras” e “jei­ti­nhos”, solu­ções impro­vi­sa­das de bai­xo cus­to e qua­li­da­de ques­ti­o­ná­vel, enquan­to pre­ser­va seus aspec­tos posi­ti­vos: fle­xi­bi­li­da­de, ver­sa­ti­li­da­de e a dis­po­si­ção para gerar valor de for­ma cri­a­ti­va tra­ba­lhan­do com recur­sos escas­sos. Porém, ele expli­ca que ain­da há pre­con­cei­to em rela­ção à eco­no­mia cri­a­ti­va. “Há mui­ta gen­te que a con­si­de­ra algo menor, menos rele­van­te e intrin­se­ca­men­te depen­den­te de incen­ti­vos”, argu­men­ta.

   Para ele, a pro­fis­si­o­na­li­za­ção de quem tra­ba­lha na área e a for­ma­li­za­ção do setor podem fazer com que essa per­cep­ção nega­ti­va per­ca for­ça. “O poder públi­co pode atu­ar no sen­ti­do de cri­ar um ambi­en­te de negó­ci­os mais favo­rá­vel e de reco­nhe­cer a con­tri­bui­ção que a eco­no­mia cri­a­ti­va traz ao País”, suge­re.

DIS­SE­MI­NAN­DO A CRI­A­TI­VI­DA­DE

   Outro pon­to impor­tan­te, além da for­ma­li­za­ção do con­tex­to que envol­ve a eco­no­mia cri­a­ti­va, é o impac­to que gera no mer­ca­do tra­di­ci­o­nal. “As empre­sas podem se enga­jar no movi­men­to a par­tir de um pro­ces­so de refle­xão, que tem iní­cio em sua pró­pria cul­tu­ra orga­ni­za­ci­o­nal”, apon­ta Soa­res.

   Para o sócio da ARCA, é essen­ci­al ava­li­ar se há con­ver­gên­cia entre a atu­a­ção das empre­sas tra­di­ci­o­nais e da eco­no­mia cri­a­ti­va, se exis­te um ambi­en­te que per­mi­ta ino­var na pro­pos­ta de valor para abar­car ele­men­tos des­se seg­men­to. Para ele, esses aspec­tos são pri­o­ri­tá­ri­os, pois deter­mi­nam se (e como) uma orga­ni­za­ção pode gerar mais valor ao ado­tar novas prá­ti­cas vol­ta­das para a eco­no­mia cri­a­ti­va, garan­tin­do que seja um movi­men­to estra­té­gi­co para o negó­cio e não ape­nas uma ten­ta­ti­va de seguir as últi­mas ten­dên­ci­as.