CAIO BLIN­DER

Jor­na­lis­ta e um dos apre­sen­ta­do­res do pro­gra­ma Manhat­tan Con­nec­ti­on da Glo­bo­News

SONHOS

DE CON­SU­MO

SONHOS

DE CON­SU­MO

CAIO BLIN­DER
Jor­na­lis­ta e um dos
apre­sen­ta­do­res do pro­gra­ma
Manhat­tan Con­nec­ti­on
da Glo­bo­News

CAIO BLIN­DER
Jor­na­lis­ta e um dos
apre­sen­ta­do­res do pro­gra­ma
Manhat­tan Con­nec­ti­on
da Glo­bo­News

O vare­jo, no fim das con­tas, paga o pre­ço por trei­nar o con­su­mi­dor ame­ri­ca­no a ser tão bara­to”

  O que fazer quan­do o con­su­mi­dor fica mui­to bara­to? Sim, o con­su­mi­dor ame­ri­ca­no está tão estra­ga­do que tem aver­são à alta dos pre­ços do que com­pra. Ele ficou tão acos­tu­ma­do ao pre­ço bai­xo que se tor­nou uma teme­ri­da­de para os vare­jis­tas mexer com esta cul­tu­ra.

  Os exem­plos pipo­cam em um momen­to de incer­te­zas na eco­no­mia ame­ri­ca­na sobre o tama­nho da reces­são que se avi­zi­nha (e quem sabe seja mais uma maro­li­nha do que um tsu­nâ­mi) e a bola de neve na guer­ra de tari­fas entre os EUA e o res­to do mun­do. A len­dá­ria Macy’s ensai­ou pas­sos para embu­tir cus­tos de tari­fas, enca­re­cen­do pro­du­tos como malas e móveis, mas sen­tiu o cla­mor popu­lar e deve rever­ter a deci­são.

  O agres­si­vo gru­po bara­tei­ro Tar­get pres­si­o­na seus for­ne­ce­do­res, que com­pram pro­du­tos chi­ne­ses, a segu­rar as pon­tas, sem aumen­tar os pre­ços, e os exe­cu­ti­vos do gigan­te Wal­mart garan­tem que os pre­ços serão rea­jus­ta­dos ape­nas em últi­ma ins­tân­cia no cená­rio de guer­ra de tari­fas.

  O vare­jo, no fim das con­tas, paga o pre­ço por trei­nar o con­su­mi­dor ame­ri­ca­no a ser tão bara­to. Nes­te con­tex­to, é isso ou isso, na medi­da em que, numa eco­no­mia com 2/3 dela movi­dos por con­su­mo, o poder de bar­ga­nha do con­su­mi­dor jamais pode ser des­con­ta­do.

  Iro­ni­ca­men­te, o coman­do da Amé­ri­ca cor­po­ra­ti­va bai­xou os níveis de oti­mis­mo sobre as pers­pec­ti­vas econô­mi­cas no fim de 2019, três anos depois do sur­pre­en­den­te triun­fo elei­to­ral de Trump, mas este esta­do de âni­mo con­tras­ta com o vigor do con­su­mi­dor.

  Ele segue gas­tan­do, o que ali­via as apre­en­sões sobre o mons­tro da reces­são. Por­tan­to, é um luxo para a eco­no­mia ame­ri­ca­na ter este vigo­ro­so con­su­mi­dor, não impor­tan­do que ele seja bara­to.

  O con­su­mi­dor é um vito­ri­o­so, e o ates­ta­do de óbi­to do shop­ping cen­ter, a meca do con­su­mo, sem­pre se reve­la pre­ma­tu­ro, seja por sua capa­ci­da­de de se rein­ven­tar, seja de res­sus­ci­tar. O mall mais caro já cons­truí­do nos EUA foi inau­gu­ra­do nas ban­das de Nova York (do outro lado do Rio Hud­son, em Nova Jer­sey).

  Na metá­fo­ra sob medi­da, o mall foi cons­truí­do em uma área pan­ta­no­sa adja­cen­te ao com­ple­xo espor­ti­vo Mea­do­wlands. O pro­je­to por eta­pas vai ser fina­li­za­do em 2021 a um cus­to total de US$ 6 bilhões. A ple­no vapor, será o mai­or mall no país, supe­ran­do o Mall of Ame­ri­ca, no Esta­do de Min­ne­so­ta. São dois pro­je­tos do mes­mo empre­en­de­dor cana­den­se, Tri­ple Five. Tudo bem que dro­nes come­ça­ram a fazer entre­gas on-line. O sonho ame­ri­ca­no do mega­mall é per­sis­ten­te.

  Per­dão pelo tro­ca­di­lho, mas o nome do mall é Ame­ri­can Dre­am. Ape­sar do pesa­de­lo que são os diag­nós­ti­cos ter­mi­nais sobre o mall, a indús­tria de vare­jo está liga­da à expe­ri­ên­cia do Ame­ri­can Dre­am, ansi­o­sa para saber se sua fór­mu­la será um suces­so ou ano.

  E a fór­mu­la é o espe­tá­cu­lo. Tra­ta-se do pri­mei­ro mall ame­ri­ca­no em que exis­te mais espa­ço para entre­te­ni­men­to, diver­sões ao esti­lo par­que temá­ti­co e res­tau­ran­tes, do que lojas. Have­rá uma fili­al da Macy’s no mall, mas será pos­sí­vel tam­bém esqui­ar lá den­tro.

  Não é à toa que os empre­en­de­do­res do Tri­ple Five se recu­sam a defi­nir o pro­je­to como um mall e sim como uma “incrí­vel cole­ção de expe­ri­ên­ci­as sin­gu­la­res”.

O vare­jo, no fim das con­tas, paga o pre­ço por trei­nar o con­su­mi­dor ame­ri­ca­no a ser tão bara­to”