ARTI­GO ROBER­TO MEIR
RELA­ÇÕES INVER­TI­DAS

TEMOS ASSIS­TI­DO, per­ple­xos, o mun­do con­ta­bi­li­zar per­das colos­sais, em uma das mai­o­res cri­ses de saú­de da his­tó­ria recen­te, com con­sequên­ci­as gra­vís­si­mas para a eco­no­mia glo­bal e índi­ces de misé­ria cada vez mais alar­man­tes. Um cená­rio total­men­te ines­pe­ra­do há alguns meses. Ao mes­mo tem­po, um sele­to gru­po vem lucran­do, e mui­to, nes­se meio-tem­po. Se os pedi­dos de segu­ro-desem­pre­go nos Esta­dos Uni­dos batem recor­des a cada sema­na des­de mar­ço, com deze­nas de milhões de pes­so­as nes­sa situ­a­ção, as for­tu­nas dos bili­o­ná­ri­os do país aumen­ta­ram incrí­veis US$ 600 bilhões no perío­do.

Por trás de cada uma das gran­des for­tu­nas acu­mu­la­das, há sem­pre uma big tech fazen­do a polí­ti­ca de Robin Wood ao con­trá­rio. Como bem lem­bra o autor e pro­fes­sor de mar­ke­ting da Esco­la de Negó­ci­os Stern da Uni­ver­si­da­de de Nova York e crí­ti­co da fal­ta de regu­la­ção das big techs Scott Gal­loway, a cada empre­go cri­a­do nes­sas gigan­tes da tec­no­lo­gia, algu­mas milha­res de vagas são cei­fa­das no mun­do intei­ro. É um patrimô­nio fei­to à cus­ta dos 7 bilhões de pes­so­as do res­to do pla­ne­ta que, acu­a­das à espe­ra de uma vaci­na, depen­dem cada vez mais da tec­no­lo­gia, pro­mo­ven­do a mai­or – e mais gri­tan­te – trans­fe­rên­cia de ren­da das popu­la­ções menos abas­ta­das para os mais ricos em um cur­to espa­ço de tem­po.  

Iro­ni­ca­men­te, não é des­ses bili­o­ná­ri­os, que, em tese, teri­am o com­pro­mis­so moral de retri­buir à soci­e­da­de o que rece­be­ram dela, que vêm as mai­o­res demons­tra­ções dos sen­ti­men­tos que tomam o mun­do atu­al. Soli­da­ri­e­da­de, cola­bo­ra­ção, con­tri­bui­ção vêm aflo­ran­do jus­ta­men­te no res­tan­te da soci­e­da­de. A rea­li­da­de nor­te-ame­ri­ca­na exem­pli­fi­ca o que vem ocor­ren­do tam­bém no Bra­sil. 

Em meio a tudo isso, o Fórum Econô­mi­co Mun­di­al colo­ca em sua pági­na a dis­cus­são e a pro­vo­ca­ção sobre o Reset Capi­ta­lism. Ou seja, sobre des­li­gar a soci­e­da­de da toma­da e reli­gar para rees­cre­ver um novo capi­ta­lis­mo, total­men­te utó­pi­co con­si­de­ran­do a rea­li­da­de atu­al. A pro­pos­ta do reset é mui­to gra­ve por­que reve­la o nível de dis­tor­ção em que vive­mos.  

Rese­tar sig­ni­fi­ca refa­zer o mun­do de acor­do com o que seria neces­sá­rio segun­do a visão de pes­so­as que não têm essa auto­ri­da­de. Não tem por quê, não cabe a nenhum gru­po espe­cí­fi­co defi­nir para onde deve cami­nhar a soci­e­da­de, uma vez que toda mudan­ça cul­tu­ral e trans­for­ma­ci­o­nal não se faz a par­tir de um esta­lo de dedos, um reset. A mudan­ça, de fato, é gera­ci­o­nal.  

Ela está nas ruas, vem das pes­so­as, e da for­ma como elas con­se­guem seguir con­vi­ven­do com as cica­tri­zes que fica­rão da cri­se atu­al. A ver­da­de é que todos nós sai­re­mos machu­ca­dos, em mai­or ou menor grau, e isso inter­fe­re e con­ti­nu­a­rá inter­fe­rin­do no que esta­mos viven­do. Só pelo talen­to empre­en­de­dor é que vamos con­se­guir real­men­te mover a máqui­na. Já ficou bem cla­ro que, se o mun­do depen­der des­ses gran­des mag­na­tas, as pes­so­as podem pou­co ou nada espe­rar. 

