O MOVI­MEN­TO DOS GIGAN­TES

POR: IVAN VEN­TU­RA, LEO­NAR­DO GUI­MA­RÃES E RAPHA­EL CORAC­CI­NI

or mui­to tem­po, ban­cos, segu­ra­do­ras e dis­tri­bui­do­ras de ener­gia – três seto­res de gran­de impor­tân­cia para o País – ope­ra­ram de for­ma como­di­ti­za­da, ofe­re­cen­do pro­du­tos e ser­vi­ços em lar­ga em esca­la para atin­gir o mai­or núme­ro pos­sí­vel de pes­so­as. Mas os tem­pos muda­ram e, hoje, empre­sas des­tes três seg­men­tos tive­ram de se rein­ven­tar para aten­der um con­su­mi­dor em bus­ca de ofer­tas que cami­nhem ao encon­tro das suas deman­das, por mais espe­cí­fi­cas que elas sejam. Para enten­der como essa movi­men­ta­ção vem se dan­do na prá­ti­ca, a Con­su­mi­dor Moder­no ouviu repre­sen­tan­tes des­ses mer­ca­dos que vêm apos­tan­do na per­so­na­li­za­ção para se man­te­rem com­pe­ti­ti­vos.

   É o caso das fin­te­chs, que che­gam para aten­der não só a popu­la­ção des­ban­ca­ri­za­da como um con­su­mi­dor ávi­do pelas faci­li­da­des que o mun­do digi­tal tem a ofe­re­cer. Mer­ca­do não fal­ta: segun­do um levan­ta­men­to da con­sul­to­ria McKin­sey, os gran­des ban­cos do mun­do con­cen­tram, atu­al­men­te, 95% dos lucros do setor. Se a bri­ga pela fatia do bolo é desi­gual, a dis­pu­ta por novos cli­en­tes é voraz. Entre as empre­sas que valem bilhões, mas ain­da não regis­tram lucro, está o Nubank. Con­si­de­ra­do o mai­or ban­co digi­tal do mun­do, ele anun­ci­ou recen­te­men­te a mar­ca de 15 milhões de cli­en­tes. Outro cam­po de bata­lha é o open ban­king, que vai per­mi­tir ao cli­en­te movi­men­tar con­tas e con­tra­tar ser­vi­ços em uma pla­ta­for­ma úni­ca, sem ficar pre­so a apli­ca­ti­vos e sites de um só ban­co. Os players do setor tam­bém estão de olho no mobi­le. Uma pes­qui­sa fei­ta pelo Pay­Pal mos­tra que a mai­or par­te dos novos ban­ca­ri­za­dos virá dos smartpho­nes. Pro­va dis­so é o fato de dois ter­ços dos lati­no-ame­ri­ca­nos, que ain­da não têm con­ta em ban­co, usa­rem o dis­po­si­ti­vo.

   No mer­ca­do de segu­ros, é per­cep­tí­vel tam­bém o quan­to o con­su­mi­dor está can­sa­do de ser colo­ca­do em “cai­xas” que não levam em con­si­de­ra­ção fato­res indi­vi­du­ais, seja na hora de ofer­tar, seja na hora de cal­cu­lar o valor da apó­li­ce, ou seja, o jei­to como as segu­ra­do­ras apren­de­ram a fazer o negó­cio, e que, até então, pare­cia ser o mais efi­ci­en­te, agre­ga cada vez menos valor ao con­su­mi­dor. Não à toa, empre­sas tra­di­ci­o­nais e insur­te­chs pas­sam a usar fer­ra­men­tas como a tele­me­tria para ofe­re­cer ofer­tas per­so­na­li­za­das. O mode­lo segui­do pela Think­seg tra­duz bem esse momen­to: a empre­sa pro­me­te lan­çar em bre­ve o pri­mei­ro segu­ro auto do País por meio do qual o cli­en­te paga­rá ape­nas pelo uso. Já a nova-ior­qui­na Lemo­na­de che­ga a reem­bol­sar segu­ra­dos em ape­nas três minu­tos. A gran­de per­gun­ta é: como as gran­des vão rea­gir?

   Por mais tra­di­ci­o­nal e enges­sa­do que pos­sa pare­cer, no setor de ener­gia não é dife­ren­te. Recen­te­men­te, a Agên­cia Naci­o­nal de Ener­gia Elé­tri­ca (ANE­EL) apro­vou uma con­sul­ta públi­ca para alte­rar as regras da cha­ma­da gera­ção dis­tri­buí­da, sis­te­ma pelo qual con­su­mi­do­res podem pro­du­zir sua pró­pria ener­gia, nor­mal­men­te por meio do uso de pai­néis sola­res. A pro­pos­ta da agên­cia é alte­rar as regras sobre a pro­du­ção exce­den­te. Hoje, a ener­gia que o con­su­mi­dor gera a mais duran­te o dia é devol­vi­da pela dis­tri­bui­do­ra pra­ti­ca­men­te sem cus­to para que ele con­su­ma quan­do não está geran­do ener­gia.

   Dian­te de tan­tas mudan­ças, uma coi­sa é cer­ta: quem ficar onde está não vai sobre­vi­ver por mui­to tem­po.

   Con­fi­ra, a seguir, as prin­ci­pais pau­tas des­ses três seto­res da eco­no­mia e como empre­sas e star­tups vêm rea­gin­do às mudan­ças do novo con­su­mi­dor.

BAN­COS, SEGU­RA­DO­RAS E DIS­TRI­BUI­DO­RAS DE ENER­GIA ABAN­DO­NAM O MODE­LO COMO­DI­TI­ZA­DO PARA ATEN­DER ÀS NECES­SI­DA­DES DE PER­SO­NA­LI­ZA­ÇÃO DO NOVO CON­SU­MI­DOR

BAN­COS

Open ban­king
   Na con­tra­mão da rigi­dez em rela­ção à ofer­ta de ser­vi­ços finan­cei­ros, mar­ket­pla­ces pas­sa­ram a per­mi­tir que cli­en­tes movi­men­tem suas con­tas e aces­sem pro­du­tos fora das pla­ta­for­mas dos pró­pri­os ban­cos

Do off para o on-line
Com a digi­ta­li­za­ção dos ser­vi­ços e o avan­ço das fin­te­chs, as agên­ci­as seguem em cres­cen­te der­ro­ca­da, enquan­to o núme­ro de aber­tu­ra de con­tas no ambi­en­te digi­tal já é mai­or do que no físi­co

Cus­tos dos ser­vi­ços bási­cos
Enquan­to os ban­cos tra­di­ci­o­nais ain­da ofe­re­cem ces­tas de ser­vi­ços enges­sa­das e com cobran­ças men­sais, as fin­te­chs lan­çam gra­tui­da­de em con­tas, car­tões e ope­ra­ções como saques e trans­fe­rên­ci­as

SEGU­ROS

Ciber­se­gu­ro
Moti­va­da pela pro­xi­mi­da­de da vigên­cia da Lei Geral de Pro­te­ção de Dados, essa é a prin­ci­pal apos­ta no setor na ofer­ta de segu­ros para empre­sas

 

Celu­la­res
Em janei­ro do ano pas­sa­do, foram con­ta­bi­li­za­dos 2,5 milhões de segu­ros des­te tipo. Depois de 12 meses, esse núme­ro che­gou a 4,5 milhões de segu­ros – um sal­to de qua­se 2 milhões de apó­li­ces

 

Segu­ro pay per use
O mer­ca­do pro­me­te abra­çar um mode­lo de ofer­ta de segu­ro base­a­do no pay per use (ou pague pelo que usar). A ideia é o con­su­mi­dor pagar um valor fixo e outro que vai vari­ar con­for­me usa o bem pro­te­gi­do – um car­ro, por exem­plo

 

Segu­ro inter­mi­ten­te
A SUSEP tam­bém auto­ri­zou a ofer­ta do cha­ma­do “segu­ro inter­mi­ten­te” (ou segu­ro “liga e des­li­ga”). Na prá­ti­ca, as segu­ra­do­ras pode­rão ofe­re­cer apó­li­ces de segu­ros que são aci­o­na­das de acor­do com a con­ve­ni­ên­cia e o perío­do de uso por par­te do con­su­mi­dor

ENER­GIA

Gera­ção dis­tri­buí­da
Embo­ra o mer­ca­do ain­da seja inci­pi­en­te, estu­dos pre­e­vem que, dos 32% de par­ti­ci­pa­ção da ener­gia solar em 2040, 75% virão de gera­ção dis­tri­buí­da

 

Por­ta­bi­li­da­de na con­ta de luz
Hoje, ape­nas gran­des con­su­mi­do­res têm aces­so ao mer­ca­do livre, mas a pres­são pela aber­tu­ra do mer­ca­do pode per­mi­tir, em bre­ve, que os con­su­mi­do­res esco­lham seu pró­prio for­ne­ce­dor

 

Mobi­li­da­de elé­tri­ca
A ele­tri­fi­ca­ção dos auto­mó­veis ain­da é inci­pi­en­te, mas as dis­tri­bui­do­ras vêm apoi­an­do solu­ções de empre­sas que inves­tem na mobi­li­da­de via ener­gia elé­tri­ca

 

Cida­des inte­li­gen­tes
Uma rea­li­da­de ain­da dis­tan­te, elas come­çam a apa­re­cer por meio de ações pon­tu­ais vol­ta­das à pre­ven­ção de falhas, à emis­são de rela­tó­ri­os em tem­po real e à medi­ção auto­má­ti­ca de con­su­mo

Cubo Itaú ace­le­ra star­tups de dife­ren­tes seg­men­tos

BAN­COS

UMA NOVA RELA­ÇÃO COM O DINHEI­RO

250 MILHÕES DE NOVOS CLI­EN­TES VÃO ENTRAR NO SETOR BAN­CÁ­RIO GLO­BAL ATÉ 2022. A MAI­O­RIA DELES, PELO SMARTPHO­NE. BAN­COS, FIN­TE­CHS E BIG TECHS AFI­AM SUAS ARMAS PARA CON­QUIS­TAR ESSE CON­SU­MI­DOR CADA VEZ MAIS DIGI­TAL

   Um estu­do recen­te da con­sul­to­ria McKin­sey mos­tra que os 20 mai­o­res ban­cos do mun­do são res­pon­sá­veis por 95% do lucro do setor. Mas as rea­ções de novas empre­sas às expec­ta­ti­vas do novo con­su­mi­dor são a pro­va de que, para as fin­te­chs, con­for­mis­mo é uma pala­vra que não está em jogo. No caso dos ban­cos tra­di­ci­o­nais, jogar a toa­lha tam­bém não, ain­da mais tra­tan­do-se de um dos seto­res do País com o mai­or his­tó­ri­co de avan­ços no digi­tal. Mas é indis­cu­tí­vel o quan­to as fin­te­chs sou­be­ram olhar para as dores dos cli­en­tes e cri­ar for­mas de ali­viá-las, colo­can­do fim à neces­si­da­de de filas, às por­tas gira­tó­ri­as e a geren­tes ofe­re­cen­do pro­du­tos ao tele­fo­ne.

Hub de ino­va­ção do C6 Bank, em São Pau­lo

OS VEN­CE­DO­RES DES­TA MARA­TO­NA DIGI­TAL SERÃO AQUE­LES QUE, DE FATO, FIZE­REM UMA BOA LEI­TU­RA DO MER­CA­DO E ENTRE­GA­REM A MELHOR EXPE­RI­ÊN­CIA E PRO­POS­TA DE VALOR PARA O CLI­EN­TE, COM SEGU­RAN­ÇA

Jefer­son Hono­ra­to, DIRE­TOR DO NEXT

   Para acom­pa­nhar as fin­te­chs, em qua­li­da­de e cus­to dos ser­vi­ços, os ban­cos têm uma pri­mei­ra tare­fa: redu­zir a sua estru­tu­ra. O Itaú anun­ci­ou, recen­te­men­te, o fecha­men­to de 400 agên­ci­as até o fim des­te ano. Em 2018, o Bra­des­co já havia fecha­do 132. As ins­ti­tui­ções tra­di­ci­o­nais são com­pos­tas de ati­vos imo­bi­li­za­dos, ati­vos intan­gí­veis e overhe­ad. A difi­cul­da­de está em se adap­tar ao mun­do digi­tal – um mun­do sem lega­do.

