Sta­ti­on-F: cons­truí­da em uma velha esta­ção de trem no cora­ção de Paris, mai­or hub de ino­va­ção do mun­do con­ta com 3 mil esta­ções de tra­ba­lho

SAFÁ­RIS DIGI­TAIS

UM DOS LUGA­RES MAIS VISI­TA­DOS NOS ÚLTI­MOS ANOS POR PES­SO­AS EM BUS­CA DE INO­VA­ÇÃO, O VALE DO SILÍ­CIO COME­ÇA A PER­DER A HEGE­MO­NIA PARA OUTROS HUBS DE INO­VA­ÇÃO PELO MUN­DO

POR JADE CAS­TI­LHO E RAPHA­EL CORAC­CI­NI

   Lar de empre­sas de alta tec­no­lo­gia como Twit­ter, Goo­gle, Tes­la e Net­flix, o Vale do Silí­cio, na Cali­fór­nia – ape­li­do dado à região da baía de São Fran­cis­co que abri­ga cida­des ame­ri­ca­nas como Palo Alto, São Fran­cis­co e San­ta Cla­ra – tem sido des­ti­no fre­quen­te de exe­cu­ti­vos e empre­en­de­do­res com sede de ino­va­ção. Mas, embo­ra um levan­ta­men­to da For­bes apon­te que os Esta­dos Uni­dos res­pon­dem por qua­se meta­de de todas as novas empre­sas de bilhões de dóla­res do mun­do, é cada vez mais fre­quen­te o des­pon­tar de gigan­tes da tec­no­lo­gia em outras par­tes do glo­bo, como paí­ses asiá­ti­cos e Rei­no Uni­do.

   E não é só o flu­xo de capi­tal que está mais des­cen­tra­li­za­do. As men­tes mais inqui­e­tas tam­bém estão em bus­ca de novas ins­pi­ra­ções. Sócio da área de ino­va­ção da Accen­tu­re, Gui­lher­me Horn des­ta­ca que as expe­di­ções de exe­cu­ti­vos para cen­tros de ino­va­ção – cha­ma­das por ele de safá­ris digi­tais – já não estão tão con­cen­tra­das na Cali­fór­nia. “O fato é que o Vale do Silí­cio não é mais o cen­tro de ino­va­ção no mun­do. De três a qua­tro anos para cá, tem-se bus­ca­do outros mer­ca­dos para esse tipo de via­gem. Isra­el e Chi­na são dois des­ses des­ti­nos”, diz. Os obje­ti­vos, em geral, são dois: “O pri­mei­ro é ins­pi­ra­ci­o­nal; ou seja, olhar para negó­ci­os simi­la­res ou seg­men­tos com­ple­ta­men­te dife­ren­tes e, a par­tir daí, bus­car ins­pi­ra­ção. O outro é fazer negó­ci­os e bus­car par­cei­ros de tec­no­lo­gia”, com­ple­ta.

   Dados da Kauff­man Foun­da­ti­on – gru­po que moni­to­ra o empre­en­de­do­ris­mo pelo mun­do – rati­fi­cam o que diz Horn. Segun­do um levan­ta­men­to recen­te, cer­ca de 46% das empre­sas entre­vis­ta­das pla­ne­jam dei­xar o Vale do Silí­cio nos pró­xi­mos anos. De acor­do com a orga­ni­za­ção, cida­des como Mia­mi e Bos­ton têm des­pon­ta­do como novas pro­mes­sas de hubs, prin­ci­pal­men­te pela quan­ti­da­de de star­tups ins­ta­la­das por lá.

CURI­O­SI­DA­DE

A pala­vra “silí­cio” vem de empre­sas ins­ta­la­das na região, como AMD e Intel, e que tinham o silí­cio como prin­ci­pal ele­men­to na com­po­si­ção dos chips

   Mas, por que, afi­nal, empre­sas e star­tups podem estar per­den­do o inte­res­se no Vale do Silí­cio? Uma das jus­ti­fi­ca­ti­vas é a de que gran­des idei­as podem sur­gir em qual­quer lugar, des­de que haja um ecos­sis­te­ma efi­ci­en­te para que elas se desen­vol­vam. Vale lem­brar que quan­do o 4G foi lan­ça­do, por exem­plo, a Euro­pa levou dois anos a mais do que os Esta­dos Uni­dos para ins­ta­lar suas redes. Essa é, segun­do os espe­ci­a­lis­tas, uma das razões pelas quais a Euro­pa não se tor­nou celei­ro de empre­sas como Ama­zon, Face­bo­ok e Uber. “Hoje temos ecos­sis­te­mas mais for­tes, como Isra­el, Ale­ma­nha e Chi­na. As empre­sas dei­xam de olhar só para o Vale do Silí­cio e pas­sam a bus­car solu­ções espe­cí­fi­cas para seus negó­ci­os no mun­do intei­ro”, afir­ma Alan Lei­te, CEO da Star­tup Farm.

