QUAL É O SEU POTEN­CI­AL DE INO­VA­ÇÃO?

INTE­GRAR TEC­NO­LO­GI­AS, PLA­NE­JAR E ENVOL­VER COLA­BO­RA­DO­RES SÃO ALGUNS DOS SEGRE­DOS DAS EMPRE­SAS MAIS PRE­PA­RA­DAS PARA A INO­VA­ÇÃO. VEJA QUEM SÃO ELAS

POR ALI­NE BAR­BO­SA E JADE CAS­TI­LHO

   Ino­var é gerar dinhei­ro novo. “Se isso não acon­te­ce, não é ino­va­ção, é novi­da­de”, diz o con­sul­tor em ino­va­ção sis­te­má­ti­ca Cle­men­te Nobre­ga. Para ele, é pre­ci­so que a empre­sa gere lucros e recei­tas com algo que não fazia par­te do seu pro­ces­so de tra­ba­lho. Mas, afi­nal, como a ino­va­ção pode ser usa­da de for­ma estra­té­gi­ca para os negó­ci­os? Para Gary Hamel, um dos fun­da­do­res da Stra­te­gos, con­sul­to­ria ame­ri­ca­na de ges­tão sedi­a­da em Chi­ca­go, um dos mitos da ino­va­ção é con­si­de­rar que gran­des idei­as já come­çam com gran­des pro­mes­sas. “É pre­ci­so se per­gun­tar: Que per­cen­tu­al de ima­gi­na­ção da minha empre­sa estou explo­ran­do? Quan­tos dos meus fun­ci­o­ná­ri­os podem dizer: tam­bém sou res­pon­sá­vel pela ino­va­ção?”, diz Hamel. Ele refor­ça, ain­da, que um dos segre­dos do suces­so é ter mui­tas idei­as, que come­çam peque­nas e ganham cor­po mais tar­de.

   A seguir, você con­fe­re as empre­sas mais pre­pa­ra­das para ino­var. De acor­do com o estu­do “Mais Madu­ras em Ino­va­ção”, da E‑Consulting, as com­pa­nhi­as que que­bram o con­cei­to pre­es­ta­be­le­ci­do do seu mode­lo de negó­cio são as mais pro­pen­sas a ino­var. Aqui, Dani­el Dome­neghet­ti, autor do estu­do e CEO da E‑Consulting, expli­ca os três tipos de ino­va­ção leva­das em con­si­de­ra­ção no levan­ta­men­to. “A ino­va­ção de rup­tu­ra é aque­la que muda um mer­ca­do, a eco­no­mia. A Uber, por exem­plo, é uma ino­va­ção de rup­tu­ra, por­que mudou a for­ma como os táxis tra­ba­lham. A de incre­men­to é aque­la em que você dá um pas­so em algo, se dife­ren­ci­an­do. A Vivo fazia aten­di­men­to via SAC e ago­ra uti­li­za sua assis­ten­te de voz, a inte­li­gên­cia arti­fi­ci­al Aura. Mas ela não está mudan­do o setor e sim o canal, a for­ma de fazer, ape­sar de con­ti­nu­ar fazen­do aten­di­men­to. Já a ino­va­ção de agre­ga­ção é qua­se uma ‘não ino­va­ção’. É o que no mer­ca­do não é mais con­si­de­ra­do ino­va­dor, mas na sua empre­sa é, por se tra­tar de algo que você não tinha”, diz o exe­cu­ti­vo.

A MANEI­RA MAIS ELE­GAN­TE DE DEFI­NIR O CON­CEI­TO É QUE INO­VA­ÇÃO SERIA A GERA­ÇÃO DE VALOR NOVO. SE ISSO NÃO ACON­TE­CE NÃO É INO­VA­ÇÃO, É NOVI­DA­DE

METO­DO­LO­GIA

   O estu­do desen­vol­vi­do pela E‑Consulting con­si­de­rou entre­vis­tas com cli­en­tes, con­su­mi­do­res, ana­lis­tas e espe­ci­a­lis­tas para ela­bo­rar um índi­ce de matu­ri­da­de de ino­va­ção em empre­sas naci­o­nais e inter­na­ci­o­nais. Para isso, foram atri­buí­dos alguns cri­té­ri­os de ran­que­a­men­to, divi­di­dos entre tan­gí­veis – per­cep­tí­veis aos olhos do con­su­mi­dor – e intan­gí­veis – rela­ci­o­na­dos à per­cep­ção do públi­co envol­vi­do na gera­ção de valor e pro­du­ção.