   Além das agên­ci­as, as ins­ti­tui­ções tra­di­ci­o­nais têm pesa­dos cus­tos de manu­ten­ção dos seus cen­tros de arma­ze­na­men­to de dados. Essas estru­tu­ras robus­tas cres­cem sem parar des­de os anos 60, quan­do foram imple­men­ta­dos os pri­mei­ros main­fra­mes. Enquan­to as fin­te­chs ope­ram na nuvem, os gran­des não con­se­guem se des­fa­zer des­sas mega­es­tru­tu­ras, pelo con­trá­rio. Em 2018, a Cai­xa con­tra­tou um main­fra­me da IBM depois de pas­sar por pro­ble­mas para rea­li­zar saques das 40 milhões de con­tas ina­ti­vas do FGTS. Para ganhar agi­li­da­de, os ban­cos pre­ci­sam se livrar da buro­cra­cia e da engre­na­gem len­ta sem per­der de vis­ta a segu­ran­ça. “São cen­te­nas de milha­res de fun­ci­o­ná­ri­os tra­ba­lhan­do no bac­kof­fi­ce e nas agên­ci­as. Essa estru­tu­ra foi toda pen­sa­da para um País de hipe­rin­fla­ção, que era a rea­li­da­de dos anos 80 e come­ço dos 90. Essa con­di­ção exi­gia gran­de capi­la­ri­da­de para que as tran­sa­ções ocor­res­sem rapi­da­men­te e com­ba­tes­sem a valo­ri­za­ção ace­le­ra­da do dinhei­ro”, diz Rob­son Del Fiol, sócio-dire­tor de Trans­for­ma­ção Digi­tal da KPMG no Bra­sil.

DO FÍSI­CO PARA O DIGI­TAL

65% do flu­xo de novas con­tra­ta­ções de ser­vi­ços ban­cá­ri­os no Bra­sil já vem de apli­ca­ti­vos

56% dos que usam ser­vi­ços ban­cá­ri­os o fazem dire­ta­men­te de ban­cos e star­tups sem loca­li­za­ção físi­ca

Entre os bra­si­lei­ros que não usam agên­cia, 24,3% usam exclu­si­va­men­te o smartpho­ne

Fon­te: “Como fin­te­chs e ban­cos podem demo­cra­ti­zar os ser­vi­ços finan­cei­ros na Amé­ri­ca Lati­na” – IDC/2019

69% DOS ADUL­TOS NO MUN­DO POS­SU­EM UMA CON­TA BAN­CÁ­RIA

70% É A PENE­TRA­ÇÃO DE SER­VI­ÇOS BAN­CÁ­RI­OS NO BRA­SIL CON­TRA 36% NO MÉXI­CO

FON­TE: THE GLO­BAL FIN­DEX DATA­BA­SE, DO BAN­CO MUN­DI­AL

PRO­MIS­SOR, MAS AIN­DA NO VER­ME­LHO

   Ao pas­sar por bai­xo das per­nas dos gigan­tes, as fin­te­chs têm cau­sa­do algu­mas fis­su­ras no sis­te­ma. Segun­do a con­sul­to­ria Eco­no­ma­ti­ca, os qua­tro mai­o­res ban­cos bra­si­lei­ros (Itaú, Bra­des­co, San­tan­der e Ban­co do Bra­sil) per­de­ram R$ 26,9 bilhões em valor de mer­ca­do só em agos­to. “Há pou­co mais de cin­co anos, ter uma con­ta-cor­ren­te ou um car­tão de cré­di­to no Bra­sil era sinô­ni­mo de taxas abu­si­vas, filas inter­mi­ná­veis e mui­to des­con­ten­ta­men­to. Tudo isso por­que o sis­te­ma finan­cei­ro era extre­ma­men­te con­cen­tra­do e domi­na­do por cin­co gran­des ban­cos”, pro­vo­ca Yuri Dan­tas, head de Cus­to­mer Expe­ri­en­ce do Nubank, mai­or ban­co digi­tal do mun­do, com 15 milhões de cli­en­tes.

   Ape­sar da que­da no valor de mer­ca­do, os lucros dos gigan­tes con­ti­nu­am ina­ba­lá­veis: 20% de cres­ci­men­to no pri­mei­ro semes­tre des­te ano, com um aumen­to de R$ 42 bilhões, segun­do o Bacen. Enquan­to isso, o Nubank fechou o pri­mei­ro semes­tre des­te ano com um pre­juí­zo con­tá­bil de R$ 139 milhões. O que eles têm a dizer sobre isso? “Quem está acos­tu­ma­do a ver balan­ços de ban­cos tal­vez estra­nhe o fato de uma ins­ti­tui­ção finan­cei­ra não gerar lucro, mas isso é con­sequên­cia do cres­ci­men­to e espe­ra­do. O lucro pode­ria che­gar ama­nhã, se deci­dís­se­mos que este é o momen­to. Mas não é. Cres­cer de for­ma sus­ten­tá­vel e, por­tan­to, não gerar lucro nes­se momen­to é uma esco­lha do Nubank”, garan­te a com­pa­nhia em comu­ni­ca­do.

   Des­de abril de 2018, quan­do o Ban­co Cen­tral per­mi­tiu a novos entran­tes avan­ça­rem da cate­go­ria de cor­res­pon­den­tes ban­cá­ri­os para ban­cos efe­ti­va­men­te, ape­nas qua­tro ins­ti­tui­ções rom­pe­ram essa bar­rei­ra e ape­nas uma delas faz par­te das asso­ci­a­ções de star­tups do setor finan­cei­ro. Isso mos­tra que, por um lado, as fin­te­chs não estão cum­prin­do os requi­si­tos para ofe­re­cer ser­vi­ços de cré­di­to sem pre­ci­sar da inter­me­di­a­ção de um ban­co. Por outro, que gran­des empre­sas de outros seto­res estão apro­vei­tan­do a que­da de algu­mas exi­gên­ci­as para ofe­re­ce­rem ser­vi­ços antes reser­va­dos aos ban­cos.

   O pre­si­den­te do Bra­des­co, Octa­vio de Laza­ri, apon­tou que o prin­ci­pal temor dos ban­cos em rela­ção às novas regu­la­ções não é exa­ta­men­te com as fin­te­chs, mas sim com as big techs como Ama­zon, Apple, Goo­gle e Face­bo­ok. A mes­ma opi­nião tem Rober­to Setú­bal (con­fi­ra na pági­na 47.) A Inter­na­ti­o­nal Orga­ni­za­ti­on of Secu­ri­ti­es Com­mis­si­ons (IOS­CO) vem dis­cu­tin­do nos últi­mos anos a neces­si­da­de da cri­a­ção de enti­da­des regu­la­do­ras glo­bais que com­pre­en­dam essas gigan­tes que não se enqua­dram nem como ban­cos nem como segu­ra­do­ras, mas que têm por­te e alcan­ce para entrar nes­ses mer­ca­dos à mar­gem das regu­la­ções vigen­tes. O Fede­ral Reser­ve ouviu dos ban­cos ame­ri­ca­nos que o Face­bo­ok pode vir a cri­ar um sis­te­ma ban­cá­rio para­le­lo com a expan­são da sua crip­to­mo­e­da, a libra. Em últi­ma aná­li­se, “com poten­ci­al de redu­zir a capa­ci­da­de dos Esta­dos de moni­to­rar, geren­ci­ar e influ­en­ci­ar as eco­no­mi­as locais”, diz o rela­tó­rio da FAC que reú­ne 12 repre­sen­tan­tes do setor ban­cá­rio ame­ri­ca­no.

O INTER­LÚ­DIO PARA O DIGI­TAL

   O Bra­des­co con­ta com a aju­da de star­tups para ace­le­rar o enxu­ga­men­to das ope­ra­ções físi­cas. E não se tra­ta só de dimi­nuir agên­ci­as. O ser­vi­ço de bac­kof­fi­ce tam­bém usa fer­ra­men­tas de inte­li­gên­cia arti­fi­ci­al para ana­li­sar todos os con­tra­tos do ban­co, enquan­to uma star­tup con­tro­la e apre­sen­ta melho­ri­as para cer­ca de 12 mil cha­ma­das rece­bi­das por mês nas agên­ci­as. Para Jefer­son Hono­ra­to, dire­tor do Next, o ban­co digi­tal do Bra­des­co, um sis­te­ma híbri­do de mer­ca­do, com os ban­cos digi­tais com­ple­men­tan­do os ser­vi­ços dos ban­cos tra­di­ci­o­nais, ain­da irá per­du­rar. “Exis­te espa­ço para ambos. Mui­tos bra­si­lei­ros têm per­fil digi­tal, mas tam­bém temos outros 45 milhões de bra­si­lei­ros eco­no­mi­ca­men­te ati­vos ain­da não ban­ca­ri­za­dos, dos quais 23 milhões têm ida­de entre 18 e 35 anos e pode­rão fazer uso das pla­ta­for­mas digi­tais como meio de aces­so ao sis­te­ma finan­cei­ro”, apon­ta o exe­cu­ti­vo.

   Uma pes­qui­sa fei­ta este ano pelo IDC apon­ta que boa par­te des­sa mas­sa de novos ban­ca­ri­za­dos virá por meio do celu­lar. Segun­do a pes­qui­sa, rea­li­za­da exclu­si­va­men­te com con­su­mi­do­res das clas­ses A, B e C, dois ter­ços dos que ain­da não têm con­ta em ban­co na Amé­ri­ca Lati­na usam tele­fo­nes celu­la­res. “E mais da meta­de da amos­tra usa smartpho­nes para abrir con­tas ban­cá­ri­as ou adqui­rir pro­du­tos ou ser­vi­ços finan­cei­ros que ser­vem como base da pirâ­mi­de para a ofer­ta de outros ser­vi­ços finan­cei­ros aos cli­en­tes”, afir­ma Jay Gum­bi­ner, vice-pre­si­den­te de Pes­qui­sas do IDC para a Amé­ri­ca Lati­na.

O QUE AIN­DA SEPA­RA O CLI­EN­TE DO SER­VI­ÇO DIGI­TAL

Não está fami­li­a­ri­za­do com os ser­vi­ços: 64%

Não con­fia em uma empre­sa sem pon­tos físi­cos: 25%

Pre­o­cu­pa-se com o aten­di­men­to no pós-ven­da: 22%

Pre­o­cu­pa-se com a segu­ran­ça da infor­ma­ção: 22%

Acre­di­ta que os ser­vi­ços de ban­cos tra­di­ci­o­nais são melho­res: 13%

65% DO FLU­XO DE NOVAS CON­TRA­TA­ÇÕES DE SER­VI­ÇOS BAN­CÁ­RI­OS NO BRA­SIL VEM DE APLI­CA­TI­VOS

AUTOR­RE­GU­LA­ÇÃO: A FUTU­RA LEI DO SETOR?