   Pro­fes­sor e pró-rei­tor do Ins­ti­tu­to Mauá de Tec­no­lo­gia, Mar­cel­lo Nitz afir­ma que o Vale do Silí­cio foi um des­do­bra­men­to espon­tâ­neo, fru­to de uma com­bi­na­ção favo­rá­vel de fato­res como a abun­dân­cia de cére­bros pri­vi­le­gi­a­dos e de capi­tal para inves­ti­men­to. “O local desen­vol­veu, de for­ma orgâ­ni­ca, seus pró­pri­os pila­res, como a diver­si­da­de e a cola­bo­ra­ção, até se tor­nar o que é hoje, ber­ço das mai­o­res empre­sas de tec­no­lo­gia do mun­do”.

   Mas o pro­fes­sor des­ta­ca a van­ta­gem com­pe­ti­ti­va de outros ecos­sis­te­mas que pude­ram flo­res­cer à som­bra das gigan­tes da Cali­fór­nia. “Novos hubs têm a van­ta­gem de poder copi­ar o que deu cer­to e, de for­ma pla­ne­ja­da e a cus­tos meno­res, tor­nar-se atra­ti­vos para empre­sas ino­va­do­ras. Além dis­so, a loca­li­za­ção geo­grá­fi­ca é menos impor­tan­te ago­ra do que no pas­sa­do, já que é cada vez mais fácil cola­bo­rar e inte­ra­gir glo­bal­men­te. No entan­to, é inge­nui­da­de acre­di­tar que é pos­sí­vel copi­ar tudo”, aler­ta.

O VALE DO SILÍ­CIO NÃO É MAIS O CEN­TRO DE INO­VA­ÇÃO NO MUN­DO. DE TRÊS A QUA­TRO ANOS PARA , TEM-SE BUS­CA­DO OUTROS MER­CA­DOS PARA ESSE TIPO DE VIA­GEM, ESPE­CI­AL­MEN­TE CHI­NA E ISRA­EL

GUI­LHER­ME HORN, DA ACCEN­TU­RE

A BOLHA INFLA­CI­O­NÁ­RIA

   Ain­da assim, com imó­veis que cus­tam mais caro do que em qual­quer outro lugar dos Esta­dos Uni­dos e um sis­te­ma de trans­por­te inca­paz de lidar com o inten­so flu­xo de pes­so­as, o Vale do Silí­cio dá sinais de que pre­ci­sa se reno­var. Um estu­do do Sili­con Val­ley Rising, movi­men­to que atua con­tra a con­cen­tra­ção de ren­da na região, apon­tou que os alu­guéis subi­ram qua­se qua­tro vezes mais rapi­da­men­te do que os salá­ri­os. Outro dado mos­tra que, entre julho de 2015 e julho de 2018, a região rece­beu qua­se 62 mil imi­gran­tes inter­na­ci­o­nais, mas per­deu 64,5 mil para outras cida­des da Cali­fór­nia e demais polos ao redor dos EUA.

   No opos­to da rea­li­da­de do Vale do Silí­cio, a Dina­mar­ca, por exem­plo – segun­do país menos desi­gual do mun­do –, anun­ci­ou a cons­tru­ção de nove ilhas arti­fi­ci­ais ao sul de Cope­nha­gen para atrair negó­ci­os diver­sos. “Esta­mos visan­do a empre­sas de alta tec­no­lo­gia, mas sem­pre há a neces­si­da­de de pro­du­zir o que usa­mos em nos­so dia a dia tam­bém”, dis­se o minis­tro da Indús­tria e Comér­cio, Ras­mus Jar­lov, à agên­cia de notí­ci­as dina­mar­que­sa Rit­zau. A cons­tru­ção das ilhas deve come­çar em 2022, com pre­vi­são de encer­ra­men­to em 2040. O hori­zon­te é dis­tan­te, mas o pla­no é ambi­ci­o­so.

   Outro mer­ca­do ascen­den­te na Euro­pa é o irlan­dês. Por lá, o setor de ino­va­ção vem sen­do ala­van­ca­do pelo cres­ci­men­to econô­mi­co impo­nen­te dos últi­mos anos. Em 2015, o país cres­ceu extra­or­di­ná­ri­os 26,3%. Des­de então, a Irlan­da é a eco­no­mia entre os paí­ses desen­vol­vi­dos que mais cres­ce no mun­do. Ago­ra, ela quer trans­for­mar esse poten­ci­al em pro­du­ção tec­no­ló­gi­ca. Em arti­go, Adeo Res­si, CEO e cofun­da­dor do Foun­der Ins­ti­tu­te – fun­do ame­ri­ca­no espe­ci­a­li­za­do em star­tups –, afir­ma que a saí­da do Rei­no Uni­do da União Euro­peia pode­ria abrir um vácuo para o país vizi­nho. “A mai­o­ria das star­tups de alta qua­li­da­de da Euro­pa esta­va se incor­po­ran­do à Grã-Bre­ta­nha para apro­vei­tar o mer­ca­do da UE e o esta­do de direi­to está­vel. Como o Bre­xit tor­nou a Grã-Bre­ta­nha uma região de ris­co, a Irlan­da ago­ra tem a chan­ce de pre­en­cher o vazio e ser­vir como um local dese­já­vel para star­tups”, afir­ma.

