A SAGA DA MOE­DA DIGI­TAL

MONEY20/20 APON­TA PARA UMA REVO­LU­ÇÃO NO USO DO DINHEI­RO. O FIM DO PAPEL-MOE­DA, O PODER INO­VA­DOR DAS FIN­TE­CHS, A DIS­RUP­ÇÃO DO BLOCK­CHAIN E A MUL­TI­PLI­CA­ÇÃO DAS CRIP­TO­MO­E­DAS VÃO GERAR VALOR INCAL­CU­LÁ­VEL. MAS ESSE VALOR SERÁ COM­PAR­TI­LHA­DO?

POR JAC­QUES MEIR

   Uma vez ao ano, Las Vegas tor­na-se a capi­tal mun­di­al do dinhei­ro. Não por con­ta da pre­sen­ça dos cas­si­nos, que fre­ne­ti­ca­men­te movi­men­tam gran­des apos­tas 24 horas por dia, mas sim por ser a cida­de-sede do Money20/20, um even­to que se dedi­ca a enten­der como a revo­lu­ção digi­tal muda nos­sa rela­ção com as tran­sa­ções finan­cei­ras.

   Isso quer dizer que o Money20/20 é um even­to des­ti­na­do aos exe­cu­ti­vos do mer­ca­do finan­cei­ro? Lon­ge dis­so. Ele atrai, logi­ca­men­te, pro­fis­si­o­nais e lide­ran­ças de ban­cos e car­tões de cré­di­to, mas tam­bém empre­en­de­do­res de star­tups, fin­te­chs, vare­jo, e-com­mer­ce e tec­no­lo­gia. O pro­pó­si­to é movi­men­tar uma imen­sa cadeia de valor que está em rein­ven­ção ace­le­ra­da por obra da trans­for­ma­ção digi­tal. O even­to já tem edi­ções na Chi­na, na Euro­pa e nos EUA e reú­ne mais de 11.500 par­ti­ci­pan­tes, dos quais mais de 500 pales­tran­tes e 2.600 exe­cu­ti­vos C-Level. Uma mas­sa ávi­da por fazer negó­ci­os e enxer­gar ten­dên­ci­as que gerem negó­ci­os e com­pe­ti­ti­vi­da­de para mais de 3.500 empre­sas de mais de cem paí­ses.

   Toda essa for­ça não seria nada demais sem um con­teú­do de valor. Estru­tu­ra­do em ver­ti­cais dis­tri­buí­das por salas espe­cí­fi­cas, o Money20/20 sem­pre traz algu­mas idei­as espe­cí­fi­cas, que retra­tam os movi­men­tos resul­tan­tes da com­bi­na­ção de tec­no­lo­gia, ino­va­ção, mudan­ças no com­por­ta­men­to do cli­en­te, mei­os de paga­men­to, ser­vi­ços finan­cei­ros, a atu­a­ção e a estra­té­gia dos ban­cos, empre­sas insur­gen­tes e mei­os de paga­men­to. Este ano, três assun­tos puxa­ram as dis­cus­sões e os deba­tes do even­to: o block­chain, a Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al e a expe­ri­ên­cia do cli­en­te.

NADA DE NOVO, FORA A INO­VA­ÇÃO

   Sob a super­fí­cie apa­ren­te­men­te conhe­ci­da, a abor­da­gem do Money20/20 foi na ver­da­de uma onda de cho­que sobre empre­sas e negó­ci­os incum­ben­tes. O tema cen­tral “A revo­lu­ção do dinhei­ro” foi até modes­to dian­te das for­ças ino­va­do­ras em atu­a­ção. As fin­te­chs foram sau­da­das como uma ten­dên­cia reno­va­do­ra e neces­sá­ria para des­cons­truir os ban­cos e os seus pro­to­co­los mun­do afo­ra, demo­cra­ti­zan­do o aces­so de mais con­su­mi­do­res aos ser­vi­ços finan­cei­ros mais sim­ples – con­tas, cré­di­to, inves­ti­men­tos. Saem os gigan­tes­cos super­mer­ca­dos finan­cei­ros e entram em cena as pla­ta­for­mas de inte­ra­ção com cli­en­tes, que tro­cam a buro­cra­cia, a sele­ti­vi­da­de e os per­fis pas­teu­ri­za­dos e entram a agi­li­da­de, a faci­li­da­de de con­tra­ta­ção qua­se uni­ver­sal e as per­so­nas defi­ni­das por ati­tu­des e com­por­ta­men­tos.