   Entre os con­cei­tos, foram deli­mi­ta­dos a per­cep­ção dos sta­kehol­ders, o reco­nhe­ci­men­to do públi­co atra­vés de pre­mi­a­ções e a aná­li­se de con­ta­tos nas redes soci­ais das mar­cas. O cres­ci­men­to rela­ti­vo à con­cor­rên­cia, com aná­li­se com­pa­ra­ti­va de fatu­ra­men­to; o volu­me de lan­ça­men­tos de pro­du­tos, canais, pla­ta­for­mas e ser­vi­ços com o adven­to da tec­no­lo­gia no mer­ca­do e o inves­ti­men­to em ges­tão de pes­so­as; e infra­es­tru­tu­ra, pro­ces­sos e lide­ran­ças dedi­ca­das à ino­va­ção foram outros tópi­cos leva­dos em con­ta.

   A par­tir dos parâ­me­tros esta­be­le­ci­dos, os 3.600 entre­vis­ta­dos pre­ci­sa­ram clas­si­fi­car as empre­sas como ine­xis­ten­te, irre­le­van­te, pre­sen­te, rele­van­te e refe­rên­cia para os seus cli­en­tes dire­tos. Já para os aspec­tos imper­cep­tí­veis ao con­su­mi­dor, os res­pon­den­tes ava­li­a­ram as com­pa­nhi­as como ino­va­ção ine­xis­ten­te, ini­ci­an­te, medi­a­na, dife­ren­ci­a­da e ben­ch­mark. Cada cri­té­rio e atri­bui­ção con­fe­ri­ram às empre­sas uma nota de 0 a 10.

   Ao fim da aná­li­se, foram esco­lhi­das como madu­ras em ino­va­ção as 25 pri­mei­ras colo­ca­das de cada setor, como tec­no­lo­gia, bens de con­su­mo durá­veis, bele­za, segu­ros, vare­jo, entre outros. Con­fi­ra:

TIPOS DE INO­VA­ÇÃO

INO­VA­ÇÃO DE PRO­DU­TO:
são modi­fi­ca­ções nos atri­bu­tos do pro­du­to, alte­ran­do a for­ma como ele é per­ce­bi­do pelos con­su­mi­do­res

INO­VA­ÇÃO DE PRO­CES­SO:
tra­ta das mudan­ças no pro­ces­so. Não gera, neces­sa­ri­a­men­te, impac­to no pro­du­to final, mas pro­duz bene­fí­ci­os em seu desen­vol­vi­men­to, geral­men­te com aumen­tos de pro­du­ti­vi­da­de e redu­ção de cus­tos

INO­VA­ÇÃO DE MODE­LO DE NEGÓ­CIO:
con­si­de­ra mudan­ças na for­ma como o pro­du­to ou o ser­vi­ço é ofe­re­ci­do

INO­VA­ÇÃO INCRE­MEN­TAL:
refle­te peque­nas melho­ri­as em pro­du­tos ou em linhas de pro­du­tos. Geral­men­te repre­sen­ta peque­nos avan­ços nos bene­fí­ci­os per­ce­bi­dos pelo con­su­mi­dor. No entan­to, não modi­fi­ca de for­ma expres­si­va a for­ma como o pro­du­to é con­su­mi­do

INO­VA­ÇÃO RADI­CAL:
repre­sen­ta uma mudan­ça drás­ti­ca na manei­ra pela qual o pro­du­to ou o ser­vi­ço é con­su­mi­do

Fon­te: E‑Consulting

MELHO­RES EM POTEN­CI­AL DE INO­VA­ÇÃO POR SETOR

1º Goo­gle
2º Apple
3º Nubank
4º Net­flix
5º Maga­zi­ne Lui­za
6º Hos­pi­tal Albert Eins­tein
7º Nike
8º San­tan­der
9º Natu­ra
10º Star­bucks

