O MUN­DO ACE­LE­RA­DO, O BRA­SIL QUA­SE PARA­DO

O BRA­SIL ESTÁ NA SEGUN­DA DIVI­SÃO DA ECO­NO­MIA GLO­BAL E PODE CAIR PARA A TER­CEI­RA RAPI­DA­MEN­TE. ESSE É O APREN­DI­ZA­DO FUN­DA­MEN­TAL QUE TIRA­MOS DE DOIS EVEN­TOS INTER­NA­CI­O­NAIS: WORLD RETAIL CON­GRESS E VIVA­TE­CH

POR JAC­QUES MEIR

ste ano, come­mo­ra­mos 25 anos da trá­gi­ca mor­te do ído­lo Ayr­ton Sen­na. Um sím­bo­lo de um País que pare­cia ter velo­ci­da­de no san­gue. Des­de então, nos­sas vitó­ri­as na prin­ci­pal cate­go­ria do auto­mo­bi­lis­mo mun­di­al escas­se­a­ram. Feli­pe Mas­sa che­gou per­to de um títu­lo há mais de dez anos, Rubi­nho Bar­ri­chel­lo cor­reu à som­bra de Micha­el Schu­ma­cher e obte­ve algu­mas vitó­ri­as impor­tan­tes. Atu­al­men­te, nem pilo­tos mais temos na Fór­mu­la 1, o que tal­vez con­fi­gu­re nos­so desa­pe­go à velo­ci­da­de e à adre­na­li­na de viver em um mun­do veloz.

   A metá­fo­ra com as pis­tas pode ser um indi­ca­dor de um País que tei­ma em fazer uma esco­lha por cami­nhos len­tos e aci­den­ta­dos enquan­to boa par­te do mun­do atu­al, incluin­do mer­ca­dos emer­gen­tes e outros caren­tes, pro­cu­ra andar rapi­da­men­te. Velo­ci­da­de é o con­cei­to fun­da­men­tal que rege os negó­ci­os hoje. Por­que novas tec­no­lo­gi­as sur­gem a cada dia, con­su­mi­do­res orga­ni­zam-se em redes orques­tra­das e ati­vam mani­fes­ta­ções em horas, deci­sões de inves­ti­men­tos são toma­das a cada minu­to e não há mais segun­dos a per­der. Velo­ci­da­de está no cen­tro das deci­sões de negó­ci­os e foi isso o que vimos em um giro rápi­do pela Euro­pa nos even­tos World Retail Con­gress – WRC – em Ams­ter­dã (Holan­da) e Viva­Te­ch, em Paris (Fran­ça). Enquan­to o WRC mos­tra-se mais res­tri­to, qua­li­fi­ca­do ao extre­mo, para as gran­des lide­ran­ças do vare­jo glo­bal, em deba­tes inci­si­vos e inten­sos com espe­ci­a­lis­tas, con­sul­to­res e per­so­na­li­da­des mun­di­ais, o Viva­Te­ch reu­niu um espe­ta­cu­lar time de CEOs, exe­cu­ti­vos, o Pre­si­den­te da Fran­ça, Emma­nu­el Macron, o Pri­mei­ro-minis­tro do Cana­dá, Jus­tin Tru­de­au, e mais de 120 mil par­ti­ci­pan­tes em três dias.

Mark Rut­te, pri­mei­ro-minis­tro da Holan­da: país pre­pa­ra­do para uma vida digi­tal