   Esse for­ma­to de atu­a­ção foi lar­ga­men­te deba­ti­do e ampli­fi­ca­do no Money20/20. Em 2017, mais de 23% da popu­la­ção nor­te-ame­ri­ca­na era defi­ni­da como “des­ban­ca­ri­za­da” ou “sub-ban­ca­ri­za­da”. Esse núme­ro indi­ca que o aces­so a ser­vi­ços finan­cei­ros tra­di­ci­o­nais ou ine­xis­te ou é limi­ta­do, incluin­do pro­ce­di­men­tos sim­ples como man­ter con­tas-cor­ren­tes ou de pou­pan­ça. Nos EUA, essa situ­a­ção repre­sen­ta mais de US$ 380 bilhões poten­ci­al­men­te fora do mer­ca­do finan­cei­ro. No Bra­sil, o núme­ro é simi­lar em reais e há dados que mos­tram qua­se R$ 200 bilhões em cir­cu­la­ção nos mer­ca­dos pou­co ou nada for­mais. Fala­mos aqui de gran­des mas­sas de cir­cu­la­ção de dinhei­ro vivo com todo o incon­ve­ni­en­te que isso traz, à par­te per­mi­tir que pes­so­as podem bus­car algu­ma con­di­ção de vida mais dig­na na infor­ma­li­da­de. Mas até que pon­to mes­mo esse mode­lo de capi­tal de giro entre pes­so­as e peque­nos negó­ci­os não pode tam­bém ado­tar mode­los digi­tais, com segu­ran­ça, con­fi­a­bi­li­da­de e gera­ção de valor?

   Fala­mos aqui de incen­ti­vo à ino­va­ção, seja por meio da atu­a­ção dos órgãos regu­la­do­res, seja por meio de inves­ti­men­tos con­ti­nu­a­dos em novos mode­los de negó­cio, que “fati­am” o negó­cio ori­gi­nal dos ban­cos, cri­an­do ser­vi­ços espe­ci­a­li­za­dos mais aces­sí­veis e inten­sa­men­te digi­tais.

O ENDI­VI­DA­MEN­TO NO DIVÃ

   “É neces­sá­rio rei­ma­gi­nar os ser­vi­ços finan­cei­ros para real­men­te tra­zer bene­fí­ci­os con­sis­ten­tes para os cli­en­tes. Mui­tos con­su­mi­do­res ame­ri­ca­nos ain­da estão machu­ca­dos pelas expe­ri­ên­ci­as nega­ti­vas com suas hipo­te­cas. E como até mes­mo essa for­ma de finan­ci­a­men­to, tão popu­lar nos EUA, pode se tor­nar ain­da mais ami­gá­vel?”. Essa foi a pro­vo­ca­ção de Regis Hadi­a­ris, dire­tor-exe­cu­ti­vo da Roc­ket Mort­ga­ge. Por­que há um mind­set novo se for­man­do, que con­tes­ta vigo­ro­sa­men­te a for­ma pela qual os ser­vi­ços finan­cei­ros são ofe­re­ci­dos aos cli­en­tes. Por trás de pro­mes­sas de dinhei­ro fácil e cré­di­to far­to, há um ciclo de endi­vi­da­men­to, per­da de ren­da e mer­ca­do de tra­ba­lho volá­til, com gran­de giro de empre­ga­dos. A gran­de equa­ção é bus­car cri­ar clas­ses e gran­des mas­sas de cli­en­tes aptas a con­su­mir com a pres­são da auto­ma­ção de um lado (que vai eli­mi­nar fun­ções e empre­gos em lar­ga esca­la) e a fal­ta de pro­pó­si­to no tra­ba­lho de outro. E, dian­te des­se cená­rio de inse­gu­ran­ça e insa­tis­fa­ção, soa ana­crô­ni­co pen­sar em mode­los ban­cá­ri­os con­ven­ci­o­nais. Senão veja­mos gen­te como Antony Jen­kins, da 10x Ban­king. Outro­ra, um supe­re­xe­cu­ti­vo do mer­ca­do finan­cei­ro tra­di­ci­o­nal, Jen­kins resol­veu arris­car car­rei­ra e futu­ro em uma star­tup devo­ta­da a aju­dar os ban­cos a se tor­na­rem dez vezes melho­res para os seus cli­en­tes con­ti­nu­a­men­te.