   Em janei­ro des­te ano, a Fede­ra­ção Bra­si­lei­ra dos Ban­cos (Febra­ban) lan­çou a ver­são atu­a­li­za­da do Códi­go de Éti­ca de Autor­re­gu­la­ção Ban­cá­ria, uma espé­cie de manu­al de boas prá­ti­cas. Uma das novi­da­des não neces­sa­ri­a­men­te está no docu­men­to, mas entre os sig­na­tá­ri­os. Ao todo, 94 ban­cos de todos os tama­nhos e seg­men­tos (vare­jo, inves­ti­men­to e outros) assi­na­ram esse com­pro­mis­so, incluin­do star­tups como os ban­cos Ori­gi­nal e C6. Quan­do o docu­men­to sur­giu, em 2008, eram ape­nas cin­co empre­sas. Quan­to ao novo tex­to, ele está divi­di­do em três eixos: rela­ci­o­na­men­to com o con­su­mi­dor; pre­ven­ção à lava­gem de dinhei­ro e ao finan­ci­a­men­to ao ter­ro­ris­mo; e res­pon­sa­bi­li­da­de soci­o­am­bi­en­tal. Recen­te­men­te, base­a­do no eixo do con­su­mi­dor, a Febra­ban, em par­ce­ria com a Sena­con, cri­ou a autor­re­gu­la­ção do cré­di­to con­sig­na­do, um sis­te­ma que tem o obje­ti­vo de aca­bar com o assé­dio na ofer­ta de cré­di­to ao con­su­mi­dor pelos diver­sos canais. “O con­jun­to de medi­das cri­a­do pelo sis­te­ma finan­cei­ro para o cré­di­to con­sig­na­do irá aper­fei­ço­ar a qua­li­da­de da ofer­ta e da ven­da do emprés­ti­mo con­sig­na­do, melho­rar o rela­ci­o­na­men­to com nos­sos cli­en­tes e, ain­da, evi­ta­rá um gran­de núme­ro de con­fli­tos de con­su­mo”, ava­lia Isa­ac Sid­ney, vice-pre­si­den­te exe­cu­ti­vo da Febra­ban. “As regras darão mais trans­pa­rên­cia ao negó­cio e con­tri­bui­rão para com­ba­ter o assé­dio comer­ci­al”, acres­cen­ta.

 

MODE­LO QUE DEU CER­TO
   Este ano, o mode­lo de autor­re­gu­la­ção ban­cá­ria ser­viu de exem­plo para o setor de tele­co­mu­ni­ca­ções e tem impul­si­o­na­do a dis­cus­são em outros seg­men­tos da eco­no­mia. Segun­do Vitor Morais de Andra­de, vice-pre­si­den­te da Asso­ci­a­ção Bra­si­lei­ra das Rela­ções Empre­sa-Cli­en­te (ABRA­REC) e estu­di­o­so sobre o assun­to “autor­re­gu­la­ção”, esse meca­nis­mo sur­ge a par­tir do exces­so de regu­la­ção, de cri­ar novos parâ­me­tros de qua­li­da­de e con­cor­rên­cia no mer­ca­do, entre outros. “O mode­lo de autor­re­gu­la­ção da Febra­ban deu cer­to por­que o setor é madu­ro para dis­cu­tir e até rever suas pos­tu­ras. Den­tro des­se mode­lo, empre­sas jovens e mais expe­ri­en­tes podem tro­car infor­ma­ções e idei­as pelo bem do setor como um todo”, afir­mou. Ocor­re que nem todo o setor da eco­no­mia está madu­ro o sufi­ci­en­te para seguir esse mode­lo. Há, segun­do Morais de Andra­de, uma ideia ain­da dis­se­mi­na­da nos demais seto­res cha­ma­dos “prin­cí­pio do ofi­ci­a­lis­mo”. “Há cer­ta crí­ti­ca das empre­sas quan­do o Esta­do inter­vém. No entan­to, mui­ta gen­te muda um com­por­ta­men­to por meio de uma lei. Esse prin­cí­pio pre­ci­sa ser supe­ra­do”, afir­ma.

 

INI­CI­A­TI­VAS
Andra­de lem­brou de algu­mas ino­va­ções que sur­gi­ram por ini­ci­a­ti­va do setor. Uma delas foi o can­ce­la­men­to auto­má­ti­co, em 2008, de uma con­ta ina­ti­va depois de um deter­mi­na­do perío­do. Outra medi­da foi o Ato Nor­ma­ti­vo SARB 019/2018, que esta­be­le­ceu regras de uso cons­ci­en­te do che­que espe­ci­al. Uma das medi­das pre­vê que, em caso de uti­li­za­ção inin­ter­rup­ta pelo con­su­mi­dor de mais de 15% do limi­te total dis­po­ní­vel do “che­que espe­ci­al” duran­te 30 (trin­ta) dias con­se­cu­ti­vos, e des­de que o valor seja supe­ri­or a R$ 200 no momen­to da ofer­ta, a Ins­ti­tui­ção Finan­cei­ra Sig­na­tá­ria deve­rá ofe­re­cer, de for­ma pro­a­ti­va ao con­su­mi­dor, alter­na­ti­vas de liqui­da­ção do sal­do deve­dor.

Razer saiu dos jogos ele­trô­ni­cos para dis­pu­tar espa­ço com os ban­cos na Ásia

   Dire­tor de Paga­men­tos Digi­tais do Itaú Uni­ban­co, Rubens Fogli des­ta­ca que um dos temo­res rela­ci­o­na­dos ao cres­ci­men­to dos pro­du­tos ban­cá­ri­os digi­tais no Bra­sil já foi dis­si­pa­do: eram os pro­ble­mas de infra­es­tru­tu­ra de rede. “A gen­te está lon­ge de ter um pro­ble­ma com as nos­sas cone­xões 3G e 4G. Nos­sos apli­ca­ti­vos cobrem tran­qui­la­men­te a neces­si­da­de do con­su­mi­dor”, garan­te. Dire­tor da área de Pes­qui­sa e Ino­va­ção do Bra­des­co, Antra­nik Harou­ti­ou­ni­an con­cor­da. “O con­su­mi­dor pas­sou a uti­li­zar com mais frequên­cia os canais digi­tais com seus pro­ve­do­res de ser­vi­ço, exi­gin­do res­pos­tas mais ágeis e expe­ri­ên­ci­as sem fric­ção”.

   Além da robus­tez em ter­mos de infra­es­tru­tu­ra, os dois mai­o­res ban­cos pri­va­dos do País inves­tem pesa­do em segu­ran­ça. “O res­pei­to à pri­va­ci­da­de dos cli­en­tes pode se tor­nar uma van­ta­gem com­pe­ti­ti­va. Den­tre os desa­fi­os para lidar com esse tema, des­ta­ca-se a neces­si­da­de de garan­tir ao con­su­mi­dor o con­tro­le sobre os seus dados e a trans­pa­rên­cia nos pro­ces­sos em que eles são uti­li­za­dos”, diz Harou­ti­ou­ni­an. Não à toa, o Cubo, do Itaú, con­cen­tra star­tups vol­ta­das prin­ci­pal­men­te à segu­ran­ça jurí­di­ca, como a Medi­a­ção Onli­ne e a Fiel­dlink, de rene­go­ci­a­ção de dívi­das.

   O sis­te­ma ban­cá­rio mun­di­al vai rece­ber mais de 250 milhões de novos cli­en­tes nos pró­xi­mos três anos e boa par­te da recei­ta que está na mesa será con­quis­ta­da por quem con­se­guir entre­gar uma boa expe­ri­ên­cia no mobi­le. De acor­do com o estu­do do IDC, 65% do flu­xo de novas con­tra­ta­ções de ser­vi­ços ban­cá­ri­os no Bra­sil já vem de apli­ca­ti­vos, supe­ran­do o inter­net ban­king (aces­sa­do por 52% dos cli­en­tes). A pes­qui­sa mos­tra, ain­da, que 56% daque­les que uti­li­zam ser­vi­ços ban­cá­ri­os o fazem dire­ta­men­te de ban­cos e star­tups que não têm agên­ci­as físi­cas. E, des­tes, 24% tran­sa­ci­o­nam ape­nas por meio do celu­lar.

Ino­va­bra habi­tat, do Bra­des­co, hos­pe­da 191 star­tups

O QUE O CLI­EN­TE PRE­FE­RE FAZER PELO CELU­LAR

Trans­fe­rên­ci­as: 42%

Trans­fe­rên­cia entre ban­cos: 31%

Pagar con­tas: 36%

Pagar fatu­ra do car­tão de cré­di­to: 32%

Pagar bole­tos: 49%

Fon­te: “Como fin­te­chs e ban­cos podem demo­cra­ti­zar os ser­vi­ços finan­cei­ros na Amé­ri­ca Lati­na” – IDC/2019

O QUE PRE­FE­RE FAZER PELA AGÊN­CIA

Depo­si­tar um che­que: 66%

Soli­ci­tar um emprés­ti­mo: 49%

Soli­ci­tar um talão de che­ques: 43%

Fazer inves­ti­men­tos: 35%

Fon­te: McKin­sey 2019 Futu­re of Ban­king Con­su­mer Sur­vey

VEM O OPEN BAN­KING

   Os pró­xi­mos capí­tu­los des­sa dis­pu­ta terão um novo ator: o open ban­king, ini­ci­a­ti­va que vai per­mi­tir aos cli­en­tes movi­men­tar suas con­tas e aces­sar pro­du­tos ban­cá­ri­os em dife­ren­tes pla­ta­for­mas e não mais exclu­si­va­men­te pelos apli­ca­ti­vos e pelas pági­nas dos pró­pri­os ban­cos. Em outu­bro, Otá­vio Dama­so, dire­tor de Regu­la­ção do Ban­co Cen­tral, afir­mou que o mode­lo de open ban­king será colo­ca­do em con­sul­ta públi­ca em bre­ve. Em abril des­te ano, um pri­mei­ro pas­so foi dado: a ins­ti­tui­ção esta­be­le­ceu as dire­tri­zes para o sis­te­ma de ban­co aber­to, o que deve ace­le­rar sua imple­men­ta­ção.

   Ins­pi­ra­do nes­sa ini­ci­a­ti­va, o Ban­co Ori­gi­nal pas­sou a ser o garan­ti­dor do car­tão de cré­di­to do Pic­Pay. O ban­co digi­tal tam­bém fechou par­ce­ria com o Gui­a­bol­so para ava­li­ar o his­tó­ri­co de paga­men­to dos con­su­mi­do­res e ofe­re­cer asses­so­ria finan­cei­ra. “Esta­mos for­te­men­te enga­ja­dos na ideia do open ban­king e, para isso, esta­mos fechan­do par­ce­ri­as com as fin­te­chs”, con­ta Raul Morei­ra, dire­tor-exe­cu­ti­vo de TI, Ope­ra­ções e Pro­du­tos do Ori­gi­nal. Já o Gui­a­bol­so tra­ba­lha para se con­so­li­dar como um cura­dor de pro­du­tos de par­cei­ros. “Como as star­tups cos­tu­mam tra­ba­lhar com nichos espe­cí­fi­cos e nos­sa ideia é, jus­ta­men­te, ofe­re­cer o pro­du­to cer­to para o usuá­rio cer­to, vamos tra­ba­lhar cada vez mais com fin­te­chs nos pró­xi­mos meses”, diz Thi­a­go Alva­rez, CEO do Gui­a­bol­so.

   Um levan­ta­men­to rea­li­za­do pela fin­te­ch des­co­briu que 99% das pes­so­as que pagam tari­fas de manu­ten­ção da con­ta ban­cá­ria eco­no­mi­za­ri­am se optas­sem pela ces­ta gra­tui­ta e pagas­sem por ser­vi­ço indi­vi­du­al­men­te, ape­nas sobre o uso. “Aju­da­mos o con­su­mi­dor dan­do mai­or visi­bi­li­da­de sobre os dados finan­cei­ros, já que puxa­mos todos os gas­tos e ganhos auto­ma­ti­ca­men­te e orga­ni­za­mos tudo numa pla­ni­lha inte­li­gen­te,” expli­ca Alva­rez. Segun­do o exe­cu­ti­vo, uma visi­bi­li­da­de mai­or sobre os pro­du­tos finan­cei­ros ofe­re­ci­dos pode garan­tir, por exem­plo, uma con­tra­ta­ção de emprés­ti­mo pes­so­al até 84% mais em con­ta.