ENQUAN­TO ISSO, NO ORI­EN­TE

   Para per­der a alcu­nha de mer­ca­do alter­na­ti­vo, uma das estra­té­gi­as da Chi­na foi colo­car suas gran­des empre­sas den­tro de hubs de ino­va­ção no Oci­den­te. Ten­cent e Byte­Dan­ce, por exem­plo, têm cen­tros de pes­qui­sa pró­xi­mos da uni­ver­si­da­de ame­ri­ca­na de Stan­ford. Na região tam­bém estão loca­li­za­dos os escri­tó­ri­os de Ali­ba­ba, Bai­du e Didi Chu­xing (que no ano pas­sa­do com­prou o apli­ca­ti­vo bra­si­lei­ro 99). Com aces­so ao Vale do Silí­cio, as empre­sas chi­ne­sas con­se­gui­ram mais aces­so a pro­fis­si­o­nais de cen­tros de conhe­ci­men­to como Stan­ford e o Ins­ti­tu­to de Tec­no­lo­gia da Cali­fór­nia.

   A Chi­na tem em Xan­gai, Shenzhen e Hong Kong os seus polos mais for­tes de ino­va­ção. O País cri­ou um ecos­sis­te­ma em tor­no de duas áre­as prin­ci­pais: vare­jo e mei­os de paga­men­to. “A con­ver­gên­cia de empre­sas gera um volu­me mui­to gran­de de negó­ci­os que o Oci­den­te não dava mui­ta aten­ção por­que era mais vol­ta­do para as peque­nas e médi­as empre­sas, como é o caso do QR Code”, lem­bra Raul Miya­za­ki, dire­tor da Indús­tria de Ser­vi­ços Finan­cei­ros da Deloit­te e de Star­tups da Ende­a­vor. Entre as empre­sas que emer­gi­ram em Shenzhen está a Ten­cent, dona do WeChat. O ser­vi­ço de men­sa­gens seme­lhan­te ao What­sApp pas­sou a ser usa­do tam­bém como pla­ta­for­ma para tran­sa­ção finan­cei­ra, o que fez a Ten­cent deco­lar. Hoje, mais de 80% das tran­sa­ções on-line na Chi­na pas­sam por WeChat ou Ali­pay (meio de paga­men­to digi­tal do Gru­po Ali­ba­ba).

   Paga­men­tos no vare­jo físi­co via QR Code e por car­tei­ras digi­tais colo­ca­ram no mer­ca­do milhões de chi­ne­ses que esta­vam impos­si­bi­li­ta­dos de exer­cer todo o seu poten­ci­al de com­pra. Miya­za­ki afir­ma que, mais que o casa­men­to entre vare­jo e mei­os de paga­men­to, o segre­do na Chi­na é a inte­gra­ção de todo o ecos­sis­te­ma. “Na Chi­na, a micro­em­pre­sa é qua­se pes­soa físi­ca. Por isso, era pre­ci­so um meio de mas­sa para vira­li­zar o ser­vi­ço. Com as ino­va­ções em mei­os de paga­men­to você tem, de um lado, essas tec­no­lo­gi­as e, do outro, e-com­mer­ces pode­ro­sos como o Ali­ba­ba. A jun­ção dis­so cri­ou esse enor­me poten­ci­al de mer­ca­do”, ava­lia.

   A Nes­tlé tem oito pro­je­tos de ino­va­ção con­cluí­dos na Chi­na nas áre­as de pro­du­to e emba­la­gem, cadeia de supri­men­tos, pro­te­ção ambi­en­tal, expe­ri­ên­cia de con­su­mi­dor e vare­jo. “A Chi­na, por ter um con­tex­to mui­to dis­tin­to do nos­so, apre­sen­ta star­tups com alta velo­ci­da­de de desen­vol­vi­men­to tec­no­ló­gi­co e mode­los de negó­cio mui­to diver­sos do padrão oci­den­tal”, afir­ma Juli­a­na Gle­zer, espe­ci­a­lis­ta de Ino­va­ção da Nes­tlé Bra­sil. Além das suas uni­da­des de ino­va­ção no Vale do Silí­cio e na Chi­na, a Nes­tlé apos­ta em outros polos, como Bar­ce­lo­na, Méxi­co e Bra­sil. Aqui, seu pro­gra­ma de ino­va­ção aber­ta com­pre­en­de alter­na­ti­vas para o uso dos canu­dos plás­ti­cos e entre­gas dire­tas ao con­su­mi­dor final para com­pras via web, sem a inter­me­di­a­ção do vare­jo.

