Fer­nan­do Yunes, CEO do Sem Parar

SEM FILAS E SEM PARA­DAS

Há qua­se dois anos no coman­do do Sem Parar, Fer­nan­do Yunes fala sobre o que a empre­sa tem fei­to para se man­ter rele­van­te para o con­su­mi­dor mes­mo dian­te da ousa­dia da con­cor­rên­cia

POR GABRI­EL­LA SAN­DO­VAL

   No ano de 2000, o gover­no de São Pau­lo deci­diu abrir con­ces­sões de rodo­vi­as com a exi­gên­cia de que elas já vies­sem com uma solu­ção de paga­men­to ele­trô­ni­co. Foi quan­do as empre­sas se reu­ni­ram para cri­ar uma solu­ção úni­ca: o Sem Parar, empre­sa que des­de 2016 per­ten­ce ao gru­po ame­ri­ca­no de mei­os de paga­men­to Fle­et­co­re. Com mais de 5 milhões de cli­en­tes e 90% de mar­ket sha­re, a com­pa­nhia, no come­ço foca­da em pedá­gi­os, pas­sou a diver­si­fi­car os seus negó­ci­os. Hoje, o Sem Parar está pre­sen­te em todos os Esta­dos com rodo­vi­as peda­gi­a­das e tam­bém em shop­pings, esta­ci­o­na­men­tos, pos­tos de gaso­li­na, esco­las, edi­fí­ci­os comer­ci­ais, lava-rápi­dos e, des­de janei­ro, em dri­ve-thrus do McDonald´s. Ao todo, 25% dos cli­en­tes que têm o dis­po­si­ti­vo já o usam na hora de com­prar seus lan­ches. “É aci­ma do que eles ima­gi­na­vam, mas abai­xo do que eu gos­ta­ria”, diz Fer­nan­do Yunes, CEO do Sem Parar. No coman­do da com­pa­nhia des­de mar­ço do ano pas­sa­do, depois de dez anos na Whirl­po­ol, o exe­cu­ti­vo con­ver­sou com a Con­su­mi­dor Moder­no sobre as estra­té­gi­as e os desa­fi­os da empre­sa em ter­mos de con­cor­rên­cia, ino­va­ção e aten­di­men­to ao cli­en­te. Con­fi­ra:

CON­SU­MI­DOR MODER­NO – O SEM PARAR ESTÁ QUA­SE DUAS DÉCA­DAS NO MER­CA­DO. QUAL É A ESTRA­TÉ­GIA PARA LIDAR COM A CON­COR­RÊN­CIA DE EMPRE­SAS COMO CONECT­CAR, VELOE E MOVE MAIS?

Fer­nan­do Yunes – Capi­la­ri­da­de, aumen­to de ven­das e redu­ção do churn. A com­pe­ti­ti­vi­da­de, cada vez mais inten­sa, é posi­ti­va para o mer­ca­do e faz todo mun­do tra­ba­lhar com mais adre­na­li­na, além de gerar mais ino­va­ção e cri­a­ti­vi­da­de. Cri­a­mos, por exem­plo, um pla­no mais em con­ta para quem roda nos cen­tros urba­nos e cobra­mos uma taxa a mais só se o cli­en­te sair da cida­de. Por outro lado, nos­sos con­cor­ren­tes vêm fazen­do pro­mo­ções agres­si­vas, ofe­re­cen­do inclu­si­ve gra­tui­da­de por perío­dos de 12 a 24 meses. Não cobrar nada por um ser­vi­ço que cus­ta tira valor per­ce­bi­do pelo ser­vi­ço e pode estra­gar um pou­co o mer­ca­do. Ques­ti­o­na­mos, inclu­si­ve, se isso não seria dum­ping. Não vamos entrar em guer­ra de pre­ço e, quan­to mais a con­cor­rên­cia bater em pre­ço, mais cri­a­ti­vos sere­mos para gerar ain­da mais valor e dife­ren­ci­a­ção. A nos­sa van­ta­gem é estar pre­sen­te em vári­os luga­res e fazer o tem­po do cli­en­te valer.

CM – O QUE FAZ UM CLI­EN­TE DEI­XAR O SEM PARAR?

FY – A gen­te sabe os prin­ci­pais pon­tos, mas ago­ra esta­mos mer­gu­lhan­do nis­so. O mai­or deles – e que pode ser pro­vi­só­rio – é a tro­ca de car­ro. A pes­soa ven­de o car­ro, liga e quer can­ce­lar. Mas esse é um erro de pro­ces­so nos­so, por­que não deve­ría­mos ter o car­ro como cli­en­te, mas sim o cli­en­te como cli­en­te. Em dois meses, espe­ra­mos que isso mude. Vamos pau­sar a assi­na­tu­ra, des­vin­cu­lar a pla­ca do nome do cli­en­te e per­mi­tir que ele rea­ti­ve a assi­na­tu­ra quan­do esti­ver com o car­ro novo. O segun­do pro­ble­ma é quan­do a pes­soa pega estra­da para tra­ba­lhar e dei­xa de fazer isso. O ter­cei­ro, a par­tir do momen­to em que a men­sa­li­da­de come­ça a pesar no orça­men­to e o uso não é tão fre­quen­te.

CMQUEM É O CLI­EN­TE DE VOCÊS?

FY – Temos os seg­men­tos B2B e B2C. Se o cami­nhão fizer 14 via­gens e parar em todos os pedá­gi­os, há des­gas­te da pas­ti­lha de freio, aumen­to no gas­to de com­bus­tí­vel, além da per­da de tem­po. Em três dias de tra­ba­lho, a men­sa­li­da­de se paga. No caso de pes­so­as físi­cas, temos cli­en­tes que via­jam para che­gar ao escri­tó­rio e pes­so­as que que­rem con­ve­ni­ên­cia e têm noção de que podem, como o Sem Parar, eco­no­mi­zar tem­po.

CMVOCÊS OLHAM COM ATEN­ÇÃO PARA AS STAR­TUPS?

FY – Menos do que deve­ría­mos. Temos uma pes­soa res­pon­sá­vel por ino­va­ção, mas pre­ci­sa­mos con­ver­sar mais com elas e bus­car par­ce­ri­as.

CMCOMO O SEM PARAR SE DEFI­NE E COMO ENXER­GA O FUTU­RO DO NEGÓ­CIO?

FY – Nós nos posi­ci­o­na­mos como uma empre­sa de tec­no­lo­gia, que bus­ca aju­dar a cons­truir um mun­do sem filas e para­das. E para con­se­guir isso usa­mos mei­os de paga­men­to e con­tro­les de aces­so. A gen­te se vê como uma empre­sa que vai seguir faci­li­tan­do e geran­do con­ve­ni­ên­cia na vida do con­su­mi­dor.