O PODER DA INFLUÊN­CIA

YOU­TU­BERS, BLO­GUEI­ROS E INS­TA­GRA­MERS MOVI­MEN­TAM BILHÕES COM ANÚN­CI­OS EM SEUS FEEDS E STO­RI­ES. MAS O QUE SABE­MOS SOBRE A RELA­ÇÃO DELES COM AS MAR­CAS?

POR LEO­NAR­DO GUI­MA­RÃES
COM TEX­TOS DE IVAN VEN­TU­RA E RAPHA­EL CORAC­CI­NI

s empre­sas ado­tam vári­as estra­té­gi­as para che­gar ao con­su­mi­dor final: geo­mar­ke­ting, SMS Mar­ke­ting, Mar­ke­ting Mul­ti­ní­vel, Mar­ke­ting de Guer­ri­lha. Mas nenhu­ma des­sas táti­cas tem-se mos­tra­do tão efi­ci­en­te como o Mar­ke­ting de Reco­men­da­ção — o famo­so boca a boca. Afi­nal, nada mais con­vin­cen­te do que rece­ber indi­ca­ções de pes­so­as que comen­tam, de for­ma natu­ral, suas expe­ri­ên­ci­as pes­so­ais com deter­mi­na­dos pro­du­tos e ser­vi­ços. Eis, então, o desa­fio das mar­cas: falar de si e de uma for­ma sutil, qua­se orgâ­ni­ca. E é aí que entram em cena os influ­en­ci­a­do­res digi­tais, hoje mui­to bem pagos para entre­gar às mar­cas expo­si­ção, con­ver­são dire­ta em ven­das e resul­ta­dos em real time.

 

QUEM SÃO ELES?
   Os influ­en­ci­a­do­res digi­tais (“influ­en­cers”, “cri­a­do­res de con­teú­do” ou “cre­a­tors”) estão nas redes soci­ais geran­do con­teú­do o tem­po todo, não impor­ta o tipo de seg­men­to: via­gens, empre­en­de­do­ris­mo, moda, bele­za, finan­ças pes­so­ais, humor, espor­tes, foto­gra­fia. Em geral, eles são con­si­de­ra­dos macro ou microin­flu­en­ci­a­do­res de acor­do com o núme­ro de segui­do­res. Mas essa pro­por­ção pode mudar de acor­do com o seg­men­to. Aque­les que atu­am em seto­res mui­to nicha­dos, por exem­plo, podem ser con­si­de­ra­dos macroin­flu­en­ci­a­do­res por terem uma influên­cia gran­de, ain­da que sobre um gru­po peque­no.

   E não esta­mos falan­do ape­nas de cele­bri­da­des. Mui­to pelo con­trá­rio. Os influ­en­cers não se rela­ci­o­nam com o públi­co da mes­ma for­ma que ato­res, apre­sen­ta­do­res ou can­to­res famo­sos. A dife­ren­ça entre este últi­mo gru­po e os cri­a­do­res de con­teú­do está na pro­xi­mi­da­de e na cre­di­bi­li­da­de que eles têm peran­te o públi­co. “Os cre­a­tors nati­vos digi­tais pos­su­em mais do que sabe­do­ria: eles têm legi­ti­mi­da­de para falar do assun­to, mas não como ‘espe­ci­a­lis­tas pro­fis­si­o­nais’ e sim como ‘gen­te como a gen­te’. Isso traz uma pro­xi­mi­da­de ain­da mai­or com os fãs”, expli­ca Cami­la Figuei­re­do, COO da InCast, empre­sa que aju­da as mar­cas a ampli­ar seu alcan­ce com influ­en­ci­a­do­res.