   A dis­cus­são é tão per­ti­nen­te em um mer­ca­do gigan­tes­co como o nor­te-ame­ri­ca­no quan­to é no Bra­sil. Nos EUA, um ter­ço dos cida­dãos ame­ri­ca­nos não tem um dólar sequer sepa­ra­do como eco­no­mia. No Bra­sil, a taxa de pou­pan­ça é igual­men­te bai­xa, o que tor­na espe­ci­al­men­te deli­ca­do qual­quer revés econô­mi­co, que nor­mal­men­te dei­xa milhões de famí­li­as desam­pa­ra­das. “Esta é a gran­de vir­tu­de das fin­te­chs. Elas cri­am negó­ci­os vol­ta­dos para a rea­li­da­de das empre­sas. Somen­te esse posi­ci­o­na­men­to já repre­sen­ta uma rup­tu­ra sen­sí­vel no mode­lo de negó­cio da indús­tria”, comen­ta Antony.

   O endi­vi­da­men­to é um pro­ble­ma de eco­no­mia com­por­ta­men­tal e essa abor­da­gem hoje ori­en­ta o sur­gi­men­to de fin­te­chs capa­zes de fazer essa lei­tu­ra. Temos bons exem­plos no Bra­sil como Bom Pra Cré­di­to, Geru, Len­di­co, Nubank, entre outras. Se os ban­cos não são efi­ci­en­tes para impe­dir que milhões de seus cli­en­tes atu­ais não se endi­vi­dem, e tam­bém não con­se­guem cri­ar aces­so para outros cli­en­tes não ban­ca­ri­za­dos, é fácil per­ce­ber por­que o nos­so País é con­si­de­ra­do um mer­ca­do pro­mis­sor para fin­te­chs, ao lado do mer­ca­do comum euro­peu. A regu­la­ção aju­da, como vimos na recen­te auto­ri­za­ção con­ce­di­da pelo Ban­co Cen­tral para inves­ti­men­to estran­gei­ro em nos­sas star­tups finan­cei­ras.

AGO­RA, O BLOCK­CHAIN

   Con­vi­da­mos o lei­tor a per­ce­ber o con­tex­to mais amplo: mai­or aces­so a ser­vi­ços finan­cei­ros, digi­ta­li­za­ção do dinhei­ro com eli­mi­na­ção pro­gres­si­va do papel-moe­da e o com­ba­te à lava­gem de dinhei­ro e à sone­ga­ção levam as tran­sa­ções finan­cei­ras para outro nível de exi­gên­cia, capaz de asse­gu­rar a ori­gem, o des­ti­no, a vali­da­de e a segu­ran­ça de cada movi­men­ta­ção de recur­sos. Esta é a base do furor cau­sa­do pela tec­no­lo­gia block­chain. Todas as pre­mis­sas dos novos negó­ci­os finan­cei­ros e do novo dese­nho do uso do dinhei­ro pas­sam pela ado­ção inten­si­va des­ta ino­va­ção. Só há um pro­ble­ma: ele cus­ta e ain­da é neces­sá­rio saber como a tec­no­lo­gia tor­na-se viá­vel no dia a dia.

   Expe­ri­ên­ci­as em cur­so exis­tem, às cen­te­nas. Impos­sí­vel não se entu­si­as­mar com o esque­ma de finan­ci­a­men­to cole­ti­vo do músi­co e filan­tro­po ame­ri­ca­no Akon que cri­ou uma crip­to­mo­e­da cha­ma­da Akoin, para incen­ti­var peque­nos negó­ci­os em comu­ni­da­des caren­tes de seu con­ti­nen­te natal. O segre­do é asse­gu­rar a trans­fe­rên­cia de recur­sos por meio do block­chain, per­mi­tin­do rea­li­zar peque­nos emprés­ti­mos con­tra­ta­dos via celu­lar para que empre­en­de­do­res pos­sam cri­ar negó­ci­os de impac­to soci­al. O Money20/20 pro­mo­veu e incen­ti­vou mui­tas dis­cus­sões em tor­no das crip­to­mo­e­das e foi qua­se impos­sí­vel sair do even­to sem acre­di­tar que o futu­ro do dinhei­ro pas­sa por padrões mone­tá­ri­os digi­tais, des­cen­tra­li­za­dos e acei­tos pelos ban­cos cen­trais. Alguns dias depois, não cau­sou sur­pre­sa a cri­a­ção de uma crip­to­mo­e­da pela Sué­cia. Isso por­que o block­chain fun­ci­o­na como um token per­ma­nen­te de legi­ti­ma­ção de tran­sa­ções finan­cei­ras pra­ti­ca­men­te inque­brá­vel. Luxem­bur­go já cri­ou um “block­chain act” para regu­lar seu uso e a Comu­ni­da­de Euro­peia tra­ba­lha no desen­vol­vi­men­to de um sis­te­ma de trans­fe­rên­cia finan­cei­ra trans­na­ci­o­nal entre pes­so­as – seme­lhan­te à nos­sa TED – que fun­ci­o­ne 24x7x365, com pro­to­co­lo block­chain. É por fatos como esse que o block­chain é con­si­de­ra­do a ino­va­ção com mai­or poten­ci­al para rein­ven­tar seg­men­tos de mer­ca­dos intei­ros des­de o adven­to da inter­net.

