per­so­na­li­da­de

Tati­a­na Nolas­co Rota de aço

Cari­o­ca, mãe e fun­ci­o­ná­ria da mes­ma empre­sa há 20 anos, Tati­a­na Nolas­co é a pri­mei­ra dire­to­ra indus­tri­al da Amé­ri­ca Lati­na da mai­or side­rúr­gi­ca do mun­do

Por Ana Weiss

Ao atra­ves­sar, com seu melhor par de sapa­tos altos, a por­ta para a sala de can­di­da­tos a uma vaga de está­gio na side­rúr­gi­ca sul-flu­mi­nen­se, todos homens, Tati­a­na Nolas­co achou que esti­ves­se fora. Essa foi a últi­ma vez em que a enge­nhei­ra de pro­du­ção, hoje com 40 anos, duvi­dou da sua capa­ci­da­de de cole­ci­o­nar vitó­ri­as na car­rei­ra no mas­cu­li­no setor da side­rur­gia. Pri­mei­ra mulher a assu­mir o car­go de dire­to­ra de uni­da­de indus­tri­al da Arce­lor­Mit­tal na Amé­ri­ca Lati­na, Nolas­co, mãe de Rafa­el, 6, e Pau­la, 4, assu­me uma equi­pe de mais de 800 pro­fis­si­o­nais, qua­se todos homens, com a tran­qui­li­da­de de quem sedi­men­tou uma car­rei­ra de ori­gem téc­ni­ca, mas com o acú­mu­lo de expe­ri­ên­ci­as de ges­tão desa­fi­a­das por momen­tos crí­ti­cos da aci­a­ria no Bra­sil e no mun­do, e mais amplas como a pan­de­mia do novo coro­na­ví­rus, da qual, garan­te, a empre­sa sai ile­sa e for­ta­le­ci­da gra­ças à velo­ci­da­de e ao espí­ri­to cola­bo­ra­ti­vo das deci­sões, que foram da adap­ta­ção da estru­tu­ra à ori­en­ta­ção esten­di­da às famí­li­as dos fun­ci­o­ná­ri­os.

con­su­mi­dor moder­no – A deci­são do seu nome para o pos­to estra­té­gi­co da Arce­lor­Mit­tal ocor­reu simul­ta­ne­a­men­te ao impac­to da pan­de­mia da COVID-19 no Bra­sil. Esses fatos se ligam de algu­ma manei­ra?

TATI­A­NA NOLAS­CO — O cres­ci­men­to e a aber­tu­ra de opor­tu­ni­da­des den­tro da empre­sa sem­pre esti­ve­ram cla­ros pra mim. Quan­do tive con­vi­tes para desa­fi­os em outras empre­sas, por mais inte­res­san­tes que fos­sem, esco­lhi ficar. Eu que­ria e sabia que che­ga­ria nes­se lugar. Foi uma cons­tru­ção.

cm – E como foi então che­gar a esse pon­to alto com a empre­sa com o tama­nho da entre­ga da Arce­lor­Mit­tal imer­sa em um dos mai­o­res desa­fi­os civi­li­za­tó­ri­os dos últi­mos tem­pos, ten­do que rea­dap­tar pro­ces­sos de natu­re­za ain­da mui­to pre­sen­ci­al?

TN — De fato, Bar­ra Man­sa não parou. Mas ado­ta­mos, des­de o momen­to em que o vírus se espa­lhou na Euro­pa, pro­to­co­los rígi­dos de segu­ran­ça como a colo­ca­ção de tape­tes desin­fe­tan­tes em todas as entra­das, a medi­ção de tem­pe­ra­tu­ra diá­ria, a sepa­ra­ção com acrí­li­co nas mesas de refei­ção, que pas­sa­ram de oito a dois ocu­pan­tes por vez, a implan­ta­ção de um sis­te­ma diá­rio de che­ca­gem onli­ne do qua­dro clí­ni­co de fun­ci­o­ná­ri­os (qual­quer mal-estar regis­tra­do pelos pro­fis­si­o­nais de saú­de fazia com que dei­xás­se­mos o fun­ci­o­ná­rio em casa até a veri­fi­ca­ção do diag­nós­ti­co) e o desen­vol­vi­men­to de car­ti­lhas e jogos para as famí­li­as dos cola­bo­ra­do­res. Eu par­ti­ci­pa­va da comis­são de cri­se. Sem­pre me envol­vi no que pude nas deman­das crí­ti­cas ou não da empre­sa.

cm – O fato de ser mulher difi­cul­tou seu cami­nho pro­fis­si­o­nal?

TN  — É evi­den­te que esta­mos em um ambi­en­te femi­ni­no. Na uni­ver­si­da­de, tínha­mos uma pro­por­ção bem equi­li­bra­da de homens e mulhe­res. Não vejo o mes­mo no mer­ca­do. Em momen­tos cru­ci­ais do meu cres­ci­men­to, me vi cer­ca­da ape­nas de homens. Mas, tal­vez até por ser mulher, me sen­ti desa­fi­a­da a tra­ba­lhar duro para che­gar até aqui. Sin­to um orgu­lho imen­so de ser a pri­mei­ra mulher nes­se pos­to.