   De pare­ci­do com as cele­bri­da­des, os cri­a­do­res de con­teú­do para a inter­net têm o poder de des­per­tar, nas pes­so­as, curi­o­si­da­de sobre suas vidas. Eles aca­bam se tor­nan­do ver­da­dei­ros obje­tos de dese­jo. Quan­do gamers gra­vam sua expe­ri­ên­cia com um jogo de PC ou con­so­le, por exem­plo, des­per­tam nos segui­do­res a von­ta­de de jogar como eles. Por­tan­to, dois fato­res são pre­pon­de­ran­tes para que esses pro­fis­si­o­nais exer­çam influên­cia: pro­xi­mi­da­de (as pes­so­as gos­tam de seguir outras que mos­tram ter os mes­mos pro­ble­mas, sonhos e desa­fi­os que elas) e dese­jo (ao mes­mo tem­po em que os influ­en­ci­a­do­res são “gen­te como a gen­te”, suas roti­nas são cobi­ça­das).

NO TOPO DA LIS­TA
   Com mais de 35,5 milhões de assi­nan­tes no seu canal no You­Tu­be, Whin­ders­son Nunes é con­si­de­ra­do o influ­en­ci­a­dor digi­tal mais famo­so do País segun­do uma pes­qui­sa rea­li­za­da pela Mind­Mi­ners sobre a rela­ção dos bra­si­lei­ros com os influ­en­cers. Outros you­tu­bers de entre­te­ni­men­to naci­o­nal­men­te conhe­ci­dos são: Kéfe­ra, Júlio Coci­e­lo, Feli­pe Cas­ta­nha­ri e Pyong Lee.

   Lee, que foi cita­do por 41% dos par­ti­ci­pan­tes da pes­qui­sa, come­çou a cri­ar con­teú­do para o You­Tu­be em 2014. O hip­no­ti­za­dor é um exem­plo de pes­so­as que se apro­pri­am de um tema, se tor­nam refe­rên­cia no assun­to e con­se­guem mone­ti­zar sua pre­sen­ça nas redes soci­ais. “Com dois meses de canal, eu esta­va com 25 mil ins­cri­tos. Em um ano e meio, atin­gi­mos 1 milhão e, hoje, reu­ni­mos 5 milhões”, con­ta o you­tu­ber.

 

O CENÁ­RIO DOS INFLU­EN­CI­A­DO­RES

   Uma pes­qui­sa da Mind­Mi­ners com mil pes­so­as reve­la quem são as pes­so­as mais influ­en­tes nas redes soci­ais e como elas são vis­tas pelo públi­co

QUEM É A PER­SO­NA­LI­DA­DE MAIS CONHE­CI­DA DA INTER­NET NO SEG­MEN­TO DE ENTRE­TE­NI­MEN­TO?

VOCÊ VIU ALGUM INFLU­EN­CI­A­DOR FAZEN­DO PRO­PA­GAN­DA OU INDI­CAN­DO ALGUM PRO­DU­TO EM SUAS REDES SOCI­AIS?

VOCÊ COM­PROU ALGUM PRO­DU­TO OU SER­VI­ÇO QUE FOI RECO­MEN­DA­DO POR ALGUM INFLU­EN­CI­A­DOR?

SE SIM, O PRO­DU­TO OU SER­VI­ÇO ADQUI­RI­DO SUPE­ROU SUAS EXPEC­TA­TI­VAS?

QUE O PRO­DU­TO NÃO SUPE­ROU SUAS EXPEC­TA­TI­VAS, VOCÊ AIN­DA CON­FIA NAS RECO­MEN­DA­ÇÕES DO INFLU­EN­CI­A­DOR?

Fon­te: Mind­Mi­ners | Base res­pon­den­tes: 262

ANDREWS SAN­TA­NA
 @ANDREWSSANTANA

Prin­ci­pal Rede Soci­al: Ins­ta­gram

 

Núme­ro de Segui­do­res: 24.700

Fala sobre: foto­gra­fia
#Já tra­ba­lhou com: GoPro, Reser­va e Peu­ge­ot

PYONG LEE
@PYONGLEETV

Prin­ci­pal Rede Soci­al: You­Tu­be

 