   O WRC base­ou seu con­teú­do a par­tir do pano­ra­ma vare­jis­ta glo­bal, e o Viva­Te­ch, por sua vez, ofe­re­ceu um con­jun­to de con­teú­dos mais diver­si­fi­ca­do, com foco nos impac­tos e nas apli­ca­ções da tec­no­lo­gia nos negó­ci­os para melho­rar com­pe­ti­ti­vi­da­de, ges­tão, enga­ja­men­to do con­su­mi­dor, bem-estar, saú­de e ace­le­rar o cres­ci­men­to das empre­sas. Em comum, a abor­da­gem da velo­ci­da­de de res­pos­tas das orga­ni­za­ções – e paí­ses – em um mun­do ace­le­ra­do. E, tam­bém, a ausên­cia qua­se que total de bra­si­lei­ros nas dis­cus­sões e nas pla­tei­as. A sen­sa­ção é de que esta­mos fazen­do uma for­ça enor­me para pas­sar­mos des­per­ce­bi­dos nes­se momen­to de mudan­ça, como se fos­se pos­sí­vel evi­tar a neces­si­da­de de ser­mos pro­ta­go­nis­tas, de ser­mos com­pe­ti­ti­vos, de enfren­tar­mos as ques­tões rela­ti­vas à auto­ma­ção do tra­ba­lho, de pro­du­zir­mos mais ino­va­ção rele­van­te, de ter­mos empre­sas capa­zes de se impor glo­bal­men­te, de edu­car­mos e pre­pa­rar­mos melhor nos­sa mão de obra e dei­xar­mos a medi­o­cri­da­de que nos acom­pa­nha ale­gre­men­te há duas déca­das. O jogo bru­to da glo­ba­li­za­ção ago­ra não se faz com base na com­pla­cên­cia com a ascen­são chi­ne­sa para o cen­tro do pal­co ou com a Euro­pa uni­da em tor­no de seu mer­ca­do exer­cen­do um soft power fidal­go. Os paí­ses defen­dem seus inte­res­ses e refu­tam idei­as que colo­quem seus cida­dãos médi­os em ris­co. O livre trân­si­to de idei­as vale des­de que este­jam ali­nha­das com os valo­res das nações, tan­to quan­to o livre trân­si­to de mer­ca­do­ri­as vale des­de que supe­rá­vits sejam con­quis­ta­dos. O bom-mocis­mo fica rele­ga­do ao pla­no das uto­pi­as, em um mun­do no qual o tem­po de refle­xão per­deu espa­ço para o tem­po ins­tan­tâ­neo, da res­pos­ta dis­pa­ra­da com algu­ma fero­ci­da­de aco­pla­da a algum extre­mo.

O RECA­DO DO VIVA­TE­CH E DO WRC É UM : VELO­CI­DA­DE ESTÁ NO CEN­TRO DAS DECI­SÕES DE NEGÓ­CI­OS

   A men­ta­li­da­de glo­bal que se carac­te­ri­za por essa viru­lên­cia nas res­pos­tas e pela for­ça das redes orques­tra­das apor­tou no Bra­sil e con­fron­ta empre­sas e ins­ti­tui­ções, cau­san­do deso­ri­en­ta­ção entre as lide­ran­ças públi­cas e pri­va­das. Mui­tas vozes pro­cu­ram res­pos­tas no âmbi­to das expe­ri­ên­ci­as pas­sa­das, mas elas per­dem o sen­ti­do e cau­sam essa para­li­sia que nos impe­de de avan­çar no rit­mo que outros mer­ca­dos avan­çam. Pior: esta­mos no con­ti­nen­te mais mal­vis­to no cená­rio mun­di­al, a pobre Amé­ri­ca Lati­na que vê a Argen­ti­na sem­pre às vol­tas com suas neu­ro­ses, a Vene­zu­e­la em decom­po­si­ção, o Peru encar­ce­ran­do ex-pre­si­den­tes e dila­pi­dan­do as for­ças polí­ti­cas e o Bra­sil em ina­ção, fler­tan­do com o desas­tre, sem aten­tar para o cus­to que será pago dian­te da renún­cia em fazer o que pre­ci­sa ser fei­to.

TRA­ZER A INO­VA­ÇÃO E AS TEC­NO­LO­GI­AS PARA A REA­LI­DA­DE E A EXPE­RI­MEN­TA­ÇÃO DAS PES­SO­AS COMUNS FOI UM DOS TRIUN­FOS DO VIVA­TE­CH