Mui­to lon­ge das altas dis­cus­sões do Fórum Econô­mi­co Mun­di­al, os empre­en­de­do­res bra­si­lei­ros, cora­jo­sos e sobre­vi­ven­tes, dão um show de fle­xi­bi­li­da­de e supe­ra­ção. Como pou­cos, eles mos­tra­ram que são capa­zes de se adap­tar e seguir em fren­te, mes­mo com pou­ca ou nenhu­ma aju­da, enfren­tan­do a mai­or das adver­si­da­des. Se não é pos­sí­vel sair às ruas e ven­der nas lojas, abrem-se novas por­tas. Se não há deman­da para cer­tos pro­du­tos, desen­vol­vem-se novos ser­vi­ços. Não há obs­tá­cu­lo que não seja enfren­ta­do com deter­mi­na­ção e cri­a­ti­vi­da­de. 

São mui­tos os exem­plos nos últi­mos meses. Uma nova loja de e‑commerce vem sen­do cri­a­da a cada minu­to no Bra­sil, ofer­tan­do todo tipo de pro­du­to: rou­pas, cal­ça­dos, ali­men­tos, bebi­das, arti­gos de bele­za, higi­e­ne e lim­pe­za, aces­só­ri­os. Isso sem falar no impac­to des­se movi­men­to no mer­ca­do de logís­ti­ca e entre­ga. Em vez de ficar de bra­ços cru­za­dos, espe­ran­do, o bra­si­lei­ro inven­tou novos empre­en­di­men­tos, tor­nou o deli­very um dos gran­des impul­si­o­na­do­res de empre­go e ren­da, com recor­des mun­di­ais de pro­cu­ra pelo ser­vi­ço. Ain­da que apoi­a­do em ape­nas duas rodas, com per­das e per­cal­ços, o mer­ca­do foi capaz de con­ti­nu­ar andan­do. 

Com a ame­a­ça do coro­na­ví­rus aos pou­cos inter­fe­rin­do cada vez menos nas nos­sas vidas, é hora de arre­ga­çar as man­gas para, mais uma vez, mos­trar nos­sa capa­ci­da­de de supe­ra­ção, para recu­pe­rar o tem­po per­di­do. Ape­sar de qual­quer esfor­ço heroi­co do empre­en­de­dor, a recon­quis­ta do mer­ca­do e o rit­mo de recom­po­si­ção dos negó­ci­os têm um outro pro­ta­go­nis­ta. O gran­de agen­te da trans­for­ma­ção é o con­su­mi­dor, que mere­ce e vai exi­gir nada menos que a exce­lên­cia. 

É no cli­en­te que devem estar todos os holo­fo­tes da reto­ma­da. E é por con­ta des­sa exce­lên­cia, exi­gi­da e mere­ci­da por ele, que esta edi­ção traz, com mui­to orgu­lho, o XXI Prê­mio Con­su­mi­dor Moder­no de Exce­lên­cia em Ser­vi­ços ao Cli­en­te, que mais uma vez mos­tra quais são as melho­res idei­as e quem são as empre­sas que melhor se des­ta­cam nos prin­ci­pais seg­men­tos da eco­no­mia, em um mer­ca­do tão dife­ren­te. Este é o nor­te. As empre­sas que tri­lham por esse cami­nho estão dan­do um pas­so deci­si­vo para garan­tir a pere­ni­da­de de seu negó­cio, e a impres­cin­dí­vel pre­fe­rên­cia de um con­su­mi­dor em per­ma­nen­te muta­ção, em bus­ca de van­ta­gens e mimos a um esta­lar de dedos. As métri­cas serão altas.  

A qua­li­da­de do ser­vi­ço entre­gue será medi­da com rigor pelo con­su­mi­dor em qual­quer um e em todos os canais. Nada aquém do per­fei­to e do cor­re­to serão admi­ti­dos. E se essa entre­ga já era com­pli­ca­da quan­do acon­te­cia ape­nas no mun­do físi­co e ana­ló­gi­co, ain­da no face a face, ago­ra se tor­nou mais com­ple­xa e desa­fi­a­do­ra, com o acrés­ci­mo e o envol­vi­men­to cada vez mai­o­res e mais rápi­dos de todos os canais digi­tais. Por­que, no fim do dia, ain­da que as rela­ções todas se inver­tam, a pala­vra final é sem­pre de quem move o mer­ca­do: o con­su­mi­dor.

ROBER­TO MEIR, PUBLISHER