Núme­ro de Segui­do­res: 5.207.547

Fala sobre: mági­ca e hip­no­tis­mo
#Já tra­ba­lhou com: Oreo, LG e McDonald’s

THA­TA LUZ
@THATALUZ

Prin­ci­pal Rede Soci­al: Ins­ta­gram

 

Núme­ro de Segui­do­res: 143.000

Fala sobre: via­gens, foto­gra­fia e espor­tes
#Já tra­ba­lhou com: GoPro, Netsho­es e Fro­oty

CAMI­LA AGOS­TIN
@CAMILINHA.AGO

Prin­ci­pal Rede Soci­al: Ins­ta­gram

 

Núme­ro de Segui­do­res: 21.300

Fala sobre: pro­du­ção audi­o­vi­su­al
#Já tra­ba­lhou com: Hering, UOL e MTV

TODOS NÓS SERE­MOS INFLU­EN­CI­A­DO­RES DIGI­TAIS

Todos nós sere­mos influ­en­ci­a­do­res digi­tais”. Só no ano pas­sa­do, os influ­en­cers movi­men­ta­ram US$ 4 bilhões no mun­do. Para o antro­pó­lo­go Michel Alco­fo­ra­do, as empre­sas já enten­de­ram o movi­men­to, mas mui­tas agên­ci­as de publi­ci­da­de ain­da resis­tem a ele e ain­da pre­fe­rem as gran­des vei­cu­la­ções.

 

Con­su­mi­dor Moder­no: A con­fi­an­ça dos con­su­mi­do­res nos influ­en­ci­a­do­res é refle­xo de uma cri­se na ima­gem das mar­cas?
Michel Alco­fo­ra­do: Exis­tem dois movi­men­tos cla­ros. O pri­mei­ro é uma comu­ni­ca­ção total­men­te “des­mi­di­a­ti­za­da”. Esse é um pro­ces­so que vem des­de o cres­ci­men­to das redes soci­ais, mas que nos últi­mos anos tem toma­do pro­por­ções mai­o­res. O segun­do é um movi­men­to do novo con­su­mi­dor que a gen­te inven­ta a par­tir da expan­são das redes soci­ais. As mar­cas vão cada vez mais se com­por­tan­do como pes­so­as e pes­so­as vão se com­por­tan­do como mar­cas. Aque­la ideia de que eu pre­ci­sa­va de uma mídia tra­di­ci­o­nal para conec­tar mar­cas a pes­so­as se des­faz por­que tudo fica jun­to e mis­tu­ra­do. E não tem nin­guém melhor que os influ­en­ci­a­do­res digi­tais para incor­po­rar essa fusão na sua pró­pria per­so­na.

 

CM: Pes­qui­sas apon­tam que os influ­en­ci­a­do­res são a segun­da fon­te mais pro­cu­ra­da pelos con­su­mi­do­res para toma­da de deci­são de com­pra. Como eles con­se­gui­ram con­quis­tar tama­nha influên­cia?
MA: Hou­ve uma pul­ve­ri­za­ção des­ses influ­en­ci­a­do­res. Há 20 anos, você tinha meia dúzia de glo­bais e eles eram res­pon­sá­veis por for­mar nos­sa opi­nião. Com as redes soci­ais, há uma pul­ve­ri­za­ção gigan­tes­ca e a gen­te vê que não só os famo­sos podem ser influ­en­ci­a­do­res, mas tam­bém pes­so­as pró­xi­mas a nós. Essa impor­tân­cia que os influ­en­ci­a­do­res ganham na toma­da de deci­são de com­pra está rela­ci­o­na­da a uma cus­to­mi­za­ção da comu­ni­ca­ção. As estra­té­gi­as do pas­sa­do, de mas­si­fi­car a vei­cu­la­ção das cam­pa­nhas, já não fun­ci­o­nam mais e nós pre­ci­sa­mos ter pes­so­as ven­den­do coi­sas que tenham a nos­sa cara.