RAP­PER AME­RI­CA­NO AKON LAN­ÇOU SUA PRÓ­PRIA CRIP­TO­MO­E­DA, A ‘AKOIN’, PARA GERAR NEGÓ­CI­OS DE IMPAC­TO SOCI­AL NO SENE­GAL

INTE­LI­GÊN­CIA ARTI­FI­CI­AL: O GÊNIO SAIU DA LÂM­PA­DA

   Se a visão de Inte­li­gên­ci­as Arti­fi­ci­ais desem­pe­nhan­do as mais diver­sas fun­ções repe­ti­ti­vas com índi­ce de erro per­to de zero e pro­du­ti­vi­da­de expo­nen­ci­al assus­ta a mão de obra e a esca­la glo­bal, ela tam­bém incen­ti­va pro­je­ções menos apo­ca­líp­ti­cas para não dizer fran­ca­men­te oti­mis­tas. Dois gigan­tes do mer­ca­do finan­cei­ro glo­bal têm ini­ci­a­ti­vas incri­vel­men­te bem-suce­di­das base­a­das em IA. O JPMor­gan Cha­se desen­vol­veu um sis­te­ma que com­bi­na as com­pe­tên­ci­as huma­na e da máqui­na para for­ne­cer melho­res con­se­lhos e dicas de inves­ti­men­to para seus cli­en­tes. IAs per­mi­tem iden­ti­fi­car padrões, pro­ces­sar ope­ra­ções e tare­fas veloz­men­te. E, por exten­são, tor­nam o pro­ces­so de reco­men­da­ção auto­má­ti­co, flui­do e pra­ti­ca­men­te ina­to. As capa­ci­da­des das IAs per­mi­tem enten­der e inter­pre­tar a lin­gua­gem e pro­ver res­pos­tas qua­li­fi­ca­das. O Gold­man Sachs, mai­or ban­co de inves­ti­men­tos do mun­do, uma len­da – para o bem e para o mal – de Wall Stre­et (e que incen­ti­vou a cri­a­ção de ban­cos influ­en­tes como BTG no Bra­sil – sua sigla seria fru­to da expres­são Bet­ter Than Gold­man), cri­ou a pla­ta­for­ma Mar­cus, de ori­en­ta­ção finan­cei­ra para peque­nos cli­en­tes. Em menos de dois anos de ope­ra­ção, Mar­cus já tem mais de 2 milhões de cli­en­tes que pagam assi­na­tu­ras men­sais para ter aces­so às infor­ma­ções que pos­sam ori­en­tar sua vida finan­cei­ra.

   As IAs estão avan­çan­do mui­to mais rapi­da­men­te no pla­no dos Assis­ten­tes Pes­so­ais coman­da­dos por voz. A evo­lu­ção ace­le­ra­da de dis­po­si­ti­vos e sis­te­mas como Ale­xa, da Ama­zon, Goo­gle Talk, do Goo­gle e Siri, da Apple mexem com a ima­gi­na­ção de jor­na­lis­tas, visi­o­ná­ri­os e espe­ci­a­lis­tas em tec­no­lo­gia. Casas conec­ta­das, car­ros autô­no­mos, com­pras pre­de­ter­mi­na­das e o ganho de tem­po para os con­su­mi­do­res que podem orga­ni­zar sua vida somen­te deman­dan­do tare­fas para seus assis­ten­tes apon­tam para rup­tu­ras séri­as nos padrões de con­su­mo. O fato é que uma IA na ver­da­de é um sis­te­ma que “apren­de” incor­po­ran­do a infor­ma­ção que se per­mi­te cir­cu­lar por nós. Pou­co a pou­co, esses dis­po­si­ti­vos vão assi­mi­lan­do padrões que aten­dem às expec­ta­ti­vas dos usuá­ri­os nas mais vari­a­das tare­fas – play­lists musi­cais, séri­es, pro­gra­ma­ção espor­ti­va, com­pras recor­ren­tes, veri­fi­ca­ção de sal­dos e extra­tos – com a segu­ran­ça da bio­me­tria de voz.