O NOVO VARE­JO

   O World Retail Con­gress trou­xe mui­tos dados e insights sobre a dis­rup­ção que tru­ci­da o vare­jo tra­di­ci­o­nal nos dife­ren­tes mer­ca­dos. Em núme­ros: 75% dos vare­jis­tas acre­di­tam que seus mode­los de negó­ci­os pre­ci­sam de mudan­ças fun­da­men­tais para acom­pa­nhar as mudan­ças na indús­tria e na soci­e­da­de. Isso impli­ca trans­for­mar o negó­cio e tor­ná-lo capaz de fun­ci­o­nar em ace­le­ra­ção cons­tan­te, como uma Fór­mu­la 1 con­du­zi­da por um pilo­to de alto nível. É neces­sá­rio atu­ar em alta velo­ci­da­de para apri­mo­rar a efi­ci­ên­cia com base em novas métri­cas de per­for­man­ce e novas regras de ges­tão. São elas:

1. Ser o melhor em algo que seja real­men­te impor­tan­te;

2. Esco­lher onde ser segui­dor é tão impor­tan­te quan­to esco­lher onde ser líder;

3. Se o seu mode­lo de negó­cio não é ven­ce­dor, ele é um mode­lo per­de­dor;

4. Cons­trua o seu ecos­sis­te­ma de vare­jo;

5. Seja cora­jo­so, auda­ci­o­so e dei­xe sua equi­pe livre; e

6. Vá além das fron­tei­ras para cons­truir sua pró­pria tri­bo ou comu­ni­da­de.

Aero­Mo­bil: pro­tó­ti­po de car­ro voa­dor impres­si­o­na, mas ques­tões regu­la­tó­ri­as retar­dam tes­tes em cida­des

   Isso sig­ni­fi­ca pro­vo­car uma pane, um cur­to-cir­cui­to nos mode­los tra­di­ci­o­nais, não só no vare­jo, mas em pra­ti­ca­men­te todos os seg­men­tos que pre­ten­dem ter rele­vân­cia nes­ses tem­pos ace­le­ra­dos. Bons exem­plos são a Glos­si­er, que cons­truiu seu negó­cio com base em comu­ni­da­des enga­ja­das em pla­ta­for­mas reple­tas de víde­os tuto­ri­ais, tra­çan­do uma linha da expe­ri­ên­cia do usuá­rio dire­ta­men­te com o mer­ca­do. A vare­jis­ta Otto uti­li­zou Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al e Analy­tics para pre­ver as deman­das dos con­su­mi­do­res, des­cons­truin­do as tra­di­ci­o­nais métri­cas de pre­vi­são de ven­das. A Wish cons­truiu um mode­lo de ven­da de mar­cas pró­pri­as de fabri­can­tes chi­ne­ses dire­ta­men­te para os con­su­mi­do­res, eli­mi­nan­do inter­me­diá­ri­os e canais de ven­da tra­di­ci­o­nal. E a Ama­zon desen­vol­veu o vare­jo “sem cli­ques”, por meio do Ama­zon Pri­me War­dro­be (assi­na­tu­ra de moda), que uti­li­za Analy­tics pre­di­ti­vo (Power Analy­tics) para ava­li­ar as pre­fe­rên­ci­as dos cli­en­tes e entre­gar rou­pas auto­ma­ti­ca­men­te para eles, com espe­ta­cu­lar pre­ci­são. O Ali­ba­ba ope­ra mais de 30 pla­ta­for­mas inde­pen­den­tes que visam aten­der dife­ren­tes negó­ci­os e enfa­ti­zar como eles desen­vol­vem solu­ções para esses cli­en­tes vare­jis­tas, em vez de aten­de­rem o con­su­mi­dor final dire­ta­men­te. Des­sa for­ma, são cons­truí­das as métri­cas que moni­to­ram a per­for­man­ce das pla­ta­for­mas dos seus con­su­mi­do­res.

   Os vare­jis­tas pre­ci­sam se dedi­car a cons­truir pla­ta­for­mas e ecos­sis­te­mas. O jogo bru­to do mer­ca­do pola­ri­za­do terá como ven­ce­do­res os ecos­sis­te­mas mais com­ple­tos, nos quais a tec­no­lo­gia reor­ga­ni­za os pro­ces­sos e for­ne­ce os dados que ori­en­tam com­pra, ven­da, deman­da, for­ne­ce­do­res e ope­ra­do­res.

