SUSANN SCH­RO­NEN

CEO da Ber­lin Scho­ol of Cre­a­ti­ve Lea­dership

O QUE OS ERROS DA SUA ORGA­NI­ZA­ÇÃO ESTÃO TEN­TAN­DO LHE DIZER?

O QUE OS ERROS DA SUA ORGA­NI­ZA­ÇÃO ESTÃO TEN­TAN­DO LHE DIZER?

SUSANN SCH­RO­NEN
CEO da Ber­lin Scho­ol of Cre­a­ti­ve Lea­dership

SUSANN SCH­RO­NEN
CEO da Ber­lin Scho­ol of Cre­a­ti­ve Lea­dership

Geren­ci­a­men­to de erros não é um fenô­me­no nega­ti­vo e sim algo que vale ser estu­da­do, como fon­te de cri­a­ti­vi­da­de e de des­co­ber­ta de novas opor­tu­ni­da­des”

  Um erro pode ser con­si­de­ra­do ape­nas um des­vio na tri­lha de uma orga­ni­za­ção rumo a um empre­en­di­men­to de suces­so, ou pode ser enca­ra­do com humil­da­de e, por que não, como uma por­ta para a cri­a­ti­vi­da­de, para bus­car novas solu­ções nun­ca ima­gi­na­das? Lon­ge de visões sim­plis­tas ou dema­si­a­da­men­te oti­mis­tas, um erro não igno­ra­do é sem­pre um apren­di­za­do para que expe­ri­ên­ci­as futu­ras pos­sam ser mais bem exe­cu­ta­das.

  Recen­te­men­te, con­ver­sa­mos com Jan Hagen e Paul Ver­din sobre as pré-con­cep­ções a res­pei­to do geren­ci­a­men­to de erros den­tro das orga­ni­za­ções e como explo­rar seu papel nos negó­ci­os, na polí­ti­ca e nos desa­fi­os glo­bais. Jan Hagen é um Pro­fes­sor Asso­ci­a­do na Euro­pe­an Scho­ol of Mana­ge­ment and Tech­no­logy em Ber­lim cujo tra­ba­lho e pes­qui­sa se debru­çam sobre como as orga­ni­za­ções lidam com os erros. Paul Ver­din é mem­bro do board aca­dê­mi­co da Ber­lin Scho­ol, na qual ensi­na Estra­té­gia e Cri­a­ção de Valor. Sele­ci­o­nei aqui três pon­tos que acre­di­to serem os que mais se des­ta­ca­ram nes­ta con­ver­sa:

 

 QUAL É A PRI­MEI­RA PRÉ-CON­CEP­ÇÃO SOBRE GEREN­CI­A­MEN­TO DE ERROS QUE VOCÊ ACON­SE­LHA­RIA AS PES­SO­AS A DESA­PREN­DE­REM?
Paul Ver­din: A pri­mei­ra e mais óbvia é que geren­ci­a­men­to de erros não é um fenô­me­no nega­ti­vo e sim algo que vale ser estu­da­do, como fon­te de cri­a­ti­vi­da­de e de des­co­ber­ta de novas opor­tu­ni­da­des. Ao mes­mo tem­po, é impor­tan­te enten­der que um erro não é algo que deve­mos evi­tar ou mini­mi­zar – é algo que deve­mos enca­rar e abra­çar.

 

COMO VOCÊ DEFI­NI­RIA AS DIFE­REN­ÇAS ENTRE OS ERROS E FRA­CAS­SOS E AS CRI­SES?
Jan Hagen: Um erro em si pode não con­du­zir a um melhor resul­ta­do no final, mas, se você teve um melhor resul­ta­do no final, qua­se sem­pre ele é fru­to de uma suces­são de erros ante­ri­o­res, por­que uma vitó­ria vem de diver­sas ten­ta­ti­vas con­si­de­ra­das fra­cas­sa­das. Isso cria um pré-requi­si­to para evi­tar fra­cas­sos: se você enten­de que um erro é ape­nas uma ocor­rên­cia – um des­vio. Mas, se é pego a tem­po, não dei­xa con­sequên­ci­as nega­ti­vas. Enquan­to no fra­cas­so sim, você, de fato, tem algo que saiu com­ple­ta­men­te fora do espe­ra­do. Então a prin­ci­pal ideia do geren­ci­a­men­to de erros é fazer com que as empre­sas fiquem mais segu­ras para tra­ba­lhar melhor, como no exér­ci­to, na avi­a­ção etc. – eles têm de evi­tar desas­tres, e uma manei­ra de fazer isso é lidar com os erros tão logo acon­te­çam.

 

  EXIS­TE ALGUM FRA­CAS­SO MONU­MEN­TAL NA HIS­TÓ­RIA PELO QUAL VOCÊS SEM­PRE FORAM FAS­CI­NA­DOS?
Jan Hagen: Eu venho de Ber­lim, na Ale­ma­nha, e acre­di­to que todos estão fami­li­a­ri­za­dos com as atro­ci­da­des ina­cre­di­tá­veis que acon­te­ce­ram lá ao lon­go dos tem­pos. E algo que sem­pre me cha­mou a aten­ção e me dei­xou curi­o­so é como as pes­so­as con­se­gui­ram seguir algo que vai tão con­tra suas cren­ças e sua cri­a­ção e for­ma­ção cul­tu­ral, igno­ran­do tudo isso e seguin­do uma dire­ção que é tão obvi­a­men­te equi­vo­ca­da. Eu gos­ta­ria de pas­sar mais tem­po ten­tan­do enten­der o que faz as pes­so­as segui­rem algo tão cla­ra­men­te erra­do, como os mili­ta­res, por exem­plo – como as pes­so­as com aque­le tipo de back­ground con­se­gui­ram se envol­ver naqui­lo? Para mim, ain­da é incom­pre­en­sí­vel.

Por fim, dei­xo a refle­xão: quais erros da sua orga­ni­za­ção você está tra­tan­do como mai­o­res do que são, ou não está dan­do a devi­da aten­ção? Faça o exer­cí­cio e ten­te encon­trar os apren­di­za­dos que já pode­rão ser apli­ca­dos daqui pra fren­te.

Geren­ci­a­men­to de erros não é um fenô­me­no nega­ti­vo e sim algo que vale ser estu­da­do, como fon­te de cri­a­ti­vi­da­de e de des­co­ber­ta de novas opor­tu­ni­da­des”