   Nes­se sen­ti­do, assis­ten­tes vir­tu­ais fun­ci­o­nam como uma pla­ta­for­ma pre­de­ter­mi­na­da de paga­men­to, com­bi­nan­do sem­pre a melhor alter­na­ti­va – paga­men­tos em débi­to, cré­di­to, car­tei­ra digi­tal – no orça­men­to esti­pu­la­do, para os pro­du­tos e as mer­cas esti­pu­la­dos. Ora, esses mes­mos dis­po­si­ti­vos podem ser a por­ta de entra­da para um mer­ca­do finan­cei­ro à par­te, que gra­vi­te à mar­gem dos gran­des ban­cos. Ale­xa não é um brin­que­di­nho. É o aces­so para um mun­do de ser­vi­ços finan­cei­ros con­ve­ni­en­tes cri­a­dos pela Ama­zon, tais como: Ama­zon Pay, sis­te­ma de paga­men­to, Ama­zon Pri­me Visa, car­tão de cré­di­to, Ama­zon Len­ding, emprés­ti­mos, Ama­zon Cash, para saques e até recar­gas com Ama­zon Rechar­ge­a­ble. Tudo isso por coman­do de voz. Se alguém está olhan­do ape­nas para o comér­cio con­ver­sa­ci­o­nal, no qual cli­en­tes inte­ra­gem com dis­po­si­ti­vos, melhor pen­sar no hori­zon­te de um novo ecos­sis­te­ma finan­cei­ro se for­man­do, no qual vare­jis­tas e ban­cos tra­di­ci­o­nais podem ser atro­pe­la­dos por vare­jis­tas e fin­te­chs insur­gen­tes, que se colo­cam no mer­ca­do “gra­du­al­men­te e então o con­quis­tam repen­ti­na­men­te”, como apon­tou Anand Sanwal, CEO da pla­ta­for­ma CB Insights.

   A for­ça incon­tro­lá­vel das IAs é ates­ta­da pelos mais de US$ 30 bilhões já inves­ti­dos este ano no desen­vol­vi­men­to de sis­te­mas e tam­bém de machi­ne lear­ning.

A EXPE­RI­ÊN­CIA DO CLI­EN­TE

   Com­bi­nan­do IA, mei­os de paga­men­to e fin­te­chs, recria-se a expe­ri­ên­cia do con­su­mi­dor. Os dados gera­dos e cap­ta­dos pelas empre­sas podem ori­en­tar novas estra­té­gi­as, mas, sobre­tu­do, são a essên­cia de uma nova manei­ra de se fazer negó­ci­os. A auto­ma­ção pres­cin­de da ela­bo­ra­ção huma­na para asse­gu­rar a leal­da­de do cli­en­te. Bas­ta que o faça pen­sar que a empre­sa está pen­san­do nele. É o sufi­ci­en­te. Sem raci­o­na­li­zar, o cli­en­te está pron­to para ade­rir a reco­men­da­ções, impres­sões de outros cli­en­tes, rese­nhas e “esco­lhas” apon­ta­das pelos ambi­en­tes vir­tu­ais, mes­mo nas lojas físi­cas. O ápi­ce da expe­ri­ên­cia do cli­en­te é fazer com que ele não se inqui­e­te, não ques­ti­o­ne, ape­nas rea­li­ze tran­sa­ções com um cli­que, um coman­do ou nem isso.

   “A revo­lu­ção do dinhei­ro” pro­pos­ta pelo Money20/20 2018 é antes uma ten­ta­ti­va de com­pre­en­der o cená­rio geral de pes­qui­sas e ino­va­ções em série que se acu­mu­lam e são ado­ta­das por empre­sas com ânsia de dis­rup­ção. Sig­ni­fi­ca tal­vez a que­da de Roma, após déca­das ou pelo menos dois sécu­los de pre­do­mi­nân­cia de uma estru­tu­ra de com­pra, ven­da, con­tra­ta­ção e tran­sa­ção, com melho­ri­as incre­men­tais que não alte­ra­vam as regras do jogo.

   O jogo está mudan­do e as regras ain­da estão sen­do escri­tas. É a saga da moe­da digi­tal, um capí­tu­lo dra­má­ti­co e cheio de sus­pen­se da vida digi­tal.