VIVA­TE­CH: CRI­A­DO PELA PUBLI­CIS E PELO JOR­NAL LES ÉCHOS, EVEN­TO REU­NIU MAIS DE 120 MIL PES­SO­AS EM PARIS

INO­VA­ÇÃO AO ALCAN­CE DE TODOS

   Enquan­to o vare­jo glo­bal pro­cu­ra for­mas de se rein­ven­tar, incor­po­ran­do a tec­no­lo­gia ao coti­di­a­no das ope­ra­ções, para refor­çar os vín­cu­los com os cli­en­tes, o uni­ver­so da ino­va­ção quer dei­xar o pla­no das idei­as e ficar tam­bém pró­xi­mo da vida das pes­so­as. Essa foi uma das pre­mis­sas mais evi­den­tes do Viva­Te­ch 2019, even­to que acon­te­ce em Paris, todo mês de maio. Cri­a­do pela hol­ding glo­bal de publi­ci­da­de e comu­ni­ca­ção Publi­cis e pelo jor­nal Les Échos, este even­to ganhou esca­la sig­ni­fi­ca­ti­va em ape­nas qua­tro anos. Duran­te três dias, os pavi­lhões do Por­te de Ver­sail­les, ao sul de Paris, rece­bem mais de 120 mil pes­so­as. Duran­te dois dias, o Viva­Te­ch assu­me uma fei­ção mais cor­po­ra­ti­va, com a pre­sen­ça de exe­cu­ti­vos de ino­va­ção, mar­ke­ting, TI e digi­tal, CEOs e Vice-pre­si­den­tes de todo o mun­do, para dis­cu­tir e viven­ci­ar novas tec­no­lo­gi­as e suas apli­ca­ções aos negó­ci­os. O even­to tam­bém reú­ne um expres­si­vo núme­ro de star­tups – mais de 9 mil este ano – milha­res de pit­ches, roda­das de negó­cio, ambi­en­tes dis­tin­tos, networ­king, diver­sos espa­ços dedi­ca­dos a con­teú­dos de patro­ci­na­do­res, além de pal­cos e are­nas ofi­ci­ais reche­a­dos de pales­tras e pai­néis de deba­tes.

   A con­cep­ção de tra­zer a tec­no­lo­gia para o coti­di­a­no se mate­ri­a­li­za na pre­sen­ça de mar­cas de con­su­mo, como L´Oréal, Renault e Oran­ge, de luxo como Bvl­ga­ri e Guer­lain e no ter­cei­ro dia do even­to, aber­to ao públi­co com pre­ços popu­la­res. Famí­li­as intei­ras, cri­an­ças e ado­les­cen­tes expe­ri­men­tam games, ações com dis­po­si­ti­vos sofis­ti­ca­dos de Rea­li­da­de Vir­tu­al, inte­ra­ções com diver­sos mode­los de robôs, sis­te­mas de Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al e pales­tras foca­das em temas que vão de estra­té­gi­as para a redu­ção da desi­gual­da­de à capa­ci­ta­ção do tra­ba­lho em um mun­do digi­tal, da igual­da­de de gêne­ro até refle­xões sobre como a tec­no­lo­gia pode ser usa­da para fazer o bem comum.

ENQUAN­TO O VARE­JO GLO­BAL PRO­CU­RA FOR­MAS DE SE REIN­VEN­TAR, O UNI­VER­SO DA INO­VA­ÇÃO QUER DEI­XAR O PLA­NO DAS IDEI­AS