 

CM: As empre­sas já enten­de­ram que a publi­ci­da­de pre­ci­sa se rein­ven­tar?
MA: Sim, fal­ta ago­ra con­ven­cer as agên­ci­as de publi­ci­da­de. Os depar­ta­men­tos de mar­ke­ting já enten­de­ram a impor­tân­cia dos influ­en­ci­a­do­res digi­tais, mas as agên­ci­as, por con­ta do seu mode­lo de negó­ci­os, ain­da dão valor para as gran­des vei­cu­la­ções. A pro­pa­gan­da de mas­sa não vai aca­bar, mas vai se trans­for­mar.

NO FUTU­RO, TODOS NÓS SERE­MOS INFLU­EN­CI­A­DO­RES DIGI­TAIS E PODE­RE­MOS GANHAR DINHEI­RO COM ISSO

CM: Atre­lar a ima­gem de uma empre­sa à de um influ­en­ci­a­dor impli­ca ris­cos, não?
MA: Os aspec­tos da vida pes­so­al dos influ­en­ci­a­do­res impac­tam a ima­gem deles enquan­to mar­ca. Nós não temos con­tro­le sobre a vida soci­al deles, mas é isso que eles ven­dem tam­bém. Essa con­fu­são entre o pri­va­do e o públi­co é que gera essa gran­de con­fu­são.

 

CM: Exis­te um para­do­xo: os influ­en­ci­a­do­res são esco­lhi­dos para apre­sen­tar pro­du­tos e ser­vi­ços por­que são vis­tos como autên­ti­cos e pró­xi­mos do públi­co. Ao mes­mo tem­po, cobra-se cada vez mais pro­fis­si­o­na­lis­mo deles. Como equi­li­brar isso?
MA: Ao mes­mo tem­po em que eles têm poder de influên­cia e huma­ni­za­ção, as empre­sas que os con­tra­tam espe­ram um retor­no cla­ro do inves­ti­men­to. Ao mes­mo tem­po em que a gen­te gos­ta deles por­que eles não são pro­fis­si­o­nais, pre­ci­sa­mos de gen­te pro­fis­si­o­nal para tra­ba­lhar. Esse é o momen­to que esta­mos viven­do.

 

CM: Até quan­do vai durar o poder de influên­cia des­ses famo­sos da inter­net?
MA: Ele só vai cres­cer. Eu e você vamos virar influ­en­ci­a­do­res daqui a pou­co. Para exis­tir, a gen­te vai ter de tor­nar a nos­sa vida cada vez mais públi­ca. Não impor­ta se a gen­te toma isso como pro­fis­si­o­nal ou não. Repa­re que o que faz alguém se con­si­de­rar um influ­en­ci­a­dor digi­tal é quan­do ele con­se­gue o pri­mei­ro con­tra­to. No futu­ro, todos nós sere­mos influ­en­ci­a­do­res digi­tais e pode­re­mos ganhar dinhei­ro com isso. Uma coi­sa é cer­ta: o movi­men­to vai se for­ta­le­cer cada vez mais.

   Espe­ci­a­lis­ta em inte­li­gên­cia de mer­ca­do e cofun­da­dor da con­sul­to­ria Vert, Rafa­el Cor­rea expli­ca que hou­ve uma mudan­ça nos agen­tes de cre­di­bi­li­da­de do con­su­mi­dor. “As redes soci­ais ini­ci­a­ram uma rup­tu­ra na for­ma como a comu­ni­ca­ção é dis­se­mi­na­da, des­cen­tra­li­zan­do os cri­a­do­res de con­teú­do e colo­can­do o foco no pró­prio con­su­mi­dor, que ago­ra tam­bém pro­duz e influ­en­cia”, argu­men­ta.

   Além do aspec­to da con­fi­an­ça, outro fator impor­tan­te para enten­der a rela­ção dos influ­en­ci­a­do­res com os con­su­mi­do­res é a qua­li­da­de do con­teú­do pro­du­zi­do. “A con­cor­rên­cia pelo tem­po e pela aten­ção das pes­so­as aumen­tou. Quem não focar as neces­si­da­des do seu cli­en­te terá mui­tos pro­ble­mas. A pági­na ou o ban­ner iso­la­da­men­te não inte­res­sam mais”, afir­ma Már­cio Car­di­al, dire­tor-geral do Cen­tro de Estu­dos da Comu­ni­ca­ção (CECOM), da Uni­ver­si­da­de de São Pau­lo (USP).