Goo­gle apos­ta em ações que pro­mo­vam o desen­vol­vi­men­to dos fun­ci­o­ná­ri­os em prol de ini­ci­a­ti­vas posi­ti­vas à empre­sa

1. GOO­GLE

SEM FÓR­MU­LA PARA INO­VAR

   Não exis­te recei­ta pron­ta quan­do o assun­to é ino­va­ção. Esse tal­vez seja o segre­do do Goo­gle, a empre­sa mais madu­ra nes­se que­si­to segun­do o estu­do da E‑Consulting. Isso por­que a expe­ri­ên­cia é base­a­da na cri­a­ção de um ambi­en­te aber­to, com con­tra­ta­ção de cola­bo­ra­do­res diver­sos, com liber­da­de e auto­no­mia. Não à toa, o Goo­gle anun­cia novos pro­du­tos e fun­ci­o­na­li­da­des cons­tan­te­men­te e assu­me a mis­são de orga­ni­zar as infor­ma­ções do mun­do e tor­ná-las uni­ver­sal­men­te aces­sí­veis e úteis. De acor­do com Flá­via Ver­gi­nel­li, dire­to­ra de Pro­du­tos e Solu­ções do Goo­gle Bra­sil, tor­nar a ino­va­ção con­so­li­da­da na orga­ni­za­ção é par­te vali­o­sa do modo como as pes­so­as pen­sam, atu­am e inte­ra­gem. “Enco­ra­ja­mos nos­sos fun­ci­o­ná­ri­os a pas­sar 20% de seu tem­po tra­ba­lhan­do em pro­je­tos com os quais acre­di­tem que pode­ri­am bene­fi­ci­ar a empre­sa de algu­ma for­ma”, diz ela. “Nos­so segre­do é refle­tir, todos os dias, o quan­to somos rele­van­tes para nos­sos usuá­ri­os e cli­en­tes e como eles podem usar nos­sos ser­vi­ços para que suas vidas sejam mais sim­ples e fáceis e para que seus negó­ci­os cres­çam”.

Apple se pre­pa­ra para abrir con­cor­rên­cia tam­bém no mer­ca­do de stre­a­ming com o lan­ça­men­to da Apple TV+

2. APPLE

A GIGAN­TE EM FOR­MA­TO DE MAÇÃ

Impos­sí­vel defi­nir o con­cei­to de ino­va­ção sem res­va­lar na gigan­te cri­a­da por Ste­ve Jobs nos anos 70. A empre­sa ame­ri­ca­na, que revo­lu­ci­o­nou a era dos com­pu­ta­do­res pes­so­ais com os tra­di­ci­o­nais Macs, tam­bém é uma das mais pode­ro­sas do mun­do em valor de mer­ca­do. Ficou na segun­da posi­ção no ran­king mais recen­te ela­bo­ra­do pela con­sul­to­ria bri­tâ­ni­ca de estra­té­gia de negó­ci­os Brand Finan­ce com cifras que supe­ram os US$ 153 bilhões. Van­guar­dis­ta, pro­vo­cou uma ver­da­dei­ra revo­lu­ção tec­no­ló­gi­ca e levou con­si­go milhões de con­su­mi­do­res ávi­dos por novi­da­des. Lan­çou os iPods e a loja vir­tu­al iTu­nes e mudou de vez o mer­ca­do digi­tal musi­cal. Fun­diu o devi­ce na for­ma de um apa­re­lho celu­lar para cri­ar o Ipho­ne e popu­la­ri­zou a indús­tria das super­fí­ci­es sen­sí­veis ao toque e, pos­te­ri­or­men­te, o reco­nhe­ci­men­to faci­al. Sem falar das câme­ras de últi­ma gera­ção. Com os iPads, cri­ou uma fun­ci­o­na­li­da­de que sequer exis­tia e pos­si­bi­li­tou o uso de inú­me­ros recur­sos mul­ti­mí­dia ao toque de tela e sem a neces­si­da­de de mou­se ou tecla­dos físi­cos. Nos últi­mos tem­pos, a empre­sa tam­bém anun­ci­ou sua estra­té­gia de focar outros nichos e abriu con­cor­rên­cia no mer­ca­do de stre­a­ming com o anún­cio da Apple TV+. A esti­ma­ti­va, inclu­si­ve, é de que ultra­pas­se a gigan­te do setor, Net­flix, em ape­nas um ano.