   Mas assim como no World Retail Con­gress, o Viva­Te­ch trou­xe mui­ta dis­cus­são vol­ta­da para o mun­do veloz. A con­sul­to­ria McKin­sey pre­pa­rou um dia intei­ro de con­teú­do vol­ta­do para a nova dinâ­mi­ca do mar­ke­ting e a neces­si­da­de de gerar cres­ci­men­to con­tí­nuo. O pon­to cen­tral das dis­cus­sões foi o quan­to as cor­po­ra­ções falham na bus­ca do cres­ci­men­to. Jes­ko Per­rey, um dos res­pon­sá­veis pelo estu­do sobre “lide­ran­ça em cres­ci­men­to”, des­ta­cou a fal­ta de uma men­ta­li­da­de ori­en­ta­da a cres­ci­men­to que per­meia a mai­or par­te das empre­sas no mun­do intei­ro. O ape­ti­te pela expan­são dos negó­ci­os, ven­das, lucros, alcan­ce e rele­vân­cia está loca­li­za­do em pou­cos silos e pro­fis­si­o­nais e não encon­tra res­so­nân­cia no inte­ri­or das empre­sas, mas o jogo bru­to da com­pe­ti­ti­vi­da­de glo­bal é impla­cá­vel com quem negli­gen­cia ou não pri­o­ri­za enfa­ti­ca­men­te a neces­si­da­de de cres­cer. Por­que os prin­ci­pais mer­ca­dos glo­bais hoje ope­ram ao sabor de ganhos de esca­la gigan­tes­cos, deri­va­dos de negó­ci­os mode­la­dos em pla­ta­for­mas digi­tais, de alcan­ce qua­se ili­mi­ta­do, que asfi­xi­am negó­ci­os peque­nos, incluin­do aque­les que se con­for­mam com um deter­mi­na­do tama­nho. No pas­sa­do, era pos­sí­vel con­ce­ber empre­sas “ritu­a­lís­ti­cas”, que se man­ti­nham sóli­das por for­ça de seu cui­da­do qua­se arte­sa­nal com pro­du­tos e ser­vi­ços. Mas, hoje, até mes­mo o arte­sa­nal, o fres­co, o natu­ral estão aco­pla­dos em pla­ta­for­ma, con­fron­tan­do qual­quer negó­cio, ain­da que base­a­do em prin­cí­pi­os.

NO MUN­DO VELOZ, UM PAÍS PRE­CI­SA RES­PON­DER MAIS RAPI­DA­MEN­TE DO QUE SIS­TE­MAS POLÍ­TI­COS ESTÃO ACOS­TU­MA­DOS

O VALOR DO PRO­PÓ­SI­TO

   No mun­do veloz, que limi­ta o tem­po de refle­xão, que é impa­ci­en­te com a pon­de­ra­ção e into­le­ran­te com a buro­cra­cia, pude­mos ver, duran­te algum tem­po, uma incli­na­ção para o sur­gi­men­to de negó­ci­os base­a­dos em pro­pó­si­tos, cau­sas, idei­as – “o que nos move” é a expres­são carac­te­rís­ti­ca – como um ali­cer­ce para dar sen­ti­do e ampli­ar o enga­ja­men­to de cola­bo­ra­do­res e cli­en­tes. Mas a ace­le­ra­ção infe­liz­men­te rede­fi­ne estes prin­cí­pi­os. Qual pro­pó­si­to se sus­ten­ta ínte­gro na bus­ca por esca­la, por cres­ci­men­to, por mais tec­no­lo­gia capaz de fazer fren­te a cli­en­tes que se orga­ni­zam em redes orques­tra­das? O pró­prio prin­cí­pio de demo­cra­ti­za­ção e inte­gra­ção que nor­te­ou a inter­net em seus pri­mei­ros anos foi cor­rom­pi­do pela mani­pu­la­ção agres­si­va e ganan­ci­o­sa dos dados de milhões de pes­so­as em redes soci­ais – Face­bo­ok à fren­te – como for­ma de ace­le­rar negó­ci­os, ganhos, lucros.

   Os fatos são esses e são cla­ros: pro­pó­si­to tem valor para posi­ci­o­nar um negó­cio, porém, man­ter-se fiel a ele de for­ma pura e imu­ne às pres­sões de mer­ca­do deman­da uma fibra moral e uma qua­se nega­ção da rea­li­da­de em que vola­ti­li­da­de, incer­te­za, com­ple­xi­da­de e ambi­gui­da­de (VUCA) se com­bi­nam para deso­ri­en­tar ges­to­res e estra­té­gi­as.