AS LIÇÕES DO ORI­EN­TE

   No ano pas­sa­do, Laiz El-Assad, geren­te de e-Com­mer­ce da Coca-Cola Bra­sil, pas­sou três meses em Xan­gai para conhe­cer e explo­rar o poten­ci­al do mer­ca­do inter­no chi­nês. Nes­se inter­câm­bio, um exe­cu­ti­vo chi­nês veio ao Bra­sil para conhe­cer o nos­so mer­ca­do. “A Chi­na é o inves­ti­men­to per­fei­to por se tra­tar do mai­or mer­ca­do de e-com­mer­ce do mun­do. Então, ver o que esta­mos fazen­do aqui e como fun­ci­o­na o mer­ca­do lá é ter a chan­ce de ver o futu­ro e depois vol­tar”, diz ela. Duran­te a mis­são, Laiz pôde ver de per­to o fre­ne­si cau­sa­do pelo Dou­ble 11 (ou Dia dos Sol­tei­ros, a mai­or data do comér­cio ele­trô­ni­co do mun­do). Apoi­a­do ao lon­go dos últi­mos anos pelo Gru­po Ali­ba­ba, dono do Ali­Ex­press, o movi­men­to deco­lou. “Con­se­gui ver como o time se orga­ni­za para desen­vol­ver pro­du­tos digi­tais, pla­nos de mar­ke­ting bem efe­ti­vos e como usam dados em real time para a toma­da de deci­são”. O que mais a impres­si­o­nou foi a velo­ci­da­de e a esca­la em que as coi­sas são fei­tas. “A tec­no­lo­gia está incor­po­ra­da no dia a dia das pes­so­as e os ser­vi­ços que exis­tem no mer­ca­do são mui­to com­ple­tos. O WeChat vai mui­to além de ser uma pla­ta­for­ma de tro­ca de men­sa­gens, liga­ções e víde­os. Com ele, o usuá­rio con­se­gue fazer paga­men­tos, pedir uma comi­da, fazer com­pras de e-com­mer­ce em lojas, mer­ca­dos e até pagar uma con­ta no ban­co”, comen­ta.

VALE DO SILÍ­CIOempre­sas chi­ne­sas ins­ta­la­ram uni­da­des de ino­va­ção na região para apro­vei­tar o ecos­sis­te­ma local.

ONDE OS POLOS DE INO­VA­ÇÃO MAIS CON­CEN­TRAM ESFOR­ÇOS

Estô­nia – digi­ta­li­za­ção da buro­cra­cia
Chi­na – inte­gra­ção de hard­ware e soft­ware
Isra­el – segu­ran­ça e ciber­se­gu­ran­ça
Bos­ton e Nova York – pes­qui­sa e desen­vol­vi­men­to
Sin­ga­pu­ra – cida­des inte­li­gen­tes
Ale­ma­nha – block­chain
Fran­ça – bio­en­ge­nha­ria
Bra­sil – agro­ne­gó­cio e entre­te­ni­men­to

AS PEÇAS-CHA­VE

Os hubs de ino­va­ção pelo mun­do têm, em comum, um ecos­sis­te­ma for­ma­do por:

Tec­no­lo­gi­as de pon­ta
Boas uni­ver­si­da­des
Inves­ti­men­tos públi­cos e pri­va­dos
Empre­en­de­do­res
Espe­ci­a­lis­tas
Cor­po­ra­ções
Infra­es­tru­tu­ra urba­na

CON­CEN­TRA­ÇÃO DE UNI­CÓR­NI­OS

   Para Alan Lei­te, a edu­ca­ção tem um papel cen­tral no desen­vol­vi­men­to de novos cen­tros tec­no­ló­gi­cos. “A Ale­ma­nha, por exem­plo, tem uma edu­ca­ção de exce­len­te qua­li­da­de. A Sué­cia, que é um país minús­cu­lo, com seus qua­se 10 milhões de habi­tan­tes, é o lugar do mun­do com mai­or pro­por­ção de uni­cór­ni­os por habi­tan­te. E isso acon­te­ce por­que a edu­ca­ção pos­sui um nível altís­si­mo, o que faz com que eles con­si­gam cri­ar coi­sas mui­to sofis­ti­ca­das e com­ple­xas e que fazem suces­so, como o Spo­tify”, diz o exe­cu­ti­vo.

   O Bra­des­co vem nego­ci­an­do com uma empre­sa ale­mã e outra isra­e­len­se o lan­ça­men­to de um sis­te­ma de reco­nhe­ci­men­to faci­al para aper­fei­ço­ar seus ser­vi­ços via bio­me­tria. “Temos vári­os pro­je­tos em estu­do, entre eles, alguns com nove star­tups nos Esta­dos Uni­dos, na Euro­pa e em Isra­el”, adi­an­ta Antra­nik Harou­ti­ou­ni­an, dire­tor do depar­ta­men­to de Pes­qui­sa e Ino­va­ção do Bra­des­co. Entre os ser­vi­ços envol­vi­dos nes­sa caça à ino­va­ção pelo mun­do estão emprés­ti­mos e finan­ci­a­men­tos, câm­bio, inves­ti­men­tos, auto­ma­ti­za­ção de bac­kof­fi­ce e car­tões. “A gen­te bus­ca lá fora o que não encon­tra por aqui. Lá fora, cos­tu­ma­mos pro­cu­rar por solu­ções finan­cei­ras que tra­gam ino­va­ção tan­to do pon­to de vis­ta de tec­no­lo­gia quan­to de mode­lo de negó­ci­os”, diz Harou­ti­ou­ni­an. Den­tro do seu ecos­sis­te­ma de ino­va­ção, o Bra­des­co tem o Ino­va Ven­tu­res, fun­do de inves­ti­men­tos de R$ 200 milhões coman­da­do pelo bra­ço de pri­va­te equity do ban­co.

