Mudan­ça de hábi­to

UMA PES­QUI­SA FEI­TA PELA CON­SUL­TO­RIA TORRETTA.BR MOS­TRA COMO A CRI­SE AFE­TOU O BOL­SO DOS BRA­SI­LEI­ROS E O QUE ELES ESPE­RAM, NES­TE MOMEN­TO, DAS MAR­CAS

POR MELIS­SA LULIO E VINÍ­CIUS GON­ÇAL­VES

bra­si­lei­ro, defi­ni­ti­va­men­te, não pas­sou incó­lu­me pela cri­se. Mui­tos per­de­ram seus empre­gos, enquan­to outros tive­ram que se ree­du­car finan­cei­ra­men­te e mudar com­ple­ta­men­te os hábi­tos. É o que mos­tra “O Novo Shop­per” – uma pes­qui­sa exclu­si­va fei­ta pela con­sul­to­ria Torretta.br e que ana­li­sou minu­ci­o­sa­men­te o com­por­ta­men­to de 1.200 mora­do­res das cida­des do Rio de Janei­ro e de São Pau­lo entre os meses de abril e maio des­te ano. De acor­do com a pes­qui­sa, o con­su­mi­dor pre­ci­sou se mol­dar a um novo con­tex­to que inclui não só a per­da do poder de com­pra como o desem­pre­go. “Todo mun­do hoje tem alguém desem­pre­ga­do na famí­lia. Todos foram impac­ta­dos”, diz André Tor­ret­ta, CEO da con­sul­to­ria.

     O con­su­mo de bens durá­veis (ele­tro­e­le­trô­ni­cos, móveis) e semi­du­rá­veis foram os seto­res mais for­te­men­te afe­ta­dos pela cri­se segun­do Ale­xan­dre Hor­ta, dire­tor da PwC Bra­sil. “São aqui­si­ções que, em momen­tos de cri­se, podem ser pos­ter­ga­das”, expli­ca. Os seto­res de ali­men­tos e bebi­das (ali­men­ta­ção den­tro do lar), segun­do ele, mos­tra­ram mai­or resi­li­ên­cia, por se tra­tar de cate­go­ri­as mais bási­cas e com menor elas­ti­ci­da­de. Ain­da assim, o fator pre­ço ganha peso fun­da­men­tal na hora da esco­lha. “Para um País de ren­da média rela­ti­va­men­te bai­xa, pre­ço sem­pre foi um fator rele­van­te nas deci­sões do con­su­mi­dor. Em momen­tos de cri­se econô­mi­ca, ele se inten­si­fi­ca, for­çan­do uma mudan­ça de hábi­to até mes­mo em cama­das da popu­la­ção que man­ti­ve­ram seu poder de con­su­mo rela­ti­va­men­te intac­to”, con­clui.

QUAL É O SEN­TI­MEN­TO QUE VOCÊ TEM EM RELA­ÇÃO À CRI­SE ECONÔ­MI­CA QUE VIVE­MOS?

ESTOU MUI­TO PRE­O­CU­PA­DO

ESTOU REES­TRU­TU­RAN­DO MINHA VIDA PARA CABER NO MEU DINHEI­RO

PAS­SEI POR ISSO ANTES E TUDO VAI SE AJEI­TAR

ACHO QUE ESSA CRI­SE ESTÁ CON­TRO­LA­DA

NÃO ACRE­DI­TO QUE AS COI­SAS VÃO MELHO­RAR ANTES DAS ELEI­ÇÕES

NÃO ACRE­DI­TO QUE AS COI­SAS VÃO MELHO­RAR MES­MO DEPOIS DAS ELEI­ÇÕES

OUTRAS

VOCÊ ACHA QUE AS MAR­CAS ESTÃO ENTEN­DEN­DO SEUAPER­TONAS CON­TAS?

