PRE­PA­RE-SE PARA O FIM DA IDA­DE MÉDIA

POR MELIS­SA LULIO

A SUBS­TI­TUI­ÇÃO DE MÉTO­DOS DE MEDI­ÇÃO ANTI­GOS PELO USO IDE­AL DOS DADOS PODE TRANS­FOR­MAR O DESEM­PE­NHO DAS EMPRE­SAS

sta­mos qua­se em 2020. Hoje, a conec­ti­vi­da­de já é algo cons­tan­te na vida de gran­de par­te das pes­so­as. De acor­do com a 30ª Pes­qui­sa Anu­al de Admi­nis­tra­ção e Uso de Tec­no­lo­gia da Infor­ma­ção nas Empre­sas, rea­li­za­da pela Fun­da­ção Getu­lio Var­gas de São Pau­lo (FGV-SP), divul­ga­da em abril de 2019, há 230 milhões de smartpho­nes ati­vos no País. Em com­pa­ra­ção com 2018, hou­ve um aumen­to de 10 milhões de celu­la­res.

Esse núme­ro repre­sen­ta ape­nas um pri­mei­ro pas­so de uma rea­li­da­de que ten­de a se inten­si­fi­car, espe­ci­al­men­te a par­tir da popu­la­ri­za­ção da Inter­net das Coi­sas (IoT). De acor­do com a Cis­co, a expec­ta­ti­va é que em 2030 haja 500 bilhões de devi­ces conec­ta­dos à inter­net – e entre eles pode estar a sua cafe­tei­ra.

Com isso, a rede será oni­pre­sen­te. Os dados, então, cir­cu­la­rão o tem­po todo. E o que será fei­to com eles? As pos­si­bi­li­da­des são inú­me­ras. A infor­ma­ção pode fazer com que as empre­sas tenham domí­nio daqui­lo que fazem e dos resul­ta­dos que geram. Mas será que elas estão pre­pa­ra­das para essa rea­li­da­de?

É assim que sur­ge a ideia de data-dri­ven, ou seja, de empre­sas que tomam deci­sões e ori­en­tam suas estra­té­gi­as com base naqui­lo que os dados mos­tram. Quem nas­ceu no ambi­en­te digi­tal tem mui­to mais faci­li­da­de para se encai­xar nes­se per­fil. É o caso da Ama­zon, por exem­plo. Por mais que ela atue por meio de um e‑commerce e con­te até mes­mo com espa­ços físi­cos, é ine­gá­vel que o cora­ção da empre­sa é a infor­ma­ção.

Para Dani­el Dome­neghet­ti, CEO da DOM Stra­tegy Part­ners, ain­da há mui­to avan­ço neces­sá­rio nes­se pro­ces­so. “O dado hoje é um insu­mo para um sis­te­ma que ope­ra de acor­do com um obje­ti­vo”, afir­ma. Ou seja, cada depar­ta­men­to tem um sis­te­ma que atua de manei­ra inde­pen­den­te, com uma base de dado exclu­si­va. Nes­se cená­rio, não é a infor­ma­ção que dire­ci­o­na as estra­té­gi­as da empre­sa ou a toma­da de deci­são dos exe­cu­ti­vos.

A mai­or par­te das empre­sas – não só no Bra­sil – conhe­ce essa rea­li­da­de. Quem é que não está se esfor­çan­do, dia após dia, para enten­der quais são os dados que estão espa­lha­dos pelos sis­te­mas inter­nos? Com a Lei Geral de Pro­te­ção de Dados (LGPD), o con­tex­to se agra­vou ain­da mais: o domí­nio dos insu­mos da empre­sa é urgen­te e neces­sá­rio, afi­nal, a lei entra em vigor em agos­to do pró­xi­mo ano.