Que­ri­di­nha dos bra­si­lei­ros, fin­te­ch tem con­cen­tra­do inves­ti­men­tos no apri­mo­ra­men­to do ser­vi­ço

3. NUBANK

DIRE­TO NA DOR DO CLI­EN­TE

   Con­tas sem cobran­ça de taxas abu­si­vas e ine­xis­tên­cia de agên­cia e de filas qui­lo­mé­tri­cas. Essa é a pro­mes­sa e a entre­ga do Nubank. Mais do que um car­tão roxo, a fin­te­ch bra­si­lei­ra, pre­mi­a­da como a mais ino­va­do­ra da Amé­ri­ca Lati­na pela revis­ta ame­ri­ca­na Fast Com­pany, tam­bém foi a úni­ca bra­si­lei­ra no ran­king das mais pro­mis­so­ras no mun­do divul­ga­do em 2019. De acor­do com a empre­sa, as três gran­des ino­va­ções do Nubank se con­cen­tram no pró­prio mode­lo de negó­cio: no pro­du­to, na NuCon­ta e no aten­di­men­to ao seu con­su­mi­dor. “O Nubank sur­giu de um incô­mo­do dian­te da situ­a­ção dos ser­vi­ços finan­cei­ros no Bra­sil. Antes de a empre­sa ser cri­a­da, ter uma con­ta-cor­ren­te ou um car­tão de cré­di­to no Bra­sil era sinô­ni­mo de taxas abu­si­vas, filas inter­mi­ná­veis e mui­to des­con­ten­ta­men­to. Na prá­ti­ca, o Nubank não cri­ou nenhum pro­du­to novo, mas res­sig­ni­fi­cou a manei­ra como os bra­si­lei­ros podem lidar com o dinhei­ro deles”, diz a empre­sa. Entre os recen­tes inves­ti­men­tos no apri­mo­ra­men­to do ser­vi­ço, a empre­sa des­ta­ca o uso de design e data sci­en­ce para que os cli­en­tes pos­sam gerir seus gas­tos em tem­po real, ajus­tar seus limi­tes, blo­que­ar e des­blo­que­ar car­tões e gerar bole­tos.

Ser­vi­ço de stre­a­ming vem ino­van­do para fre­ar a con­cor­rên­cia

4. NET­FLIX

UM CASO DE AMOR

   Con­si­de­ra­da umas das mais poten­tes pro­du­to­ras de stre­a­ming da atu­a­li­da­de, a Net­flix – que che­gou ao Bra­sil em 2011 – se tor­nou case de ino­va­ção e favo­ri­tis­mo no País e colo­cou em dúvi­da o futu­ro das TVs a cabo. Além das séri­es e dos fil­mes ori­gi­nais, a empre­sa cha­mou aten­ção com o lan­ça­men­to da pri­mei­ra expe­ri­ên­cia de con­teú­do inte­ra­ti­vo para adul­tos, o fil­me “Black Mir­ror: Ban­ders­nat­ch”. O suces­so foi tan­to que lhe ren­deu um Emmy na cate­go­ria “Melhor Fil­me de Tele­vi­são”. Recen­te­men­te, incluiu novos recur­sos que melho­ram a expe­ri­ên­cia dos assi­nan­tes, como o Smart Down­lo­ad.

   A opção per­mi­te que o usuá­rio pos­sa bai­xar um epi­só­dio iné­di­to de uma série auto­ma­ti­ca­men­te no apli­ca­ti­vo do celu­lar e assis­tir mes­mo no modo off-line. “Esta­mos cons­tan­te­men­te apri­mo­ran­do a expe­ri­ên­cia de nos­sos mem­bros, cri­an­do as melho­res his­tó­ri­as em qual­quer lugar e conec­tan­do-as com o públi­co em todo o mun­do. For­ne­ce­mos fer­ra­men­tas neces­sá­ri­as para encon­trar o pró­xi­mo show pelo qual vão se apai­xo­nar, sem se pre­o­cu­pa­rem com bar­rei­ras geo­grá­fi­cas ou de idi­o­ma”, expli­ca a empre­sa.

