Julia Petit, da mar­ca Sall­ve — Foto: Dou­glas Luc­ce­na
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Pio­nei­ra do con­teú­do em mul­ti­for­ma­tos, Julia Petit fala de ino­va­ção e das ten­dên­ci­as que domi­nam seus pro­je­tos
POR DIMAS RIBEI­RO
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con­teú­do pare­ce ter-se tor­na­do o cer­ne das rela­ções ciber­né­ti­cas. Com uma chu­va de pos­ta­gens e con­teú­dos diá­ri­os, fica a per­gun­ta: o que real­men­te é rele­van­te? Para um assun­to tão impor­tan­te, nada melhor do que uma pio­nei­ra da inter­net: Julia Petit. Seu site de entre­te­ni­men­to e bele­za, o Petis­cos, foi refe­rên­cia sobre como pro­du­zir novos for­ma­tos, e o pri­mei­ro bra­si­lei­ro a sina­li­zar publi­ca­ções pagas. Julia cons­truiu sua mar­ca pes­so­al e res­pei­to na indús­tria como nin­guém, cha­mou a aten­ção da gigan­te MAC Cos­me­tics e, hoje, após um ano sabá­ti­co e o fim do Petis­cos, assu­me a dire­ção cri­a­ti­va da Sall­ve, mar­ca que em menos de um ano já abo­ca­nha fati­as do mer­ca­do de nomes como Natu­ra e Avon. A empre­sa come­ça com outro pio­nei­ris­mo: o con­su­mi­dor como pon­to de par­ti­da para a cri­a­ção de novos pro­du­tos, cola­bo­ra­ções aber­tas e mui­to, mas mui­to con­teú­do. O que pode­mos apren­der com uma men­te que pro­du­ziu tan­tas ini­ci­a­ti­vas de suces­so em um uni­ver­so tão mutá­vel? Con­fi­ra nos­sa con­ver­sa exclu­si­va.

CON­SU­MI­DOR MODER­NO – Como sur­giu esse espí­ri­to de reno­va­ção des­de o come­ço? De famí­lia, você já vem de agên­ci­as de publi­ci­da­de e depois foi para o con­teú­do on-line e ago­ra tem uma mar­ca de cos­mé­ti­cos de mui­to suces­so…

Julia Petit – Para mim, todos esses mun­dos estão conec­ta­dos. Tra­ba­lhei em agên­cia até o ano 2000. Após isso, quis atu­ar no mer­ca­do de outras for­mas e aí tive dois estú­di­os de pro­du­ção musi­cal até 2013, nos quais fazía­mos jin­gles, spots e tudo o mais. Ali, entre a aber­tu­ra do segun­do estú­dio, fui con­vi­da­da para uma colu­na na Revis­ta Con­ti­go, na qual come­cei a escre­ver. Quan­do isso pas­sou, me per­gun­tei onde pode­ria con­ti­nu­ar a pro­du­zir aque­le mes­mo con­teú­do e foi quan­do pen­sei em abrir o Petis­cos. Isso em uma épo­ca em que os blogs eram pes­so­ais, não tinham essa pega­da de falar de lifesty­le, cul­tu­ra pop, mar­cas e tudo o mais. Ali, per­ce­bi que as pes­so­as que­ri­am mui­to esse tipo de con­teú­do. Em seis meses, éra­mos um dos mai­o­res blogs e come­ça­mos a pen­sar em um espa­ço espe­cí­fi­co para anun­ci­an­tes.

CM – E como foi o pro­ces­so de tra­zer um for­ma­to de publi­ci­da­de que ain­da não era tão comum na inter­net?

JP – Ten­ta­mos pen­sar em novas for­mas de fazer publi­ci­da­de. Aí nas­ceu o publi­e­di­to­ri­al na inter­net. Fomos o pri­mei­ro site a mar­car como “publi”, e isso sur­giu da neces­si­da­de de o públi­co enten­der se aqui­lo era publi­ci­da­de ou não. Pen­sa­mos em um for­ma­to orgâ­ni­co, dife­ren­te, e deu mui­to cer­to.

 

A Sall­ve, mar­ca de Petit, é cita­da pelos prin­ci­pais pes­qui­sa­do­res de ten­dên­ci­as e futu­ró­lo­gos bra­si­lei­ros como um exem­plo da ten­dên­cia de col­lab: uma união com os con­su­mi­do­res para desen­vol­ver solu­ções com base em suas neces­si­da­des.

Em menos de um ano, a mar­ca alcan­çou núme­ros gigan­tes nas redes soci­ais e já lan­çou diver­sos best-sel­lers esgo­ta­dos duran­te o lan­ça­men­to.

CM – Você sem­pre falou mui­to sobre a impor­tân­cia de con­teú­do rele­van­te. Como isso pesou na sua car­rei­ra?

JP – Che­gou uma hora em que está­va­mos sem assun­to no Petis­cos. Eu tinha mui­tas pre­o­cu­pa­ções: há mui­to con­teú­do à dis­po­si­ção das pes­so­as. Pre­ci­sa­mos de mais? Depois, as pes­so­as vivem sen­do impac­ta­das por publi­ci­da­de. Qual é o resul­ta­do dis­so? Foi ali que parei para pen­sar: como vou entre­gar con­teú­do para as pes­so­as daqui pra fren­te? Sem cobrar delas? De for­ma rele­van­te? Como dou esses pas­sos para trás em algo tão adi­an­ta­do? Foi quan­do tirei um ano sabá­ti­co e inves­ti na minha von­ta­de de mon­tar uma mar­ca de cos­mé­ti­cos.

CM – E como a Sall­ve se dife­re nes­se sen­ti­do? A mar­ca come­çou com uma col­lab aber­ta com os con­su­mi­do­res. Como isso se deu?

JP – Eu acho que, de novo, há uma coi­sa de sin­cro­ni­ci­da­de. As pes­so­as ago­ra pos­su­em uma gran­de von­ta­de de par­ti­ci­par do que con­so­mem. Isso é exa­ta­men­te o que já fazía­mos no por­tal: con­ver­sas aber­tas e cons­tan­tes. Pre­ci­sá­va­mos ser úteis para as pes­so­as, enten­der as suas neces­si­da­des. É mui­to melhor cri­ar jun­to. No fim, o pro­du­to não é nos­so, é de todo o mun­do. E con­ti­nu­a­mos a pro­du­zir con­teú­do, somos uma mar­ca de con­ver­sas sobre bele­za e tudo o que sai de nós é com base na tro­ca com nos­sos cli­en­tes.