   O Next foi outro ban­co que desen­vol­veu um sis­te­ma de aten­di­men­to usan­do as pre­mis­sas de open ban­king ao conec­tar, por meio de APIs, as solu­ções finan­cei­ras do Bra­des­co, Bra­des­co Segu­ros e Pre­vi­dên­cia e Bra­des­co Car­tões. O desa­fio do ban­co digi­tal, ago­ra, é man­ter sua essên­cia de star­tup mes­mo com a robus­tez de um ban­co tra­di­ci­o­nal por trás. Para Hono­ra­to, isso não será pro­ble­ma, até por­que 80% dos cli­en­tes do Next não eram cli­en­tes do Bra­des­co. “Des­de o iní­cio, pen­sa­mos e defi­ni­mos mui­to bem nos­sa estra­té­gia de cri­ar­mos uma pla­ta­for­ma digi­tal que nos per­mi­tis­se com­ple­men­tar o ecos­sis­te­ma de Solu­ções da Orga­ni­za­ção Bra­des­co e, ao mes­mo, ende­re­çar solu­ções ao mer­ca­do de pes­so­as hiper­co­nec­ta­das”.

A UNIÃO DAS PES­SO­AS COM A INTE­LI­GÊN­CIA ARTI­FI­CI­AL AMPLIA NOS­SA CAPA­CI­DA­DE DE PRES­TAR UM ATEN­DI­MEN­TO DE EXCE­LÊN­CIA AOS NOS­SOS CLI­EN­TES

CAR­LOS MOT­TA, VICE-PRE­SI­DEN­TE DE DIS­TRI­BUI­ÇÃO DE VARE­JO DO BAN­CO DO BRA­SIL

A HIS­TÓ­RIA DOSEU BRAN­DÃO

   A mor­te do ban­quei­ro Láza­ro Bran­dão, o “Seu Bran­dão” como algu­mas pes­so­as o cha­ma­vam, cau­sou gran­de como­ção entre exe­cu­ti­vos que tive­ram o pri­vi­lé­gio de con­vi­ver com ele. Can­di­do Bra­cher, pre­si­den­te do Itaú Uni­ban­co, foi um deles. “Hoje, o País per­deu um gran­de bra­si­lei­ro, e eu me des­pe­di de um homem por quem tinha gran­de apre­ço e admi­ra­ção”, dis­se em sua pági­na no Lin­ke­dIn. E com­ple­tou: “Seu Bran­dão foi um exe­cu­ti­vo como pou­cos em nos­so setor, refe­rên­cia para dife­ren­tes gera­ções pelo amor e pela dedi­ca­ção ao que fazia. Foi per­so­na­gem-cha­ve não ape­nas para a cons­tru­ção e o suces­so do Bra­des­co, hoje um dos mai­o­res ban­cos do mun­do, mas tam­bém para o desen­vol­vi­men­to da eco­no­mia bra­si­lei­ra nas últi­mas déca­das”.

   Luiz Car­los Tra­bu­co Cap­pi, pre­si­den­te do Con­se­lho de Admi­nis­tra­ção do Bra­des­co, tam­bém pres­tou sua home­na­gem. “Foi um homem do seu tem­po, dis­cre­to nas pala­vras e na expo­si­ção das cara­te­rís­ti­cas pes­so­ais, tinha pre­fe­rên­cia por uma con­du­ção em todos os aspec­tos de sua vida. Foi um íco­ne do sis­te­ma finan­cei­ro bra­si­lei­ro”.

   Bran­dão nas­ceu em 15 de junho de 1926 na cida­de de Itá­po­lis, no inte­ri­or de São Pau­lo. Ini­ci­ou sua car­rei­ra em 1942, den­tro da cha­ma­da Casa Ban­cá­ria Almei­da & Noguei­ra. Um ano depois, a empre­sa muda­ria de nome para Ban­co Bra­si­lei­ro de Des­con­tos S.A. e, em 1988, enfim, para Ban­co Bra­des­co, como conhe­ce­mos hoje. Alcan­çou a pre­si­dên­cia sem nenhu­ma indi­ca­ção ou aju­da, ape­nas cum­prin­do a velha tra­di­ção do ban­co de fazer com que líde­res che­guem ao topo só depois de per­cor­rer um lon­go cami­nho. Ocu­pou, ain­da, a pre­si­dên­cia do Con­se­lho de Admi­nis­tra­ção da Fun­da­ção Bra­des­co.

   Uma das curi­o­sas his­tó­ri­as sobre Bran­dão diz res­pei­to à sua esco­la­ri­da­de. Dizem que ele não con­cluiu os estu­dos fun­da­men­tais, mas rece­beu o títu­lo de “hono­ris cau­sa” por sua lon­ga tra­je­tó­ria na tal “facul­da­de da vida”. E quan­tos ensi­na­men­tos ele nos dei­xou! Por isso, nós, da Con­su­mi­dor Moder­no, dei­xa­mos aqui a nos­sa home­na­gem ao Seu Bran­dão, um dos mai­o­res exem­plos de dig­ni­da­de, tra­ba­lho duro, dedi­ca­ção e con­tri­bui­ção à soci­e­da­de que já tive­mos nes­te País.

TEC­NO­LO­GI­AS PARA INS­TI­TUI­ÇÕES

Finan­cei­ras: 6,1%

Finan­ci­a­men­to cole­ti­vo: 7,6%

Ges­tão finan­cei­ra pes­so­al: 7,7%

Ges­tão finan­cei­ra empre­sa­ri­al: 15,5%

Emprés­ti­mo: 17,8%

Paga­men­to e remes­sas: 24,4%

Outros seg­men­tos: 20,9%

Fon­te: IDB/Finnovista, Fin­Te­ch Latin Ame­ri­ca 2018, Growth and Con­so­li­da­ti­on

AS BIG TECHS ENTRAM NO JOGO

As empre­sas de tec­no­lo­gia já são bem cota­das pelos con­su­mi­do­res para entre­gar ser­vi­ços finan­cei­ros. As que têm a mai­or con­fi­an­ça são:

Ama­zon: 65%

Goo­gle: 58%

Apple: 56%

Face­bo­ok: 35%

Fon­te: McKin­sey 2019 Futu­re of Ban­king Con­su­mer Sur­vey

MIL­LEN­NI­ALS E EMPRE­EN­DE­DO­RES

   No iní­cio das ope­ra­ções, o Next tinha uma con­cen­tra­ção de cli­en­tes de 18 a 35 anos. Hoje, mais de 20% deles estão dis­tri­buí­dos entre outras fai­xas etá­ri­as. “O com­por­ta­men­to do usuá­rio (do ban­co digi­tal) inde­pen­de de ida­de. Ele bus­ca solu­ções que se asse­me­lham às expe­ri­ên­ci­as que ele já tem em outras pla­ta­for­mas digi­tais, como redes soci­ais, apps de trans­por­te e de ali­men­ta­ção, por exem­plo”, diz Hono­ra­to.

   Já na Neon, a média de ida­de dos cli­en­tes é 28 anos. Ale­xan­dre Alva­res, CMO da Neon, des­ta­ca que essa é uma gera­ção acos­tu­ma­da a usar o celu­lar para pedir comi­da, ver fil­mes e para se loco­mo­ver pela cida­de. “Por que iri­am con­ti­nu­ar guar­dan­do dinhei­ro ou inves­tin­do em uma con­ta que pede para você ir pre­sen­ci­al­men­te até a agên­cia toda vez que pre­ci­sa mudar uma senha? Não com­bi­na com essa gera­ção”, des­ta­ca o exe­cu­ti­vo. Para seguir cres­cen­do entre os Mil­len­ni­als, a Neon tem con­ta­do com ini­ci­a­ti­vas como a opção de arre­don­da­men­to de com­pras no débi­to den­tro do app. Nes­te caso, os cen­ta­vos de cada com­pra são inves­ti­dos auto­ma­ti­ca­men­te no CDB. Uma pes­qui­sa rea­li­za­da pela con­ta digi­tal des­co­briu que 72% do seu públi­co não inves­te, o que difi­cul­ta a ofer­ta de opções nes­se sen­ti­do.

   Outro públi­co que com­põe mas­si­va­men­te esses 250 milhões de novos entran­tes no setor ban­cá­rio são os empre­en­de­do­res, que, for­mal e infor­mal­men­te, somam 28 milhões no Bra­sil. De olho nes­se filão, o C6 tem usa­do a gra­tui­da­de dos seus ser­vi­ços para pes­soa físi­ca para ganhar tra­ção e cha­mar para a ins­ti­tui­ção esses empre­en­de­do­res. “O foco do ban­co são as peque­nas e médi­as empre­sas com fatu­ra­men­to entre R$ 500 mil e R$ 50 milhões por ano, setor com poten­ci­al de cres­ci­men­to e pou­cas solu­ções cus­to­mi­za­das”, con­ta Vere­na For­net­ti, head de Comu­ni­ca­ção do C6 Bank. Enquan­to isso, no Ban­co Ori­gi­nal, 20% dos 2,5 milhões de cli­en­tes são pes­so­as jurí­di­cas. E essa ade­são deve aumen­tar entre cer­ca de 300 mil novas con­tas que o ban­co abre todo mês. “Hoje, esta­mos em bus­ca de par­ce­ri­as com fin­te­chs que pos­sam nos apoi­ar a aten­der esse empre­en­de­dor”, diz Raul Morei­ra, dire­tor-exe­cu­ti­vo de TI, Ope­ra­ções e Pro­du­tos do Ori­gi­nal.

OS MODE­LOS DE NEGÓ­CIO BASE­A­DOS EMLOJAS DE DEPAR­TA­MEN­TOESTÃO FADA­DOS AO FRA­CAS­SO. AS EMPRE­SAS DIS­RUP­TI­VAS GERAL­MEN­TE FOCAM UM PÚBLI­CO E DEPOIS CRES­CEM, OU SEJA, VÃO DO NÚCLEO PARA O POLO. AS INCUM­BEN­TES, QUE QUE­REM SER TUDO PARA TODOS, SÃO IMPE­LI­DAS A FAZER O MOVI­MEN­TO CON­TRÁ­RIO

JAC­QUES MEIR, DIRE­TOR-EXE­CU­TI­VO DE CONHE­CI­MEN­TO DO GRU­PO PADRÃO

BAI­XA REN­DA, ALTO POTEN­CI­AL

   O estu­do “Accen­tu­re Glo­bal Finan­ci­al Ser­vi­ces Con­su­mer” apon­ta que o mai­or poten­ci­al de ade­são a ser­vi­ços finan­cei­ros digi­tais no Bra­sil está entre as clas­ses de menor ren­da (46%), con­tra 33% da média glo­bal. “O aces­so às dife­ren­tes tec­no­lo­gi­as tem sido ampli­a­do pelas empre­sas de ser­vi­ços finan­cei­ros no Bra­sil por meio de dife­ren­tes ofer­tas de pro­du­tos, ser­vi­ços, apli­ca­ti­vos e for­mas de inte­ra­ção, como por What­sApp, por exem­plo”, des­ta­ca Joa­na Hen­klein, dire­to­ra-exe­cu­ti­va de Ser­vi­ços Finan­cei­ros da Accen­tu­re para Amé­ri­ca Lati­na.

   Só nas peri­fe­ri­as bra­si­lei­ras exis­te um poten­ci­al de con­su­mo de R$ 7 bilhões, segun­do estu­do da Out­do­or Soci­al. Para Pau­la Pas­cho­al, dire­to­ra-geral do Pay­Pal para o Bra­sil, ao incluir pes­so­as que nem eram con­si­de­ra­das con­su­mi­do­ras pelas ins­ti­tui­ções tra­di­ci­o­nais, as empre­sas abrem mar­gem não só para a demo­cra­ti­za­ção de ser­vi­ços ban­cá­ri­os bási­cos como para a cons­ci­en­ti­za­ção sobre o geren­ci­a­men­to do dinhei­ro. “Isso muda tudo. Cada pes­soa, cada empre­sa, por menor que seja, ganha o direi­to de ingres­sar na eco­no­mia glo­bal, intei­ra­men­te conec­ta­da. Per­mi­te-se, assim, o desen­vol­vi­men­to de mui­tos novos negó­ci­os”, des­ta­ca a exe­cu­ti­va.