RELA­ÇÃO COM AS EMPRE­SAS

   É natu­ral que donos de per­fis com mui­tos segui­do­res rece­bam pro­pos­tas de empre­sas. A 99, por exem­plo, con­tra­tou 200 microin­flu­en­ci­a­do­res para pro­mo­ver a cam­pa­nha “Recal­cu­la SP”. A mis­são de cri­ar con­teú­dos autên­ti­cos fez com que a mar­ca fos­se vis­ta mais de 7 milhões de vezes.

   A Oi é outra empre­sa que foca con­teú­do na web. Recen­te­men­te, ela con­tra­tou Whin­ders­son Nunes para pro­du­zir mate­ri­ais para a inter­net e pro­ta­go­ni­zar pro­pa­gan­das na tele­vi­são. Uma live do you­tu­ber no canal da com­pa­nhia no Twit­ter atin­giu a mar­ca de 2,5 milhões de views. “Os influ­en­ci­a­do­res são um canal mui­to mais dire­to com o públi­co, que con­fia mais neles do que nos canais tra­di­ci­o­nais de publi­ci­da­de ou infor­ma­ção”, afir­ma Flá­via da Jus­ta, dire­to­ra de Comu­ni­ca­ção e Mar­ke­ting da Oi.

   Uma das dis­cus­sões sobre a con­tra­ta­ção de influ­en­cers é o ris­co de a mar­ca se envol­ver em polê­mi­cas. Afi­nal, atre­lar a ima­gem de uma cor­po­ra­ção a pes­so­as comuns, que não têm uma rela­ção dire­ta com ela, faz com que a empre­sa se tor­ne sus­ce­tí­vel a des­li­zes ou mes­mo com­por­ta­men­tos que des­to­em dos valo­res da com­pa­nhia. O caso de mai­or reper­cus­são no Bra­sil acon­te­ceu este ano com o you­tu­ber Júlio Coci­e­lo. O dono de um dos mai­o­res canais do You­Tu­be bra­si­lei­ro publi­cou no Twit­ter um post con­si­de­ra­do racis­ta por mui­tos inter­nau­tas. As mar­cas que patro­ci­na­vam seu canal foram pres­si­o­na­das a pôr fim à par­ce­ria. A polê­mi­ca acen­deu uma luz ama­re­la nas empre­sas que tra­ba­lham com influ­en­ci­a­do­res. “É pre­ci­so bus­car alguém que tenha afi­ni­da­de com a mar­ca. Os valo­res das duas par­tes pre­ci­sam estar sem­pre ali­nha­dos”, diz Rodri­go Sori­a­no, fun­da­dor da Airin­flu­en­cers, ecos­sis­te­ma de influ­en­ci­a­do­res digi­tais.

   Uma das for­mas de se pro­te­ger é fazer um fil­tro antes da esco­lha. É o caso da Max­Mi­lhas. “Ava­li­a­mos o com­por­ta­men­to dos influ­en­ci­a­do­res nas redes soci­ais para veri­fi­car se os dis­cur­sos são con­di­zen­tes com os pra­ti­ca­dos pela empre­sa”, expli­ca Tahi­a­na D’Egmont, CMO e sócia da Max­Mi­lhas. A empre­sa já fechou par­ce­ria com o popu­lar canal Por­ta dos Fun­dos e pro­mo­veu posts com famo­sos como Bel­la Fal­co­ni e Anit­ta para ala­van­car a ven­da de pas­sa­gens e milhas.

