VARE­JO EM MOVI­MEN­TO

TRANS­FOR­MA­ÇÃO DIGI­TAL SAI DO DIS­CUR­SO E ESTA­BE­LE­CE NOVOS CON­CEI­TOS DE COM­PE­TI­TI­VI­DA­DE ENTRE OS PLAYERS VARE­JIS­TAS

POR VINI­CIUS GON­ÇAL­VES 

   As agen­das estra­té­gi­cas das empre­sas foram radi­cal­men­te res­sig­ni­fi­ca­das pela neces­si­da­de de inves­tir em tec­no­lo­gia e cres­ci­men­to sus­ten­tá­vel. Embo­ra o Bra­sil tenha demo­ra­do mais que outros mer­ca­dos para abra­çar a cau­sa da trans­for­ma­ção digi­tal, o fenô­me­no entrou defi­ni­ti­va­men­te no radar das com­pa­nhi­as vare­jis­tas atu­an­tes no País.

   Para se ter uma ideia de como o tema entrou para o jogo por aqui, um levan­ta­men­to da Asso­ci­a­ção Bra­si­lei­ra das Empre­sas de Tec­no­lo­gia da Infor­ma­ção e Comu­ni­ca­ção (Bras­s­com), divul­ga­do em setem­bro des­te ano, reve­la que mais de 7% do PIB naci­o­nal tem sido apli­ca­do em inves­ti­men­tos rela­ci­o­na­dos à Tec­no­lo­gia da Infor­ma­ção e Comu­ni­ca­ção (TIC).

   De acor­do com a mes­ma pes­qui­sa, as pro­je­ções são oti­mis­tas. Até 2021, os inves­ti­men­tos des­ta natu­re­za devem atin­gir a quan­tia de R$ 250 bilhões, o que deve abran­ger solu­ções rela­ci­o­na­das à digi­ta­li­za­ção de negó­ci­os, à Inter­net das Coi­sas (IoT), a Machi­ne Lear­ning, entre outras fer­ra­men­tas.

   Para Nel­son Duar­te Soa­res, Head of Digi­tal Retail and Logis­tics da Ste­fa­ni­ni, a mudan­ça tam­bém foi impul­si­o­na­da por um novo com­por­ta­men­to por par­te do con­su­mi­dor – mais cons­ci­en­te e menos paci­en­te com os atri­tos em sua comu­ni­ca­ção com as mar­cas e empre­sas que con­so­me.

   “O que vemos como van­ta­gem da trans­for­ma­ção digi­tal é que acon­te­ceu um empo­de­ra­men­to efe­ti­vo do con­su­mi­dor final. A tec­no­lo­gia está mais bara­ta, aces­sí­vel e evo­luí­da”, expli­ca o exe­cu­ti­vo.

   Como con­sequên­cia, os prin­ci­pais players vare­jis­tas se apres­sa­ram para cri­ar solu­ções que eli­mi­nem as cau­sas que fazem com que os cli­en­tes entrem em con­ta­to para recla­mar. Soa­res expli­ca que inves­tir em estra­té­gi­as e softwa­res que faci­li­tam o mape­a­men­to de con­tex­to e a neces­si­da­de de seus con­su­mi­do­res se mos­tra fun­da­men­tal para quem dese­ja enten­der esse novo mer­ca­do.

   “Temos um ecos­sis­te­ma de enga­ja­men­to, o Ste­fa­ni­ni Ins­pi­ring, que con­se­gue fazer a redu­ção de cus­tos do CRM, que é algo que cos­tu­ma dre­nar mui­to dinhei­ro das empre­sas e, ao mes­mo tem­po, aumen­ta a satis­fa­ção do cli­en­te para a orga­ni­za­ção”, diz.

   O exe­cu­ti­vo cita o exem­plo de uma das con­tra­tan­tes da pla­ta­for­ma que faz até 1 tri­lhão de tran­sa­ções por mês. “Um case mui­to impor­tan­te que temos é de uma gran­de ope­ra­do­ra de tele­co­mu­ni­ca­ções que con­se­guiu resul­ta­dos mui­to expres­si­vos fazen­do jus­ta­men­te isso, mape­an­do os hábi­tos do seu con­su­mi­dor. Com os pré-pagos, por exem­plo, per­ce­ber quan­do o cré­di­to esti­ver aca­ban­do e pre­pa­rar uma ofer­ta exclu­si­va para ele”, diz.

TEC­NO­LO­GIA E COM­PE­TI­TI­VI­DA­DE

   A cri­a­ção de tec­no­lo­gi­as ino­va­do­ras ocor­re em velo­ci­da­de que, mui­tas vezes, não con­se­gue ser acom­pa­nha­da pelo con­su­mi­dor e, por con­sequên­cia, essas tec­no­lo­gi­as demo­ram um pou­co para cair no uso popu­lar. Nes­se con­tex­to, o auto­a­ten­di­men­to pare­ce ser a gran­de apos­ta do seg­men­to vare­jis­ta para acom­pa­nhar o timing de evo­lu­ção e o com­por­ta­men­to des­se novo con­su­mi­dor. “Não é quem tem mais tec­no­lo­gia, mas quem sabe uti­li­zá-la melhor. E saber melhor usar inclui for­te­men­te o con­cei­to de res­pei­to ao con­su­mi­dor, por­que às vezes você tem uma tec­no­lo­gia mui­to boa, mas é intru­si­va. Enten­do que seja isso que a trans­for­ma­ção digi­tal trou­xe para o ecos­sis­te­ma todo: o cli­en­te no cen­tro o tem­po todo”, con­tex­tu­a­li­za Soa­res.

   Um exem­plo de inte­gra­ção de canais imple­men­ta­do pela empre­sa é o Smart Loc­ker, uma espé­cie de armá­rio inte­li­gen­te que, por meio de apli­ca­ti­vo, per­mi­te que o cli­en­te reti­re os pro­du­tos que com­prou via e-com­mer­ce em qual­quer lugar de sua pre­fe­rên­cia. “O mer­ca­do tem rece­bi­do isso for­te­men­te por­que, pelo lado cli­en­te, ele não paga o fre­te e reti­ra na hora e no lugar que ele qui­ser. Para o vare­jis­ta, ele melho­ra a logís­ti­ca de ‘deso­va’ dos pro­du­tos dife­ren­te­men­te de uma loja”, escla­re­ce o exe­cu­ti­vo.

   Em tem­pos nos quais a tec­no­lo­gia mol­da com­por­ta­men­tos e ten­dên­ci­as, os mode­los de negó­cio pas­sam por pro­fun­da revi­são de con­cei­tos, em que a pre­ven­ção e a trans­pa­rên­cia são ele­men­tos fun­da­men­tais da car­ti­lha que rege as boas prá­ti­cas com seus cli­en­tes. Visão sis­tê­mi­ca e pre­pa­ro para lidar com as mudan­ças de com­por­ta­men­to do con­su­mi­dor se mos­tram como os gran­des desa­fi­os, e não have­rá espa­ço para com­pa­nhi­as que não se rein­ven­ta­rem.