   O estu­do do IDC apon­ta que expan­dir os ser­vi­ços de débi­to é uma das melho­res for­mas de alcan­çar essa popu­la­ção. Isso por­que 73% dos bra­si­lei­ros usam essa moda­li­da­de para com­pras infe­ri­o­res a US$ 50. Não à toa, o Itaú tem apos­ta­do em manei­ras de faci­li­tar a acei­ta­ção de com­pras no débi­to pela inter­net por meio da pre­sen­ça dos seus car­tões em dife­ren­tes car­tei­ras digi­tais. Vale lem­brar que o Bra­sil tem mais de 170 milhões de smartpho­nes em ope­ra­ção, o que faz do apa­re­lho celu­lar a inter­fa­ce de mai­or poten­ci­al para a expan­são dos ser­vi­ços de paga­men­tos cha­ma­dos IGI (ins­tan­tâ­neo, gra­tui­to e invi­sí­vel), que têm como pró­xi­ma tec­no­lo­gia o QR Code.

O FUTU­RO DOS MEI­OS DE PAGA­MEN­TO

   A capa­ci­da­de de der­ru­bar a fron­tei­ra entre a com­pra e o paga­men­to é o que vai cata­pul­tar os players de suces­so no futu­ro dos mei­os de paga­men­to. E o aper­fei­ço­a­men­to deles pode sur­gir fora do setor ban­cá­rio, como tem acon­te­ci­do no mun­do. A Ama­zon apos­ta no paga­men­to invi­sí­vel nos Esta­dos Uni­dos. Na Chi­na, a Ten­cent tem o supe­rapp WeChat, a mai­or pla­ta­for­ma de paga­men­tos do mun­do. A Razer é outra mul­ti­na­ci­o­nal que apos­ta nes­sa dis­so­lu­ção total da fron­tei­ra entre o con­su­mo e o chec­kout. A fabri­can­te de hard­ware para games viu na ofer­ta de ser­vi­ços ban­cá­ri­os para gamers o futu­ro do seu negó­cio. “No Bra­sil, temos 80 milhões de gamers e, des­tes, ape­nas 16 milhões têm car­tão de cré­di­to. É nes­se mer­ca­do que esta­mos apos­tan­do”, diz Den­nis Fer­rei­ra, dire­tor da Razer Gold para a Amé­ri­ca Lati­na, que ofe­re­ce cré­di­tos para jogos on-line. Em Sin­ga­pu­ra, um dos mer­ca­dos mais for­tes da Razer, a empre­sa já tem ban­co, finan­cei­ra e car­tei­ra digi­tal para todo tipo de con­su­mo. “Aqui, já tra­ba­lha­mos com star­tups e esta­mos atrain­do fun­dos de ven­tu­re capi­tal para expan­dir o mer­ca­do”, reve­la o dire­tor. No Bra­sil, a pla­ta­for­ma com o mai­or poten­ci­al de cau­sar dis­rup­ção nos mei­os de paga­men­to é o What­sApp, apli­ca­ti­vo mais usa­do pelos bra­si­lei­ros e que está ganhan­do uma car­tei­ra digi­tal, nes­te momen­to em fase de tes­tes no Méxi­co. Pri­mei­ro ban­co a rea­li­zar aten­di­men­to com chat­bot nas redes soci­ais, o Ban­co do Bra­sil che­ga a aten­der mais de 10 mil cli­en­tes via What­sApp por dia. “A união das pes­so­as com a inte­li­gên­cia arti­fi­ci­al amplia nos­sa capa­ci­da­de de pres­tar um aten­di­men­to de exce­lên­cia aos nos­sos cli­en­tes, com agi­li­da­de nas res­pos­tas e na reso­lu­ti­vi­da­de”, afir­ma Car­los Mot­ta, vice-pre­si­den­te de Dis­tri­bui­ção de Vare­jo do Ban­co do Bra­sil.

   O fato é que esta­mos dian­te de con­su­mi­do­res que ade­rem rapi­da­men­te às pla­ta­for­mas digi­tais, mas ain­da se sen­tem inse­gu­ros em aban­do­nar as ins­ti­tui­ções tra­di­ci­o­nais. Dian­te deles, há fin­te­chs ávi­das por agi­li­da­de, ino­va­ção e foco nas dores dos cli­en­tes. Mas há, tam­bém, ban­cos tra­di­ci­o­nais com segu­ran­ça e robus­tez sufi­ci­en­tes para se man­te­rem no jogo, ain­da que com uma fatia menor de mer­ca­do. E, para com­ple­tar, novos players estão entran­do em cam­po para mudar as regras do jogo. A bri­ga vai ser boa. E, embo­ra tudo indi­que que há mer­ca­do para todos, quem dei­xar o cli­en­te em débi­to não terá uma segun­da chan­ce.

3 PER­GUN­TAS PARA ROBER­TO SETÚ­BAL

POR: IVAN VEN­TU­RA

CEO DO ITAÚ UNI­BAN­CO ENTRE 1994 E 2017, ROBER­TO SETÚ­BAL FOI ELEI­TO ALGU­MAS VEZES O MELHOR EXE­CU­TI­VO DO PAÍS. ADMI­RA­DO PELA CAPA­CI­DA­DE DE PRE­VER CENÁ­RI­OS FUTU­ROS, FEZ O ITAÚ UNI­BAN­CO GANHAR O STA­TUS DE MAI­OR BAN­CO PRI­VA­DO DO BRA­SIL, SUPE­RAN­DO O SAN­TAN­DER E O BRA­DES­CO. ATU­AL­MEN­TE, OCU­PA A COPRE­SI­DÊN­CIA DO CON­SE­LHO DE ADMI­NIS­TRA­ÇÃO DO BAN­CO, HOJE PRE­SI­DI­DO PELO ECO­NO­MIS­TA CAN­DI­DO BRA­CHER. CON­FI­RA, A SEGUIR, A ENTRE­VIS­TA DE SETÚ­BAL À CON­SU­MI­DOR MODER­NO:

CON­SU­MI­DOR MODER­NO – A SUA GES­TÃO FOI MAR­CA­DA POR UM FOR­TE PRO­CES­SO DE APRO­XI­MA­ÇÃO COM O CON­SU­MI­DOR E AVAN­ÇO NA DIRE­ÇÃO DE UM BAN­CO MAIS DIGI­TAL. QUAIS FORAM AS CON­QUIS­TAS?

Rober­to Setú­bal – A visão do ban­co, esta­be­le­ci­da em 2010, logo após a fusão entre Itaú e Uni­ban­co, diz: “Ser líder em per­for­man­ce sus­ten­tá­vel e satis­fa­ção do cli­en­te”. A meu ver, essa visão con­ti­nua mais váli­da do que nun­ca. Man­ter um óti­mo rela­ci­o­na­men­to com o cli­en­te é, atu­al­men­te, pre­mis­sa bási­ca para o suces­so de qual­quer empre­sa. Há tem­pos, ini­ci­a­mos no ban­co um pro­ces­so de for­ta­le­ci­men­to dos nos­sos laços com os cli­en­tes, inclu­si­ve com metas de redu­ção de recla­ma­ções. Isso tem sido fun­da­men­tal para conhe­cer­mos melhor nos­sos cli­en­tes e suas neces­si­da­des, de for­ma que con­si­ga­mos ofe­re­cer pro­du­tos e ser­vi­ços cada vez mais ade­qua­dos às suas reais deman­das.

CM – O QUE O BAN­CO APREN­DEU COM O CON­SU­MI­DOR?

RS — Uma ati­tu­de fun­da­men­tal e que inten­si­fi­ca­mos nes­sa jor­na­da de cen­tra­li­da­de no cli­en­te é parar para ouvi-lo. Temos de ter humil­da­de para enten­der que pre­ci­sa­mos melho­rar mui­to, assim, temos de ouvi-lo de for­ma bas­tan­te aber­ta e estru­tu­ra­da. Esta­mos mudan­do mui­ta coi­sa inter­na­men­te com base nos feed­backs que rece­be­mos, envol­ven­do não ape­nas as áre­as comer­ci­ais, mas tam­bém as áre­as inter­nas, que dão supor­te a quem está na pon­ta. Um pro­je­to que refle­te essa pos­tu­ra são os nos­sos novos mode­los de agên­cia, inau­gu­ra­dos no pri­mei­ro semes­tre. As mudan­ças pro­mo­vi­das foram desen­vol­vi­das a par­tir dos resul­ta­dos de pes­qui­sas com cli­en­tes e cola­bo­ra­do­res, que nos aju­da­ram a iden­ti­fi­car as prin­ci­pais dores dos nos­sos cli­en­tes. Por exem­plo, com base nes­sas pes­qui­sas, as agên­ci­as ganha­ram design com arqui­te­tu­ra fle­xí­vel e ambi­en­tes mais moder­nos e con­for­tá­veis.

CMCOMO O SENHOR ENXER­GA ESSE PRO­CES­SO DE DIGI­TA­LI­ZA­ÇÃO DO BAN­CO E DO SETOR COMO UM TODO?

RS — A digi­ta­li­za­ção vai além do nos­so setor. Ela per­meia toda a soci­e­da­de, todos os seg­men­tos de negó­ci­os, tra­zen­do mudan­ças rele­van­tes para as rela­ções inter­pes­so­ais e entre empre­sas e cli­en­tes. Com rela­ção ao setor, o mai­or desa­fio é alcan­çar um padrão de qua­li­da­de em aten­di­men­to com­pa­tí­vel com as expe­ri­ên­ci­as que os cli­en­tes já têm com empre­sas – inclu­si­ve de outros seto­res – que já nas­ce­ram base­a­das no digi­tal. No Itaú, esse novo padrão de expe­ri­ên­cia exi­ge de nós um pro­ces­so ace­le­ra­do de trans­for­ma­ção digi­tal, que traz desa­fi­os ao lon­go do cami­nho, mas tam­bém nos moti­va a bus­car novos padrões de aten­di­men­to. Inter­na­men­te cha­ma­mos isso de “mudar de liga”, que sig­ni­fi­ca bus­car padrões de ben­ch­mark em empre­sas glo­bais de pon­ta e não ape­nas em ban­cos. Temos como exem­plos para nós a Ama­zon e o Goo­gle. Assim, esta­mos bus­can­do ele­var a qua­li­da­de do aten­di­men­to de nos­sos cli­en­tes a um nível mui­to supe­ri­or ao atu­al, embo­ra na com­pa­ra­ção com os demais ban­cos este­ja­mos mui­to bem posi­ci­o­na­dos em ter­mos de satis­fa­ção de cli­en­tes. A digi­ta­li­za­ção é um movi­men­to trans­ver­sal no Itaú, que está mudan­do nos­sa for­ma de tra­ba­lhar e de aten­der os cli­en­tes em toda a orga­ni­za­ção.

SEGU­ROS

ESPE­CI­A­LI­ZA­DO E COM­POR­TA­MEN­TAL: O SEGU­RO DO FUTU­RO

ACOS­TU­MA­DO A OFE­RE­CER A PRO­TE­ÇÃO DEN­TRO DA LÓGI­CA DE GRU­PO DE RIS­CO, O SETOR DE SEGU­ROS CAMI­NHA RÁPI­DO NA DIRE­ÇÃO DE UM MODE­LO BASE­A­DO EM COM­POR­TA­MEN­TO

   Com pou­co mais de três anos de his­tó­ria, a star­tup nova-ior­qui­na Lemo­na­de se trans­for­mou em ben­ch­mark de ino­va­ção no setor. Espe­ci­a­li­za­da em segu­ro resi­den­ci­al, a insur­te­ch ganhou fama por sim­pli­fi­car pro­ces­sos, caso do tem­po de demo­ra para o paga­men­to da inde­ni­za­ção do bem segu­ra­do. Hoje, em qual­quer lugar do mun­do, esse paga­men­to pode demo­rar dias ou sema­nas. A star­tup faz isso em incrí­veis três minu­tos.