   A Pani­ni faz o mes­mo. Recen­te­men­te, para divul­gar o lan­ça­men­to do álbum de figu­ri­nhas do Bra­si­lei­rão 2018, ela fez par­ce­ria com o canal Fut­Pa­ró­di­as. Já para o lan­ça­men­to do títu­lo Noi­tes de Tre­vas: Metal, da DC Comics, ela con­tou com influ­en­ci­a­do­res liga­dos ao mun­do geek. “É pre­ci­so con­tar com pro­fis­si­o­nais séri­os, que pas­sam cre­di­bi­li­da­de para o seu públi­co e que tenham o com­pro­mis­so de levar conhe­ci­men­to, diver­são e entre­te­ni­men­to”, afir­ma Mar­ce­lo Adri­a­no da Sil­va, head de Mar­ke­ting da Pani­ni Bra­sil.

   Com 143 mil segui­do­res no Ins­ta­gram, a microin­flu­en­ci­a­do­ra Tha­ta Luz fala do outro lado da moe­da. “Pro­cu­ro sem­pre conhe­cer bem o pro­du­to e o ser­vi­ço que irei tra­ba­lhar por­que meu nome está em jogo quan­do pos­to no meu per­fil”, expli­ca. Outro pon­to de atri­to entre os pro­du­to­res de con­teú­do e os seus cli­en­tes é a fal­ta de enga­ja­men­to. “Eu acho que o que fal­ta no mun­do dos influ­en­ci­a­do­res é pro­fis­si­o­na­lis­mo. É tra­ba­lho, com­pro­mis­so. Se você fechou, envie cro­no­gra­mas, apro­ve o vídeo com o cli­en­te e suba da manei­ra que foi com­bi­na­do”, diz Cami­la, da InCast.

   Uma das difi­cul­da­des da pro­fis­si­o­na­li­za­ção dos influ­en­cers, segun­do ela, é o enten­di­men­to da ati­vi­da­de como gera­do­ra de ren­da. Mui­tas pes­so­as se tor­nam influ­en­ci­a­do­ras de for­ma natu­ral, sem alme­jar esse obje­ti­vo. Por isso, a “mudan­ça de cha­ve” pode demo­rar para alguns pro­fis­si­o­nais. “Mui­tas vezes eles não sabem como rece­ber, acham que bas­ta envi­ar os dados ban­cá­ri­os como pes­soa físi­ca e pron­to”, des­ta­ca Tali­ta Lom­bar­di, COO e fun­da­do­ra da Influu, um ecos­sis­te­ma de influ­en­ci­a­do­res.

AUTEN­TI­CI­DA­DE

   O mai­or desa­fio para os influ­en­ci­a­do­res é falar sobre um pro­du­to ou ser­vi­ço de manei­ra natu­ral. Um con­teú­do patro­ci­na­do “enges­sa­do” pode afu­gen­tar os con­su­mi­do­res tan­to da mar­ca quan­to do per­fil nas redes soci­ais. Con­tra­ta­da pela GoPro, a blo­guei­ra Tha­ta Luz fala sobre via­gens e espor­tes em sua con­ta no Ins­ta­gram. “Pro­cu­ro tra­ba­lhar com pro­du­tos que real­men­te gos­to e uso, assim sem­pre sou autên­ti­ca”, afir­ma. Outro influ­en­cer con­tra­ta­do pela fabri­can­te de câme­ras é o pau­lis­ta Andrews San­ta­na, que mos­tra o seu dia a dia de via­gens e prá­ti­ca de espor­tes no Ins­ta­gram. Com qua­se 25 mil segui­do­res, ele acre­di­ta que o segre­do da auten­ti­ci­da­de está em um bom bri­e­fing. Tem dado cer­to. O jovem já fir­mou par­ce­ria com diver­sas mar­cas, entre elas Smir­noff, Peu­ge­ot, Rexo­na e Bus­ca­pé. Conhe­ci­da como Cami­li­nha no Ins­ta­gram, Cami­la Agos­tin tam­bém garan­te que só com­par­ti­lha con­teú­dos que agre­guem valor ao seu públi­co. “Isso vale para todas as apre­sen­ta­ções dos pro­du­tos e ser­vi­ços”, diz ela.

