VES­TI­DOS PARA A ERA DO COM­PAR­TI­LHA­MEN­TO

HIS­TO­RI­CA­MEN­TE LIGA­DA AO ALU­GUEL DE ROU­PAS PARA FES­TAS, A BLACK TIE DECI­DIU TRANS­FOR­MAR O MER­CA­DO EM QUE ATUA

POR MELIS­SA LULIO

ma das prin­ci­pais mega­ten­dên­ci­as indi­ca­das para o futu­ro (e que, inclu­si­ve, já pode ser sen­ti­da no pre­sen­te) é a ima­te­ri­a­li­za­ção. Iden­ti­fi­ca­da pelo Cope­nha­gen Ins­ti­tu­te for Futu­res Stu­di­es (CIFS), ela tem duas ver­ten­tes. Uma delas indi­ca a trans­for­ma­ção de pro­du­tos físi­cos em ima­te­ri­ais (como o pro­ces­so de trans­for­ma­ção do CD em stre­a­ming); a outra apon­ta para o aumen­to da impor­tân­cia das expe­ri­ên­ci­as, em detri­men­to da pos­se de pro­du­tos físi­cos (com­pen­sa mais alu­gar um apar­ta­men­to a cada via­gem do que ter uma casa na praia, por exem­plo).

   Com isso, diver­sas empre­sas sur­gi­ram – clu­bes de assi­na­tu­ra, apps de com­par­ti­lha­men­to de casas e car­ros, ser­vi­ços de cui­da­dos com ani­mais. E uma das mais recen­tes ino­va­ções nes­se sen­ti­do impac­ta­rá posi­ti­va­men­te o mode­lo de negó­cio das com­pa­nhi­as que ofe­re­ce­rem rou­pas para fes­tas.

   Diver­sas idei­as fazem par­te do novo momen­to da Black Tie, empre­sa que atua há 40 anos no mer­ca­do de alu­guéis de rou­pas de fes­ta e, por­tan­to, sem­pre teve a expe­ri­ên­cia de com­par­ti­lha­men­to em seu core busi­ness. Como con­ta o CEO, Cris­to­fer Mic­ke­nha­gen, a ins­pi­ra­ção veio dos EUA. “Em 2016, tive a opor­tu­ni­da­de de conhe­cer a for­ma como o setor atua por lá e, fazen­do esse ben­ch­mark, con­se­gui tra­zer o mode­lo ope­ra­ci­o­nal que, hoje, nos per­mi­te imple­men­tar nos­so e‑commerce”, diz.

   Atu­al­men­te, a Black Tie tem qua­tro depar­ta­men­tos prin­ci­pais: noi­va, fes­ta, infan­til e mas­cu­li­no e 70% do negó­cio gira em tor­no de casa­men­to. “Sem­pre fomos conhe­ci­dos pela loca­ção de pro­du­tos, mas com um ser­vi­ço dife­ren­ci­a­do, de con­sul­to­ria – tan­to para iden­ti­fi­car o melhor ves­ti­do para o melhor momen­to quan­to para aten­der ao per­fil da cli­en­te, ao orça­men­to e indi­car algo que encai­xe no sonho da cli­en­te”, con­ta o CEO.

A ideia do e‑commerce não é só cri­ar um canal digi­tal para que o con­su­mi­dor tenha uma melhor expe­ri­ên­cia, mas levar nos­sa fer­ra­men­ta para par­cei­ros”

Cris­to­fer Mic­ke­nha­gen, CEO da Black Tie

PRE­SEN­ÇA ON-LINE

   Com esse viés de ser­vi­ço, a Black Tie lan­ça­rá, no mês de agos­to de 2019, o e‑commerce da mar­ca. “Enten­de­mos que, em vez de fazer algo 100% digi­tal, deve­ría­mos desen­vol­ver uma estru­tu­ra omni­chan­nel”, afir­ma. Isso sig­ni­fi­ca que, em vez de fazer toda a tran­sa­ção on-line, será pos­sí­vel expe­ri­men­tar ves­ti­dos na pró­pria loja.

   O pro­ces­so é sim­ples: no e‑commerce, a cli­en­te pode­rá usar fil­tros de data e de local, para fazer uma pré-sele­ção; em segui­da, agen­da­rá pro­va, que será fei­ta na loja. A reti­ra­da do pro­du­to será fei­ta pela cli­en­te e, se a peça esti­ver na Gran­de São Pau­lo, a devo­lu­ção será res­pon­sa­bi­li­da­de da empre­sa. Em 2020, esse ser­vi­ço se esten­de­rá para cida­des no raio de 150 km de São Pau­lo.

   Com isso, a empre­sa pode­rá cres­cer atra­vés de micro­fran­qui­as. “A ideia do e‑commerce não é só cri­ar um canal digi­tal para que o con­su­mi­dor tenha uma melhor expe­ri­ên­cia, mas levar nos­sa fer­ra­men­ta para par­cei­ros”, diz. “Por exem­plo, uma empre­sa que tem ape­nas pro­du­tos femi­ni­nos pode­rá ofe­re­cer rou­pas mas­cu­li­nas, com a mar­ca Black Tie”.

NOVOS HORI­ZON­TES

   Outra ino­va­ção está em linha com a ten­dên­cia de com­par­ti­lha­men­to. Como con­ta Mic­ke­nha­gen, a Black Tie pos­si­bi­li­ta­rá o com­par­ti­lha­men­to de ves­ti­dos que estão guar­da­dos nos armá­ri­os das cli­en­tes. Nes­se caso, bas­ta que a cli­en­te leve o pro­du­to para ava­li­a­ção. O pro­du­to pas­sa­rá por um cri­vo de loca­ção e, se esti­ver em con­di­ções ide­ais, pas­sa­rá a fazer par­te do acer­vo da empre­sa. A melhor par­te é que, a cada vez que o pro­du­to for alu­ga­do, a cli­en­te vai ganhar uma par­te do valor rece­bi­do pela empre­sa. “É uma rela­ção ganha-ganha”, diz.

   A Black Tie ino­vou ao dar mais auto­no­mia às noi­vas: a empre­sa desen­vol­veu estru­tu­ras de mode­la­gem para ofe­re­cer alter­na­ti­vas de per­so­na­li­za­ção para as cli­en­tes. Na prá­ti­ca, as cli­en­tes terão a pos­si­bi­li­da­de de dese­nhar o pró­prio ves­ti­do, esco­lhen­do deta­lhes, for­ma­tos, entre outras opções. Com isso, sen­ti­rão que são par­te da ela­bo­ra­ção de um dos itens mais impor­tan­tes para a rea­li­za­ção de um sonho.

   Como expli­ca o exe­cu­ti­vo, todas essas ino­va­ções são pos­sí­veis gra­ças à estru­tu­ra ver­ti­cal e dife­ren­ci­a­da da empre­sa: todos os ajus­tes, ser­vi­ços de lavan­de­ria, deta­lhes, bor­da­dos e ren­das são fei­tos inter­na­men­te. E, para ampli­ar a expe­ri­ên­cia na loja físi­ca, a Black Tie está abrin­do espa­ço para par­cei­ros que têm siner­gia com a ati­vi­da­de da empre­sa. Um exem­plo dis­so é a WineS­to­re, ela­bo­ra­da com a La Pas­ti­na, e o espa­ço de bele­za desen­vol­vi­do com o hair desig­ner Pau­lo Per­sil.