   A empre­sa sur­giu em 2015 com uma pro­pos­ta total­men­te digi­tal e diver­sos pro­ces­sos inter­nos e exter­nos auto­ma­ti­za­dos, evi­tan­do, assim, a par­ti­ci­pa­ção de huma­nos em momen­tos como a aná­li­se de um pro­ces­so de sinis­tro do bem segu­ra­do. Até mes­mo o aten­di­men­to ao cli­en­te foi robo­ti­za­do. A empre­sa desen­vol­veu um sofis­ti­ca­do chat­bot que não ape­nas tira dúvi­das (algu­mas delas até com­ple­xas), mas tam­bém aju­da na con­tra­ta­ção do segu­ro sem nenhu­ma par­ti­ci­pa­ção huma­na – e em até 90 segun­dos, segun­do a empre­sa.

   Os resul­ta­dos impres­si­o­na­ram a mídia ame­ri­ca­na, que rapi­da­men­te ape­li­dou a empre­sa como a pri­mei­ra segu­ra­do­ra ins­tan­tâ­nea. O fato é que nenhu­ma tec­no­lo­gia teria dado cer­to se não fos­se o ver­da­dei­ro ingre­di­en­te secre­to da Lemo­na­de: o seu mode­lo de negó­cio. “As com­pa­nhi­as de segu­ros tra­di­ci­o­nais lucram a par­tir do dinhei­ro que não é usa­do no paga­men­to do sinis­tro. Isso sig­ni­fi­ca que, sem­pre que tive­rem de pagar a inde­ni­za­ção, elas per­dem o lucro. É por isso que a rein­vin­di­ca­ção fei­ta com rapi­dez e de manei­ra inte­gral às vezes é tão difí­cil. A Lemo­na­de é dife­ren­te. Cobra­mos uma taxa fixa dos paga­men­tos men­sais do segu­ra­do e usa­mos o res­tan­te para pagar as suas rei­vin­di­ca­ções. Tra­ta­mos os prê­mi­os como se eles fos­sem o dinhei­ro do cli­en­te e, assim, devol­ve­mos os res­tos não recla­ma­dos em uma devo­lu­ção anu­al”, diz a empre­sa.

R$ 245,6 BILHÕES FOI O FATU­RA­MEN­TO DO SETOR DE SEGU­ROS EM 2018

UM SETOR EM TRANS­FOR­MA­ÇÃO (DIGI­TAL)

   Feliz­men­te, o efei­to Lemo­na­de não aze­dou o humor e o negó­cio do tra­di­ci­o­nal mer­ca­do de segu­ros pelo mun­do. Na ver­da­de, empre­sas enten­de­ram que ela se tor­nou vali­o­sa (supe­rou em agos­to des­te ano o valor de US$ 2 bilhões) jus­ta­men­te por­que inves­tiu vul­to­sas quan­ti­as em tec­no­lo­gi­as e pro­ces­sos ori­en­ta­dos para o con­su­mi­dor. E o que pare­cia impen­sá­vel acon­te­ceu: o alta­men­te regu­la­do setor de segu­ros amo­le­ceu dian­te de pedi­dos dos cli­en­tes.

   De acor­do com Luci­a­na Ama­no, dire­to­ra de Con­su­mer da Marsh Bra­sil, uma das mai­o­res con­sul­to­ri­as do mun­do espe­ci­a­li­za­da em ris­cos e segu­ros, o pro­ces­so de auto­ma­ção e per­so­na­li­za­ção será o novo comum em pou­co tem­po no setor. Esse movi­men­to, segun­do ela, está assen­ta­do em três pila­res: canal de con­tra­ta­ção, trans­pa­rên­cia e, cla­ro, indi­vi­du­a­li­za­ção do ser­vi­ço. “Exis­tem alguns pila­res des­sa mudan­ça. Uma delas está ocor­ren­do no canal de con­tra­ta­ção, que é cada vez mais on-line, e resul­ta em uma mudan­ça na manei­ra como dia­lo­ga­mos com o con­su­mi­dor. Esse mode­lo depen­de de uma con­ver­sa mais sim­ples. A trans­pa­rên­cia é a mudan­ça”, diz ela. “O con­su­mi­dor quer saber o que está con­tra­tan­do e não quer pagar por ser­vi­ços des­ne­ces­sá­ri­os. Além dis­so, empre­sas vão cole­tar menos dados, pois sabem que algu­mas infor­ma­ções podem ser cole­ta­das por meio de fer­ra­men­tas digi­tais e até mes­mo em tem­po real. Por fim, a per­so­na­li­za­ção”.

TELE­ME­TRIA

   No Bra­sil, o segu­ro para auto­mó­veis, que hoje pro­te­ge 39% ou 17 milhões de veí­cu­los que rodam o País, tem impul­si­o­na­do essa bus­ca por novi­da­de. A tec­no­lo­gia da moda é a tele­me­tria, um sis­te­ma que ficou famo­so na Fór­mu­la 1 e que, basi­ca­men­te, per­mi­te ras­tre­ar a posi­ção do veí­cu­lo em tem­po real. No entan­to, ela faz mui­to mais do que isso. Por meio des­se moni­to­ra­men­to, é pos­sí­vel veri­fi­car o des­gas­te do veí­cu­lo a par­tir de sen­so­res no car­ro, o que aca­ba “denun­ci­an­do” o com­por­ta­men­to de uma pes­soa no trân­si­to e a manei­ra como ela diri­ge o car­ro (se ela abu­sa da velo­ci­da­de, se freia brus­ca­men­te, entre outros dados que são cap­tu­ra­dos).

   As segu­ra­do­ras uti­li­zam essa infor­ma­ção e vão além. Elas moni­to­ram o moto­ris­ta por meio de um apli­ca­ti­vo, apli­ca inte­li­gên­cia arti­fi­ci­al e, assim, pas­sa a dar mais ou menos des­con­to no valor do ser­vi­ço a uma pes­soa. Isso muda o jogo no mer­ca­do de segu­ros. O com­por­ta­men­to huma­no, indi­vi­du­al, dita o cál­cu­lo do segu­ro, rom­pen­do, assim, com o velho e ain­da em apli­ca­ção do cha­ma­do gru­po de ris­co base­a­do na ida­de ou no ende­re­ço, por exem­plo.

   A rápi­da popu­la­ri­za­ção des­sa tec­no­lo­gia no País somen­te foi pos­sí­vel a par­tir de dois impor­tan­tes movi­men­tos tec­no­ló­gi­cos: o avan­ço do smartpho­ne na soci­e­da­de e a inclu­são de uma tec­no­lo­gia em todos os veí­cu­los pro­du­zi­dos no Bra­sil a par­tir de 2010 cha­ma­da “On-Board Diag­nos­tic (OBD)”, jus­ta­men­te o sis­te­ma que per­mi­te a tele­me­tria. Em 2018, a segu­ra­do­ra Por­to Segu­ro ado­tou a tec­no­lo­gia por meio do apli­ca­ti­vo Trânsito+gentil. Além de incen­ti­var um trân­si­to mais segu­ro, o app pro­por­ci­o­na recom­pen­sas pelo bom com­por­ta­men­to dos moto­ris­tas, con­ce­den­do prê­mi­os e des­con­tos de até 35% no segu­ro auto, entre outros bene­fí­ci­os.

   “O apli­ca­ti­vo é uma espé­cie de medi­dor de gen­ti­le­za dos que estão na con­du­ção do veí­cu­lo. Quan­to mai­or o núme­ro de atos res­pon­sá­veis, mais pon­tos o moto­ris­ta ganha e, des­sa manei­ra, mais des­con­tos e prê­mi­os ele pode­rá rece­ber. Em menos de um ano de exis­tên­cia, o apli­ca­ti­vo Trânsito+gentil alcan­çou a mar­ca de mais de 1 milhão de down­lo­ads. Des­tes, mais de 160 mil usuá­ri­os rece­be­ram des­con­tos na con­tra­ta­ção ou na reno­va­ção do segu­ro auto a par­tir dos pon­tos con­quis­ta­dos por boa con­du­ta no trân­si­to”, expli­ca o dire­tor de TI da Por­to Segu­ro, Mar­cos Sirel­li.

Map­fre: empre­sa tem usa­do o com­por­ta­men­to do con­su­mi­dor na ofer­ta de segu­ros

O BRA­SIL RES­PON­DE POR APRO­XI­MA­DA­MEN­TE 50% DOS PRÊ­MI­OS (PAGA­MEN­TO FEI­TO PELO SEGU­RA­DO À EMPRE­SA) NA AMÉ­RI­CA LATI­NA

Andre Gre­go­ri, CEO e fun­da­dor da Think­seg

PAY PER USE

   A Think­seg, segu­ra­do­ra digi­tal fun­da­da em 2016 e que recen­te­men­te adqui­riu a con­cor­ren­te Bidu, tam­bém ado­tou a tele­me­tria na hora de ofe­re­cer um segu­ro. No entan­to, a empre­sa deci­diu apli­car a tec­no­lo­gia den­tro de um mode­lo de segun­da cama­da de ino­va­ção, a par­tir des­sas tec­no­lo­gi­as, ao adi­ci­o­nar machi­ne lear­ning e inte­li­gên­cia ao seu mode­lo. Foi a par­tir des­sa união que sur­giu o segu­ro pay per use, um mode­lo iné­di­to no Bra­sil e que leva a um mode­lo de paga­men­to de um valor fixo men­sal e mais uma taxa adi­ci­o­nal que varia con­for­me a qui­lo­me­tra­gem do car­ro, ou seja, quan­to mais o cli­en­te usar o veí­cu­lo, mais cara fica a pro­te­ção. “Ele é base­a­do em três pila­res. O pri­mei­ro é a aná­li­se ampa­ra­da em dados que veri­fi­cam ida­de, impor­tân­cia e outros fato­res liga­dos ao obje­to do segu­ro. O segun­do é o com­por­ta­men­to de fato, por meio do qual medi­mos a diri­gi­bi­li­da­de do con­du­tor. Por fim, a geo­lo­ca­li­za­ção, que nos per­mi­te enten­der a posi­ção do moto­ris­ta e a hora”, expli­cou André Gre­go­ri, CEO e fun­da­dor da empre­sa.

   Atu­al­men­te, a com­pa­nhia não está sozi­nha nes­sa emprei­ta­da. Ao redor do mun­do, come­çam a sur­gir outras segu­ra­do­ras base­a­das no mode­lo pay per use. Entre os adep­tos estão a bri­tâ­ni­ca By Miles e as ame­ri­ca­nas Metro­mi­le e Mile Auto. Esta exem­pli­fi­ca em seu site como é fei­to o cál­cu­lo. “Fred tem uma taxa bási­ca de US$ 48 e uma taxa por milha de US$ 0,08. Ele diri­giu 300 milhas este mês, então seu total men­sal é de US$ 72 – sua taxa bási­ca de US$ 48 mais US$ 24 (300 milhas a US$ 0,08 por milha)”. “Cer­ca de 65% de nós diri­gem menos de 10 mil milhas por ano. Se esse é o seu caso, pro­va­vel­men­te está pagan­do mui­to pelo segu­ro de car­ro”, expli­ca a com­pa­nhia em seu site.

Mar­cos Sirel­li, dire­tor de TI da Por­to Segu­ro

39% DOS CAR­ROS QUE CIR­CU­LAM PELO PAÍS (17 MILHÕES DE VEÍ­CU­LOS) POS­SU­EM SEGU­ROS

A PAU­TA DA SUSEP: INO­VA­ÇÃO

   A alta regu­la­ção do setor, fei­ta pela SUSEP, tem sido um pon­to de con­ver­gên­cia entre man­ter o sta­tus quo do setor ou se moder­ni­zar. Feliz­men­te, a pró­pria agên­cia está mudan­do. O mais recen­te movi­men­to acon­te­ceu em agos­to des­te ano. O órgão apro­vou mudan­ças impor­tan­tes ori­en­ta­das à cus­to­mi­za­ção do segu­ro com vigên­cia redu­zi­da de con­tra­to e perío­dos inter­mi­ten­tes. Na prá­ti­ca, a par­tir de ago­ra, as segu­ra­do­ras pode­rão ofe­re­cer apó­li­ces de segu­ros que são aci­o­na­das de acor­do com a con­ve­ni­ên­cia do con­su­mi­dor. “Citan­do como exem­plo o segu­ro de auto­mó­vel, um dos mais popu­la­res do País, o segu­ra­do terá a opção ‘liga/desliga’ quan­do com­prar o pro­du­to ou mes­mo optar por inter­va­los de con­tra­ta­ção dife­ren­tes da pra­xe do mer­ca­do, que é o pla­no anu­al”, expli­ca o dire­tor da SUSEP Rafa­el Scher­re.