   Conhe­ci­do como star­tup nati­on, Isra­el é outro hub de ino­va­ção que tem ganha­do pres­tí­gio. Lei­te des­ta­ca que o País tem como pon­to for­te suas tec­no­lo­gi­as vol­ta­das à segu­ran­ça e à ciber­se­gu­ran­ça. “Pela natu­re­za do país, cir­cun­da­do de nações não mui­to ami­gas, hou­ve a neces­si­da­de de desen­vol­ver toda uma tec­no­lo­gia de defe­sa”. Hoje, mui­tas des­sas ino­va­ções vol­ta­das para o setor de defe­sa são con­ver­ti­das em tec­no­lo­gia para serem usa­das em seto­res como o finan­cei­ro e o de saú­de.

INO­VA­ÇÃO DEN­TRO DE CASA

   Por aqui, o setor finan­cei­ro bra­si­lei­ro teve que abra­çar a tec­no­lo­gia de uma manei­ra mui­to intui­ti­va para poder sobre­vi­ver a uma eco­no­mia tão tur­bu­len­ta, com mudan­ças fre­quen­tes de pla­nos econô­mi­cos. Tam­bém por isso, o setor virou refe­rên­cia. “Des­de 2015, come­çou a ebu­li­ção do que viri­am a ser os uni­cór­ni­os bra­si­lei­ros. No ano pas­sa­do, três dos cin­co eram do setor finan­cei­ro: Nubank, Sto­ne e Pag­Se­gu­ro”, ava­lia Raul Miya­za­ki, dire­tor da Indús­tria de Ser­vi­ços Finan­cei­ros da Deloit­te e de Star­tups da Ende­a­vor. “Além dis­so, um dos mai­o­res inves­ti­men­tos no sis­te­ma de ino­va­ção são repre­sen­ta­dos por Ino­va­Bra (Bra­des­co) e Cubo (Itaú). Hoje, o mai­or volu­me de inves­ti­men­tos de ino­va­ção está no setor finan­cei­ro”.

   O fato é que o desen­vol­vi­men­to de tec­no­lo­gia no Bra­sil ain­da é mui­to vol­ta­do para o mer­ca­do inter­no. São Pau­lo vem des­pon­tan­do como polo de ino­va­ção no seg­men­to finan­cei­ro, enquan­to outros hubs come­çam a pipo­car pelo País. São os casos de Reci­fe, Belo Hori­zon­te e São Car­los (no inte­ri­or de São Pau­lo), onde se con­cen­tram empre­en­de­do­res, cor­po­ra­ções e uni­ver­si­da­des como Uni­ver­si­da­de Fede­ral de São Car­los (UFS­Car) e a Uni­ver­si­da­de de São Pau­lo (USP).

   Sem par­ti­ci­par ati­va­men­te das duas fases ante­ri­o­res à ino­va­ção digi­tal, o Bra­sil entra no que Miya­za­ki cha­ma de ter­cei­ra onda de ino­va­ção. Sim, é pre­ci­so cor­rer con­tra o tem­po. Na pri­mei­ra onda, há cer­ca de 40 anos, com os embriões de empre­sas como Apple, HP e Ora­cle, a ino­va­ção se fir­ma­va no tri­pé empreendedores/universidades/capital de giro. “O que vimos depois foi a segun­da onda, carac­te­ri­za­da por seg­men­ta­ção da ino­va­ção, com o cres­ci­men­to de ecos­sis­te­mas e expan­são para outros hubs, que aca­ba­ram atrain­do outros per­fis de star­tups, como aque­las vol­ta­das a tech citi­es, fin­te­chs e ciber­se­gu­ran­ça”, deta­lha.

   No Bra­sil, a Bayer cri­ou um ecos­sis­te­ma ao redor das ati­vi­da­des da Mon­san­to, empre­sa que foi absor­vi­da pela far­ma­cêu­ti­ca ale­mã no ano pas­sa­do. A agro­pe­cuá­ria foi, assim como os ban­cos, um dos pou­cos seto­res que pas­sa­ram qua­se que ile­sos pelo vór­ti­ce da cri­se econô­mi­ca. Para reu­nir star­tups do setor, a Bayer cri­ou o AgTe­ch Gara­ge, em Pira­ci­ca­ba, no inte­ri­or de São Pau­lo. “O obje­ti­vo do espa­ço é incen­ti­var a cul­tu­ra de ino­va­ção aber­ta e o empre­en­de­do­ris­mo cor­po­ra­ti­vo, bem como atrair novas solu­ções que nos aju­da­rão a bene­fi­ci­ar os agri­cul­to­res, os con­su­mi­do­res e o nos­so pla­ne­ta”, afir­ma Jean Soa­res, dire­tor de IT Ope­ra­ti­ons da Bayer. A empre­sa tam­bém tem pro­cu­ra­do ino­va­ções em outras áre­as. “Esta­mos cons­tan­te­men­te em bus­ca de novas tec­no­lo­gi­as e de solu­ções para supe­rar os gran­des desa­fi­os da huma­ni­da­de, como o enve­lhe­ci­men­to da soci­e­da­de, o cres­ci­men­to popu­la­ci­o­nal e a redu­ção das ter­ras agri­cul­tá­veis em todo o mun­do”, afir­ma Soa­res.