Pro­je­tos como “Maga­zi­ne Você” e “Bob” colo­cam o Maga­lu na linha de fren­te das gran­des vare­jis­tas

5. MAGA­ZI­NE LUI­ZA

TEO­RIA EM PRÁ­TI­CA

   Com mais de mil lojas espa­lha­das pelo Bra­sil, as quais empre­gam cer­ca de 12 mil cola­bo­ra­do­res, o Maga­zi­ne Lui­za se pre­pa­ra para a era da digi­ta­li­za­ção do vare­jo bra­si­lei­ro. O e‑commerce já repre­sen­ta 38% do total comer­ci­a­li­za­do pela empre­sa e um dos segre­dos para o suces­so de ven­das pode ser atri­buí­do ao Lui­za Labs, o cen­tro de pes­qui­sa e desen­vol­vi­men­to do Maga­lu. Res­pon­sá­vel por gran­des pro­je­tos, entre eles o “Maga­zi­ne Você” e o “Bob” – apli­ca­ção de Big Data res­pon­sá­vel por todas as reco­men­da­ções de pro­du­tos do magazineluiza.com – a estru­tu­ra entre­ga pro­je­tos em até três meses.

   Dani­el Cas­si­a­no, dire­tor do Lui­za Labs, afir­ma que a impor­tân­cia da uni­da­de de negó­ci­os vai além do desen­vol­vi­men­to de solu­ções e impac­ta a cul­tu­ra da empre­sa. “O Labs nas­ceu com a ideia de trans­for­mar o mind­set da empre­sa. A nos­sa atu­a­ção aqui é mui­to pelo exem­plo. Nun­ca fomos uma área de ‘pales­tri­nha’”, comen­ta o exe­cu­ti­vo. Outra novi­da­de anun­ci­a­da recen­te­men­te é seu pro­ces­so de sele­ção de star­tups com solu­ções digi­tais que aju­dem a melho­rar a expe­ri­ên­cia do cli­en­te. Serão pré-sele­ci­o­na­das 20 para apre­sen­ta­rem seus ser­vi­ços. Ao final, o Maga­zi­ne Lui­za deve esco­lher pelo menos 5 para con­tra­ta­ção.

Albert Eins­tein se ali­ou a star­tups para fomen­tar o ecos­sis­te­ma de desen­vol­vi­men­to em saú­de

6. ALBERT EINS­TEIN

INO­VA­ÇÃO NO DNA

   Em fun­ci­o­na­men­to há qua­se dois anos, a Eretz.Bio – incu­ba­do­ra de star­tups de saú­de da Soci­e­da­de Bene­fi­cen­te Isra­e­li­ta Bra­si­lei­ra Albert Eins­tein – con­cen­tra os esfor­ços em ino­va­ção da empre­sa. Com o obje­ti­vo de fomen­tar o ecos­sis­te­ma de desen­vol­vi­men­to em saú­de, a ini­ci­a­ti­va traz opor­tu­ni­da­de para a tro­ca entre novos empre­en­de­do­res. Além da incu­ba­do­ra, a com­pa­nhia con­ta com o Cen­tro de Ino­va­ção Tec­no­ló­gi­ca, uma estru­tu­ra dedi­ca­da ao fomen­to, à aná­li­se e ao apoio ao desen­vol­vi­men­to de ino­va­ção, que esti­mu­la e coor­de­na vári­as par­ce­ri­as nes­sa área com uni­ver­si­da­des, cen­tros de pes­qui­sa e for­ne­ce­do­res. Entre os recur­sos empre­ga­dos pela empre­sa, Sid­ney Klaj­ner, pre­si­den­te da Soci­e­da­de Bene­fi­cen­te Isra­e­li­ta Bra­si­lei­ra Albert Eins­tein, refor­ça a tele­me­di­ci­na, o uso de dados e o machi­ne lear­ning para inter­na­ção de paci­en­tes.