   O nor­ma­ti­vo da SUSEP infor­ma que a vigên­cia redu­zi­da se apli­ca a perío­dos que podem ser fixa­dos em meses, dias, horas, minu­tos ou a via­gens, tre­chos ou quais­quer outros cri­té­ri­os esta­be­le­ci­dos no pla­no de segu­ro. Já o perío­do inter­mi­ten­te (“liga/desliga”) leva­rá em con­ta os cri­té­ri­os de inter­rup­ção e reco­me­ço da vali­da­de da apó­li­ce, bem como a inclu­são ou a exclu­são de ris­cos.

Luci­a­na Ama­no, dire­to­ra de Con­su­mer da Marsh Bra­sil

4,5 MILHÕES É A EXPEC­TA­TI­VA DE SEGU­ROS PARA SMARTPHO­NES ATÉ O FIM DE 2019

   O Bra­sil tam­bém deve repli­car esse mode­lo base­a­do no com­por­ta­men­to. E essa voz não tem eco­a­do ape­nas den­tro do uni­ver­so das star­tups. Empre­sas tra­di­ci­o­nais do setor já sina­li­zam que o futu­ro está base­a­do no con­su­mi­dor. “Os mer­ca­dos de Pre­vi­dên­cia Pri­va­da e de Segu­ro de Vida muda­ram mui­to nos últi­mos anos no Bra­sil. Temos hoje um con­su­mi­dor mais infor­ma­do, exi­gen­te e sele­ti­vo, que deman­da pro­du­tos e ser­vi­ços mais fle­xí­veis e ade­qua­dos aos seus dife­ren­tes momen­tos de vida”, afir­ma o dire­tor-pre­si­den­te da Bra­des­co Vida e Pre­vi­dên­cia, Jor­ge Pohl­mann Nas­ser.

TRANS­PA­RÊN­CIA

   Outra impor­tan­te carac­te­rís­ti­ca des­ta­ca­da pela con­sul­ti­va da Marsh é a trans­pa­rên­cia den­tro des­se pro­ces­so de trans­for­ma­ção do setor de segu­ros. Cli­en­tes têm deman­da­do das com­pa­nhi­as uma quan­ti­da­de de infor­ma­ções mais cla­ras e menos jurí­di­cas e cla­re­za nos ser­vi­ços incluí­dos na apó­li­ce. E, como não pode­ria ser dife­ren­te, isso tam­bém tem con­tri­buí­do para o ine­vi­tá­vel pro­ces­so de per­so­na­li­za­ção dos segu­ros.

   No Bra­sil, esse movi­men­to tam­bém cres­ce em adep­tos e tem aju­da­do a dimi­nuir os gar­ga­los de comu­ni­ca­ção entre o con­su­mi­dor e a empre­sa. Hoje, o setor, de uma manei­ra em geral, tem-se empe­nha­do em que­brar o uso recor­ren­te de “juris­diquês” para dar uma infor­ma­ção mais sim­ples. Para aju­dar o con­su­mi­dor nes­sa jor­na­da de conhe­ci­men­to do segu­ro, a MAP­FRE cri­ou até mes­mo um por­tal com essas infor­ma­ções. “Esta­mos cada vez mais pró­xi­mos às neces­si­da­des dos cli­en­tes que uti­li­zam o digi­tal na bus­ca por infor­ma­ções a res­pei­to de solu­ções que os segu­ros podem entre­gar. Um dos prin­ci­pais movi­men­tos da empre­sa foi desen­vol­ver con­teú­dos que expli­cam e ori­en­tam o cli­en­te e aju­dam o cor­re­tor a dis­se­mi­nar a impor­tân­cia do segu­roa e como este faz dife­ren­ça na vida das pes­so­as. Tra­ta-se de uma ini­ci­a­ti­va deno­mi­na­da ‘MAP­FRE Expli­ca’”, afir­ma Niko­laus Ste­ve Maack, supe­rin­ten­den­te de Negó­ci­os Digi­tais da MAP­FRE.

NOVOS PRO­DU­TOS

   Outro impac­to no setor tam­bém está rela­ci­o­na­do à che­ga­da de novos pro­du­tos e ser­vi­ços ali­nha­dos à trans­for­ma­ção digi­tal e à per­so­na­li­za­ção exi­gi­da pelo con­su­mi­dor. Um dos movi­men­tos mais recen­tes diz res­pei­to à ofer­ta de segu­ro para celu­lar. No ano pas­sa­do, o setor emi­tiu, apro­xi­ma­da­men­te, 4,5 milhões de apó­li­ces – um cres­ci­men­to supe­ri­or a 70% nos últi­mos dois anos, segun­do a CNSEG. Em 2019, a ofer­ta des­se segu­ro deve con­ti­nu­ar aque­ci­da, moti­va­da pelo cres­cen­te núme­ro de smartpho­nes e de empre­sas que ofe­re­cem esse bene­fí­cio. Hoje, há des­de star­tups, como a Pier, a com­pa­nhi­as do tama­nho de uma Por­to Segu­ro inves­tin­do nes­sa moda­li­da­de. No entan­to, segun­do Ama­no, da Marsh, a ofer­ta de ciber­se­gu­ro den­tro do ambi­en­te cor­po­ra­ti­vo é o que real­men­te tem cha­ma­do a aten­ção. “A entra­da em vigor da LGPD e a cres­cen­te pre­o­cu­pa­ção com a segu­ran­ça ciber­né­ti­ca têm leva­do as empre­sas a pro­cu­rar por ciber­se­gu­ro”, dis­se.

   “No entan­to, eu pen­so que no futu­ro vere­mos segu­ros de ciber­se­gu­ro para pes­soa físi­ca. Hoje, a pre­o­cu­pa­ção com o vaza­men­to de dados pes­so­ais é cada vez mai­or. E isso tem leva­do a dis­cus­são para a ofer­ta de segu­ros para a pes­soa físi­ca”, expli­ca Gre­go­ri, da Think­seg. A segu­ra­do­ra Tokio Mari­ne tam­bém tem obser­va­do os movi­men­tos da nova eco­no­mia. Recen­te­men­te, ela assi­nou a par­ce­ria com o Gru­po ZAP para ofe­re­cer segu­ro resi­den­ci­al den­tro da pla­ta­for­ma e tudo fei­to no mode­lo digi­tal. “Com o acor­do entre as duas empre­sas, a ade­são ao segu­ro pode­rá ser rea­li­za­da total­men­te em ambi­en­te digi­tal, poten­ci­a­li­zan­do o aces­so para mais de 7 milhões de imó­veis anun­ci­a­dos e toda a audi­ên­cia dos por­tais, de mais de 46 milhões de aces­sos por mês”, expli­ca a dire­to­ra de Canais Espe­ci­ais da empre­sa, Mar­cia Sil­va.

   O setor ain­da deve expe­ri­men­tar novi­da­des, prin­ci­pal­men­te na pro­te­ção de bens intan­gí­veis ou não pal­pá­veis. O celu­lar é o pon­to de par­ti­da, mas outros mode­los, como o smartwat­ch, podem emi­tir dados que pode­rão ser usa­dos den­tro da segu­ra­do­ra.

ENER­GIA

PODER DIS­TRI­BUÍ­DO

O SETOR ENER­GÉ­TI­CO VIVE UM PON­TO DE INFLE­XÃO: OS CON­SU­MI­DO­RES QUE­REM GERAR A PRÓ­PRIA ENER­GIA, COM­PRAR DA GERA­DO­RA QUE ESCO­LHE­REM E TER CON­TRO­LE TOTAL SOBRE SEU CON­SU­MO MEN­SAL

   “O setor elé­tri­co cami­nha para a mai­or trans­for­ma­ção pela qual já pas­sou”. A fra­se, do pre­si­den­te da Asso­ci­a­ção Bra­si­lei­ra de Dis­tri­bui­do­res de Ener­gia Elé­tri­ca (ABRA­DEE), Mar­cos Madu­rei­ra, refle­te um momen­to no qual as dis­tri­bui­do­ras não são mais agen­tes que ape­nas entre­gam ener­gia de casa em casa e nas empre­sas. São, tam­bém, recep­to­ras e dis­tri­bui­do­ras da ener­gia pro­du­zi­da pelos pró­pri­os con­su­mi­do­res.

   A gera­ção dis­tri­buí­da – sis­te­ma pelo qual con­su­mi­do­res podem pro­du­zir sua pró­pria ener­gia, nor­mal­men­te por meio do uso de pai­néis sola­res – é vis­ta como uma que­bra de para­dig­ma.

   Na EDP, dis­tri­bui­do­ra pau­lis­ta que aten­de 28 muni­cí­pi­os no Vale do Paraí­ba, Alto Tie­tê e Lito­ral Nor­te de São Pau­lo, os cli­en­tes podem soli­ci­tar o aces­so à ener­gia, seja ela solar, seja eóli­ca, hídri­ca, via bio­mas­sa ou coge­ra­ção qua­li­fi­ca­da. A ener­gia pro­du­zi­da no mês é des­con­ta­da no con­su­mo e, se hou­ve supe­rá­vit, os con­su­mi­do­res ficam com cré­di­tos para dimi­nuir o valor das con­tas de ener­gia nos pró­xi­mos meses. “Ago­ra você tem ener­gia entran­do e sain­do. É um movi­men­to cla­ro que vai afe­tar as dis­tri­bui­do­ras”, afir­ma Car­los Andra­de, vice-pre­si­den­te de Estra­té­gia e Novos Negó­ci­os da EDP.

   Mas as regras da gera­ção dis­tri­buí­da podem ser alte­ra­das. Em outu­bro des­te ano, a Agên­cia Naci­o­nal de Ener­gia Elé­tri­ca (ANE­EL) apro­vou uma con­sul­ta públi­ca para deba­ter como fica a ener­gia que o con­su­mi­dor gera a mais duran­te o dia. Hoje, ela é devol­vi­da pela dis­tri­bui­do­ra pra­ti­ca­men­te sem cus­to para que ele con­su­ma quan­do não está geran­do ener­gia. Com a mudan­ça pro­pos­ta, o con­su­mi­dor pas­sa­rá a pagar pelo uso da rede da dis­tri­bui­do­ra e tam­bém pelos encar­gos cobra­dos na con­ta de luz. Madu­rei­ra faz outra res­sal­va: “A rede neces­si­ta­rá ter mais ele­men­tos de con­tro­le do que tem hoje. A gera­ção de ener­gia solar é variá­vel: em deter­mi­na­dos momen­tos há a gera­ção, em outros não. É neces­sá­rio ter ele­men­tos de con­tro­le para que essas flu­tu­a­ções não afe­tem outros con­su­mi­do­res”, expli­ca.

