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ARTI­GO

Por que o design inclu­si­vo ganhou tan­ta impor­tân­cia nos últi­mos anos

Mané Bra­sil
Faci­li­ta­dor dos cur­sos de Mar­ke­ting Digi­tal e UX Lab na Hyper Island Bra­sil

Design inclu­si­vo é uma manei­ra de pen­sar. A pri­mí­cia é que, quan­do dese­nha­mos uma solu­ção, tam­bém deci­di­mos quem fica de fora e quem fica den­tro e, por mais que seja impos­sí­vel cri­ar algo uni­ver­sal­men­te aces­sí­vel a todos, deve­mos sem­pre bus­car incluir o mai­or núme­ro de pes­so­as. Por mais que essa mis­são seja impos­sí­vel, exis­tem deze­nas de van­ta­gens ao ter o design inclu­si­vo como um dos pila­res da cul­tu­ra da sua empre­sa.

O núme­ro de inven­ções que sur­gi­ram como uma solu­ção para pes­so­as com defi­ci­ên­cia e se tor­na­ram popu­la­res para todo o mun­do é mui­to mai­or do que se ima­gi­na. Vou citar ape­nas dois casos: a máqui­na de escre­ver e o iPho­ne. No come­ço do sécu­lo 19, o inven­tor ita­li­a­no Pel­le­gri­no Tur­ri desen­vol­veu a pri­mei­ra máqui­na de escre­ver para poder tro­car car­tas sigi­lo­sas com uma ami­ga que esta­va fican­do cega. Já no caso do Ipho­ne, Ste­ve Jobs com­prou a paten­te da tela tou­chs­cre­en de uma empre­sa espe­ci­a­li­za­da em solu­ções tec­no­ló­gi­cas para pes­so­as com defi­ci­ên­cia moto­ra. Pen­sar em solu­ções para pes­so­as com neces­si­da­des espe­cí­fi­cas nos faz pen­sar fora da cai­xa e cria espa­ço para a ino­va­ção.

Quan­do fala­mos em design inclu­si­vo, não pode­mos nos base­ar em nos­sas pró­pri­as habi­li­da­des e neces­si­da­des. É pre­ci­so ves­tir os sapa­tos de quem vai usar a solu­ção, ouvir com aten­ção, fazer entre­vis­tas e pes­qui­sas. Essa cul­tu­ra tam­bém vai fazer você enten­der – e se apro­xi­mar de – todos os seus con­su­mi­do­res.
Por mui­to tem­po, aces­si­bi­li­da­de era vis­ta como um gas­to sem retor­no, mas, em tem­pos de big data, as gigan­tes de tec­no­lo­gia viram na pon­ta do lápis que inves­tir em inclu­são aumen­ta a base de con­su­mi­do­res e o fatu­ra­men­to. Segun­do o Ban­co Mun­di­al, 1 bilhão de pes­so­as, ou 15% da popu­la­ção mun­di­al, sofrem de algum tipo de defi­ci­ên­cia. Atra­vés da tec­no­lo­gia, esse gru­po está ganhan­do aces­so e visi­bi­li­da­de, e excluí-lo limi­ta­rá o seu negó­cio.

“Design inclu­si­vo é uma manei­ra de pen­sar. A pri­mí­cia é que, quan­do dese­nha­mos uma solu­ção, tam­bém deci­di­mos quem fica de fora e quem fica den­tro e, por mais que seja impos­sí­vel cri­ar algo uni­ver­sal­men­te aces­sí­vel a todos, deve­mos sem­pre bus­car incluir o mai­or núme­ro de pes­so­as. Por mais que essa mis­são seja impos­sí­vel, exis­tem deze­nas de van­ta­gens ao ter o design inclu­si­vo como um dos pila­res da cul­tu­ra da sua empre­sa.”

Para ten­tar me colo­car no lugar de quem se sen­te excluí­do, fiz um exer­cí­cio recor­dan­do momen­tos da infân­cia em que eu fui dei­xa­do de fora de uma brin­ca­dei­ra ou jogo. Não pre­ci­sei ir lon­ge para me lem­brar como esse sen­ti­men­to é pés­si­mo. Dói como uma ofen­sa. Mes­mo nin­guém te agre­din­do, você sen­te que aqui­lo é con­tra você. Esse sen­ti­men­to de exclu­são é mui­to comum em pes­so­as que sofrem com algu­ma defi­ci­ên­cia e se depa­ram com algo incom­pa­tí­vel com as suas habi­li­da­des. Quan­do você inclui essas pes­so­as em seu negó­cio, você está fazen­do algo mui­to impor­tan­te para elas e dan­do a opor­tu­ni­da­de de elas con­tri­buí­rem com você.

Design inclu­si­vo tem impac­tos posi­ti­vos na cul­tu­ra de times, como aca­ba­mos de ver. Não é só sobre aces­si­bi­li­da­de; é tam­bém sobre como enten­der o seu con­su­mi­dor, fazer negó­ci­os, ter pro­pó­si­to e explo­rar a cri­a­ti­vi­da­de. É a cul­tu­ra de con­vi­dar mais pes­so­as para usa­rem os seus pro­du­tos e ser­vi­ços.