Fora do Bra­sil, uma legis­la­ção seme­lhan­te já está em vigor des­de 2018. Apro­va­da em 2016, a GDPR (Gene­ral Data Pro­tec­ti­on Regu­la­ti­on ou, em por­tu­guês, Regu­la­men­to Geral sobre a Pro­te­ção de Dados) impôs regras ao uso de dados na União Euro­peia. Por mais que tenha colo­ca­do regras sobre o pro­ces­so, isso não ini­biu (e nem deve­ria) empre­sas que ansei­am por ter negó­ci­os dire­ci­o­na­dos por dados.

Ain­da assim, de acor­do com o Data & AI Sur­vey 2019/20, desen­vol­vi­do pelo even­to Big Data Expo e pelos con­sul­to­res de dados GoDa­ta­Dri­ven, 24% das empre­sas não tra­ba­lham com ciên­cia de dados ou pro­je­tos de aná­li­se avan­ça­dos. Os moti­vos não são tão sur­pre­en­den­tes: para 46%, o desa­fio é desen­vol­ver conhe­ci­men­to sobre Big Data e ciên­cia de dados; para 41%, ain­da é difí­cil con­se­guir o apoio dos ges­to­res.

Lai­la Cos­ta, Busi­ness Stra­tegy da Robby­son

DADOS NO CEN­TRO

Para que as empre­sas pos­sam ser de fato data-dri­ven, na visão de Dome­neghet­ti, é essen­ci­al inver­ter o flu­xo atu­al: o dado pre­ci­sa dei­xar de ser mais um com­po­nen­te de um sis­te­ma e se tor­nar a base a par­tir da qual o negó­cio será cons­truí­do. Para isso, é essen­ci­al que haja inves­ti­men­to, estra­té­gia e empe­nho, prin­ci­pal­men­te em empre­sas que nas­ce­ram fora do con­tex­to digi­tal. Con­tu­do, 25% dos entre­vis­ta­dos do Data & AI Sur­vey 2019/20 con­si­de­ram que a con­quis­ta do bud­get é o mai­or desa­fio envol­vi­do na cons­tru­ção de uma lógi­ca dire­ci­o­na­da por dados.

Todos esses desa­fi­os são, sim, uma rea­li­da­de. E é indis­pen­sá­vel que as empre­sas tenham cons­ci­ên­cia de cada um deles. Ain­da assim, é impre­te­rí­vel que bus­quem saí­das, afi­nal, o futu­ro dos negó­ci­os depen­de do uso cor­re­to dos dados. Sem eles, infor­ma­ções, insights, deci­sões e métri­cas fica­rão defa­sa­dos.

Lai­la Cos­ta, Busi­ness Stra­tegy da Robby­son, cha­ma esse pro­ces­so de “o fim da ida­de média”. O que a exe­cu­ti­va pro­põe é que, com aces­so a infor­ma­ções pre­ci­sas, as empre­sas pas­sem a medir seus KPIs com mais pre­ci­são. “A média sem­pre foi usa­da como uma refe­rên­cia posi­ti­va, mas, se ana­li­sar­mos, vere­mos que ela não é”, afir­ma. “O pró­prio sig­ni­fi­ca­do da pala­vra já defi­ne: média é tudo aqui­lo que é medío­cre, pas­sá­vel”.

DESA­FI­OS DE IMPLE­MEN­TA­ÇÃO
DE UM MÉTO­DO DE TRA­BA­LHO DATA-DRI­VEN

Fon­te: Data & AI Sur­vey 2019/20

EXE­CU­ÇÃO DE EXPE­RI­MEN­TOS COM DADOS

Fon­te: Data & AI Sur­vey 2019/20

QUAIS SÃO AS PRIN­CI­PAIS CARAC­TE­RÍS­TI­CAS DE UMA
ESTRA­TÉ­GIA DE DADOS DE SUCES­SO?