   “Algu­mas das suges­tões dos cola­bo­ra­do­res já estão sen­do apli­ca­das na roti­na do hos­pi­tal, como mode­los pre­di­ti­vos de esca­la do pron­to aten­di­men­to, medi­do­res de ris­co de rein­ter­na­ção e ajus­tes no apli­ca­ti­vo ‘Meu Eins­tein’, que é vol­ta­do aos paci­en­tes. Exis­tem mais de 30 pro­je­tos em anda­men­to, em dife­ren­tes momen­tos de matu­ra­ção”, com­ple­ta.

Mui­to além do espor­te, Nike ampli­ou suas ações para pro­mo­ver a igual­da­de no fute­bol

7. NIKE

ESPOR­TE INTE­LI­GEN­TE

   A Nike pos­sui uma lon­ga his­tó­ria que mere­ce todo o seu reco­nhe­ci­men­to mun­di­al. Com o lan­ça­men­to do Nike Adapt BB – mode­lo de tênis inte­li­gen­te – a empre­sa con­se­guiu se des­ta­car no cená­rio atu­al em meio às tec­no­lo­gi­as. “Enten­de­mos que o públi­co está cada vez mais conec­ta­do e for­te­men­te liga­do às redes soci­ais e, por isso, temos ado­ta­do estra­té­gi­as cada vez mais digi­tais para alcan­çar esse con­su­mi­dor e ins­pi­rar uma nova gera­ção de atle­tas”, expli­ca Dani­el Paz, dire­tor sêni­or de Mar­ke­ting da Nike do Bra­sil. Sem­pre aten­ta ao uni­ver­so espor­ti­vo, a empre­sa inten­si­fi­cou suas ações este ano, visan­do o desen­vol­vi­men­to e a mai­or par­ti­ci­pa­ção das mulhe­res no fute­bol em ano de Mun­di­al de Fute­bol Femi­ni­no. Para as atle­tas de eli­te da Sele­ção Bra­si­lei­ra, ofe­re­ceu pela pri­mei­ra vez um uni­for­me com­ple­to, pen­sa­do e desen­vol­vi­do espe­ci­al­men­te para as joga­do­ras. As cami­sas 1 e 2 leva­ram a men­sa­gem espe­ci­al “Mulhe­res Guer­rei­ras do Bra­sil”, como um ato de ins­pi­ra­ção para ven­cer den­tro e fora de cam­po. “A Nike é uma mar­ca que está sem­pre em bus­ca de ino­va­ção. Isso está pre­sen­te em tudo o que faze­mos, o tem­po todo. Por con­ta dis­so, temos uma rela­ção estrei­ta com os atle­tas – a nos­sa fon­te de ins­pi­ra­ção e os mai­o­res cola­bo­ra­do­res no desen­vol­vi­men­to dos pro­du­tos mais moder­nos”, res­sal­ta Paz.

San­tan­der Pass” e “San­tan­der One Pay” estão entre as ini­ci­a­ti­vas de trans­for­ma­ções digi­tais do ban­co

8. SAN­TAN­DER

FINAN­ÇAS VER­DES

Ao lon­go dos anos, o San­tan­der vem ampli­an­do a sua qua­li­da­de de ser­vi­ço. Bus­can­do novas expe­ri­ên­ci­as, a ins­ti­tui­ção pas­sou por uma série de trans­for­ma­ções digi­tais com estra­té­gi­as ino­va­do­ras para a indús­tria e o con­su­mi­dor. Um dos des­ta­ques foi o lan­ça­men­to do “San­tan­der Pass”, que pos­si­bi­li­ta paga­men­tos por apro­xi­ma­ção, uti­li­zan­do o mes­mo limi­te e senha do car­tão con­ven­ci­o­nal. Outra novi­da­de que che­gou ao mer­ca­do foi o “San­tan­der One Pay”, que faci­li­ta as trans­fe­rên­ci­as inter­na­ci­o­nais com a aju­da do block­chain.