   Nos Esta­dos Uni­dos – mas fora do Vale do Silí­cio –, a Bayer tem apos­ta­do em regiões que têm mai­or ade­são aos seus mode­los de negó­cio. Um dos exem­plos é Bos­ton, cida­de que mais rece­beu inves­ti­men­tos em bio­tec­no­lo­gia do Esta­do de Mas­sa­chu­setts (28%, soman­do US$ 3 bilhões em 2017). “Com isso, a cida­de pas­sou a ter pes­so­as mais espe­ci­a­li­za­das nes­ta área, com habi­li­da­des espe­cí­fi­cas para o nos­so negó­cio. Bos­ton ain­da con­ta com outras 30 empre­sas e 850 star­tups na área de Ciên­ci­as da Vida”, afir­ma o dire­tor da Bayer. Além de Bra­sil e Esta­dos Uni­dos, a empre­sa tam­bém está pre­sen­te em hubs de ino­va­ção na Fran­ça, em Ber­lim, na Ale­ma­nha, em Sin­ga­pu­ra e no Japão.

   Líder na pro­du­ção de ele­tro­do­més­ti­cos, a Whirl­po­ol tam­bém entra para a lis­ta de empre­sas que bus­cam ino­va­ções den­tro e fora do Bra­sil. De acor­do com Viní­cius Leães, dire­tor de Tec­no­lo­gia da com­pa­nhia, a Whirl­po­ol ini­ci­ou sua jor­na­da rumo à indús­tria 4.0 em 2016, com a inau­gu­ra­ção de novas uni­da­des em Cle­ve­land, nos Esta­dos Uni­dos, e em Poprad, na Eslo­vá­quia. “Nes­sas plan­tas desen­vol­ve­mos cases das tec­no­lo­gi­as iden­ti­fi­ca­das como dri­vers da indús­tria 4.0 para tra­zer um base­li­ne dos pro­du­tos e for­ne­cer um back­ground nas tec­no­lo­gi­as ain­da con­si­de­ra­das ima­tu­ras den­tro das plan­tas da Whirl­po­ol”, con­ta. Outra saca­da foi a com­pra de star­tups como a Yummly. Con­si­de­ra­da a mai­or pla­ta­for­ma de recei­tas digi­tais do mun­do, com 20 milhões de usuá­ri­os, a empre­sa ame­ri­ca­na usa aná­li­se de dados para for­ne­cer recei­tas per­so­na­li­za­das.

TEC­NO­LO­GIA BÉLI­CA EM FAVOR DOS NEGÓ­CI­OS

   Após ade­rir ao Our­Crowd, um fun­do de inves­ti­men­to de alto ris­co em star­tups pelo mun­do, o labo­ra­tó­rio Fleury pas­sou a envi­ar exe­cu­ti­vos com mais frequên­cia para fora do País. O des­ti­no de Nata­lia Naka­gawa, geren­te sêni­or de Estra­té­gia e Novos Negó­ci­os do gru­po, foi Tel Aviv, em Isra­el. Ela ficou impres­si­o­na­da com a con­ver­são de uma tec­no­lo­gia mili­tar em um exa­me de detec­ção de cân­cer. “Uma star­tup pegou a tec­no­lo­gia do exér­ci­to de Isra­el para ras­tre­ar flo­res­tas e usou o mes­mo algo­rit­mo para achar célu­las can­ce­rí­ge­nas. Ele con­se­guia iden­ti­fi­car qual era o cân­cer a par­tir do for­ma­to da célu­la, além de aju­dar na indi­ca­ção do tra­ta­men­to mais ade­qua­do ao pro­ble­ma”, con­ta. Outra solu­ção que vem sen­do pro­je­ta­da por uma star­tup isra­e­len­se está rela­ci­o­na­da à obser­va­ção do com­por­ta­men­to das célu­las duran­te o pro­ces­so de mul­ti­pli­ca­ção. Isso está sen­do fei­to por um pro­tó­ti­po do “labo­ra­tó­rio no espa­ço”. “Como tudo é vácuo (no espa­ço), as célu­las con­se­guem se mul­ti­pli­car mui­to mais rapi­da­men­te, o que faci­li­ta­ria tes­tes e pes­qui­sas. Algo bem fora da cai­xa e para o futu­ro que ain­da não sabe­mos quan­do vai che­gar”, con­ta Nata­lia. Segun­do a exe­cu­ti­va, por lá os jovens são incen­ti­va­dos des­de cedo a irem para o exér­ci­to e isso os tor­na “pro­blem sol­vers” natos. “Como estão em uma região mui­to ári­da e com vári­os pro­ble­mas geo­po­lí­ti­cos, eles pas­sa­ram a desen­vol­ver essa habi­li­da­de”.