NÃO    SIM

A REA­ÇÃO DAS MAR­CAS

     A popu­la­ção à qual Hor­ta se refe­re é ínfi­ma. Segun­do a pes­qui­sa de Tor­ret­ta, ape­nas 4% das pes­so­as man­ti­ve­ram o mes­mo padrão de vida. Para os outros 96% a mudan­ça foi con­si­de­rá­vel. “É uma cri­se pro­fun­da e naci­o­nal. As mar­cas pre­ci­sam enten­der isso e se per­gun­tar o que podem fazer nes­se novo Bra­sil”, diz Tor­ret­ta. Pare­ce óbvio, mas, para 82% dos entre­vis­ta­dos, as empre­sas não vêm enten­den­do o seu “aper­to” finan­cei­ro. Na opi­nião deles, elas pode­ri­am redu­zir pre­ços e inves­tir mais em pro­mo­ções, cupons e apps de des­con­tos. “Elas pre­ci­sa­ram rein­ven­tar o negó­cio para redu­zir seus cus­tos em toda a cadeia”, diz Hor­ta. Isso sig­ni­fi­ca, segun­do ele, ser menos com­ple­xo, raci­o­na­li­zar o sor­ti­men­to, inte­grar pro­ces­sos, melho­rar a pro­du­ti­vi­da­de e rede­se­nhar for­ma­tos para ope­rar com meno­res cus­tos.

QUAL É O IMPAC­TO QUE A CRI­SE TEM NA SUA VIDA?

MEU PADRÃO DE VIDA CAIU MUI­TO

MEU PADRÃO DE VIDA CAIU, MAS NADA DE MUI­TO IMPAC­TAN­TE NO DIA A DIA

NÃO FOI TÃO COM­PLI­CA­DO PARA MIM. COR­TEI APE­NAS OS LUXOS E SUPÉR­FLU­OS

NÃO ME AFE­TOU EM NADA. MAN­TI­VE O MES­MO PADRÃO

PER­DI MEU EMPRE­GO

PER­DI MEU EMPRE­GO E AIN­DA NÃO ME RECO­LO­QUEI

DEI­XEI DE VIA­JAR DURAN­TE O ANO

DEI­XEI DE SAIR PARA ME DIVER­TIR: SEM CINE­MA, SEM JAN­TA­RES, SEM SHOWS

A CRI­SE NÃO ME AFE­TOU

VEN­DI MEU CARRO/MINHA CASA

OUTROS

ANTES ERA NEGRES­CO, AGO­RA É NEGRI­TO

     “No come­ço do ano a gen­te comia filé-mig­non. Ago­ra é alca­tra”. “Era Stel­li­nha, depois vol­tou a ser Skol”. Essas fra­ses, ditas duran­te as entre­vis­tas de “O Novo Shop­per”, reve­lam que em tem­pos de cri­se a fide­li­da­de às mar­cas está, sim, ame­a­ça­da. “Quan­do a cri­se for embo­ra, o cli­en­te já não vai ter mais a mes­ma liga­ção com a mar­ca que não se ade­quou. Isso sig­ni­fi­ca que por­tas são aber­tas para que novas empre­sas sur­jam”, diz Tor­ret­ta. Uma pes­qui­sa da Kan­tar World­pa­nel, empre­sa espe­ci­a­li­za­da em com­por­ta­men­to de con­su­mo, mos­tra um cres­ci­men­to de 68% nas ven­das de pro­du­tos de mar­ca pró­pria (em geral, de 5% a 30% mais em con­ta) de 2010 para cá. E vale lem­brar que não esta­mos falan­do de mar­cas pio­res, mas sim daque­las que sur­gi­ram a par­tir de uma neces­si­da­de bási­ca: a do con­su­mi­dor.

O QUE VOCÊ ACHA QUE AS MAR­CAS DEVE­RI­AM FAZER PARA AJU­DAR EM MOMEN­TOS DE CRI­SE?

REDU­ZIR PRE­ÇOS

FAZER PRO­MO­ÇÕES (COM­PRE 2 LEVE 3)

CUPONS/APPS DE DES­CON­TO

EMBA­LA­GENS ECONÔ­MI­CAS

OUTROS

Em momen­tos de cri­se econômica,ele (o pre­ço) se inten­si­fi­ca, for­çan­do uma mudan­ça de hábi­to até mes­mo em cama­das da popu­la­ção que man­ti­ve­ram seu poder de con­su­mo rela­ti­va­men­te intac­to”

Ale­xan­dre Hor­ta, da PwC Bra­sil