REBE­CA DE MORA­ES

Dire­to­ra da Sole­dad

Onde não há pon­tes,

há muros

Onde não há pon­tes,

há muros

REBE­CA DE MORA­ES

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REBE­CA DE MORA­ES

Dire­to­ra da Sole­dad

Esta­mos reven­do o que é bási­co, o que não pode­mos viver sem”

Algu­mas sema­nas atrás, fui visi­tar um cli­en­te e pre­sen­ci­ei uma cena que me fez pen­sar. Uma gran­de indús­tria, que pro­duz cos­mé­ti­cos. Na recep­ção do gigan­te pré­dio, que detém escri­tó­ri­os e tam­bém a pro­du­ção, eu aguar­da­va o dire­tor que me rece­be­ria. Antes de mim, na fila, um homem con­ver­sa­va com a recep­ci­o­nis­ta e tirou da pas­ta duas folhas A4, seu cur­rí­cu­lo. Que­ria dei­xar lá para caso hou­ves­se uma vaga de chão de fábri­ca. A moça, atrás de um com­pu­ta­dor, ao lado de um celu­lar e usan­do fones de ouvi­do, que a conec­ta­vam com um tele­fo­ne que mais pare­cia uma tela de coman­do do dese­nho “Os Jet­sons”, se apres­sou ao res­pon­der: “Não rece­be­mos cur­rí­cu­los em papel”. O rapaz, sur­pre­so, revi­dou: “Mas como faço para ten­tar uma vaga na lim­pe­za, no chão de fábri­ca?”. Ela con­ti­nu­ou: “Você tem de entrar no nos­so site e envi­ar seu Lin­ke­dIn”.

A cena, que pare­ce cor­ri­quei­ra, é mais comum do que pare­ce e apon­ta para uma ten­dên­cia que cha­ma­mos de “Bási­cos Revis­tos”: o que antes era con­si­de­ra­do luxo pas­sa a ser obri­ga­tó­rio para garan­tir a exis­tên­cia no mun­do em que vive­mos. Se cone­xão, redes soci­ais e inter­net eram con­si­de­ra­das um plus na vida de alguém, nos pró­xi­mos anos pas­sa a ser con­di­ção para inclu­são. O rapaz que encon­trei não pode­rá ter empre­go na lim­pe­za de uma fábri­ca se não esti­ver conec­ta­do, se não exis­tir on-line. Ele cer­ta­men­te não é exce­ção.

Se hoje em dia não pode­mos viver sem cone­xão, sem seguir as vidas daque­les em quem esta­mos inte­res­sa­dos, smartpho­nes e redes soci­ais são os novos bási­cos da vida moder­na. Esta­mos reven­do o que é bási­co, o que não pode­mos viver sem. Isso nos aju­da a enxer­gar como não per­der a cone­xão com o con­tem­po­râ­neo e com o mun­do de cada pes­soa. Por­tan­to, as Nações Uni­das colo­cam o aces­so à inter­net como um direi­to huma­no fun­da­men­tal, como “uma fer­ra­men­ta indis­pen­sá­vel para alcan­çar diver­sos direi­tos huma­nos, com­ba­ter a desi­gual­da­de e ace­le­rar o desen­vol­vi­men­to e o pro­gres­so huma­no”. Da polí­ti­ca até a fé, pare­ce que tudo está sen­do toca­do por algo­rit­mos não cons­ci­en­tes mas alta­men­te inte­li­gen­tes que logo pode­rão nos conhe­cer melhor do que conhe­ce­mos a nós mes­mos.

Mas, então, que novos bási­cos são esses sem os quais não vamos exis­tir nos pró­xi­mos anos? Entre os Bási­cos Revis­tos, a voz é o vetor de mudan­ça mais cru­ci­al nos pró­xi­mos anos. A voz é o que vai subs­ti­tuir a inte­ra­ção “tou­ch scre­en”, o que é obri­ga­tó­rio den­tro da rela­ção que os con­su­mi­do­res cons­tro­em com os ele­trô­ni­cos hoje em dia. Tor­na-se uma for­ma neces­sá­ria de aces­si­bi­li­da­de. Se comu­ni­da­des se tor­nam mais seg­men­ta­das, o segun­do pas­so nes­sa ten­dên­cia, a Gera­ção Ctrl Z (que tem em média 17 a 21 anos) está entran­do no mer­ca­do de tra­ba­lho e nos pró­xi­mos anos será uma par­te sig­ni­fi­ca­ti­va da ren­da. Eles já estão rejei­tan­do redes soci­ais mais exten­sas como o Face­bo­ok e bus­can­do comu­ni­da­des on-line meno­res, mais foca­das em seus pró­pri­os inte­res­ses.

Esta­mos reven­do o que é bási­co, o que não pode­mos viver sem”