INSIGHTS DA CB INSIGHTS

A par­tir do con­teú­do ofe­re­ci­do pelos prin­ci­pais even­tos de ino­va­ção do mun­do, o Cen­tro de Inte­li­gên­cia Padrão cus­to­mi­za um pai­nel de insights. Con­fi­ra as linhas gerais do Money20/20*

MUDAN­ÇA DE PADRÃO MONE­TÁ­RIO — O dinhei­ro físi­co está na ber­lin­da, tal­vez com os dias con­ta­dos, mes­mo em mer­ca­dos emer­gen­tes e regiões de pobre­za endê­mi­ca. A moe­da digi­tal é a for­ma mais sofis­ti­ca­da, aces­sí­vel e jus­ta de dis­tri­buir ren­da, em mode­los de crip­to­mo­e­da, peer-to-peer, O2P (Ong 2 Peer), crowd­fun­ding, crowd­sour­cing. Os insu­mos para a apo­sen­ta­do­ria com­ple­ta do dinhei­ro físi­co são inter­net, celu­lar e block­chain.

BLOCK­CHAIN — Será o vali­da­dor de toda e qual­quer tran­sa­ção, a tec­no­lo­gia capaz de garan­tir a ori­gem, o des­ti­no, o con­teú­do, a infor­ma­ção e o valor de cada tran­sa­ção. E enten­da-se por tran­sa­ção qual­quer – qual­quer – trans­mis­são de infor­ma­ção de um pon­to a outro.

DESIN­TER­ME­DI­A­ÇÃO DO SIS­TE­MA FINAN­CEI­RO – Apos­ta de alto ris­co, pelo ali­nha­men­to umbi­li­cal entre empre­sas – ban­cos – incum­ben­tes com agen­tes regu­la­do­res. Mas as fin­te­chs estão avan­çan­do rapi­da­men­te sobre o mer­ca­do como um todo, mos­tran­do que é pos­sí­vel aumen­tar a com­pe­ti­ção, colo­can­do o cli­en­te no cen­tro e ofe­re­cen­do melho­res ser­vi­ços e expe­ri­ên­ci­as. Agen­tes regu­la­do­res têm olha­do com sim­pa­tia para essa onda. Sem­pre é bom lem­brar: “gra­du­al­men­te e então repen­ti­na­men­te”.

HOME-COM­MER­CE — Uma casa conec­ta­da, com dis­po­si­ti­vos conec­ta­dos entre si e coman­da­dos por um assis­ten­te pes­so­al, será o novo shop­ping cen­ter. Ima­gi­ne que cada cômo­do ou área de uma resi­dên­cia – mes­mo as mais com­pac­tas – pode­rá ser fon­te de idei­as e deci­sões de con­su­mo. O banhei­ro “sabe­rá” quan­do pedir a pas­ta de den­tes, quan­do a esco­va de den­tes pre­ci­sa ser tro­ca­da, o sham­poo para cui­dar de cabe­los recém-ali­sa­dos. A cozi­nha “sabe­rá” quan­do pedir o cho­co­la­te das cri­an­ças ou a melhor épo­ca para com­prar os moran­gos – o micro-ondas “sabe­rá” a tem­pe­ra­tu­ra ide­al do seu pra­to, bem como a com­bi­na­ção caló­ri­ca ide­al para a sua die­ta, e assim por dian­te.

A EXPE­RI­ÊN­CIA DO CLI­EN­TE — Supre­ma é fazer o cli­en­te nem per­ce­ber que pre­ci­sa dela. Sis­te­mas de IA pode­rão “apren­der” tan­to sobre seus cli­en­tes que os pon­tos de atri­to serão eli­mi­na­dos. Sem essa inqui­e­ta­ção, o cli­en­te está pron­to para con­su­mir sem per­ce­ber que está. O mode­lo Net­flix esta­rá em toda par­te.

Tudo isso pode­rá acon­te­cer em um país como o Bra­sil? Para os céti­cos vale lem­brar que aca­ba­mos de ele­ger um pre­si­den­te usan­do a for­ça digi­tal como pla­ta­for­ma de cam­pa­nha. Con­vém estar pre­pa­ra­do.

*Para mais infor­ma­ções sobre insights dos even­tos aces­se
www.centrodeinteligenciapadrao.com.br

Para a cober­tu­ra deta­lha­da do con­teú­do do even­to, aces­ses os por­tais www.consumidormoderno.com.br e www.portalnovarejo.com.br – #cmnomoney2020 e #nvnomoney2020.