Mul­ti­na­ci­o­nal bra­si­lei­ra segue a máxi­ma do desen­vol­vi­men­to sus­ten­tá­vel, ali­an­do seus pro­ces­sos a ini­ci­a­ti­vas ino­va­do­ras

9. NATU­RA

INO­VA­ÇÃO MUL­TI­DIS­CI­PLI­NAR

   Ao apos­tar no desen­vol­vi­men­to sus­ten­tá­vel com ingre­di­en­tes da soci­o­bi­o­di­ver­si­da­de bra­si­lei­ra, a Natu­ra – mai­or empre­sa mul­ti­na­ci­o­nal bra­si­lei­ra de cos­mé­ti­cos e bele­za – se fir­ma como uma das mais madu­ras em ino­va­ção. Com qua­tro áre­as dedi­ca­das a essa fren­te den­tro da orga­ni­za­ção, com seto­res como pro­du­tos, logís­ti­ca, comer­ci­al e digi­tal, trans­for­mar e pen­sar em novas solu­ções per­mi­te à mar­ca seguir na van­guar­da no mer­ca­do, como defi­ne Dani­el Gon­za­ga, dire­tor de Ino­va­ção em Pro­du­tos da empre­sa. “A for­ma de tra­ba­lho tam­bém está mudan­do, influ­en­ci­a­da pela cul­tu­ra empre­sa­ri­al. Uma empre­sa mais ágil, menos hie­rár­qui­ca, que dá mais auto­no­mia a cada cola­bo­ra­dor e tra­ba­lha em célu­las mul­ti­fun­ci­o­nais tam­bém faz par­te des­sa trans­for­ma­ção. Uma orga­ni­za­ção que pro­mo­ve mais o sen­so empre­en­de­dor de seus cola­bo­ra­do­res e, por isso, é tam­bém mui­to mais tole­ran­te a erros e evo­lu­ções”, afir­ma o dire­tor. Entre as ino­va­ções, ele des­ta­ca o Labo­ra­tó­rio de Desen­vol­vi­men­to de Fór­mu­las da Natu­ra na plan­ta de Caja­mar, em São Pau­lo, e a bioim­pres­so­ra de pele 3D, com a qual a com­pa­nhia pro­duz pele arti­fi­ci­al para tes­tar pro­du­tos e ingre­di­en­tes.

   “O uso da inte­li­gên­cia vir­tu­al nas pla­ta­for­mas digi­tais da Natu­ra tam­bém faz par­te da nos­sa estra­té­gia de ino­va­ção”, diz o exe­cu­ti­vo.

Novas tec­no­lo­gi­as pos­si­bi­li­tam que o con­su­mi­dor tenha aces­so a opções per­so­na­li­za­das

10. STAR­BUCKS

MAIS QUE UM CAFÉ

   A Star­bucks é uma ins­pi­ra­ção para empre­en­de­do­res de todo o mun­do que inves­tem cons­tan­te­men­te em novas expe­ri­ên­ci­as para os cli­en­tes. A cafe­te­ria recen­te­men­te lan­çou, em par­ce­ria com a Nes­tlé, uma nova linha de cafés “Star­bucks At Home”, com­pos­ta por 15 pro­du­tos. A novi­da­de con­ta com blends icô­ni­cos da Star­bucks – todos pro­du­zi­dos com café 100% ará­bi­ca de alta qua­li­da­de, pro­ve­ni­en­te de cul­ti­vos ambi­en­tal­men­te res­pon­sá­veis e total trans­pa­rên­cia econô­mi­ca. Com o lan­ça­men­to da linha, a mar­ca desen­vol­veu uma gôn­do­la inte­li­gen­te com ati­va­ção de rea­li­da­de aumen­ta­da. O apli­ca­ti­vo de AR é aces­sa­do por meio de um tablet dis­po­ní­vel em espa­ços ambi­en­ta­dos da cafe­te­ria. Ao apon­tar o dis­po­si­ti­vo para um mar­ca­dor impres­so no móvel, é pro­je­ta­do o holo­gra­ma de um embai­xa­dor da mar­ca, que apre­sen­ta um menu inte­ra­ti­vo com as opções de con­teú­do adi­ci­o­nais. A novi­da­de sur­ge com o obje­ti­vo de aju­dar as pes­so­as a conhe­ce­rem melhor os pro­du­tos e rea­li­za­rem uma com­pra mais dire­ci­o­na­da e ade­qua­da ao seu per­fil. “Que­re­mos que o con­su­mi­dor tenha em mãos ali, no momen­to da com­pra, todas as infor­ma­ções neces­sá­ri­as para fazer uma esco­lha asser­ti­va. Com as tec­no­lo­gi­as, con­se­gui­mos ter cada vez mais dados para ofe­re­cer opções per­so­na­li­za­das para a pes­soa ser aten­di­da em suas neces­si­da­des”, afir­ma Eri­ka Jun­quei­ra, head de Mar­ke­ting da Star­bucks.