Fon­te: Data & AI Sur­vey 2019/20

PRIN­CI­PAIS DESA­FI­OS ENFREN­TA­DOS NA
IMPLE­MEN­TA­ÇÃO DE SOLU­ÇÕES DATA-DRI­VEN

Fon­te: Data & AI Sur­vey 2019/20

COM RECUR­SOS CAPA­ZES DE ANA­LI­SAR DADOS, PRE­VER SITU­A­ÇÕES E SUGE­RIR SOLU­ÇÕES, A ROBBY­SON COLA­BO­RA COM TODA A GES­TÃO DA INFOR­MA­ÇÃO

Como ela argu­men­ta, em um momen­to em que é pos­sí­vel ter infor­ma­ções sobre mui­tas variá­veis – tem­po, quan­ti­da­de, com­por­ta­men­to, per­fil –, é pre­ci­so supe­rar um méto­do de cál­cu­lo tão defa­sa­do. “Por isso, deci­di­mos rom­per com este con­cei­to e bus­car uma for­ma de enten­der e enga­jar pes­so­as para esta­rem todas aci­ma da média”, con­ta. “Os dados estão sen­do gera­dos e saber colhê-los e ana­li­sá-los será (ou já é) o gran­de dife­ren­ci­al”, acre­di­ta.

Foi assim que nas­ceu a pla­ta­for­ma Robby­son: adap­tá­vel, ela pode con­si­de­rar os KPIs ide­ais para cada mode­lo de negó­cio, como resul­ta­dos, cli­ma orga­ni­za­ci­o­nal, ade­rên­cia aos pro­ces­sos. “Pes­so­as são dife­ren­tes e seus resul­ta­dos tam­bém, por con­sequên­cia”, diz. “E, se tudo o que pode ser medi­do pode ser melho­ra­do, isso deve se esten­der à ges­tão de pes­so­as nas empre­sas”.

Com recur­sos capa­zes de ana­li­sar dados, pre­ver situ­a­ções e suge­rir solu­ções, a Robby­son cola­bo­ra com toda a ges­tão da infor­ma­ção. “Tudo isso é fei­to de for­ma per­so­na­li­za­da para que o ges­tor enten­da como auxi­li­ar seu cola­bo­ra­dor a per­for­mar aci­ma da média”, diz a exe­cu­ti­va.

BENE­FÍ­CI­OS

Com o “fim da ida­de média”, como expli­ca Lai­la, virá o impé­rio da exce­lên­cia – em pro­du­tos, ser­vi­ços, aten­di­men­to, pro­ces­sos e recur­sos huma­nos. Afi­nal, os dados per­mi­tem que o ges­tor sai­ba exa­ta­men­te quem é quem em sua equi­pe, como cada um pode ser moti­va­do, quais são os prin­ci­pais gar­ga­los e como ele pode atu­ar.

Além dis­so, traz tam­bém bene­fí­ci­os para os cola­bo­ra­do­res que ten­dem a gos­tar de saber que estão sen­do desa­fi­a­dos de for­ma jus­ta e trans­pa­ren­te, que podem ser recom­pen­sa­dos de for­ma per­so­na­li­za­da e com incen­ti­vos à cola­bo­ra­ção. “Uma pes­soa uti­li­zan­do o máxi­mo de seu poten­ci­al não impac­ta ape­nas o mer­ca­do, mas a soci­e­da­de como um todo”, argu­men­ta.

Outra van­ta­gem é que os dados tor­nam essa ges­tão mais asser­ti­va e impar­ci­al, pois é pos­sí­vel saber, com base em dados, como está a per­for­man­ce de alguém da equi­pe. E há mais: o pró­prio cola­bo­ra­dor sabe de seus resul­ta­dos e, por­tan­to, pode se auto­ge­rir. “Isso sig­ni­fi­ca trans­pa­rên­cia nas rela­ções hie­rár­qui­cas e mais obje­ti­vi­da­de”, diz Lai­la.

Além dis­so, os dados são um raio X da pro­du­ti­vi­da­de. Saben­do ana­li­sá-los, é pos­sí­vel iden­ti­fi­car os pro­ces­sos ou pon­tos que pre­ci­sam de melho­ria e tomar deci­sões com mais agi­li­da­de.