A MATRIZ ELÉ­TRI­CA BRA­SI­LEI­RA (2017)

Hidráu­li­ca: 65,2%

Gás natu­ral: 10,5%

Bio­mas­sa: 8,2%

Solar e eóli­ca: 6,9%

Car­vão: 4,1%

Nucle­ar: 2,6%

Petró­leo e deri­va­dos: 2,5%

Fon­te: EPE (Empre­sa de Pes­qui­sa Energética)/MME

Após pro­je­to da Copel, Ipi­ran­ga se tor­nou o pri­mei­ro muni­cí­pio do País com 100% dos seus medi­do­res auto­ma­ti­za­dos

CIDA­DES INTE­LI­GEN­TES

   Do pon­to de vis­ta ener­gé­ti­co, as cida­des inte­li­gen­tes são aque­las equi­pa­das com tec­no­lo­gi­as capa­zes de pre­ver falhas na rede, emi­tir rela­tó­ri­os de fun­ci­o­na­men­to em tem­po real, aca­bar com a neces­si­da­de de medi­ção manu­al de con­su­mo e dar ao con­su­mi­dor o poder de pla­ne­jar seu con­su­mo com base em dados. Nem todos sabem, mas o Bra­sil já tem uma cida­de inte­li­gen­te: tra­ta-se de Ipi­ran­ga, no Para­ná. Lá, a Copel inte­grou sen­so­res, con­tro­la­do­res, medi­do­res e cha­ves inte­li­gen­tes. Assim, é pos­sí­vel emi­tir aler­tas auto­má­ti­cos de que­da de ener­gia e fazer medi­ções remo­tas do con­su­mo, sem a neces­si­da­de de des­lo­car um fun­ci­o­ná­rio para essa tare­fa. “Este é o con­cei­to ple­no de redes inte­li­gen­tes. Dese­nha­mos esse sis­te­ma para aten­der todos os con­su­mi­do­res rurais. Che­ga­mos a todos os pon­tos da cida­de e mos­tra­mos que a tec­no­lo­gia che­ga a todas as áre­as”, afir­ma Julio Omo­ri, supe­rin­ten­den­te de Smart Grid e Pro­je­tos Espe­ci­ais da Copel. A empre­sa afir­ma que, após a implan­ta­ção do pro­je­to, a qua­li­da­de da ener­gia melho­rou 52%, prin­ci­pal­men­te em rela­ção ao tem­po em que o con­su­mi­dor fica sem ener­gia. Em bre­ve, os con­su­mi­do­res tam­bém terão aces­so aos dados deta­lha­dos de seu con­su­mo para enten­der como podem eco­no­mi­zar.

Ener­gia solar: pro­du­ção lim­pa é apon­ta­da como o futu­ro do setor

POR­TA­BI­LI­DA­DE

   Hoje, os con­su­mi­do­res resi­den­ci­ais estão den­tro do mer­ca­do cati­vo de ener­gia, ou seja, não podem esco­lher o gera­dor que che­ga em sua casa. Para entrar no mer­ca­do aber­to, é neces­sá­rio ter um con­su­mo men­sal equi­va­len­te a R$ 60 mil. Porém, tra­mi­ta no Con­gres­so um pro­je­to de lei que alte­ra o mode­lo comer­ci­al de ener­gia elé­tri­ca no Bra­sil. A pro­pos­ta é per­mi­tir, pro­gres­si­va­men­te, que os peque­nos con­su­mi­do­res pos­sam optar por fazer par­te do mer­ca­do livre, ao qual têm aces­so ape­nas gran­des con­su­mi­do­res. A ideia é que o setor elé­tri­co pas­se pelo mes­mo pro­ces­so pelo qual pas­sou o setor de tele­fo­nia. Caso o pro­je­to seja apro­va­do, os con­su­mi­do­res resi­den­ci­ais pode­rão esco­lher sua gera­do­ra e man­te­rão suas rela­ções com as dis­tri­bui­do­ras.

A MATRIZ ENER­GÉ­TI­CA BRA­SI­LEI­RA (2017)

Petró­leo e deri­va­dos: 36,4%

Deri­va­dos da cana: 17%

Gás natu­ral: 13%

Hidráu­li­ca: 12%

Lenha e car­vão vege­tal: 8%

Lixí­via e outras reno­vá­veis: 5,9%

Car­vão: 5,7%

Nucle­ar: 1,4%

Outras não reno­vá­veis: 0,6%

Fon­te: EPE (Empre­sa de Pes­qui­sa Energética)/MME

MOTO­RIS­TAS DO GAIA VÃO GAS­TAR R$ 8 A CADA 200 QUILÔ­ME­TROS. O VEÍ­CU­LO CUS­TA R$ 79 MIL E COME­ÇA A SER ENTRE­GUE NO PRI­MEI­RO SEMES­TRE DE 2020

   Empre­sas que comer­ci­a­li­zam ener­gia se uni­ram em prol da apro­va­ção do pro­je­to. As com­pa­nhi­as for­ma­ram o movi­men­to “Que­ro Ener­gia Livre”. No site, as sig­na­tá­ri­as apre­sen­tam alguns moti­vos para a apro­va­ção da lei, entre eles garan­tir ao cida­dão o direi­to de, quem com­prar ener­gia, gas­tar menos na con­ta de luz, poder esco­lher empre­sas que usem fon­tes reno­vá­veis e melho­rar o aten­di­men­to comer­ci­al.

   Além de dis­tri­bui­do­ra, a Copel ain­da gere 26 usi­nas pró­pri­as – 16 hidre­lé­tri­cas, 12 eóli­cas e 1 ter­me­lé­tri­ca. Ain­da que as gera­do­ras sejam as mai­o­res afe­ta­das caso a pro­pos­ta seja apro­va­da, a empre­sa, que atua no Sul do País, con­cor­da com a mudan­ça na legis­la­ção: “Esta­mos bem tran­qui­los em rela­ção a isso. Por­ta­bi­li­da­de é a opor­tu­ni­da­de de esco­lher de quem vai com­prar. Enten­de­mos que vale a pena”, diz Omo­ri. Car­los Andra­de expli­ca que a EDP tam­bém enten­de, mas com res­tri­ções: “Somos favo­rá­veis ao pla­ne­ja­men­to de uma tran­si­ção. Isso por­que toda a gera­ção de ener­gia em hidre­lé­tri­cas e ter­me­lé­tri­cas tem con­tra­tos de lon­ga dura­ção com as dis­tri­bui­do­ras”.

FON­TES RENO­VÁ­VEIS TÊM PAR­TI­CI­PA­ÇÃO DE 45,3% NA MATRIZ ENER­GÉ­TI­CA DO BRA­SIL

MOBI­LI­DA­DE ELÉ­TRI­CA

   Com os con­su­mi­do­res cada vez mais vigi­lan­tes e exi­gen­tes, o setor ener­gé­ti­co vive um pon­to de infle­xão. E esse é um momen­to impor­tan­tís­si­mo nas dis­cus­sões sobre mudan­ça na matriz ener­gé­ti­ca, gera­ção dis­tri­buí­da, mobi­li­da­de ener­gé­ti­ca e cons­tru­ção de cida­des inte­li­gen­tes. O Bra­sil está aci­ma da média mun­di­al quan­do o assun­to é ener­gia reno­vá­vel. Na matriz ener­gé­ti­ca do País, as fon­tes reno­vá­veis têm par­ti­ci­pa­ção de 45,3%, segun­do o Minis­té­rio de Minas e Ener­gia, enquan­to a média mun­di­al de con­su­mo de ener­gia pro­ve­ni­en­te de fon­tes reno­vá­veis é de 14%. Mes­mo com núme­ros posi­ti­vos na com­pa­ra­ção, a dis­cus­são acer­ca da sus­ten­ta­bi­li­da­de na pro­du­ção e no con­su­mo de ener­gia ganhou cor­po nos últi­mos anos. Afi­nal, o petró­leo e seus deri­va­dos, que dão ori­gem aos com­bus­tí­veis usa­dos por auto­mó­veis, ain­da são res­pon­sá­veis pela mai­or par­ce­la do con­su­mo ener­gé­ti­co do Bra­sil (36,4%).

   Por isso, o setor ener­gé­ti­co bus­ca apoi­ar a mobi­li­da­de elé­tri­ca, con­cei­to que se rela­ci­o­na com a ele­tri­fi­ca­ção do trans­por­te em ôni­bus, car­ros e bici­cle­tas. Os modos popu­la­ri­za­dos recen­te­men­te para per­cor­rer peque­nas dis­tân­ci­as – bici­cle­tas e pati­ne­tes – já são, por defi­ni­ção, sus­ten­tá­veis e con­tri­bu­em com o deba­te sobre mobi­li­da­de sem emis­são de polu­en­tes. Os car­ros e ôni­bus, porém, ain­da são res­pon­sá­veis por um gran­de volu­me de emis­são de gases polu­en­tes e, por enquan­to, estão fora da equa­ção da mobi­li­da­de sus­ten­tá­vel.

   Para trans­for­mar essa rea­li­da­de, dis­tri­bui­do­ras de ener­gia come­çam a incen­ti­var a mobi­li­da­de elé­tri­ca. A Enel X, empre­sa do Gru­po Enel espe­ci­a­li­za­da em solu­ções ino­va­do­ras em ener­gia, ofe­re­ce aos moto­ris­tas de car­ros elé­tri­cos o Jui­ce­Box. O dis­po­si­ti­vo fun­ci­o­na como um car­re­ga­dor para os car­ros movi­dos a ener­gia e é com­pa­tí­vel com diver­sos tipos de veí­cu­los elé­tri­cos. Com o pro­je­to “Emo­ti­ve”, a CPFL aju­dou a cri­ar um ecos­sis­te­ma para via­bi­li­zar a cir­cu­la­ção de car­ros elé­tri­cos em Cam­pi­nas, no inte­ri­or de São Pau­lo. As empre­sas-cha­ve para a cri­a­ção do ecos­sis­te­ma são a Gra­al, o Shop­ping Igua­te­mi Cam­pi­nas, o Ins­ti­tu­to CCR, a Hertz e a 3M, que usou veí­cu­los elé­tri­cos duran­te qua­se dois anos.

   No mes­mo movi­men­to estão empre­sas de tec­no­lo­gia, como a Gaia Elec­tric Motors. A star­tup bra­si­lei­ra pro­me­te entre­gar aos con­su­mi­do­res um veí­cu­lo elé­tri­co por R$ 79 mil. O Gaia é um híbri­do de car­ro e moto, tem 200 quilô­me­tros de auto­no­mia a cada recar­ga, que dura 8 horas, e é capaz de che­gar a 130 quilô­me­tros por hora. O veí­cu­lo é con­tro­la­do por um apli­ca­ti­vo para smartpho­ne. Pelo soft­ware, os usuá­ri­os con­se­guem ligar o veí­cu­lo, des­tra­vá-lo e até com­par­ti­lhar a cha­ve com outra pes­soa, deli­mi­tan­do onde o moto­ris­ta pode ir e quan­to tem­po tem para rea­li­zar o tra­je­to. Em ter­mos de mobi­li­da­de elé­tri­ca, um dos aspec­tos mais impor­tan­tes do Gaia é que ele não pre­ci­sa de plugs espe­ci­ais, geral­men­te neces­sá­ri­os para car­ros elé­tri­cos. Bas­ta ligar o veí­cu­lo.

   Ivan Gors­ki, fun­da­dor e CEO da Gaia Elec­tric Motors, já tra­ba­lhou em empre­sas de tec­no­lo­gia, como Lin­ke­dIn e Yahoo, e trou­xe este DNA para a star­tup que fun­dou. A empre­sa não tem uma linha de pro­du­ção, mas tra­ba­lha com a tec­no­lo­gia para conec­tar as dife­ren­tes eta­pas de pro­du­ção do veí­cu­lo. Ele expli­ca que, além de ven­der os veí­cu­los, a empre­sa estu­da alguns mode­los para trans­for­mar o Gaia em uma pla­ta­for­ma de mobi­li­da­de. “Exis­tem alguns pro­je­tos sen­do dese­nha­dos: há empre­sas espe­ci­a­li­za­das em alu­gar veí­cu­los para moto­ris­tas de apli­ca­ti­vo; há uma empre­sa no Dis­tri­to Fede­ral que quer fazer um pro­je­to com a pre­fei­tu­ra; e tam­bém a Pre­fei­tu­ra de Mon­ga­guá (SP), que quer ter um veí­cu­lo para tem­po­ra­da”. É a pro­va de que a mobi­li­da­de elé­tri­ca já come­ça a sair do papel para virar rea­li­da­de. E o futu­ro apon­ta não só para um ecos­sis­te­ma para a ele­tri­fi­ca­ção dos auto­mó­veis como para um uni­ver­so no qual os con­su­mi­do­res terão mais auto­no­mia, seja na hora de pro­du­zir, seja na hora de esco­lher, com­par­ti­lhar ou con­tro­lar a sua pró­pria ener­gia.