   Este é o mun­do que des­de­nha da capa­ci­da­de do Bra­sil de se inte­grar a ele e com­pe­tir bus­can­do pro­ta­go­nis­mo. No mun­do veloz, um país pre­ci­sa res­pon­der mais rapi­da­men­te do que sis­te­mas polí­ti­cos estão acos­tu­ma­dos. Isso não sig­ni­fi­ca colo­car a demo­cra­cia em dúvi­da, mas obriga‑a a ser mais efi­caz. Uma edu­ca­ção vol­ta­da para a cons­tru­ção de soci­e­da­des e mer­ca­dos digi­tais, em que a com­pe­ti­ti­vi­da­de seja um valor abso­lu­to, a pros­pe­ri­da­de seja uma obses­são e as empre­sas assu­mam seu papel como agen­tes de mudan­ça são os novos man­da­men­tos. A outra face des­sa rea­li­da­de é ren­der-se ao auto­ri­ta­ris­mo desa­ti­na­do de esti­lo vene­zu­e­la­no ou à arma­di­lha da medi­o­cri­da­de per­ma­nen­te que encon­tra na Amé­ri­ca Lati­na o seu ber­ço esplên­di­do.

   E, antes que seja tar­de, vale lem­brar que na Fór­mu­la 1 atu­al – digi­tal, pre­ci­sa e inten­sa – não há pilo­tos do Bra­sil, da Argen­ti­na ou de qual­quer país da Amé­ri­ca Lati­na.

TEN­DÊN­CI­AS E ENSI­NA­MEN­TOS DO WRC E DO VIVA­TE­CH

• O MUN­DO É VELOZ, PAU­TA­DO PELA ACE­LE­RA­ÇÃO DE MER­CA­DOS, FENÔ­ME­NOS SOCI­AIS, INO­VA­ÇÕES E TEC­NO­LO­GI­AS

COM­PE­TI­TI­VI­DA­DE E CRES­CI­MEN­TO NÃO SÃO ESCO­LHAS. SÃO A PRÓ­PRIA ESSÊN­CIA PARA EMPRE­SAS E NAÇÕES QUE PRE­TEN­DEM SER RELE­VAN­TES NO MUN­DO VELOZ

OS NEGÓ­CI­OS PRE­CI­SAM SE TRANS­FOR­MAR PARA MODE­LOS DE PLA­TA­FOR­MA QUE ACO­PLEM NEGÓ­CI­OS E OFER­TAS COM­PLE­MEN­TA­RES PARA GANHAR ESCA­LA E AMPLI­AR ALCAN­CE EM COMU­NI­DA­DES E TRI­BOS

TODA EMPRE­SA PRE­CI­SA SER RÁPI­DA EM IDEN­TI­FI­CAR ONDE EXIS­TEM CHAN­CES DE GERAR UM CUR­TO-CIR­CUI­TO NO SEU NEGÓ­CIO. FAÇA ISSO ANTES QUE UM CON­COR­REN­TE, UMA EMPRE­SA DIS­RUP­TI­VA OU UMA REGU­LA­ÇÃO O FAÇA

• O NOVO JOGO DA COM­PE­TI­ÇÃO É RUDE: NAÇÕES COM­PE­TI­TI­VAS NÃO ACEI­TAMPOR PRES­SÕES INTER­NASNEGÓ­CI­OS, ACOR­DOS, POLÍ­TI­COS, EMPRE­SAS OU EVEN­TOS QUE COLO­QUEM SUAS POPU­LA­ÇÕES EM RIS­CO

PRO­PÓ­SI­TO NÃO TEM VALOR SE A EMPRE­SA NÃO PUDER GANHAR ESCA­LA E CRES­CER CON­TI­NU­A­MEN­TE. OS CON­SU­MI­DO­RES ACRE­DI­TAM NO PRO­PÓ­SI­TO DE EMPRE­SAS QUE ANTES DE MAIS NADA CUM­PRAM O QUE PRO­ME­TEM SEM­PRE, MES­MO DIAN­TE DA VOLA­TI­LI­DA­DE, INCER­TE­ZA, COM­PLE­XI­DA­DE E AMBI­GUI­DA­DE (VUCA)

MENOS RITU­AIS, MAIS PRO­CES­SOS; MENOS ARTE­SA­NA­TO, MAIS TEC­NO­LO­GIA; MENOSFEE­LING”, MAIS DADOS; MENOS PACI­ÊN­CIA, MAIS ANSI­E­DA­DE; MENOS HESI­TA­ÇÃO, MAIS AÇÃO