Juli­a­na Gle­zer, espe­ci­a­lis­ta de Ino­va­ção da Nes­tlé Bra­sil espe­ci­a­lis­ta de Ino­va­ção da Nes­tlé Bra­sil

LÍDE­RES EM CÓDI­GOS

Qua­se meta­de das melho­res uni­ver­si­da­des de ciên­cia da com­pu­ta­ção do mun­do está no con­ti­nen­te euro­peu. “Os euro­peus têm gran­des uni­ver­si­da­des, com mui­ta pre­sen­ça de estran­gei­ros. Essa diver­si­da­de é um com­po­nen­te impor­tan­te para o ecos­sis­te­ma da ino­va­ção”, res­sal­ta Nitz, do Ins­ti­tu­to Mauá. Mas ele ale­ta aler­ta para a pos­si­bi­li­da­de de um efei­to nega­ti­vo no con­ti­nen­te por con­ta das medi­das de fecha­men­to das eco­no­mi­as, como o Bre­xit. “Se você fecha as por­tas do país, difi­cul­ta a pre­sen­ça de cére­bros pri­vi­le­gi­a­dos e a mis­tu­ra e cola­bo­ra­ção de pes­so­as com para­dig­mas dife­ren­tes, difi­cul­tan­do a entre­ga de solu­ções glo­bal­men­te ino­va­do­ras”. A seguir, a pre­sen­ça de estran­gei­ros entre as cin­co melho­res facul­da­des de Ciên­ci­as da Com­pu­ta­ção do mun­do:

Fon­te: Times Higher Edu­ca­ti­on 2019

A MAI­OR INCU­BA­DO­RA DO MUN­DO

   Miya­za­ki, da Deloit­te, apon­ta ain­da que, entre os polos foca­dos em solu­ções espe­cí­fi­cas, Sin­ga­pu­ra, na Ásia, mere­ce des­ta­que pela sua atu­a­ção no desen­vol­vi­men­to de cida­des inte­li­gen­tes. À pro­cu­ra de solu­ções de IoT vol­ta­das ao geren­ci­a­men­to de ener­gia, a Sch­nei­der Elec­tric inau­gu­rou por lá, no pri­mei­ro semes­tre do ano pas­sa­do, seu hub de ino­va­ção. A Sch­nei­der faz par­te de um gru­po de mais de 2 mil empre­sas fran­ce­sas pre­sen­tes em Sin­ga­pu­ra.

   A par­ce­ria com um dos polos mais pro­mis­so­res de ino­va­ção do Ori­en­te mos­tra a nova ori­en­ta­ção da Fran­ça em rela­ção ao desen­vol­vi­men­to tec­no­ló­gi­co e fomen­to ao empre­en­de­do­ris­mo. Inau­gu­ra­da em 2017, a mai­or incu­ba­do­ra de star­tups do mun­do – a Sta­ti­on F – está no cora­ção de Paris. Ela foi ins­ta­la­da den­tro da car­ca­ça de uma esta­ção de trem desa­ti­va­da, onde 3 mil empre­en­de­do­res cir­cu­lam pelos 34 mil metros qua­dra­dos do espa­ço. São mais de 30 fun­dos de capi­tal de ris­co e empre­sas como L’Oréal, Face­bo­ok e Micro­soft tocan­do pro­gra­mas de ino­va­ção e ana­li­san­do o poten­ci­al de star­tups.

   O estí­mu­lo ao empre­en­de­do­ris­mo na Fran­ça está ganhan­do a ade­são das polí­ti­cas públi­cas. Em entre­vis­ta à For­bes, o pre­si­den­te Emma­nu­el Macron dis­se que pre­ten­de aca­bar per­ma­nen­te­men­te com o cha­ma­do “impos­to de saí­da” fran­cês, que cobra 30% dos empre­sá­ri­os que levam dinhei­ro para fora do país. A aber­tu­ra da Fran­ça ao movi­men­to de ino­va­ção vem na onda do cres­ci­men­to de inves­ti­men­tos de alto ris­co no con­ti­nen­te euro­peu.

Cola­bo­ra­do­res da Mon­delēz em Gana, na Áfri­ca: eles con­fe­ri­ram de per­to o desen­vol­vi­men­to sus­ten­tá­vel da cadeia pro­du­ti­va do cacau

MUDAN­ÇA DE HÁBI­TO

   Ao mes­mo tem­po em que paí­ses euro­peus cha­mam a aten­ção dos empre­en­de­do­res, na Áfri­ca, Gana – nação que pos­sui uma das eco­no­mi­as mais está­veis do con­ti­nen­te e gran­de poten­ci­al de arre­ca­da­ção por con­ta da expor­ta­ção de ouro, dia­man­te e cacau, onde se des­ta­ca como segun­do mai­or pro­du­tor mun­di­al – tam­bém tem-se des­ta­ca­do. A Mon­delēz Bra­sil, por exem­plo, cri­ou um pro­gra­ma de inter­câm­bio de duas sema­nas para lá no ano pas­sa­do. Bati­za­do de Joy Ambas­sa­dors, o pro­je­to tem como obje­ti­vo colo­car os fun­ci­o­ná­ri­os em con­ta­to com vivên­ci­as de agri­cul­to­res locais no cul­ti­vo de cacau sus­ten­tá­vel.