INO­VA­ÇÃO NÃO É TEC­NO­LO­GIA

Gerar valor. É assim que o físi­co, pes­qui­sa­dor e con­sul­tor em ino­va­ção sis­te­má­ti­ca Cle­men­te Nobre­ga defi­ne o con­cei­to e os resul­ta­dos da ino­va­ção apli­ca­da às empre­sas e às com­pa­nhi­as ao redor do mun­do. Con­fi­ra:

Con­su­mi­dor Moder­no – O que se pode enten­der como ino­va­ção?

Cle­men­te Nobre­ga – É a gera­ção de dinhei­ro novo. São lucros e recei­tas que uma empre­sa ganha com algo que não fazia par­te do pro­ces­so de tra­ba­lho e, ago­ra, pas­sa a fazer. A manei­ra mais ele­gan­te de defi­nir o con­cei­to é que ino­va­ção seria a gera­ção de valor novo. Se isso não acon­te­ce não é ino­va­ção, é novi­da­de.

CM – Por que o con­cei­to de ino­va­ção mui­tas vezes está atre­la­do ao ter­mo tec­no­lo­gia?

CNTec­no­lo­gia não é ino­va­ção; é um faci­li­ta­dor dela. O GPS, por exem­plo, esta­va dis­po­ní­vel para todos e alguém che­gou com ima­gi­na­ção para pro­por um arran­jo novo para algo já exis­ten­te para todo mun­do.

ESSA INQUI­E­TA­ÇÃO DE NUN­CA FICAR SATIS­FEI­TO COM O QUE TEM DADO CER­TO É UMA DAS MAI­O­RES QUA­LI­DA­DES QUE UMA EMPRE­SA PODE TER. ISSO É INO­VA­ÇÃO

CM – Que tipo de ini­ci­a­ti­vas con­cen­tram mai­or ino­va­ção atu­al­men­te?

CNOs cha­ma­dos uni­cór­ni­os, empre­sas e star­tups com valo­res de mer­ca­do de US$ 1 bilhão, como as fin­te­chs, alcan­çam esses núme­ros e esse pata­mar de ino­va­ção. Rara­men­te o pro­du­to final é aqui­lo que o empre­en­de­dor ima­gi­nou no iní­cio. As ino­va­ções geral­men­te come­çam com uma pro­pos­ta, e o que dá cer­to é jus­ta­men­te uma vari­an­te no meio do pla­ne­ja­men­to e os tes­tes que são fei­tos duran­te o per­cur­so.

CM – Quais bene­fí­ci­os a ino­va­ção pode tra­zer para as empre­sas em rela­ção aos sta­kehol­ders?

CN  – Uma cul­tu­ra de expe­ri­men­ta­ção que tam­bém seja ino­va­do­ra é a con­di­ção para uma empre­sa ser sus­ten­tá­vel. É impos­sí­vel você ter um negó­cio que atin­ja o suces­so de acor­do com uma cer­ta fór­mu­la e que per­ma­ne­ça des­ta for­ma para sem­pre. A com­pe­ti­ção, hoje, faz com que as empre­sas pos­sam cur­tir mui­to pou­co as suas con­quis­tas, pois pre­ci­sam estar sem­pre em movi­men­to. Essa inqui­e­ta­ção de nun­ca ficar satis­fei­to com o que tem dado cer­to é uma das mai­o­res qua­li­da­des que uma empre­sa pode ter. Isso é ino­va­ção.