5 LIÇÕES NA HORA DE CON­TRA­TAR UM INFLU­EN­CI­A­DOR

1. Os influ­en­ci­a­do­res mais popu­la­res são os mais reco­men­da­dos para a expo­si­ção de mar­ca, enquan­to os microin­flu­en­ci­a­do­res podem ofe­re­cer melhor con­ver­são dire­ta em ven­das

2. É pre­ci­so ana­li­sar todo o his­tó­ri­co de um influ­en­ci­a­dor e o quan­to ele tem de fit com a mar­ca antes de se asso­ci­ar a ele. Bas­ta um des­li­ze para com­pro­me­ter a cre­di­bi­li­da­de cons­truí­da

3. Dar liber­da­de aos pro­du­to­res de con­teú­do é essen­ci­al. Um con­teú­do patro­ci­na­do “enges­sa­do” pode afu­gen­tar os con­su­mi­do­res tan­to da mar­ca quan­to do per­fil nas redes soci­ais

4. Tem algum pre­con­cei­to com influ­en­ci­a­do­res? Lem­bre-se: seus segui­do­res podem gos­tar deles!

5. Não se esque­ça que o públi­co con­fia mui­tas vezes mais nos influ­en­ci­a­do­res do que nos canais tra­di­ci­o­nais de publi­ci­da­de ou infor­ma­ção

O ELO

  Na mai­or par­te das vezes, as empre­sas e os influ­en­ci­a­do­res con­tam com um faci­li­ta­dor: as pla­ta­for­mas de mar­ke­ting de influên­cia. Empre­sas como Influu, InCast, Squid, Cele­bryts e Digi­tal Influ­en­cers conec­tam as mar­cas aos per­fis famo­sos nas redes soci­ais. As pla­ta­for­mas desen­vol­vi­das por essas empre­sas usam algo­rit­mos para encon­trar o influ­en­ci­a­dor ide­al para as cam­pa­nhas. Além de fazer o “mat­ch”, as agên­ci­as pres­tam ser­vi­ços de con­sul­to­ria às mar­cas que que­rem tra­ba­lhar com os famo­sos da inter­net.

   A Influu, por exem­plo, garan­te que sua atu­a­ção vai além de ser um “Tin­der de influ­en­cers”. “A gen­te pro­mo­ve even­tos, pro­du­zi­mos con­teú­dos sobre mar­ke­ting de influên­cia e dis­po­ni­bi­li­za­mos mídia kit de quem se ins­cre­ve na nos­sa pla­ta­for­ma”, expli­ca Tali­ta Lom­bar­di. Já a Cele­bryts se esfor­ça para mos­trar aos cli­en­tes que os nomes suge­ri­dos estão dan­do retor­no. A empre­sa tem 50.000 influ­en­ci­a­do­res ins­cri­tos em sua pla­ta­for­ma, capaz de mos­trar em tem­po real os resul­ta­dos das cam­pa­nhas. “Em vez de indi­car alguém que pre­ci­sa­mos ven­der, nós indi­ca­mos alguém que real­men­te tenha rele­vân­cia com o públi­co com que a empre­sa quer se comu­ni­car”, diz Lean­dro Bra­vo, CMO da Cele­bryts.

   Como des­ta­cou o antro­pó­lo­go Michel Alco­fo­ra­do, em tem­pos nos quais o con­teú­do ganha cada vez mais rele­vân­cia dian­te de con­su­mi­do­res que cla­mam por trans­pa­rên­cia e auten­ti­ci­da­de, a influên­cia de quem se empo­de­ra nas redes soci­ais é um cami­nho sem vol­ta. Nes­se ecos­sis­te­ma, que envol­ve anun­ci­an­tes, agên­ci­as, influ­en­ci­a­do­res e con­su­mi­do­res, o like vai para quem sou­ber dar o tiro mais cer­tei­ro.