   Mar­ce­lo Trez, dire­tor de Ven­das, Beti­na Cor­bel­li­ni, dire­to­ra de Recur­sos Huma­nos e André Sil­va, geren­te de Logís­ti­ca da empre­sa, foram envi­a­dos para um safá­ri digi­tal em Gana. Por lá, desen­vol­ve­ram ofi­ci­nas comu­ni­tá­ri­as, conhe­ce­ram a cul­tu­ra local e tes­te­mu­nha­ram, de per­to, como o pro­gra­ma da empre­sa impac­ta posi­ti­va­men­te a vida de milha­res de pes­so­as. “Atu­al­men­te, esse pro­gra­ma che­ga a mais de mil comu­ni­da­des e mais de 120 mil pro­du­to­res de cacau, o que repre­sen­ta apro­xi­ma­da­men­te 35% do volu­me de cacau con­su­mi­do pela Mon­delēz Inter­na­ti­o­nal no mun­do”, afir­ma Trez. Para Beti­na, a expe­ri­ên­cia foi além. “Foi inten­sa e reple­ta de emo­ção. Con­fes­so que dei­xei um pou­co de mim em Gana e levei mui­to de Gana comi­go”. Ela con­ta que, além da ini­ci­a­ti­va na Áfri­ca, a Mon­delēz pos­sui cen­tros téc­ni­cos espa­lha­dos pelo mun­do. “Esses locais refle­tem uma pro­xi­mi­da­de com as nos­sas uni­da­des de negó­cio e o inte­res­se e a neces­si­da­de de regi­o­na­li­zar ofer­tas a par­tir de ten­dên­ci­as e padrões de con­su­mo”, diz Beti­na. “Essa tro­ca per­mi­te que a gen­te leve ino­va­ção aos nos­sos con­su­mi­do­res onde quer que eles este­jam.

   Sobre se o mun­do cor­re o ris­co de ver uma nova bolha da inter­net, como a que acon­te­ceu nos anos 2000, Raul Miya­za­ki, dire­tor da Deloit­te e da Ende­a­vor, fala que o sis­te­ma está mui­to mais segu­ro, mes­mo dian­te de tan­to inves­ti­men­to de ris­co em mer­ca­dos pou­co estru­tu­ra­dos. “Anti­ga­men­te, a star­tup era, basi­ca­men­te, o empre­en­de­dor con­tra o mun­do. Hoje, você tem den­tro do sis­te­ma mui­to mais capi­tal dis­po­ní­vel, facul­da­des e uni­ver­si­da­des dan­do aten­ção e cur­sos de empre­en­de­do­ris­mo, tec­no­lo­gi­as ino­va­do­ras. A tec­no­lo­gia tam­bém está dis­po­ní­vel a cus­tos mais bai­xos”, afir­ma.

   Miya­za­ki tra­ba­lha­va em Nova York no auge da cri­se de 2000, como head de Digi­tal da Ora­cle. Ele diz que a gran­de dife­ren­ça, hoje, é que os ecos­sis­te­mas estão estru­tu­ra­dos em cima de um solo fér­til e sóli­do. “Empre­sas nos anos 2000 esta­vam com medo de ino­va­ção. Hoje, elas estão apoi­an­do star­tups ou mes­mo cri­an­do áre­as de ino­va­ção. Não é só ter mais dinhei­ro. É ter mais mer­ca­do para ven­der suas solu­ções”, con­clui.

AS MAIS INO­VA­DO­RAS DO MUN­DO

O Ran­king Mun­di­al de Ino­va­ção 2018 ava­li­ou os gas­tos dos paí­ses com pes­qui­sa e desen­vol­vi­men­to, impor­ta­ções e expor­ta­ções de alta tec­no­lo­gia, qua­li­da­de das publi­ca­ções cien­tí­fi­cas, for­ma­ção de cien­tis­tas e enge­nhei­ros, for­ne­ci­men­to de cré­di­to, inves­ti­men­tos, pro­du­ti­vi­da­de e cri­a­ção de novos negó­ci­os. O Bra­sil está na 64ª colo­ca­ção entre 126 eco­no­mi­as. Eis as pri­mei­ras colo­ca­das:

1ª Suí­ça
2ª Paí­ses Bai­xos
3ª Sué­cia
4ª Rei­no Uni­do
5ª Sin­ga­pu­ra
6ª Esta­dos Uni­dos
7ª Fin­lân­dia
8ª Dina­mar­ca
9ª Ale­ma­nha
10ª Irlan­da
11ª Isra­el
12ª Repú­bli­ca da Coreia
13ª Japão
14ª Hong Kong
15ª Luxem­bur­go

Fon­te: Uni­ver­si­da­de Cor­nell